Hellboy - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Hellboy

Preciso rever os filmes do del Toro! - Foi este o pensamento que veio à minha mente após a sessão da nova versão do Hellboy nos cinemas. Uma reação que raramente costuma ser um bom sinal para um remake.

Hellboy (David Harbour) é o filho do demônio invocado ainda criança por um feiticeiro nazista, que foi resgatado pelos aliados e criado como um filho por Trevor Bruttenholm (Ian McShane). Já adulto, ele trabalha no B.P.R.D. (Bureau of Paranormal Research and Defence) lutando como monstros de todo tipo. Nesta aventura ele precisa impedir a volta de poderosa feiticiera Nimue (Milla Jovovich), banida nos tempos do Rei Artur.

Estimulado por sucessos como Logan e Deadpool, a promessa desta nova adaptação era ser uma produção mais adulta, que investisse no potencial de terror do personagem. Algo que as versões anteriores mais próximas da fantasia deixaram de lado. E sim, a produção investe um pouco mais no gore, mas seu roteiro desperdiça qualquer potencial assustador que vá além da sanguinolência gráfica, e mesmo essa é pouco utilizada.

O curso é bastante tradicional em tramas de aventura. O herói, ou anti-herói no caso, tem uma missão aparentemente cotidiana. É claro, quando chega-lá percebe que este desafio é algo maior. Precisa redescobrir quem são seus inimigos e aliados, antes de enfrentar a grande luta, que eventualmente terá alguma conexão pessoal com ele. Enquanto o protagonista percorre esse longo caminho, a vilã, que aqui é até apresentada em uma cena inicial estilosa, se recompõe e fortalece. Tornando-se um desafio digno do clímax da aventura. E não a nada de errado com esta fórmula, quando bem construída em torno de seus personagens para aproveitar o melhor de suas características, e a partir daí criar seu diferencial. Aqui tanto mocinho, quanto bandido poderiam ser substituídos por outros personagens quaisquer, que provavelmente percorreriam a mesma trama.

A inclusão de lendas do Rei Artur, apesar de herdada das HQs, tira o foco do lado demoníaco e potencialmente macabro da produção. Além de soar como exagero ao situar o protagonista como escolhido de outra lenda. Ele já é filho do tinhoso, trazido ao nosso mundo por nazistas e criado para ser herói, não precisa de ajuda para ser um personagem único, mas que explorem melhor as características e conflitos que ele já tem. Desde a dualidade inerente de um demônio fazendo o bem, passando pela relação com o pai adotivo (a única que ganha um pouco de atenção), até sua relação com humanos e monstros, uma vez que ele é tão, ou mais, aterrorizante que a maioria das criaturas que combate.

Passando para ao visual, a comparação com seu antecessor é inevitável e até cruel. Guillermo del Toro se especializou em criaturas com estilo próprio e muitos efeitos práticos. Enquanto a nova produção, mais econômica, entrega o básico em relação à caracterização dos personagens, e entrega momentos em computação gráfica genéricos. Ver o David Harbour se esforçando para transparecer seu carisma sob a pesada e ineficiente maquiagem, foi inclusive o primeiro ponto de afastamento com a trama desta blogueira que vos escreve.

E por falar no elenco, Harbour realmente aposta todas as fichas no personagem, embora caracterização e roteiro pouco ajudem. Outros esforços visíveis são de Sasha Lane e Daniel Dae Kim, na tentativa de criar uma equipe coesa com o protagonista. Seus personagens até tem seus traumas e dilemas, mas seus desenvolvimento é extremamente raso. Já Milla Jovovich e Ian McShane, estão no automático, cada um em seus estilo de atuação.

Mesmo as coreografias de batalha, ponto forte do diretor em seus tempos de séries de TV, pouco chamam atenção. Entre clichés e exageros - te desafio a entender os movimentos da Baba Yaga! - um ou outro momento se destacam por sua beleza ou originalidades plástica, dentro da temática demoníaca, claro. Mas nunca o suficiente para se tornar memorável.

Dirigido por Neil Marshall, que tem no currículo excelentes episódios de séries como Game of Thrones, Westworld e Perdidos no Espaço, e inspirado nos quadrinhos de Mike Mignola, Hellboy desperdiça seu potencial. A produção tinha a oportunidade de trazer maior fidelidade com a obra original que os longas anteriores. Poderia abraçar o macabro, se tornando a primeira adaptação de HQs a realmente flertar com o terror, sendo mais produção assumidamente para adultos. Apesar da censura de 16 anos, os momentos inadequados para os mais jovens, mais enojam que assustam.

Sem decidir se é ação, terror, aventura ou fantasia, o longa acaba sendo apenas esquecível. Entre um "quase terror" genérico, e uma fantasia com belas criaturas assustadoras, eu fico com os filmes de del Toro.

Hellboy
2019 - EUA - 121min
Ação, Fantasia, Aventura

Um comentário:

Sónia disse...

Concordo com vc a 100%. Um despredício de história que nos faz ter saudades dos filmes anteriores, mas para além de Guilherme del Toro senti muitas saudades de Ron Perlman... Enfim, um filme que entrete, mas que, como disse na sua resenha, é facilmente esquecível.
Mundo da Fantasia

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