The Old Guard

O filme da Netflix The Old Guard foi inspirado em uma série de quadrinhos. Logo, não é surpresa que a produção já tenha sido criada com a expectativa de se tornar um  franquia. A surpresa é que a promessa de continuação acabe se tornando ao mesmo tempo os pontos fracos e fortes do longa.

Um grupo de mercenários liderados por Andy (Charlize Theron), dedicados a missões de salvamento, encara um tarefa que dá errado, expõe sua verdadeira natureza e faz com que o grupo seja perseguido. Ao mesmo tempo uma nova integrante é adicionada à equipe, quer ela queira ou não.

Apesar de ser revelada logo nos primeiros minutos, estar presente na sinopse oficial e ser o ponto em que toda a trama se fundamenta, há uma informação sobre os personagens que é tratada pela produção como uma reviravolta. E pode ser considerada como spoiler para alguns. Logo, se você prefere evitar spoilers, vá lá, assista o filme e depois volte aqui. Siga por sua conta e risco. 

Andy e seus companheiros são imortais, não envelhecem, não adoecem e são capazes de se regenerar, e estão no planeta há muito, muito tempo. Nile (KiKi Layne), é a mais nova integrante deste seleto grupo de humanos incomuns. É claro, ela surge em um momento em sua existência corre risco.


Sim, o roteiro exemplifica muito bem como a existência de imortais pode estar em risco. Pois, pior que a morte, é o sofrimento eterno. A produção também é eficiente em nos fazer se importar com seus personagens, seja pelo carisma de seus intérpretes (em especial a Charlize Theron), seja por suas personalidades, mas principalmente pela cumplicidade entre eles. São seres que se conhecem há centenas de anos, o que lhes dá um conhecimento e cumplicidade incomuns. Difícil não sentir vontade de saber mais sobre a longa vida destes personagens, tanto em flashbacks, quanto por suas conversas.

É aí que o filme perde oportunidades. Do passado da equipe é revelado apenas o mínimo necessário, para o desenvolvimento da história, como se a produção tivesse decidido "economizar" esse passado, para produções futuras. O que afeta diretamente a compreensão do peso e experiência que estes personagens carregam. Sabemos que eles tem muita bagagem, mas na ignorância dessas histórias, temos como referência apenas as interpretações do elenco. Que são excelentes, mas se beneficiariam com uma maior contextualização.

Assim como fez em Atômica e Mad Max, Theron carrega a produção, caprichando em performance e cenas de ação, e passando credibilidade e experiência para sua personagem milenar. Luca Marinelli e Marwan Kenzari, acertam na química e empatia de um casal que se conhece por milênios, já passou por todo tipo de preconceito, e continua lutando por seu companheiro. Matthias Schoenaerts é o menos interessante em cena, mas o interprete consegue não destoar dos demais. Enquanto KiKi Layne é eficiente imprimir a desconfiança, curiosidade e surpresa do público, como representante do espectador é com ela que aprendemos mais sobre aquele universo.

É o vilão de Harry Melling (o primo Duda da franquia Harry Potter) quem mais decepciona. Construído pelo roteiro como o mais genérico dos vilões de super-heróis, nunca transmite a ameaça que sua posição proporciona. Talvez uma intenção mal executada de comédia, através da patetice de alguém poderoso e mal intencionado. Chiwetel Ejiofor completa o elenco com seu bom trabalho usual.

As cenas de ação não trazem grandes novidades, mas são bem coreografadas e filmadas. Conseguem empolgar, quando percebemos o envolvimento do elenco, ao invés de dublês na maior parte das sequencias. Já os efeitos das lutas nos intérpretes e sua regeneração são impactantes, conseguindo transmitir a dor que sentem. Eles não morrem, mas se machucam bastante, isso não é indolor, assim como a regeneração. 

Para finalizar, a produção ainda traz o famigerado gancho. Deixando claro, suas intenções de franquia, o motivo de tamanha economia na apresentação de sua mitologia. Felizmente, para a maioria, a empatia com a equipe e a curiosidade, compensarão a inconveniente espera. 

Bem executado e empolgante, o mais interessante de The Old Guard, é o que estar por vir. Para alguns a "economia" e a longa espera pode ser frustante, para outros uma nova franquia para se acompanhar. Para todos, uma mitologia nova e interessante que gostaríamos de conhecer a fundo. 

The Old Guard
2020 - EUA - 125min
Ação, Aventura, Fantasia

The Old Guard The Old Guard Reviewed by Fabiane Bastos on sexta-feira, agosto 21, 2020 Rating: 5

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