Gotham - 5ª (e última) temporada - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Gotham - 5ª (e última) temporada

Mesmo melhorando a cada temporada, ainda faltava à Gotham (a série, não a cidade) superar seu maior vilão, o tempo. Era o tradicional formato de 22 episódios, com hiato de fim de ano, o que geralmente desgastava a trama que precisava se esticar e incluir arcos menores para ocupar tanto tempo de tela. Em seu ano conclusivo, a série supera seu ultimo malfeitor, ao ter apenas os doze episódios que precisa para contar sua história.

O que não significa que a série deixa de lado, todo o leque de personagens que cultivou ao longo de seus cinco anos. Esse desfecho é claramente uma origem, e por isso decide posicionar todos os habitantes da cidade nos postos que devem ocupar quando Batman finalmente chegar. Assim, usando como base o arco dos quadrinhos, Batman: Terra de Ninguém, a série prende todos que importam em uma Gotham isolada do mundo e abandonada pelas autoridades.

A equipe de Gordon (Ben McKenzie) é a única linha de defesa entre os civis inocentes presos na ilha, e todos os bandidos que a dividiram em setores e a transformaram em um Mad Max urbano. Resgatar inocentes, conseguir suprimentos, convencer as autoridades que a cidade merece uma segunda chance e evitar que os vilões a destruam antes disso, são as tarefas do DP de Gotham. O Detetive assume toda a responsabilidade para si, e arca com o peso dela e a culpa por ser incapaz de resolver tudo. Além, é claro, da relação com suas duas pretendentes Barbara (Erin Richards) e Lee (Morena Bacarim).

Bruce (David Mazouz) e Alfred (Sean Pertwee), que ficaram por Selina (Camren Bicondova), somam seus esforços aos da polícia e no processo, ajustam os últimos ponteiros de sua relação tutor/empregado-protegido/patrão. Mas é o jovem Wayne, quem mais evolui ao alcançar completa ciência quanto à sua culpa e responsabilidades com aqueles que o cercam. Já a futura Mulher-Gato, ultrapassa os últimos limites para se tornar oficialmente a gatuna que conhecemos.

Entre os antagonistas, Arlequina (Francesca Root-Dodson) e Bane (Shane West), são os últimos a serem adicionados à galeria de vilões. Outros como Ivy (Peyton List), Strange (BD Wong) e Tetch (Benedict Samuel), tem aparições pequenas, apenas como recurso ao que a narrativa precisa, e para situá-los nas posições que devem estar no futuro. E alguns como Nr. Freeze, são apenas mencionados. É com os malfeitores veteranos que a série melhor trabalha.

O causador de todo o caos Jerome Valeska (Cameron Monaghan) tem seu próprio plano, devidamente louco e atrelado à Bruce, como deve ser. Barbara recebe a motivação que precisa para mudar de vida. Nygma (Cory Michael Smith) e Cobblepot (Robin Lord Taylor) se tornam ainda mais suas versões mais divertidas e caricatas das HQs. Sempre os melhores em cena Smith e Taylor, exploram de forma acertada o absurdo de suas personalidades, a a soberba insana do Charada, e a carência exagerada do Pinguin, bem como a divertida relação de amizade entre eles.

Se antes a caricatura era um flerte, em seu último ano Gotham abraçou completamente, os figurinos exagerados, as personalidades megalomaníacas e os planos mirabolantes. O que poderia não funcionar caso a série não tivesse encontrado, ao longo dos anos, o equilíbrio entre seu tom noir e o visual cartunesco. O que é absurdo demais, encontra um contraponto, na fotografia escura, iluminação e posicionamento de câmera estilosos, reforçando o visual peculiar que destaca a série das demais produções de super-heróis na TV.

Enquanto isso, o ritmo da trama é bastante acelerado. Apenas os episódios 8 e 9, diminuem e velocidade, para restabelecer a situação e explorar os traumas de Bruce e Gordon antes do final da jornada, que na verdade termina no penúltimo episódio. O 12º e derradeiro capítulo, é tecnicamente desnecessário, puro fan-service para quem não queria deixar este universo antes do Batman entrar em cena. O que somado à muitas referências visuais e temáticas, aos quadrinhos e filmes anteriores à ele, compõem um prato cheio para os fãs do homem-morcego.

Decadente, cinzenta e quase sempre nublada (houve um momento de sol nesta temporada, prelúdio de desgraça, claro) a cidade Gotham também é um personagem na série que leva seu nome. Ela é a motivação de vilões e mocinhos, todos salvando o berço de um dos maiores heróis dos quadrinhos, com visual estiloso e elenco bem escolhido. 

Já a série Gotham é um esforço conjunto de uma cidade inteira, ao longo de cinco anos, para transformar um garoto assustado em um beco, no Cavaleiro das Trevas.Tarefa que não apenas cumpre neste último ano, mas o faz muito bem, com visual, ritmo e personalidade próprias, e e nenhuma vergonha de ser exagerada, absurda e caricata.

Gotham é exibida no Brasil pela Warner Channel, as quatro primeiras temporadas também estão disponíveis na Netflix.

Leia mais sobre a série aqui.

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