quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Quando Nos Conhecemos

Quem não adoraria ter a chande de voltar no tempo para corrigir alguma coisa? Qualquer coisa, mesmo que um detalhe bobo. Não é atoa que histórias com viagens no tempo capturam o interesse, independente do gênero em que se apresentam. Quando Nos Conhecemos, usa o recurso temporal para impulsionar uma comédia romântica.

Noah (Adam DeVine) teve um primeiro encontro perfeito com a garota de seus sonhos, Avery (Alexandra Daddario), apenas para perdê-la para o cara perfeito no dia seguinte. Após três anos tentando entender onde falhou, ele acidentalmente descobre um jeito de voltar no tempo e decide mudar o resultado da noite quase perfeita.

Trata-se de uma comédia romântica, a intenção é ser um filme fofo, despretensioso e divertido. A premissa cheia de clichês propositais e absurdos atende a proposta, mas a execução é prejudicada pelo protagonista. Ator, comediante, cantor, roteirista e produtor executivo, DeVine é mais conhecido no Brasil por sua participação nos filmes da franquia A Escolha Perfeita, onde vive o egocêntrico e irritante Bumper . Neste filme, ele tenta criar uma personalidade de melhor amigo, sem sorte e engraçadinho, mas exagera nas caretas e intensidade. A sensação é de que o ator se acha mais engraçado do que realmente é. O resultado, é o mesmo personagem cansativo e sem carisma, do longa sobre corais à capela, mas aqui com a obrigação de carregar a narrativa.

Enquanto isso, Daddario e Robbie Amell (que vive o noivo perfeito Ethan) parecem conformados em atender aos estereótipos para que foram escalados. Andrew Bachelor, que vive o melhor amigo Max, parece limitado propositalmente para não superar o protagonista. Apenas Shelley Hennig se sobressai um pouco, mais devido à trajetória de seu personagem, um dos poucos que cresce ao longo da narrativa, do que pelo trabalho da atriz que assim como o resto do elenco, se contenta em ficar no básico do que o papel exige.

O acerto do filme fica por conta das reviravoltas absurdas. Sabemos que a cada retorno no tempo de Noah, o resultado vai ser diferente do esperado pelo personagem, mas não sabemos de que forma. A imprevisibilidade é a chave, e a repetição de cenas e falas com pequenas diferenças, conectadas por uma montagem bem feitinha também acertam. A produção consegue surpreender nas diferentes versões das vidas envolvidas, mesmo que não tenha um desfecho surpreendentes. A curiosidade sobre as surpresas na jornada, é o que vai conseguir manter alguns espectadores até o fim da projeção.

Já a forma de viajar no tempo, é absurda e nada cientifica. Mesmo porque o filme não está preocupado, nem nunca teve a pretensão de explicar como ou porque a viagem no tempo é possível, mas sim em mostrar as possibilidades que a oportunidade pode criar. É mágica, aceite e aproveite.

Lançado pela Netlix, Quando Nos Conhecemos poderia ser uma "Sessão da Tarde", leve, despretensiosa e divertida, mas perde esse potencial ao apostar em um protagonista que não conquista o público. De fato, ele irrita ao ponto de torcermos para o adversário. É provável que você esbarre nele no serviço de streaming, e até tenha alguns momentos agradáveis assistindo. Mas também pode ser que deseje voltar no tempo, para ter de volta as duas horas que gastou vendo.

Quando Nos Conhecemos (When We First Met)
EUA - 2017 - 97min
Comédia
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