segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Altered Carbon - 1ª temporada

A possibilidade de viver para sempre, e suas consequências na sociedade e seus indivíduos, sempre aguçaram nosso imaginário. No mundo de Altered Carbon, a humanidade adquiriu essa habilidade graças à tecnologia. O resultado é um universo complexo, onde as conhecidas mazelas de nossa sociedade são evidenciadas e ganham novas facetas.

Assim que nascem, humanos recebem cartuchos que armazenam sua consciência, podendo assim extenter sua vida além da capacidade do corpo físico. Basta colocar o cartucho em outra "capa", quando a anterior fica obsoleta. Obviamente, nem todos tem os recursos para desfrutar dessa tecnologia de forma plena.

Takeshi Kovacs (Will Yun Lee) é um emissário (espécie de soldado com habilidades especiais) e rebelde insurgente, que recebe um novo corpo (a figura de Joel Kinnaman) e a chance de escapar de sua sentença após 250 anos de prisão. Tudo que ele precisa fazer, é desvendar o "assassinato" de um Matusa (como são chamados os ricos que podem viver para sempre). É claro, que o evento logo se mostra uma parte pequena de um plano muito maior.

O primeiro grande investimento no gênero cyberpunk da Netflix, acerta em cheio ao explorar os muitos temas possíveis do gênero. Desde as diferenças de classe, os Matusas literalmente vivem acima da maioria, até a mudança de perspectiva quanto às religiões, não faltam temas importantes a serem abordados. O mais presente deles é a inversão de valores daqueles que supostamente tem vida eterna. Perder a humanidade, ao se tornar um imortal é a consequência descoberta pelo protagonista.

Existe ainda, um olhar interessante sobre a existência e autonomia da Inteligência Artificial, que aqui não quer superar os humanos, mas ter a mesma liberdade deles. Existência em ambientes virtuais, duplicatas de pessoas, seja por capas ou cartuchos clonados, uso de corpos alternativos para disfarçar sua identidade, ou mesmo a perda deles, são recursos interessantes que não apenas geram discussão, mas servem à narrativa e seus conflitos. 

Curiosa também, é a mistura de etnias e culturas no mundo "pós-globalização" em que a história se passa. Onde ao mesmo tempo temos um protagonista de descendência oriental-européia e japonesa, Takeshi Kovacs, e uma co-protagonista de família latina tradicional. Aliás, é interessante perceber as adaptações em tradições, como a comemoração do "Dia de los Muertos", especialmente se você ainda estiver com a animação Viva - A Vida é uma Festa, fresca em sua mente.

Ambiciosa a série acerta ao emular o visual de clássicos do gênero como Blade Runner, e até ao usar referências de origens distintas. Sim, estou falando de Poe e seu hotel inspirado em clássicos do terror. A mistura soa familiar, mas não chega a ser repetitiva. Os efeitos, gadgets e maquiagens são bastante eficientes em se tratando de uma série.

Kinnaman, que "veste" o protagonista por mais tempo, é eficiente especialmente quando tem a detetive Ortega (Martha Higareda) ou a gerente Poe (Chris Conner) como apoio. Estes parceiros chamam atenção seja pela personalidade determinada, explosiva, e meio confusa da policial, seja pelo jeito diferente de pensar e carisma da Inteligência Artificial que comanda um hotel. O resto do elenco entrega com facilidade o que seus respectivos papéis exigem.

Boas discussões, personagens eficientes, visual e tecnologia críveis, boas cenas de ação com tudo isso Altered Carbon tinha tudo para ser uma produção excepcional. Entretanto, no último ato, a série se enrola ao tentar encerrar todos os arcos e questionamentos que cria. Alternando entre o didatismo excessivo e explicações confusas, a narrativa até consegue amarrar as pontas soltas e finalizar as histórias de seus personagens. Mas, não sem deixar a sensação de que tudo poderia ser melhor resolvido.

Ao final das contas o saldo de Altered Carbon é mais positivo que negativo. O universo é interessante, os personagens tem várias camadas, o visual e os efeitos são bem resolvidos enquanto a trama levanta questionamentos interessantes ao mesmo tempo que intriga o expectador. O escorregão no final, é apenas uma falha em uma boa jornada.

Altered Carbon é baseado no livro é baseado no livro homônimo de Richard Morgan, tem dez episódios, todos já disponíveis na Netflix.
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