terça-feira, 9 de outubro de 2018

Punho de Ferro - 2ª temporada

Quando uma pessoa repete algo sobre si mesmo exaustivamente, existe uma enorme possibilidade de que ela não tenha total convicção do que diz. De fato, ela provavelmente está insegura quanto a veracidade da informação, mesmo que de forma inconsciente. É essa impressão que Danny Randy (Finn Jones) passa sempre que anuncia: Eu sou o Punho de Ferro Imortal! A primeira temporada de Punho de Ferro, refletia essa insegurança, ao não mergulhar no universo místico do personagem. Em seu segundo ano, tanto a série, quanto seu protagonistas parecem estar cientes disto e abertos à mudança.

O Tentáculo foi destruído pelos Defensores. E apesar da promessa que fez ao Demolidor, de proteger Nova , Danny ainda se sente sem propósito na vida. Ele precisa descobrir o lugar do Punho de Ferro, agora que não há uma organização maléfica para destruir, ou uma cidade mística para proteger. Além, é claro, de proteger a cidade. E ele não é o único a lidar com as consequências de temporadas passadas.

Sentindo o peso de suas ações, Colleen (Jessica Henwick) aposentou sua espada e tenta ajudar a comunidade com métodos menos agressivos. Ward (Tom Pelphrey), precisa reestruturar sua vida sem a influência maléfica do pai. Afastada de todos, Joy (Jessica Stroup) culpa Danny e Ward pelos acontecimentos da primeira temporada. Enquanto isso, Davos (Sacha Dhawan), finalmente mostra a que veio, sim ele é o principal vilão da vez, com motivações bem construídas e compreensíveis. Junto com ele, vem também e a mitologia de K'un-Lun que tanto fez falta anteriormente.

Ao mesmo tempo que descobrimos mais sobre o Punho de Ferro, Danny encara uma jornada de auto-conhecimento. Esta busca, somada as consequências das ações de Davos que o herói precisa enfrentar, humanizam o personagem. Pela primeira vez realmente nos importamos com seu futuro. Entretanto, a empatia maior em cena ainda não é com o protagonista, e isto é um problema.

São Collen e Misty Knight (Simone Missick), aquelas com quem mais nos relacionamos, especialmente quando trabalham juntas, são elas também quem mais impulsionam a trama, enquanto o protagonista encara suas dúvidas. Longe de ser apenas a namorada do mocinho, Colleen tem sua própria busca. Sua jornada e a de Danny são paralelas, interferem uma na outra e em seu relacionamento, o melhor estruturado na parceria Marvel/Netflix até agora. Já a aparição da detetive da série do Luke Cage, vai além da participação especial protocolar de um episódio. Sua chegada acelera o ritmo da narrativa, e sua dinâmica com Wing é acertada, nos dando um mostra do que seria uma série das Filhas do Dragão, parceria que a dupla já formou nos quadrinhos.

E por falar em ritmo, os primeiros episódios ainda pecam pela lentidão. Aparentemente a série escolheu restabelecer com calma o lugar de cada um na trama. Mas este atraso é compensado, uma vez que abre caminho para que os personagens se desenvolvam melhor a partir daí. Os mais beneficiados claramente, são Joy e Ward, já que a dupla poderia facilmente se perder, com o protagonista mais focado em seu papel de herói, do que o de herdeiro. O CEO das indústrias Randy, tem que administrar seus traumas vícios e repensar todas as suas relações. Enquanto uma revoltada Joy faz as piores escolhas para "superar" a raiva pelas ações do pai, irmão e amigo. Guinadas necessárias para tornar os personagens mais profundos e menos apáticos, sem desrespeitar suas características previamente estabelecidas. Ward continua um banana, e Joy uma mimadinha.

Entre as novidades, a mais relevante em cena é Walker (Alice Eve). Com Transtorno Dissociativo de Identidade, a personagem oscila entre os papéis de vilã e vitma, forte e indefesa ao longo da temporada. Eve, consegue pontuar as mudanças de forma fluida e até dar um ar divertido a sua condição curiosa. Seus alter egos são bem humorados de forma diferente apesar de tudo. Original das histórias do Demolidor, a personagem tem uma história de origem bem construída, e seria interessante vê-la em novas incursões neste universo urbano da Marvel.

Mas é a contratação de Clayton Barber, coordenador de lutas de Pantera Negra, a novidade que soluciona a maior reclamação dos fãs. As sequencias de luta melhoraram significativamente. Novamente são aquelas com Colleen as que chamam mais atenção, mas no geral a Nova York que luta kung-fu, e principalmente Davos e Danny, não parecem estar reaproveitando as coreografias já vistas em Demolidor.

Punho de Ferro ganhou também um novo showrunner, e com ele a disposição de se reinventar. Ainda falta muito a ser melhorado. Por mais que eu adore ver as Filhas do Dragão em ação, Danny precisa protagonizar sua série. A produção precisa começar tão bem quanto termina, e manter este bom ritmo ao longo da temporda. Mudar o número de episódios de treze para dez, foi o primeiro passo correto nesta direção.

O resultado é uma temporada que termina melhor do que começou, e corrige muitos erros do primeiro ano. E nos deixa com um cenário mais ousado e animador do que as aparições anteriores do herói, além de indicações de mergulhar ainda mais na mitologia do personagem, abandonando completamente o medo de abordar magia nesta NY mais "pé no chão" criada para os os heróis urbanos da Marvel. Agora resta torcer para que o terceiro ano continue trilhando este caminho e finalmente leve Danny a se tornar o "Punho de Ferro Imortal", que deveria ser.

A segunda temporada de Punho de Ferro tem apenas 10 episódios, ao invés dos 13 do primeiro ano. Todos já disponíveis na Netflix .

Leia a crítica do primeiro ano, confira dicas úteis para sua maratona do herói, e descubra mais sobre as outras séries deste universo Demolidor, Jessica JonesLuke Cage e Defensores.
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2 Comments

Anônimo disse...

O último capítulo é o que dá realmente ânimo de continuar assistindo a série.
Ver Danny conseguir finalmente dominar o coração do dragão, mas com confiança, promete mostrar o lado kung fu da Marvel.

Fabiane Bastos disse...

Pois é, também gostaria de entender a existência de mais de um Punho e tals (nunca li os quadrinhos), mas a Netflix cancelou a série. Vamos torcer para que Danny e cia ao menos façam aparições nas séries dos colegas. :(

Obrigada pela visita!

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