Eu sei o que você deve estar pensando: que esta crítica está atrasada! - Já faz um ano que estreou a derradeira temporada de The Handmaid’s Tale. Mas seu lançamento no Brasil foi mal divulgado. A série estreou simultaneamente com os EUA no Paramount+ (quem tem esse streaming), e tempos depois chegou ao Disney+.
De qualquer forma, só me lembrei de termina-la quando começaram os anúncios de Os Testamentos: Das Filhas De Gilead. Série derivada que determina muito as escolhas para o encerramento da saga de June Osbourne (Elisabeth Moss). Logo, para assistir ao spin-off e porquê odeio trabalho incompleto (resenhei todas as outras temporadas aqui), segue tardiamente a crítica da sexta e última temporada de O Conto da Aia.
Partindo exatamente de onde a temporada anterior parou, reencontramos June e Serena (Yvonne Strahovski) em uma situação nova. As duas estão no mesmo barco, ou melhor, no mesmo trem. Refugiadas de Gilead, seguindo para uma vida nova no Alaska. Um dos únicos dois estados remanecentes dos Estados Unidos, uma vez que o Canadá tem estreitado relações com a ditadura vizinha e alega não ter como manter tantos refugiados.
Mas não demora muito para o roteiro desperdiçar esse caminho inusitado, não apenas separando as personagens, como recolocando-as em posições de antagonistas. Serena retornar a Gilead com um papel de destaque, e uma voz. Ainda que duvidemos que sua posição seja de fato segura, ou permanente. Enquanto June é arrastada de volta à luta, ao lado da MayDay, de Luke e Moira (O-T Fagbenle e Samira Wiley).
Esta crítica terá spoilers do final da série! Continue por sua conta e risco.
A partir daí o roteiro tenta encerrar ciclos, sem encerrar histórias. Em outras palavras, aborda uma batalha vitoriosa para os mocinhos, mas não resolve a guerra. Os estadunidenses recuperam Boston, cidade onde June vivia como OfFred, mas o restante do país continua sob a ditadura. Incluindo Hannah (Jordana Blake), filha da protagonista, que é uma das personagens principais de Os Testamentos.Os comandantes que conhecemos são derrotados. Aqueles com maior destaque, Lawrence e Nick (Bradley Whitford e Max Minghella) precisam decidir de que lado estão.Tia Lídia (Ann Dowd) começa a realmente entender o sistema a que serve, e tomar atitudes consciêntes. Intrigas entre June, Luke e Moira são resolvidas. Assim como o embate entre protagonista, e a maior antagosnista, a Serena. E personagens menores como Janine, Rita e Emily (Madeline Brewer, Amanda Brugel e Alexis Bledel) resolvem seus pequenos arcos, ganham função na narrativa maior, ou fazem aparições especiais.
Mesmo assim, tudo ainda parece meio inacabado. Tia Lídia continua suas funções e retorna da série derivada. Serena é vista pela última vez buscando um lar. Enquanto June continua a lutar. Ou seja, as personagens mais relevantes são reservadas para, se desejado, serem resgatadas pelo spin-off no futuro.
A série terminou, mais a história não! O que é insatisfatório para quem dedicou quase dez anos para acompanhar a série. A temporada um estreou em 2017, desde então passamos por uma pandemia, hiatos enormes, um excesso de tortura na série que precisou ser reajustado, e vivenciamos um mundo cada vez mais parecido com o que vemos em tela. Um final mais determinante era o mínimo que poderiam nos oferecer.
Ao menos, com a saída dos personagens do Canadá, e com a maior parte da trama situada em Gilead, os episódios reconquistaram a atmosfera e fotografia marcante das primeiras temporadas. Voltando a usar o padronismo do sistema de castas para passar mensagens pelas imagens. Ou ainda criando uma atmosfera lúdica, literalmente com um filtro cor de rosa, para mostrar a irrealidade de Nova Belém.Por outro lado, algumas cenas exageram nessa obrigatoriedade poética. Geralmente quando tentam construir uma aura em torno da protagonista. Exageradamente mostrada em close-up extremos, e em câmera lenta. Na primeira temporada fazia sentido, mas agora que a personagem tem voz e liberdade, é apenas uma repetição temática cansativa. Ao menos é coerente com os sentimentos amorosos de June, repetidamente oscilando entre Luke e Nick, até os minutos finais, mesmo quando um deles não se mostra digno de tal afeto.
A revolução que tanto esperamos finalmente toma corpo. Com as aias transformada em um exército silencioso, e um plano que empolga e engaja a audiência. Tornando os episódios 8 e 9, Exodus e Execution respectivamente, os melhores da temporada. O problema, é que os eventos mostrados ali perdem força quando nos damos conta de que as personagens estão vencendo apenas uma pequena parcela de Gilead. É realista, e coerente, geralmenet ditaduras são vencidas aos poucos, a cada pequena revolução. Mas, convenhamos, é anti-climático.
As atuações continuam competentes, ainda que não haja muito mais o que trazer de inovador após seis temporadas. O elenco é bom, entrega o que os personagens pedem, e pronto. À esta altura não há, quimicas novas a se trabalhar, e os personagens já estão conscientes de suas dores.

Há também tempo para resgates de locais, momentos e imagens marcantes dos anos anteriores. Em especial da primeira temporada. Seja colocando as personagens novamente no manto de aias, desta vez para lutar. Ou na revisita à antiga vizinhança e casa dos Waterford. Há muita memória a ser resgatada, uma pena que nove anos depois, nossa mente deixe escapar muita coisa.
Uma coisa é clara diante do desfecho de The Handmaid’s Tale, a série nunca fora planejada para ser tão longa. A primeira temporada ainda é a melhor, e que traz as mensagens mais relevantes. Continuar com June foi uma proposta que aceitamos de bom grado, mas que teria mais peso em uma jornada mais direta e concisa.
Chegar ao final e descobrir que ainda não acabou é ao mesmo tempo decepcionante e empolgante. Decepcional por saber que os personagens ainda não podem descansar. E empolga pela curiosidade de ver estas discussão por uma nova perspectiva. Então, que venham Os Testamentos: Das Filhas De Gilead!Todas as temporadas de The Handmaid’s Tale. estão disponíveis no Paramount+, Disney+ , e algumas estão também na Netflix.
Tem crítica de todas as temporadas aqui no blog, clique aqui para ler!






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