Verity

Admito, eu não fazia ideia sobre o que se tratava Verity antes de entrar na sala de cinema. Eu tinha ciência da existência do livro, mas nunca li sua sinopse. Tão pouco assisti à trailers da sua adaptação cinematográfica. A única coisa que eu conhecia era o elenco, e essa foi a melhor forma de assistir ao filme.

Logo, se quiser parar por aqui, e retornar depois de ler ou assistir esta história, eu vou entender. Para quem ficou, vamos ao que se trata...

Lowen Ashleigh (Dakota Johnson) é uma jovem escritora talentosa, mas sem grande expressão em vendas. Ela acabou de perder a mãe, acumula dívidas médicas (viva o SUS!), e está prestes a ser despejada quando recebe uma proposta que pode tirá-la desta situação difícil. Ela deve trabalhar como ghostwriter (ou co-autora, não fica claro) de uma famosa série de livros, cuja autora encontra-se em estado vegetativo após um acidente. 

Assim, a moça vai passar os dias na isolada casa de Verity Crawford (Anne Hathaway) e seu marido Jeremy (Josh Hartnett), para vasculhar as anotações da autora, compreender os rumos que ela pretendia dar a sua série, e aprender a emular sua voz. A dificuldade é que Verity costuma escrever pelo ponto de vista do vilão, tornando sua obra extremamente perturbadora. 

Eventualmente, Lowen encontra um manuscrito com a suposta auto-biografia da famosa autora. Onde ela revela seu verdadeiro carater, relatando atos horríveis contra os próprios filho, na tentativa de obter atenção total do marido por quem é obcecada. Ao mesmo tempo a jovem escritora, passa a se envolver e preocupar com a família. Se preocupando com o filho do casal, Crew (Brady Wagner) e principalmente com o extremamente atencioso marido. O que leva a jovem a desconfiar da condição médica de Verity. 

A partir disso, cria-se um clima de desconfiança e paranóia que leva a protagonista e o expectador questionarem a realidade. Nos levando a questionar tudo e todos, inclusive a prórpia Lowen. Enquanto ela, faz escolhas ruins baseada em percepções que podem estar errada. Levando a um final propositalmente em aberto, sobre quem é o verdadeiro vilão da história. 

Originalmente no livro de mesmo nome em que a obra se baseou, o final também era completamente em aberto, no melhor estilo "Capitu traiu Bentinho?". Posteriormente, a autora Colleen Hoover acrescentou um capítulo extra que da mais força a uma das vertentes. O filme escolhe manter a discussão aberta para o público. Esta acertada escolha, é o que gera impacto é dá força à produção que no geral é bastante mediana. 

O roteiro de Nick Antosca enxuga exageros, elimina detalhes desncessários, mas não consegue eliminar completamente as incoêrencias, excesso e dar profundidade aos personagens. A condição de Verity ser sustentada por tanto tempo sem desconfiança, ou mesmo o trabalho policial nos casos de eventos suspeitos serem tão frágeis, exigem muita suspenção de descrença do público. 

Outros elementos, são higienizados ou suavizados na produção cinematográfico. Provavelmente para alcançar um público maior. Tornando as cenas de sexo mero fetiche, e diminuindo o teor das cenas violentas. Inclusive a inútil cena do início. Um atropelamento sangrento sem função nenuma na trama a não ser chocar. 

Já Lowen e Jeremy não despertam a empatia do público como deviam. Tão pouco seu romance convence, a atração parece apenas existir pela conveniência de estarem sob o mesmo teto. Além do roteiro fornecer pouca bagagem, e interações frágeis entre o casal, Johnson e Hartnett não conseguem entregar química ou carisma para ganhar nossa torcida. 

Anne Hathaway é a melhor em cena, o que é irônico, uma vez que ela passa metade do tempo catatônica. A ambiguidade de carater, e o carisma, que ela oferece em momentos de flashbacks e narrações, junto com o apego que já temos pela atriz, são suficientes para que adoremos desconfiar de Verity. Resultado? Racionalmente sabemos que deveríamos torcer para Lowen (ao menos até a dúvida final ser apresentada), mas torcemos mesmo é para a personagem título. 

Com uma história interessante, mas um roteiro fraco, o diretor Michael Showalter completa o combo de mediocridáde (não é um xingamento, significa que é mediano!). Entregando o que a história precisa para funcionar, e apenas isso. Perdendo a oportunidade de usar, por exemplo, as excelentes locações e cenários para despertar os sentimentos do público. A exôtica e isolada casa do casal Crawford poderia ser um personagem à parte se o diretor soubesse usá-la

O mesmo vale para as dúvidas e paranóias de Lowen, e a ambiguidade de caráter de Jeremy e Verity. O diretor traz esses temas da forma mais burocrática e comum já feitas. Não é ruim, mas poderia ser muito melhor. 

Verity entretém! Especialmente se você, como eu, encarar a sessão às escuras. Não sei como será a recepção dos leitores. Tem mistério e um ritmo bom o suficiente para nos mantér atentos e curiosos até o fim. Enquanto o final em aberto cria divertidas discussões pós sessões. Mas está longe de ser inovador, ou criativo. É mediano, e isso não é necessáriamente ruim. 

Verity
2026 - EUA - 117min
Suspense

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