Dele & Dela

Um dos gêneros mais facilmente conquista atenção do público é o de mistério. Mais especificamente as histórias de detetive. O problema é que o gênero já foi tão explorado, que para surpreender, novas obras precisam de reviravoltas cada vez mais malucas e absurdas. O que não significa, que o desenrolar até lá seja ruim. Esse é o caso de Dele & Dela, minissérie de suspense da Netflix, que empolga mais pela jornada, que pelo desfecho.

Anna (Tessa Thompson) uma âncora de jornal que se afastou do trabalho, resolve voltar à ativa. E para comquistar de volta seu lugar na bancada, investiga um assassinato em sua cidade natal, a pequena Dahlonega no norte da Geórgia. Quem também precisa desvendar o mistério é o detetive Jack (Jon Bernthal), que por acaso, ou não, também é ex-marido da repoter. 

E a relação entre investigador e jornalista não é a única próxima demais nesse caso. Afinal, é uma cidade pequena, todos se conhecem, e muitos se relacionam intima ou abertamente. O que aumenta o número de suspeitos, e inclui até os protagonistas na lista. 

Entre desvendar o caso e se proteger, Anna e Jack fazem, isoladamente, o tipo de investigação que atrapalha o trabalho dos demais. Escondendo fatos, evidências e relações. E nós públicos tentamos montar o quebra-cabeças, enquanto os jogadores omitem peças. 

Tessa Thompson carrega a série nas costas, construindo uma mulher ferida, magoada, cheia de segredos e segundas intenções, para quem ora torcemos, ora desconfiamos. Jon Bernthal acompanha o bom trabalho, assim como o resto do elenco, embora sem grandes destaques. Ainda estão em cena Pablo Schreiber, Marin Ireland, Sunita Mani, Rebecca Rittenhouse, Poppy Liu e Crystal Fox.

Já a trama que se desenrola ao longo de seis episódios, intercala entre descobertas e embates pessoais. A cada avanço investigativo, uma pausa repensa relações, históricos e percepções. E inclusive compreender o que corrompeu a relação entre Anna e Jack, um segundo grande mistério. O que pode soar como enrolação em muitos momentos, mas ao menos constrói boas motivações para cada um dos suspeitos.

Uma pena apenas, que toda essa construção é jogada pelo ralo, na tentativa de surpreender e chocar. O verdadeiro assassino tem motivações, métodos e objetivos construido às pressas. Sem revelar muitos spoilers a pessoa resolve punir quem não ajudou uma pessoa que ama durante um ataque. Mas não pune os reais agressores. Além de deixar pistas que incriminariam quem pretende proteger. 

Tudo isso, reescrevendo uma reviravolta anterior que se encaixava perfeitamente nas pistas, que seguimos e acreditamos ter desvendado junto com os protagonistas. Será possível que duas pessoas distintas tiveram motivos e meios que proporcionariam o mesmo resultado? Improvavel. Mas aparentemente aqui, este é o caso. 

O absurdo das múltiplas reviravoltas no desfecho exige um pouco mais da suspensão de despensa, mas não chega a arruinar a jornada como um todo. De fato, a trama é tão envolvente que é provável que você só perceba esses "poréns", tempos depois de terminar a maratona.

Ao final as contas, Dele & Dela é um entretenimento eficiente. Não chega a ser memorável, mas certamente ocupa algumas horas de maratona descompromissada. 

Dele & Dela tem cerca de seis episódios cada um com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix.

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