O segundo ano não trouxe grandes novidades e surpresas, e agora o terceiro deixa uma incômoda sensação de repetição. Com Carinho, Kitty (ou XO, Kitty, já que a plataforma parece ter abandonado o título nacional) série da Netflix, que expande o universo de Para Todos os Garotos que Já Amei, começa a mostrar desgaste e implorar por um final.
De fato, eu achei que este era o último semestre da caçula Covey, Kitty (Anna Cathcart) na escola internacional Kiss. Mas não, a moça ainda tem mais seis meses de aula, e consequentemente, ao menos mais uma temporada. E este penúltimo ano começa com a mocinha colocando seu relacionamento com Min Ho (Sang Heon Lee) em suspense, para passar as férias em Nova York ao lado de Lara Jean (Lana Condor, que faz aparições especiais em dois momentos).
O retorno à escola conta com a exigência de uma matéria super difícil para se formar, ministrada pela nova professora Jiwon (Hojo Shin), que também é prima da protagonista. Além das já conhecidas intrigas amorosas, e amizades conturbadas. E não é surpresa que estas duas últimas são as tramas que vão ocupar mais tempo de tela.
Romances secretos, diferenças de classes, antigos namorados, até gravidez misteriosa, todo o pacote "Malhação" de intrigas se repete. Em uma ciranda que começa a cansar, já que os personagens parecem não aprender ou evoluir com os eventos passados.
Kitty continua carismática (mérito de Cathcart) e bem intencionada, mas com enormes lapsos de julgamento. Não importa as opções disponíveis, guiada por ansiedade e insegurança ela sempre faz as piores escolhas. O que reflete na dinâmica de todo o grupo. Como o triângulo amoroso forçado de Q (Anthony Keyvan), e a fragil insinuação de romance entre Min Ho e Eunice (Han Bi Ryu).
Dois personagens que tiveram um desenvolvimento novo e interessante fora Dae (Choi Min-yeong), apagado na segunda temporada, aqui se faz mais presente. E principalmente Yuri (Gia Kim) que precisa lidar com sua nova condição financeira. Uma pena que todo esse desenvolvimento é deixado de lado em prol do resgate de um relacionamento amoroso que já estava resolvido.
Até mesmo os clichês propositais que brincam com a linguagem de obras de romance. Como o ex-mal intencionado, o teste de gravidez supeito e o ato romantico à caminho do avião, não surpreendem, comovem ou envolvem como deveriam.A sensação de que os personagens não saem do lugar é irritante e cansativa. Assim como o didatismo e literalidade de diálogos e ações. Deve funcionar com seu público alvo, joven amantes de dorama, mas falha em manter o interesse do público geral. (Eu sei, não sou o público alvo, mas me diverti na primeira temporada, quanto tudo era novo!) Ou trata-se de mais uma obra feita para assistir mexendo no celular.
Vislumbres do universo da cultura coreana continuam sendo os pontos altos. De habitos cotidianos, ao furacão do k-pop, passando por paisagens de Seul. É sua localização que lhes dá personalidade. Coisa que sua protagonista precisa desenvolver no último semestre e temporada (se é que será a última). Parar de pautar a vida pelo agora, fazer planos de futuro pensando em garotos e amizades, e começar a encarar a vida como um indivíduo completo e consciênte de si mesma.
Talvez eu esteja esperando muito de uma série de romance adolescente. Mas, nos filmes Kitty era ousada e decidida, é hora da personagem começar a entregar esse potencial, trazendo algo novo e refrescante para o desfecho de sua jornada.
A segunda e a terceira temporadas de Com Carinho, Kitty tem oito episódios cada, enquanto a primeira tem dez. Todos com cerca de meia hora cada, todos já disponíveis na Netflix.Leia também as críticas de Para Todos os Garotos que Já Amei, Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você e Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre.





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