Mãe Só Tem Duas

Que atire a primeira pedra quem nuca fora fisgado pelo melodramas viciantes de uma novela mexicana. Atire também se nunca criticou este folhetim tão popular em terras brasucas, quanto em seu país natal. Agora recolham suas críticas, pois Mãe Só Tem Duas, série mexicana original Netflix, atualizar o formato e trazer o melhor dos dois mundos da dramaturgia. É uma novela com cara de série. 


Ana (Ludwika Paleta, a Maria Joaquina Carrossel) e Mariana (Paulina Goto) tiveram seus bebês trocados na maternidade. Obrigadas legalmente à destrocar as crianças, mas incapazes de se separar delas, as duas resolvem viver juntas. À principio temporariamente, mas aos poucos acabam se tornando uma família, apesar de viverem em realidades completamente diferentes.

Uma mãe madura, Ana já tem outros dois filhos, marido, uma carreira de sucesso, e uma vida luxuosa. Mariana é mãe solteira, universitária, de origem humilde e fazendo malabarismos para pagar as contas. E sim, a diferença de universos é um dos conflitos do programa, mas muito se engana quem pensa que a rivalidade entre as moças é o que rege a série.



É aqui que a novela mexicana se atualiza, não colocando as personagens como vilã e mocinha, mas como co-protagonistas que enxergam o mundo de formas opostas e vão precisar aprender a conviver. Os embates ainda existem, vão desde escolhas na criação dos bebês, até a forma como enxergam o mundo, mas suas resoluções fogem do exagero, caricaturas e resoluções simplistas.


Já outros aspectos tradicionais de uma telenovela, como coincidências, relacionamentos rocambolescos e reviravoltas são devidamente incluídas no programa. Como o caso entre o marido de Ana e a mãe de Mariana, ou o segredo por trás da paternidade desta última. As problematizações, e parte de seu desenvolvimento são bastante conhecidas do público de novelas, suas resoluções no entanto, são mais criativas e atuais.



Um bom exemplo disso é a vida amorosa de Mariana. Bissexual, ela vive um triângulo amoroso com a namorada e o pai de sua filha. Seus dois pretendentes são rivais, mas nenhum deles comete ato extremos como sabotagens para ganhar a moça. Assim como o fato da protagonista ter uma namorada, já mais se torna foco da trama. Existem pessoas LGBT+, e isso é normal. 


Se a trama traz um enredo novelesco, o formato mais se assemelham à séries de TV. A atuação é mais contida. Ludwika Paleta e Paulina Goto, são carismática e eficientes ao criar uma dinâmica de opostos que se completam. O restante do elenco acompanham seu bom trabalho.


O roteiro mais direto e objetivo entregando em apenas nove episódios, diferentes tramas e subtramas que normalmente ocupariam meses de um folhetim diário. Outra característica de séries é o gancho para a já confirmada segunda temporada. 



Mãe Só Tem Duas traz o melhor de dois mundos. Personagens carismáticos, embates rocambolescos (no melhor dos sentidos) e toda a memória afetiva das tradicionais novelas mexicanas, em um formato de "série maratonável" de streaming, com uma linguagem moderna, desprovida de preconceitos e livre de clichês e fórmulas. Divertida, inteligente e atual, é uma excelente amostra de que o México tem muito mais a oferecer, que as novelas exibidas pelo SBT. 

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