A Empregada

Não sei como, mas consegui seguir imune ao sucesso literário Freida McFadden. E fui assistir A Empregada sabendo apenas o que o material promocional do filme oferecia. O que foi o melhor cenário possível para esse típo de filme. Em outras palavras, quanto menos souber, melhor. Logo, não ficarei chateada se você pausar esta leitura por aqui, e voltar mais tarde, após assistir a obra. 

Você ficou? Já voltou? Então seguimos, tentando evitar ao máximo os spoilers. 

Millie (Sydney Sweeney) está em um momento difícil da vida. Em condicional, vivendo no carro, e precisando urgentemente de um novo emprego e endereço. Mente bastante em uma entrevista de emprego dos sonhos, e para sua surpresa consegue a vaga. Entretanto, cuidar da família de Nina (Amanda Seyfried) não é uma tarefa tão fácil quanto parece.

Não demora muito para a casa e a família perfeita começar a demonstrar sua verdadeira natureza. Cece (Indiana Elle), a filha de sete do casal é antipática e apática. Nina é extremamente instável, ora um amor de pessoa, ora assustadora. Enquanto Andrew (Brandon Sklenar) parece perfeito demais para ser verdade. Bonito, bem sucedido, atencioso, prestativo, um excelente partido que logo encanta a protagonista. 

Como isso vai dar errado em todos os sentidos é a graça do filme. Logo não convém contar. Assim como sua reviravolta, que pode ate ser clichê, mas funciona. Especialmente graças a atuação de Amanda Seyfried. Conhecida do público por fazer mocinhas, ou ao menos personagens adoráveis como a Karen de Meninas Malvadas, ele nos consegue fazer alternar entre desconfiança, ódio e empatia com a mesma intensidade. Em mudanças extremamente rápidas e coerentes. É sem dúvida o ponto alto do filme, que até perde um pouco o ritmo quando a moça não está em cena. 

Brandon Sklenar convence nas duas versões de seu personagem (movamente, mencionar é spoiler), mas não entrega nada de novo. Enquanto a mocinha atende ao que a personagem precisa na maior parte do tempo. Talvez seja apenas comigo, mas as polêmicas de sua vida pessoal, tornaram difícil acreditar nos momentos de vulnerabilidade. Por outro lado, quando a moça assume o controle, é bastante convincente. 

Alguns personagens como o jardineiro Enzo (Michele Morrone) e a sogra (Elizabeth Perkins), pouco contribuem para a trama. Parecendo estar presente apenas porque existem no livro. Quase sem função, podiam ser descartados, mas ocupam tão pouco tempo de tela, que não chegam a incomodar.

Com um pouco mais de ação que o livro, pelo que pesquisei o filna das páginas é mais passivo. O filme ainda encontra espeço para discutir violência domèstica, manipulação, submissão feminina e sororidade. Além de deixar brecha pra uma franquia, para qual Sydney Sweeney ja afirmou que retornaria.  

 Paul Feig não inova na direção, trazendo convenções bem conhecidas, e algumas até previsíveis demais do gênero. Mas, quando bem feito funciona. E este é o caso! Especialmente, para quem assim como eu, for conhecendo pouco, ou ainda melhor, nada da trama. 

A Empregada não é inovador e revolucionário, mas é um filme caprichado. Envolve, intriga e diverte. Talvez não surprenda sempre, mas proporciona um par de horas de bom entretenimento. E não precisa mais que isso. 

A Empregada (The Housemaid)
2025 - EUA - 131min
Suspense

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