The Pitt - 2ª temporada

Então dona HBO, The Pitt - Night Shift, chega quando? - Sim, terminamos a segunda temporada da melhor série médica da atualidade, pedindo por um spin-of do plantão noturno. Não porque já enjoamos da galera do dia, mas porquê queremos acompanhar também a equipe noturna. 

Sem o frescor da novidade, a nova temporada de The Pitt tem o desafio de se manter tão relevante quanto o extremamente bem sucedido ano anterior. E ao invés de usar os casos médicos para isso, escolhe apostar nas relações humanas, principalmente da equipe, mas sem deixar os pacientes de lado. 

Dez meses se passaram desde o fatídico plantão do tiroteio no Pittfest. Langdon (Patrick Ball) está de volta de sua reabiliação, à contragosto de Robbie (Noah Wyle). O chefe da emergência desajava já ter saido em seu retiro sabático quando o antigo pupilo retornasse. Aliás o afastamento do médico é o motivo de uma das novas aquisições do time. A Dra. Al-Hashimi (Sepideh Moafi), sua substituta chega mais cedo para se enteirar da dinâmica do local, mas parece ter algum segredo. 

Os residentes que conhecemos em seu primeiro dia na temporada anterior, estão mais experientes e em diferentes estágios de sua formação acadêmica. Whitaker (Gerran Howell) é oficialmente médico, começando a orientar outros estudantes, iniciando uma família com uma ex-paciente e dividindo casa, e uma relação de amizade esquisita com a Dra. Santos (Isa Briones). Essa continua uma encrenqueira bem intencionada, com problemas com o retorno de Langdon e para atender as obrigações de sua residência. 

Samira (Supriya Ganesh) e Mell (Taylor Dearden) trazem problemas familiares para o plantão. Enquanto a última ainda lida com um processo mal apresentado e explorado. Já que nunca saímos da emergência, e só lidamos com o nervosismo da moça em torno dele. Javadi (Shabana Azeez) precisa decidir sua especialização, e também se tornou uma celebridade médica nas redes socias, outro assunto mal explorado.

Embora, mesmo mal explorado, todos esses pequenos casos servem de combustível para o stress de Robbie, que parece ter intenções mais sérias do que meras férias em seu afastamento. No limite, o personagem está muito mais explosivo, e mau humorado. Seu estado de espírito acaba afetando todo o clima da emergência, que como desafio extra, ainda sofre um ataque cibernético e volta ao caos analógico da burocracia de papel. 

Caos administrado pela enfermagem. É delicioso encontrar uma produção que valorize os enfermeiros tanto quanto, e as vezes até mais que os médicos. Da novata assustada, mas extremamente empática Emma (Laetitia Hollard), ao enfermeiro que defende os pacientes arriscando a própria liberdade Jesse (Ned Brower), até rostos conhecidos que ficamos felizes apenas por ver que sua vida evoluiu, como o pai recente Donnie (Brandon Mendez Homer). Todos é claro encabeçados pela Dana (Katherine LaNasa).

A enfermeira chefe traz os momentos mais marcantes da temporada. O embate com Robbie, que deixa todos chateados com a amizade abalada. A administração diante do caos analógico e da invasão de forças policiais. E, principalmente, com o didático tratamento dado à vítimas de abuso sexual. O programa mostra que o desafio não para no assédio e na denúncia. As vítimas ainda passam por todo um processo de coleta de provas, triste, constrangedor, e se não administrado da forma correta também invasivo e ainda mais traumático. 

E já que falei das forças policiais, atualizados com a realidade fora da série, os roteiristas de The Pitt ainda fazem uma crítica contundente as políticas contra imigrantes de Trump. A interferência deles no hospital é o cúmulo da desumanidade, afetando profissionais e pacientes. Um retrato direto, realista da realidade cruel. 

Os casos, admito, foram menos memoráveis que os da temporada anterior. Mas ainda sim interessantes e eficientes para desafiar os personagens, criar conflito e acelerar os ânimos. Outro ponto fraco são os nada carismáticos novos residentes Joy e Ogilvie (Irene Choi e Lucas Iverson). Por mais que seja realista a rotatividade de personagens pode se tornar um problema em temporadas futuras. Uma vez é que a tendência é nos apegar aos personagens e querer continuar acompanhando suas histórias. 

Já a equipe noturna que já conhecíamos brevemente da temporada anterior, aqui ganha um pouco mais de tempo de tela. E o contraste entre as formas de liderar de Robbie e de seu amigo Dr. Abbot (Shawn Hatosy) nos faz querer acompanhar seu plantão também. Robinavich está no limite, mas Jack Abbot encontrou na adrenalina sua válvula de escape. E, aparentemente leva essa energia para o plantão, que por ser noturno, ainda pode trazer os casos mais estranhos. Como não querer acompanhar isso?

A saída de Collins (Tracy Ifeachor) na temporada anterior foi uma surpresa. Já o anuncio de que a Dra. Mohan (Supriya Ganesh) não volta para o terceiro ano, além de surpreender, vem envolto à rumores de problemas nos bastidores, envolvendo racismo e misoginia, que muito arranham o brilhantismo do programa. 

Com pouquíssimas falhas e pontos fracos, não gostamos de Joy e Ogilvie, mas pelo menos eles causam bons conflitos,  The Pitt entrega uma excelente segunda temporada. Ao ponto de não apenas ficarmos ansiosos pelo próximo plantão, mas pedirmos por novos plantões. Talvez estejamos viciados em adrenalina tal qual Dr. Abbot, e isso é ótimo!

The Pitt tem duas temporadas, cada uma com quinze episódios de cerca de uma hora cada. Todos já disponíveis na Max. O terceiro ano já foi confirmado, e deve chegar no início de 2027. 

Leia a crítica da primeira temporada de The Pitt!

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