Homem-Aranha: Um Novo Dia

O Peter Parker de Tom Holland não é mais o "menino-aranha"! Apelido carinhoso que o público deu quando ele apareceu bem moleque em Capitão América - Guerra Civil de 2016. Uma década e muitas aparições depois, o quarto filme solo do herói vem para solidificar esse amadurecimento que começou no fim de Sem Volta para Casa

Mas calma, Homem-Aranha: Um Novo Dia não é um drama denso sobre a entrada na fase adulta. Ainda é um filme de super-herói de franquia, com seus exageros, licenças poéticas e obrigação de fazer conexões com obras passadas e futuras. Carcacterísticas presentes para o bem ou para o mal.

Após os trágicos eventos do filme anterios, Peter (Holland) decidiu que viver solitário é mais seguro para todos. E assim ele passa quatro anos como amigão da vizinhaça, pegando bandidos menores e até colaborando com órgãos governamenais. Suas maiores relações são sob a máscara com a detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas), eventuais parceiros de trabalho como o Justiceiro Frank Castle (Jon Bernthal), e até bandidos recorrentes como o Escorpião (Michael Mando). 

A única a chamá-lo de Peter é sua assistente de inteligência artificial que em inglês tem a voz de Naomi Watts. O herói passa a suprimir seu lado humano em prol da responsabilidade do aranha, embora volta e meia dê uma olhada saudoza na vida de MJ e Ned (Zendaya e Jacob Batalon).

É nesse cenário de isolamento e hiperfoco nada saudável que uma ameaça nunca vista antes chega à Nova York. Algo tem possuído cidadãos comuns, para cometer crimes pela cidade. Desafio ainda mais difícil quando a conta do isolamento chega, e os poderes de aranha do personagem passam a mudar e se intensificar.

E o filme não é nada sutil ao abordar a evolução dos poderes como passagem para a fase adulta. O roteiro literalmente coloca um documentário explicando isso em cena. É claro que Peter vai lutar e tentar suprimir a mudança, antes de descobrir que o melhor é aprender a lidar com ela. E que o isolamento social não é a melhor saída para lidar com as consequencias de ser um herói. No MCU eles enfrentaram o blip, enquanto nós a pandemia. Caso contrário o personagem já saberia das dificuldades do isolamento forçado. 

Em resumo, existe sim uma evolução do personagem, mas nada muito complexo ou sofisticado. Acredito que nem caberia na proposta deste universo. Os poderes de aranha evoluem, resultando mais recursos para cenas de ação novas e inventivas. Nunca se gastou tanta teia como neste filme.  

Enquanto o protagonista evolui como pessoa, aprende a lidar com seu lado humano e herói como um só. Afinal ele é tanto o Peter como o Aranha. Uma boa evidência dessa evolução, é o fato de que pela primeira vez, o personagem não tem um mentor. Tony Stark no primeiro filme, Mistério no Segundo e Doutor Estranho no terceiro. Bruce Banner, Frank Castle e Yelena Belova estão em cena, e até poderiam assumir este papel, mas felizmente eles são apenas recursos para o herói. Não botes salva-vidas. 

Banner (e Hulk, claro) são recusos diferentes tanto para o herói quanto para a antagonista em participações pequenas, mas sempre com o carisma de Mark Ruffalo. A Viúva Negra de Florence Pugh é literalmente uma informante, presente apenas para justificar a ausência de outros heróis que sabemos estar vivendo na cidade durante a aventura. E o Justiceiro age mais como side-kick, e alívio cômico, para desespero dos puristas fãs da versão mais hardcore do personagem. Eu, acho que a química entre Holland e Bernthal é um dos pontos altos do filme. 

Assim como as interações que já sabemos que tem química, mas agora são apresentadas de forma diferente. É ao mesmo tempo reconfortante e estranho ver Peter, MJ e Ned juntos. Isso porquê sua relação mudou, mas ainda é muito compatível. E depois de uma trilogia inteira, o trio está mais que confortáveis e cientes de seus papéis, mesmo com o novo cenário.

Agora é hora de falar do desafio da vez. Mas não tem como falar da antagonista sem dar spoilers, então... prossiga por sua conta e risco. 

Depois de pinceladas do gene mutante no MCU, finalmente um dos X-Men dá as caras em uma versão criada para este universo. É um mutante psíquico que salta de humano em humano para realizar sua missão. A personagem misteriosa de Sadie Sink, como muitos especulava, é a Jean Grey. Mas repare até agora eu tenho me referido a ela como antagonista, não vilã. O verdadeiro vilão do filme é outro, muito menos importante e interessante que a adversária que move a trama. 

Jean realmente está cometendo atos criminosos. Mas a moça tem bons motivos para isso, e Sink consegue trasmitir a urgência e desespero da moça mesmo antes de compreendermos seus motivos. Até porquê quase ninguém acreditaria que uma personagem tão conhecida da franquia seria de fato uma vilã. Os poderes da personagens também são usados de forma nova e criativa, um acerto que afasta essa versão das duas outras que já vimos em cena na franquia X-Men. 

Entretanto, por mais legal que essa nova Jean seja, sua presença e apresentação rouba parte do filme do protagonista. Todo o ato final é mais sobre ela, que sobre o Homem-Aranha, o que pode incomodar alguns. Assim, como a obrigatoriedade do filme em se encaixar no multiverso, presente até nas cenas pós créditos. Eu já esperava por isso, logo não me incomodei, mas sei que boa parte do público está cansado de filmes que são apenas conexões para proximos filmes. 

Tecnicamente, o filme é eficiente em efeitos especiais, figurino, fotografia, mas não traz nada de inovador ou próprio. Em outras palavras, é um tanto quanto genérico, já que, assim como a trama, precisa se encaixar na estética do MCU como um todo. O filme é correto, suas cenas funciona, mas pouco se destaca além de algumas sequencias de ação que fazem uso de poderes ou adversários novos. Como alguns belos takes conta o Tentáculo. Alías quem esperava ver a organização criminosa com destaque, baixe as espectativas, eles também são meros recursos. 

Homem-Aranha: Um Novo Dia é divertido e até evolui o protagonista para uma nova fase. Agora temos um homem aranha adulto, mais maduro e independente. Mas o filme ainda é engessado pelas muitas obrigações de fazer parte de um multiverso. Não que isso vá influenciar o interesse do grande público. Miranha ainda é um dos heróis mais carismáticos e adorados do panteão. E se a aventura for empolgante - o que esta é - ninguém vai se recusar a se aventurar junto. 

Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day)
2026 - EUA - 145min
Aventura, Ação

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