Percy Jackson e os Olimpianos - 2ª temporada

 A primeira temporada de Percy Jackson e os Olimpianos não foi das mais sofisticadas ou marcantes. Tanto que esta blogueira que vos escreve, lembra mais da trama de O Ladrão de Raios pelo fraco, mas exibido à exaustão na TV, filme de 2010, do que pela série de fato. As memórias que ficaram da obra do Disney+ foram, o elenco carismático, uma maior fidelidade e capricho, e pontos fracos a serem melhorados. Quase dois anos depois, a segunda temporada da série chega com bem vindas melhoras, e a promessa de uma evolução gradual de sua qualidade. 

Cobrindo a trama do segundo livro da saga de Rick Riordan, O Mar de Monstros, acompanhamos o segundo ano de Percy (Walker Scobell) no Acampamento Meio-Sangue. Estadia antecipada pela chegada de Annabeth (Leah Jeffries) com a notícia de que o amigo sátiro Grover (Aryan Simhadri) teria desaparecido em sua busca por Pã. Ao lado da garota e do ciclope Tyson (Daniel Diemer) encara uma missão dupla, encontrar o sátiro e o velocino de ouro. 

O artefao mitológico é a única coisa que pode salvar Thalia (Tamara Smart) a árvore que mantém a barreira que proteje o acampamento, e que outrora fora uma semideusa, filha de ninguém menos que Zeus (Courtney B. Vance, substituindo Lance Reddick que faleceu em 2023). E claro, convenientemente tanto o amigo, quanto a lã de ovelha dourada estão perdidos no mesmo lugar, para além do mar de monstros do título. 

Enquanto saem uma busca por um mar revolto e cheio de perigos, o grupo ainda precisa lidar com a inimizade de Clarisse (Dior Goodjohn), uma profecia apocalíptica, e o grupo de semideuses comandados pelo vira-casaca Luke (Charlie Bushnell). Antagonista assumido desde o fim da temporada anterior, o filho de Hermes (Lin-Manuel Miranda), continua a missão de trazer o Titã Cronos de volta para subjulgar o Olimpo. 

Embora os motivos para deuses seculares e ultrapoderosos deixarem seu futuro à cargo de adolescentes ainda seja um mistério para mim - talvez os livros tenham explicação mais assertiva, embora eu duvide - os vários enredos e empecílios criados para desafiar o protagonista deixam claro a jornada de amadurecimento gradual ao longo dos livros. Conforme os personagens envelhecem o mundo fica mais complexo. O que é esperado e interessante, mas pode ser uma faca de dois gumes, se a narrativa não der conta do aumento dessa complexidade. 

Felizmente, Percy Jackson e os Olimpianos ouviu as críticas à temporada anterior, contornou as falhas e fez escolhas melhores neste segundo ano. Os desafios de cada episódio são melhor construídos, e as consequencias das ações ganham mais tempo para serem sentidas. Ok, a maioria não é mortal ou permanente, afinal ainda é uma saga infanto-juvenil em seus "anos mais leves", e a recuperação é rápida. Ainda sim, dessa vez é possível sentir a ameaça, e temer pelo bem estar dos personagens. Coisa praticamente inexistente na primeira temporada. 

Por outro lado, ainda falta construção de universo em relação ao acampamento Meio Sangue. Uma vez que o protagonista logo sai em jornadas, falta apresentar melhor o cenário e as pessoas que vivem nele. Falha que não afetou tanto a trama do primeiro ano, mas aqui se faz evidente já que o lugar está sob ameaça. Sem conhecer bem seus moradores, e a importancia do local para eles, é mais dificil temer por seu bem estar. 

Isso sem mencionar os poucos momentos em que a ação desse elenco de apoio é necessária. A série acerta ao levar o clímax para uma batalha campal entre as crianças, talvez ensaiando para batalhas maiores no futuro. Mas perde o impacto que poderia ter por não conhecermos ninguém na massa de adolescentes trajando laranja. - Fulano morreu? Não importa, não conheço. Beltrano é um traidor? Nunca ouvi falar dele, não ficarei surpresa ou revoltada. - E assim segue, desperdiçando boas ideias. 

E por falar em batalhas, embates e aventuras, os desafios são bem distribuidos ao longo das temporadas, e alguns extremamente criativos e empolgantes. Como a abordagem escolhida para a ilha de Circe (Rosemarie DeWitt), o embate com Polifemo (Aleks Paunovic) e o resgate do velo de ouro no sétimo episódio. - Pausa para mencionar a piada com o funcionário do Starbucks. Maravilhosa! Outros momentos não são tão interessantes, como a conveniente escapada com cavalos marinhos, e o bobo disfarce entre as ovelhas, mas não chegam a comprometer. 

Há também pontas soltas que podem ser falhas, ou construção para o futuro. Como o vai-e-vem da pulseira de Annabeth e a perda de seu boné da invisibilidade. Além de easter eggs colocados para agradar os fãs dos livros, mas não explicados o suficiente para quem acompanha a série. O cavalo alado de Luke, o relacionamento da mãe de Percy, a presença de Tântalo. Eu sei, muitas das respostas ausentes na série devem existir nos livros. Mas para se uma boa adaptação, a série precisa funcionar sozinha. 

Quanto às interpretações, o destaque fica mesmo com o elenco juvenil, já que os adultos aqui são coadjuvantes de luxo. E a maioria deles já está confortável em seus papéis, e entrosados ao ponto de construir fácil uma quimica convincente.  Dior Goodjohn chama atenção pelo crescimento e determinação de sua personagem, conseguindo muitas vezes bradar falas piegas de luta de forma contundente. Já Charlie Bushnell não consegue trabalhar bem a ambiguidade de Luke, falta um pouco de energia, impeto e "malemolência", ao anti-herói. 

Daniel Diemer é uma boa nova aquisição e Aryan Simhadri continua divertido. Mas é a química entre Walker Scobell e Leah Sava' Jeffries que deleita os fãs. A dupla compreendeu a dinâmica da relação entre Percy e Annabeth, que passam muito tempo juntos nessa temporada. Enquanto o roteiro começa a reforçar os laços entre os dois. Preparando o terreno tanto para o romance, quanto para o embate entre o garoto e Thalia pela confiança da filha de Atena. 

E por último, mas não menos importante, efeitos especiais não são refinados, mas são eficientes para o orçamento de uma série de TV. A presença constante de um ciclope com olho de CGI em cena surprende. Lembra que com mais orçamento por tempo de tela, o filme de 2013, mantinha o personagem de óculos escuros? Além dele aqui ainda há cavalos alados, monstros, centauros (esse ficou péssimo) e outras criaturas, que no geral misturam bem, maquiagem, efeitos práticos e computação gráfica. 

A segunda temporada de Percy Jackson e os Olimpianos ainda não é excepcional, mas é definitivamente boa. É evidente que a produção ouviu as críticas, e se esforçou para corrigir erros e entregar um trabalho cada vez melhor. Se essa evolução se mantiver gradual ao longo das temporadas, podemos prever um final épico daqui há alguns anos. 

Eu só posso afirmar que, passei de lembrar melhor dos filmes do que da primeira temporada, para ter vontade de encarar os livros. Interesse que as versões para o cinema nunca despertou, mesmo eu tendo sido viciada em mitologia grega na adolescência. Mal posso esperar pela terceira temporada (que está confirmada e deve chegar ainda em 2026) e por uma boa promoção dos livros na Amazon.

As duas temporadas de Percy Jackson e os Olimpianos tem oito episódios cada, todos eles já estão disponíveis no Disney+!

Leia também as críticas da primeira temporada da série, de Percy Jackson e o Ladrão de Raios e Percy Jackson e o Mar de Monstros!

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