Overman

Idéia boa, execução pífia! A máxima poderia até ser um sub-gênero do audio-visual de tão recorrente em meus textos. Não faltam bons argumentos mal executados nas telas, e infelizmente, nem o cinema nacional escapa disso. Este é exatamente o caso de Overman. 

Baseado no personagem de Laerte, Overman acompanha o super-herói brasileiro interpretado por Caco Ciocler em uma de suas "aventuras". Trazendo das páginas inclusive vários de seus vilões como o Maníaco Flatulento, a Pane e o Capitalista Imundo. 

Na trama um super-herói brasileiro desempregado e em crise existencial, aceita trabalhar na Secretaria de Segurança Pública para recuperar o prestígio. Mas desde o início a gente sabe aqui do outro lado da tela, que ele talvez esteja trabalhando pro vilão. 

Criado em 1998 Overman é uma sátira ao arquétipo super-heróico do Superman e de outros heróis dos quadrinhos estadunidenses. Mas vive num cenário e com jeitinho brasileiro. Com habilidade de voar e superforça, não possui identidade secreta. Ele é Overman todo tempo, inclusive nunca tira a máscara. E também não tem muita acuidade mental, auto-controle e senso crítico. Ainda sim, e o herói que o povo tem. 

Some-se a isso vilões que vão da piada boba (intoxicar a cidade com pum), à crítica social (alguém que personifica todos os males do captalismo), Overman tinha potencial para ser um "Deadpool brasileiro". Ainda mais ácido, crítico e contundente que o personagem de Ryan Reinolds, já que está mais preocupado com a nossa sociedade, que com fazer "services para fans". Mas o roteiro não consegue alcançar esse potencial.

E nem estou falando do plot em si. Não há nada de errado com um herói em crise existêncial que não enxerga o vilão bem à sua frente. O problema é o texto ruim, desenvolvimento e piadas razas, falas bobas, ritmo apressado, e muito pouco com que o elenco possa trabalhar. 

Sim, Overman tem um bom elenco. Caco Ciocler parece estar se divertindo no papel, mas é possível que muitos sequer o reconheçam pela imposição da máscara. Otávio Müller, Karina Ramil, Victor Lamoglia e Raphael Logam, completam o elenco principal, que faz o melhor que pode com o péssimo texto. 

Outro ponto fraco é a construção de atmosfera. Cenários e figuninos sem personalidade, entregam uma esquete semanal de humor, ao invés de um longa metragem para o cinema. Não me entenda mal, tudo bem a roupa do Overman e seus vôos serem toscos. O problema é o entorno não encontrar seu estilo. O mundo não acompanha a "tosquice" dele, mergulhando com tudo da galhofa. Tão pouco opta por ser sofisticado ou realista para evidenciar a precariedade do herói. É genérico e apenas isso. 

Criado há 30 anos, o personagem de Laerte, continua relevante, suas críticas são coerentes. Mas sua trasnposição para a tela em live-action (Overman já teve uma animação), merecia um olhar mais detalhista, para não soar como uma longa esquete dos tempos mais fracos do Zorra Total. Enfim, idéia boa, execução pífia!

Overman
2026 - Brasil - 82min
Comédia

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