The Walking Dead - 10ª temporada - Ah! E por falar nisso...

terça-feira, 7 de abril de 2020

The Walking Dead - 10ª temporada

Tecnicamente, a décima temporada de The Walking Dead ainda não terminou, o décimo sexto episódio, último deste ano, teve sua produção paralisada por tempo indeterminado devido à pandemia de COVID-19. Só isso já bastaria para diferenciar esta temporada das demais, mas há outros momentos dignos de nota no décimo ano da série dos mortos andantes.

Com a saída de Andrew Lincoln e outros nomes do elenco, a série foi forçada a sair de sua zona de conforto, o que curiosamente, foi a melhor coisa que poderia acontecer ao programa. Não que esta temporada não tenha seus problemas, mas sem dúvida é a mais equilibrada em muito tempo.

Já que mencionamos os problemas, o maior deles é a divisão dos sobreviventes em comunidades, dispersando a interação e arrastando o desenvolvimento da trama. Divididos entre Alexandria, Hilltop e Oceanside, impossível não ficar confuso sobre quem está morando em cada cidade, ou evitar a sensação de que os personagens passaram metade da temporada viajando entre uma e outra.

Enquanto os mocinhos ziguezagueiam, a vilã espera para ser construída. E a série dá indícios disso logo no segundo episódio da temporada, We Are the End of the World, que retrata o início do bando com o encontro ente Alfa e Beta. Entretanto, a partir daí, a série passa a tratar a líder do grupo como estrategista, quando na verdade ela é uma espécie de fanática religiosa. Seu único plano é cercar a todos de zumbis, depois de dez anos de série a estratégia é contestável. O que ela faz, o grupo de Rick fez lá na sexta temporada. O grupo conhece maneiras de guiar e dispersar zumbis (oi, faz barulho para outro lado, gente!), mas esta hipótese nunca é levantada. Podia até não funcionar, mas devia estar entre as opções, ao invés de apenas enfrentar os mortos de frente.

Essa incoerência, o tratamento equivocado dado à personagem e a demora para que ela de fato fazer algo, tornou-se um fator de incômodo para esta blogueira que vos escreve. Por mais que a atuação de Samantha Morton fosse excelente, a sensação constante era de que a personagem foi tratada como uma ameaça maior do que realmente era.

Já os objetivos da Alfa são propositalmente confusos. Ela quer converter a todos em membros da horda (vivos ou mortos), pois acredita que esta é a "nova ordem". Por outro lado não supera a deserção da filha, enquanto obriga outros membros a abrir mão dos seus. E quando gravemente ferida, não é deixada para traz, como aconteceria com qualquer outro membro mais fraco do bando. A hipocrisia de grandes líderes ideológicos parece ter resistido ao fim do mundo.

Outra com motivações confusas é Carol, que experimenta um luto inconsequente após perder outro filho. Ao mesmo tempo que arquiteta um plano certeiro (se tinha um plano, porquê fez aquelas besteiras?). Os demais personagens parecem ter apenas dois objetivos: sobreviver e dar seguimento a trama. Esta última tarefa relegada a Eugene, que cria novos laços a serem explorados em temporadas futuras. Esse tempo observando personagens menores é essencial para criarmos laços com eles, e assim resolver o problema de falta de empatia com os personagens sobreviventes quando grandes nomes deixam a cena.

À exemplo de Rick, Michone ganha um bom episódio de despedida, já que Danai Gurira também decidiu deixar o programa. What We Become usa imagens de arquivo, para fazer uma retrospectiva da jornada da personagem, e até reimagina-la sob outras circunstâncias. A despedida não é definitiva, assim como a do Xerife, mas o desfalque é grande já que a personagem tinha ficado com o posto de líder do ex. Também é difícil aceitar o fato dela deixar os filhos pequenos tão facilmente, mas ao menos, isto deve significar crescimento para Judith.


Mais equilibrado, foram poucos os episódios que deixaram a sensação de estagnação. Muito diferente da época em que apenas os primeiros e últimos episódios de cada metade de temporada eram memoráveis. Squeeze poderia ser um marco de construção de tensão, se fosse melhor fotografado. Tarefa que Morning Star, o bom episódio da batalha cumpriu bem. Enquanto o 15°, faz uma boa preparação para a derradeira batalha com os Sussuradores. Se não soubéssemos da existência de mais um episódio, este poderia muito bem ser um daqueles finais de temporadas com um enorme gancho.

É provável que a décima temporada de The Walking Dead, seja lembrada por ser aquela interrompida pela pandemia. Afinal, trata-se de um programa sobre uma pandemia fictícia, sendo afetado por uma real. Entretanto, deveríamos lembrar como uma temporada que, forçada a tentar coisas novas, ajustou seus ponteiros, sem medo de buscar novos rumos. O balanço do ano dez, é positivo. E o teaser com retorno de Maggie (Lauren Cohan) é promissor. Resta torcer para que a melhora crescente continue nos próximos anos.

The Walking Dead é exibida no Brasil pela Fox, a décima temporada tem 16 episódios, o último ainda não foi exibido. Temporadas mais antigas do programa estão disponíveis também na Netflix (a nona estreia em 15 de Abril). O 11° ano já está confirmado, e existem planos para longas-metragem derivados estrelados por Rick Grimes (Andrew Lincoln).

Leia mais sobre a série aqui.

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