quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Marvel's Runaways - 1ª temporada

Imagine uma série com adolescentes superpoderosos, uma organização maléfica secreta, uma seita maluca, assassinatos, tecnologias super avançadas, disputa de territórios, viagem no tempo e até dinossauros. É esta miscelânea de temas compõem a série Marvel's Runaways. Surpreendentemente, a mistura funciona muito bem, e a produção do serviço de streaming Hulu (o mesmo de The Handmaid's Tale), se mostra uma boa adição ao universo da Marvel na TV.

O nerd Alex (Rhenzy Feliz), a revoltada Nico (Lyrica Okano), a bela Karolina (Virginia Gardner), a idealista Gert (Ariela Barer), o galã Chase (Gregg Sulkin) e a inocente Molly (Allegra Acosta) cresceram juntos, já que seus pais fazem parte da mesma organização beneficente com reuniões frequentes, a Orgulho. É em uma destas reuniões que os adolescentes descobrem as verdadeiras atividades de seus pais, e decidem se unir para desmascara-los. Alem de lidar com o fato de que seus progenitores agora são seu maior inimigo, os jovens ainda precisam aprender a controlar suas habilidades especiais recém descobertas e os problemas tradicionais de adolescentes.

Esta primeira temporada na verdade, cobre o caminho que levou um grupo de adolescentes abastados à se tornarem os fugitivos (Runaways) do título. Em outras palavras, a série dedica um tempo para apresentar seus personagens, as relações entre eles, o mundo em que vivem, e os eventos que mudaram suas vidas. Essa apresentação bem construída é fundamental para aproximar quem não está acostumado com a dinâmica de quadrinhos, e principalmente na criação da empatia do espectador pelo sexteto protagonista.

Não demora muito para aprendermos seus nomes, e características. Ok, eles são baseados em estereótipos - o nerd, o atleta, a gótica - mas é a forma como cada um destes arquétipos reage à descoberta de que seus pais são vilões e a como interagem entre si que os tornam interessantes. Inclua aqui circunstâncias atenuantes, como eventos passados, as tais habilidades especiais e os hormônios da adolescência. A turma reage como os jovens que são, com as dúvidas, inseguranças, e erros causados pela inexperiência. Suas conversas soam naturais, diálogos coerentes com suas idades, sem soar forçado, bobo, didático ou infantil. Há espaço no roteiro inclusive para ironia, acidez e referências à cultura pop. Tudo bem executado por um carismático elenco.

Os antagonistas também recebem atenção especial. Os pais também tem relações complicadas, passados obscuros e dúvidas quanto à organização a que servem. Em alguns momentos, o desenvolvimento destas relações, especialmente as afetivas pode soar cansativas.  Mas, mesmo estes momentos, ajudam a evitar o maniqueísmo nestes personagens. Sim eles são os vilões, mas também são pais de deus "desafiantes", alguns parecem ter sido ludibriados quanto aos verdadeiros objetivos da Orgulho, outros coagidos à continuar cooperando. Criando bons conflitos individuais e entre membros desta organização.

A parte técnica da produção também funciona. Apesar do orçamento de TV e dos muitos episódios, a série consegue encontrar soluções criativas para apresentar as habilidades dos adolescentes. As superforça de Molly e os efeitos do Cajado do Absoluto, são os que melhores funcionam em cena. A habilidade de brilhar de Karolina é exagerada, mas condizente com a origem nos quadrinhos. Já a mistura de animatrônico e CGI para criar a dinossauro Alfazema convence, mesmo com o robô sendo mais eficientes que aqueles a versão gerados por computador.


Baseado nos quadrinhos criados por Brian K. Vaughan e Adrian Alphona, Marvel's Runaways reúne uma grande quantidade de temas distintos, e trama rocambolesca, mas surpreendentemente funciona. Especialmente por apresentar e desenvolver bem seus protagonistas, e explorar sua premissa sem pressa - o grupo só se torna fugitivo de fato lá pelo penúltimo episódio. Deixando para segunda temporada uma gama de consequências e possibilidades interessantes a serem seguidas.

A primeira temporada de Marvel's Runaways tem dez episódios com cerca de uma hora cada. Por aqui a série é exibida pelo canal Sony e também está disponível na Netflix. A segunda temporada já foi confirmada, terá treze episódios, e deve estrear dia 21 de dezembro de 2018 em seu serviço de streaming original, a Hulu, que não está disponível no Brasil.

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