Não conte, mostre! Essa é uma das regras de ouro do audiovisual que a produção de Camp Rock 3 parece não conhecer. Em contrapartida, eles conhecem nostalgia, o ritmo das redes e talvez seu público alvo, que não é mais o mesmo dos filmes anteriores. Infelizmente o que a produção sabe, não é suficiente para fazer um filme. E olha que nem esperávamos um clássico, apenas um simpáticol filme para a TV já estava bom.
Mais um ano se inicia no Camp Rock, e Sage (Liamani Segura) chega para seu primeiro verão no acampamento, ao lado do irmão Desi (Hudson Stone) com quem tem se estranhado desde que encerrou a parceria musical para estudar música. Nesta temporada também chegam o enérgico Cliff (Casey Trotter), a musicista clássica introvertida Rosi (Lumi Pollack), e o aparentemente bad boy Fletch (Lumi Pollack). Todos sob a supervisão de Connie (Maria Canals-Barrera), mãe da protagonista dos filmes anteriores agora administra o local. Será que o negócio de buffet dela faliu?
Paralelamente o Conect 3, está prestes a entar em uma mega turnê de reconexão já esgotada, quando a banda que faria seu show de abertura se desfaz. Em busca de um novo número para abrir os shows, e incapazes de concordar em alguma coisa, os agora adultos Shane, Nate e Jason (Joe, Nick e Kevin Jonas respectivamente) retornam ao acampamento do rock, para encontrar um novo talento entre os campistas. Tarefa que fica a cargo de sua estressada empresária Lark (Sherry Cola).
Os participantes vão competir pela oportunidade, e não precisa muito esforço para deduzir, que os cinco que a introdução do filme apresenta serão os finalistas. Cada um com suas motivações e supostos arcos para cumprir em 92 minutos de projeção. Desi e Sage, tem de fazer as pazes e a moça precisa parar de escolher a carreira acima de amigos e família. Cliff precisa fazer amigos. Rosi tem que tomar coragem de se libertar da obrigatoriedade da música clássica imposta pelos pais. Enquanto Fletch tem um trágico segredo.
Somam-se aí interesses romanticos variados, muita musica e dança, e uma "vilã" tentando atrapalhar os finalistas. Não faltam argumentos, ainda que simples e clichês, para se contar uma história cativante. O problema? Focado em não perder a atenção do público das redes verticais, o filme simplesmente não constrói as histórias, partindo diretamente para a "recompensa".
Assim, o casal principal uma primeira oportunidade de uma conversa que os conecta. Mas não vemos a conversa dela, apenas a música que surgiu dela, apontando o interesse amoroso instantâneo, em um ação nada realista. Tá que o adolescente badboy vai abrir seu coração em público de repente, em meio ao julgamento de outros adolescentes sem represálias.
Eliminada da competição, a vilã Madison (Ava Jean) e seus minions arquitetam sua vingança. Não vêmos, mas eles vandalizam objetos pessoais dos rivais (incluindo um caríssimo violoncelo). Apenas para criar uma divertida cena de guerra de gliter, mas sem nenhuma outra consequencia além de um mero "os pais dela vão pagar".
Como não foi castigada, ela faz novamente. Nos conta que vai filmar os competidores e postar nas redes, burlando as regras da competição e eliminando-os. Novamente, não vêmos o plano em ação, ou mesmo o vídeo viralizado. Apenas um personagem nos conta o que houve, ameaça os finalistas, para duas cenas depois toda a armação ser descoberta, fora de tela!
Impossível fugir a sensação de que o roteiro de Camp Rock 3 quer mostrar o show, mas não quer montá-lo. Como se acreditasse que seu público não teria paciencia de acompanhar uma construção, e perdendo qualquer coerência no processo. Seria melhor então fazer vários video-clipes.
Apenas a amizade entre os cinco finalistas ganham um pouco de desenvolvimento, a medida que compartilham cenas juntos, em especial toda a sequencia do ônibus. Ainda sim, parece pouco diante do nível de conexão que o clímax insinua que construíram.
Os números musicais são enérgicos, mas pouco originais. Muito-se bebe das canções dos filmes anteriores. As melhores cantorias são aquelas devidamente encenadas em um palco. Novamente, seria melhor produzir um show, ao invés de um filme musical.
Contudo, eu admito, não sou o público alvo deste filme. Fui dos anteriores (mesmo já tendo saído da adolescência, ainda éramos todos milenials), mas este é para os gen-z. A nós restam acenos de nostalgia, que vão desde passos de dança, passando por canções e a presença dos personagens originais. Além dos Jonas Brothers e da Maria Canals-Barrera, Demi Lovato ainda dá as caras. Embora soe mais como Demi que como Mitchie, não cante nem interaja com o elenco jovem.
Na opinião desta milênial que vôs escreve, Camp Rock 3 está muito aquém dos filmes anteriores. O que siginifica algo, já que se tratam de filmes para TV cheios de carisma, mas ainda bastante simplórios. Entretanto para as gerações Z e Alpha, pode ser exatamente o filme que os atenda. E é isso que a Disney quer, atualizar sempre seu público. Logo, a obra cumpre sua função.
Camp Rock 3
2026 - EUA - 92min
Musical
*Já que no Brasil o Disney Channel não existe mais, por aqui é possível assistir ao filme no Disney+!

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