Parece que colaram vários episódios da série e fizeram um filmão! E não, isso não é um demérito do filme, mas um dos indícios de que a franquia está retornando à tela grande à passos de Baby Yoda para ter certeza de pisar em solo firme. Apostar numa mega-maratona da série em IMax é uma escolha segura.
O Mandaloriano e Grogu está sendo vendido como uma continuação das aventuras dos personagens da série na tela grande. Mas não é tão simples assim, ou melhor, é mais simples do que isso! Simplicidade parece ser a escolha da Disney para abraçar também o público que não acompanhava o programa no streaming. Assim, temos sim uma continuação na jornada de Mando (Pedro Pascal) e Grogu, mas não do universo em que estão inseridos.
Oferecendo seus serviços para a Nova República, Din Djarin e seu aprendiz Grogu respondem à Colonel Ward (Sigourney Weaver). Mais especificamente buscando oficiais fugitivos do Império, no melhor estilo "Caçadores de Nazistas". Mas uma dessas missões envolvendo os irmãos Hutt (sim, parentes do Jabba lá do episódio VI), acaba dando uma volta inesperada, o que leva à dupla protagonista à uma grande aventura.
Mas a história se encerra aí, nessa missão específica! Sem as muitas expansões que a série já tratara anteriormente. Ou seja, nada de reconstrução de Mandalore, pré-história da Nova Ordem, ou qualquer outra expansão que pudesse complicar a trama e exigir conhecimento prévio do público.
Em resumo, não é preciso ter visto série para acompanhar o filme. Deixando clara que a intenção da obra é não excluir ninguém, e servir de porta de entrada para espectadores novos. Fiquei supresa inclusive, que o filme não faça muitos esforços para explicar em que período a história se passa. No grande hiato entre os episódios VI e VII. Mas, mesmo sem explicar muito o filme deixa claro rapdamente para quem devemos torcer contra e a favor.
E a não ser que você seja um fã fervoroso com muita expectativas em torno da expansão do universo, para esses o longa vai parecer um enorme episódio fillher, a produção deve agradar fãs e não iniciados. Já que a aventura é simples, mas bem construída e com personagens extremamente carismáticos.
Poucos personagens de obras anteriores migram para a telona além dos protagonistas. E a maioria com funções pontuais na trama, como Zeb (Steve Blum), original da animação Rebels. O pequeno mecânico Babu Frik e compania; E os parentes do Jabba The Hutt.
A jornada apesar de simples e contínua é apresentada de forma bastante episódica. Por isso comecei esse texto afirmando que colaram vários episódios da série e fizeram um filmão. Os espectadores mais atentos não vão ter dificuldade em pontuar os pequenos arcos, ou mesmo onde cada episódio terminaria, se essa trama fosse apresentada em forma de série de TV. Mas isso não chega a ser um demérito, é uma escolha que pode agradar ou não. Considerando que boa parte da audiencia do filme vem da série, não deve incomodar a maioria.
Pedro Pascal, Lateef Crowder e Brendan Wayne continuam a dividir o trabalho de dar vida de forma carismática e expressiva à um personagem de quem raramente vemos o rosto. Pra quem ainda não sabia, a voz que ouvimos é de Pascal, mas ele divide a performance com estes dois dublês. Um deles inclusive, o Lateef Crowder é um capoeirista brasileiro. Ele é responsável por executar todas as cenas de ação, lutas coreografadas e acrobacias. É por isso que o Mando tem o molho!
Já a outra metade do título é resultado de combinação de marionetes, efeitos especiais, e eventualmente um pouquinho de CGI. É presença e a expressividade do boneco, comandado por um trabalho de equipe impressionante, que tornam Grogu um personagem tão carismático, e muito rentável. Aliás o bebê está cada vez mais esperto e independente, ao ponto de carregar o filme por muitos momentos.
E por falar nos bonecos, algumas sequencias povoadas apenas por eles dão um charme inesperado ao filme. Acompanhando apenas Grogu e a gangue de Babu Frik a sensação de retornar aos clássicos oitentistas de Jim Henson é inevitável. Mas isso é para os mais velhos, a molecada só vai se encantar com as criaturas alienígenas mesmo.
Tem ainda Sigourney Weaver claramente se divertindo por fazer parte do universo. Jeremy Allen White e Martin Scorsese dando vozes a personagens. O que não deve fazer diferença para o público brasileiro que assiste majoritariamente a versão dublada.
Conhecedor dos personagens com quem trabalha, e sem obrigação de fazer conexões com outras obras do universo, Jon Favreau investe em referências visuais, easter eggs e construção de atmosfera para trazer o tom esperado pelos fãs. De especies de aliens conhecidas circulando aqui e ali, passando pela estética de figurinos, naves e objetos, tudo tem a estética da trilogia clássica. O que deve deixar os nerds veteranos nostalgicos.
Star Wars: O Mandaloriano e Grogu é o retorno calculado da franquia aos cinemas. Simples e sem amarras, o filme testa o terreno para obras futuras. Ao mesmo tempo que aproveita a popularidade de Grogu para trazer público novo, sem desagradar o antigo. Não expande universo, não aproveita as dezenas de personagens, planetas e plots apresentados em diferentes séries nos últimso anos, mas diverte! E diversão sempre fora o primeiro objetivo da franquia, o resto é bônus.
Star Wars: O Mandaloriano e Grogu ( Star Wars: The Mandalorian and Grogu)
2026 - EUA - 134min
Aventura, Ficção Científica, Fantasia
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