quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Bright

É amante de fantasia? Então provavelmente já imaginou como seria a vida se os elementos fantásticos da ficção existissem de verdade. Esta é a premissa de Bright, empreitada ambiciosa da Netflix com Will Smith e o diretor David Ayer (de Esquadrão Suicida).

Nick Jakoby (Joel Edgerton) é o primeiro orc policial dos Estados Unidos, e tem como parceiro no nada satisfeito policial humano Daryl Ward (Will Smith). Em uma de suas missões a dupla se depara com uma "arma de destruição em massa"(?), cobiçada por  diferentes gangues, seitas e até autoridades. Inclua aí diferentes raças, cada uma com suas rixas e interesses.

Fazendo um paralelo nada sutil com mundo real, a Los Angeles de Jackoby e Ward é bem parecida com qualquer grande cidade dos dias atuais. Divisões de classe, preconceito, segregação e claro, a violência gerada por tamanha discrepância social. A classe marginalizada aqui é a dos orcs. Os ogros (sim, tem palavra em português, vamos usar) escolheram o lado errado de uma batalha há dois mil anos e ainda são rejeitados por isso. No outro extremo da sociedade os privilegiados elfos sentem-se superiores e talvez burlem as regras (leia-se usam magia) para manter sua posição. Os humanos ficam no meio do caminho, como a classe média trabalhadora.

Apesar de óbvio, o roteiro acerta ao trabalhar a briga de classes mágicas, especialmente a situação de Jakoby. Deslocado socialmente, sofre preconceito diário de todas as castas, fazendo seu trabalho da melhor forma possível, e até se faz de sonso para suportar tais agressões. Conflitos que Edgerton consegue transmitir bem sob pesada - e bem feita - maquiagem. A relação com seu preconceituoso parceiro, Ward também é bem construída à partir não do trabalho em conjunto, mas dos conflitos da dupla. Sim, mais uma equipe que precisa aprender a confiar um no outro! Mas tudo bem, pois Smith e Edgerton tem uma excelente química. A relação não apenas funciona, como sustenta o filme.

O escorregão fica por conta daquilo que deveria ser o diferencial da produção, os elementos fantásticos. É na hora de explicar o misticismo, as crenças e motivações das diferentes raças que a produção se enrola e não consegue desenvolver os vários conceitos que apresentam. Quem é esse Senhor das Trevas? E as pessoas que o seguem? E os tais de Bright, personagens que fão nome ao filme? É claro, que com a sequencia já anunciada estes temas poderão ser melhor explorados, mas o filme deveria se sustentar sozinho, sem contar com continuações que não existem.

A pior consequência na falha ao explicar os conceitos fantásticos, é não oferecer estofo à queles que dependem deles. Assim, temos vários bandos e gangues genéricas perseguindo a dupla, enquanto os grandes vilões do filme carecem de personalidade para justificar seu nível de ameaça. Basta saber que ao fim do filme, não conseguimos sequer lembrar o nome da chefe dos vilões vivida por Noomi Rapace. É Leilah, segundo o IMDB.
Admito, fugiria da Rapace com essa cara de má sem pestanejar, mas ela é terrível porque mesmo, hein?
Esperando esse cara ficar malvado...
Outras falhas ficam por conta do roteiro didático e conveniente. Como habilidades extraordinárias que podiam ter solucionado problemas facilmente, mas são esquecidas pelos seus portadores. Longos discursos explicativos para personagens que já deveriam ter essas informações. E o que dizer do federal elfo e seu caráter ambíguo que não resulta em nada? Seu desenvolvimento também ficou para a sequência? 

Apesar da comparação inevitável com Esquadrão Suicida, uma vez que traz uma segunda parceria entre Will Smith e o diretor David Ayer, Bright não chega nem perto do desastre do longa com os supervilões. A produção da Netflix, não está livre de falhas, mas acerta ao criar empatia com seus protagonistas. Falta só explorar melhor seus conceitos fantásticos e evitar deslizes óbvios. Por hora serve como entretenimento despretensioso.

Bright (Bright)
2017 - EUA - 117min
Ação/Policial/Fantasia


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