Blade Runner - Um clássico também pode errar

Escrito por: José Renato
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ATENÇÃO! ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS ESSENCIAIS PARA A EXPERIÊNCIA DA OBRA, LEIA APENAS SE TIVER ASSISTIDO AO FILME!

Decidi escrever este artigo, pois uma vez ou outra observo alguns fãs defendendo “suas”obras (filmes ou séries) com unhas e dentes, como se ela representasse a personificação da perfeição – não que achar um filme perfeito seja errado – a questão aqui é que muitas vezes as pessoas desligam totalmente seu senso crítico, e buscam posicionar sua opinião como a mais correta de todas. Um longa em que é possível perceber esse comportamento por parte dos seguidores é Blade Runner de Ridley Scott (1982) – o filme que hoje é considerado cult – tem uma legião de fãs bastante intensa.

Gostaria de salientar é óbvio, que esse texto não tem o intuito de diminuir ou desfavorecer o filme, ao contrário, todos nós amantes de cinema (ou não) sabemos o quanto o longa é maravilhoso. Sua importância é tanta, que influenciou muitas outras ótimas obras, e sua temática Cyberpunk/Noir é um dos meus estilos favoritos.

Porém, como já dizia o ditado popular “nem tudo são flores”, o longa tem alguns pontos que sempre me incomodaram, e hoje decidi lhes trazer pelo menos quatro deles, apenas para demonstrar que clássicos também tem seu problemas. Enfim, chega de enrolação, vamos lá!

1 - A interpretação de Harrison Ford:

Ford é um ator já bastante conceituado, o moço participou de grandes franquias como Star Wars e Indiana Jones, e isso o deixou amplamente conhecido. Apesar de não o considerar um ator ruim, já que sua interpretação na maioria dos longas está entre boa e ótima, o rapaz escorregou totalmente aqui, fazendo com que sua atuação me causasse ensaios de risadas. Que fique esclarecido que não estou falando da construção de seu personagem, já que parecer apático faz parte do que o roteiro quer dizer sobre ele, porém essa crítica nada construtiva vai para seus trejeitos e cenas de ação que em muitas delas está à beira de um filme B.

2 - A polêmica cena de sexo:

Em certo momento, Rachael (Sean Young) vai até ao apartamento de Deckard (Harrison Ford), lá os dois passam a trocar algumas palavras. O problema começa quando ela ensaia ir embora, no entanto ele não permite, fechando a porta com força e de uma forma nada agradável, coagindo a moça. A cena é de tanto mal gosto que quebra o clima do longa e deixa um gostinho amargo – no péssimo sentido. Existem é claro muitos por aí que defendem a cena das formas mais mirabolantes possíveis, ou dizem que é por que o diretor refletiu a época em que o filme está inserido, ou que, por serem replicantes, os personagens não saberiam lidar com seus sentimentos. Independentemente do real motivo, o take como foi feito é completamente inútil para a narrativa e o relacionamento dos personagens não têm construção alguma. Não há como defender.

3 - As diversas versões:

Apesar desse problema não estar relacionado ao filme em si, as diferentes formas com que o longa foi lançado, causam confusão em muitos até hoje. São pelo menos 4 versões consideradas mais importantes; Versão do Cinema Americano, Versão do Cinema Internacional, Versão do Diretor e Versão Final, fora uma versão considerada prévia. Por existirem algumas diferenças significativas entre elas, os telespectadores criam relatos distintos, gerando ainda mais desacordos em bate-papos ou análises do filme. A menos que você seja um grande fã e tenha assistido a todas essas versões, o Blade Runner que você assistiu pode não ter sido o mesmo que eu assisti.

4 - O plot twist:

Criou-se em boa parte do público o mito de que ter um plot twist faz com que o filme seja interessante ou inteligente para ser visto. Blade Runner lhe dá vários motivos para que seja assistido, porém sua reviravolta não é um deles. No final do longa é revelado que supostamente Deckard não é um ser humano, e sim um replicante. O problema é que com isso a direção joga no lixo uma discussão muito importante: Homem X Criação. A todo momento é demonstrado como o caçador não tem sentimento algum para com os replicantes, pois ele os persegue, atira, mata e não demonstra qualquer remorso com isso, enquanto do outro lado ouvimos poesia saindo dos lábios de um deles. É tão decepcionante pensar no protagonista como não humano, que até dá vontade de reassistir o filme e tentar perceber ao contrário. Infelizmente isso nunca irá acontecer…

Saliento novamente que gosto bastante da obra, e compreendo toda sua relevância para a história do cinema, porém, é importante que saibamos perceber os erros e problemas até nas coisas que mais amamos, e que estejamos cientes que isso não irá diminuir o seu valor.

Se você chegou até aqui e está bravo comigo, pode soltar suas angústias como lágrimas na chuva.



Blade Runner - Um clássico também pode errar Blade Runner - Um clássico também pode errar Reviewed by Fabiane Bastos on terça-feira, abril 14, 2020 Rating: 5

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