2019 - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Perdidos no Espaço - 2ª temporada

segunda-feira, dezembro 30, 2019 0
Quando reencontramos os Robinson e companhia nesta segunda temporada de Perdidos no Espaço, a família está praticamente na mesma situação em que sua versão original (da série dos anos 1960) se mantinha. Em um planeta desconhecido, com um desafio para superar. A única diferença é a ausência do Robô, desaparecido em batalha no clímax da temporada anterior. Então a produção da Netflix surpreende, e escolhe seguir caminho próprio, deixando de lado o formato procedural - planeta/problema da semana - de seus antecessores.

Os cinco Robinson, Don e a Dra Smith, estão perdidos em um planeta estranho. Mas, a nave mãe Resolute e o restante da missão de colonização de que fazem parte ainda estão por perto. Se reunir com o grupo, encontrar o Robô, renuir recursos para seguir viagem, enfrentar uma civilização alienígena, lidar com os problemas da convivência em sociedade, e com as intrigas da Doutora, são os desafios destes dez episódios.

Após quase um ano juntos e por conta própria, a família é separada por suas tarefas e precisa obedecer a cadeia de comando da missão. Abrindo espaço para intrigas na missão, e para explorar os dilemas pessoas separadamente. 

Penny (Mina Sundwall), por exemplo, se sente inferior aos irmãos, e cria uma relação complexa com a Dra. Smith (Parker Posey), que continua evoluindo sua personalidade ambígua, por causa de sua conexão com família. Will (Maxwell Jenkins) explora ainda mais sua relação com Robô (Brian Steele), com a interferência de terceiros e o agravante de que a criatura pode ser uma peça decisiva para o sucesso da missão. Maureen (Molly Parker) começa a lidar com as consequências de ter adulterado os exames do filho. Don (Ignacio Serricchio) precisa reencontrar seu lugar na nave, reconquistar seus amigos operários, sem abandonar os laços com sua família postiça;

Enquanto isso Judy (Taylor Russell) e John (Toby Stephens), tem seus laços de pai e filha reforçados. Provavelmente como preparação para aventuras futuras. Nesta temporada descobrimos as origens da moça, que é filha biológica de Maureen, e adotiva do patriarca. Personagens secundários como o cientista Ben Adler (JJ Feild), a capitã Kamal (Sakina Jaffrey) e a menina Samantha (Nevis Unipan), ganham mais espaço quando podem contribuir para a evolução da trama, mas apenas isso.

O apego aos Robinsons, Don e Smith são ao mesmo tempo o ponto forte e fraco da temporada. Se por um lado, já estamos apegados aos protagonistas, e acompanhamos de bom grado sua evolução. Por outro, em alguns momentos, é difícil crer que em uma tripulação com centenas de pessoas, eles são os únicos capazes de resolver, ou mesmo notar os problemas. A "ferrugem" alienígena que ameaça os equipamentos, é o exemplo mais gritante. Os demais colonos já circulavam pela região onde o elemento se encontra há meses, mas a "infecção" espera a família protagonista chegarem para "atacar".

O mesmo exagero vale para a capacidade de manipulação, e a sorte da Dra. Smith. A impostora, continua escapando das consequências de seus seus atos, mesmo com seis pessoas depondo contra, e em um ambiente movido a registros, protocolos e câmeras de segurança. Tudo com a irritantemente charmosa e debochada atuação de Posey, a melhor em cena. A boa notícia é que a série, abraça este exagero e o usa como elemento na narrativa. Tornando a doutora o elemento imprevisível, e família líderes naturais, e até uma ameaça à cadeia de comando em alguns momentos. Abrindo espaço para intrigas internas, e disputas de poder na Resolute.

Some-se isso, aos arcos dos personagens principais, o desenvolvimento de suas relações, e os problemas de um mundo alienígena, encontramos conteúdo bastante para preencher seus dez episódios. O roteiro é dinâmico, em eficiente em dividir atenção em diferentes núcleos. Além de trazer com diálogos inteligentes, e bem escritos, mesmo quando estão falando de "tecnologia fictícia", e elementos alienígenas. E, claro, termina com um gancho para o terceiro ano, ainda não confirmado pela Netflix.

O planeta da vez é menos variado, e a produção concentra grande parte da história na nave Resolute. Mas a produção consegue manter a sensação de vastidão de desconhecido do universo. E ainda inclui nos cenários elementos que expandem a mitologia espacial. Já a história humana, continua sendo enriquecida com os flashbacks que ajudam a compreender as ações escolhas dos personagens, embora Don pareça negligenciado neste aspecto. Não sabemos muito da vida do mecânico/piloto/contrabandista, antes desta viagem.

Reboot de uma série datada, Perdidos no Espaço atualizou seu argumento no primeiro ano. Agora em sua segunda temporada começa a criar mitologia própria e seguir seus próprios rumos. A jornada e arcos dos personagens avançam, sem grandes amarras ao original, a não ser pela importância da família e de fazer o melhor para todos. O resultado é uma ficção-cientifica aventuresca, empolgante que conversa bem com diferentes gerações.

Em outras palavras, é um raro programa para toda a família. De verdade, pode juntar a molecada e os adultos para uma maratona do seus sofá à Alpha Centauri. Não vai se arrepender.

Assim como a anterior, a segunda temporada de Perdidos no Espaço tem 10 episódios com cerca de uma hora cada. Todos disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da primeira temporada, e estas Dicas para sua Maratona da série.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Star Wars - A Ascensão Skywalker

sexta-feira, dezembro 27, 2019 0
Em algum momento em minha crítica sobre Os Últimos Jedi, mencionei que universo é infinito e está em constante expansão. Entretanto, a expansão surpreende, assusta, divide e espanta que não estava aberto à novas experiências. Foi o que aconteceu com o episódio XIII de Star Wars, mas divisão não é bom para os negócios. E a Disney ainda é uma empresa que visa o lucro, então a casa do Mickey resolveu não apenas frear a expansão, mas retroceder alguns anos luz. O resultado não é necessariamente ruim, mas também não é condizente com a força da franquia, e a coragem que ela própria prega.

A Resistência ainda tem esperança, mas poucos recursos e membros, que se provam ainda mais insuficientes quando o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid) retorna com um plano de ataque gigantesco. A correria é para alcançar o Sith antes que ele dê sua cartada final. Enquanto isso Rey (Daisy Ridley) continua seu treinamento, mas tem conflitos com seu passado e uma conexão misteriosa com Kylo Ren (Adam Driver), que também está tentando lidar com a dualidade da força.

A aventura segue por aí, finalmente colocando o trio de protagonistas Rey, Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) em uma aventura juntos e apostando na acertada dinâmica do trio. Um uma missão que os leva para diferentes planetas, embates e fugas, que eventualmente vão culminar nas tradicionais batalhas espaciais e de sabre de luz. Até aí nada diferente do esperado na franquia. O problema é que para fazer isso, o roteiro decidiu ignorar ou reverter muitas das controversas, porém criativas, escolhas do filme anterior, e até algumas da trilogias anteriores. O retorno de Palpatine, por exemplo, enfraquece o ato de redenção de Darth Vader em o Retorno de Jedi.

Assim, conceitos já esclarecidos como a origem de Rey e a opinião de Luke quanto o legado Jedi, são re-explicados. Informações novas são jogadas sem muita preparação ou explicação - onde estava Palpatine esse tempo todo? Como conseguiu voltar? Se tinha todos esses recursos Sith porque levou três trilogias inteiras para usar? - Personagens são descartados, outros inserido à toque de caixa para ocupar seus lugares. As únicas alterações compreensíveis, são aquelas feitas claramente para contornar a morte precoce de Carrie Fisher, antes das filmagens desta produção.

O caso mais grave é o de Rose (Kelly Marie Tran). Alvo de ataques xenofóbicos no longa anterior, a participação da personagem foi reduzida, premiando o mau comportamento dos "fãs", e consequentemente punindo a atriz. Em seu lugar Naomi Ackie, uma atriz negra foi selecionada para dar vida a Jannah, que tem cenas importantes com Finn e Lando (aparentemente pessoas negras só podem se relacionar com outras pessoas negras). Keri Russell completa o pacote, para evitar insinuações quanto à sexualidade dos personagens (lembra que uma galera "shippava" Finn e Poe?). Enquanto o primeiro beijo gay da franquia acontece em segundo plano, com personagens anônimos. A tentativa descabida e inútil de agradar à todos é inegável.

A falta de planejamento da trilogia também é visível. Não havia um arco definido para o trio de protagonistas, ou o antagonista Kylo. O que permitiu, para o bem ou para o mal, que Rian Johnson, subvertesse expectativas no episódio VIII. E que também J.J. Abrams, ignorasse grande parte dos acontecimentos para levar a produção de volta ao status remake/rebbot, que funcionou bem em O Despertar da Força, mas aqui soa repetitivo e pouco memorável. Ao mesmo tempo que tenta chocar, sem de fato abraçar as consequências de seus eventos. São várias as vezes em que o roteiro insinua matar algum personagens, apenas para trazê-lo de volta duas cenas mais tarde.

Mas o filme é ruim por causa disso? Não necessariamente. É incoerente com o anterior e pouco corajoso, mas eficiente em utilizar entregar o que sabe que o expectador gosta, mesmo que falte originalidade. Então, não se culpe, ou surpreenda, por se descobrir interessado e empolgado em boa parte da sessão, a produção é divertida. O trio principal, tem uma excelente dinâmica e conduz bem a história, a despedida de Fisher é emocionante, os droides são divertidos, o fan-service está lá, o universo e batalhas são os mesmos que adoramos desde os anos 1970. Você provavelmente vai se divertir.

O elenco extremamente carismático, esforçado e funciona muito bem junto é provavelmente por causa do quarteto principal que seguimos bem a jornada. Com destaque para Driver e Ridley, que conseguem passar intensidade e verdade respectivamente, mesmo em momentos mais clichés e piegas. Billy Dee Williams, o Lando Calrissian, soa empolgado demais para quem está em meio à uma guerra.

Tecnicamente é impecável. Bem produzido e fotografado, com criativo design de criaturas e planetas, que misturam bem efeitos práticos e em computação gráfica. Além de trazer participações especiais, e referências bem colocadas dos filmes e animações anteriores, menos do episódio VIII. Nem tudo fora descartado, e os fãs mais atentos terão boas surpresas.

A Ascensão Skywalker, nono e derradeiro episódio da saga Skywalker segue a fórmula que a própria franquia criou. Escolhendo o caminho previsível e seguro, e consequentemente, pouco quando tinha um universo de possibilidades para explorar. Eliminando e recontando ideias no processo. Não sei se podemos reclamar de um produto de mercado, por agir pela lógica de mercado. 

Podemos fazer muitos estudos de caso sobre isso (que venham as monografias!). Podemos discutir e lamentar o potencial desperdiçado (sem exageros, não é o fim do mundo!). Podemos até do divertir, afinal é uma aventura milimetricamente pensada para isso. Mas, principalmente, podemos repensar nossas expectativas como público.

Será mesmo que a audiência de cultura pop é como uma criança birrenta, que se recusa a experimentar algo novo? A indústria não funciona como "bons pais" que vão insistir para que o público amplie seus horizontes, explore possibilidades. Então talvez sejamos nós, que tenhamos que mostrar que estamos abertos a um universo é infinito, criativo e em constante expansão. Afinal, a saga dos Skywalker pode ter acabado, mas não acho que a Disney deixará a Força descansar tão cedo.

Star Wars - A Ascensão Skywalker (Star Wars: The Rise of Skywalker)
2019 - EUA - 142min
Fantasia/Ficção Cientifica/Aventura

Tem um montão de textos sobre Star Wars aqui no blog, para facilitar deixo aqui os links das críticas de O Despertar da Força, e Os Últimos Jedi.
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

His Dark Materials - 1ª temporada

quinta-feira, dezembro 26, 2019 0
Um universo fantástico, disputas de poder, crianças em perigo, seres mágicos, entidades misticas, personagens complexos e nenhum problema em cometer atos terríveis e eliminar personagens. Não, não estou falando de Game of Thrones, mas da mais recente aposta da HBO no gênero fantasia. His Dark Materials - Fronteiras do Universo, adapta para as telas o universo criado por philip Pullman.

Lyra Belacqua (Dafne Keen) é uma menina levada que vive na Universidade Jordan em Oxford entre brincadeiras nos telhados, e guerras com os meninos gypsios. Quando crianças de várias cidades começam a desaparecer, incluindo seu amigo Roger, Lyra aceita o convite de trabalho como assistente da elegante Sra. Coutler. (Ruth Wilson) Assim poderia descobrir mais sobre os Globbers (Lewin Lloyd) (Papões em português, os supostos raptores). Além de tentar chegar ao Norte (para onde teriam sido levadas as crianças), e onde seu tio Lorde Asriel (James McAvoy) pode precisar de sua ajuda e de seu artefato mistico, o aletiometro, em sua pesquisa proibida pelo Magistério.

Tudo isso em um mundo muito parecido com o nosso, mas com duas diferenças cruciais. Todo o planeta é regido por um regime teocrático totalitário, o Magistério. E todo os seres humanos possuem em daemon, a alma fora do corpo, personificada como um animal.

A Bússola de Ouro, filme de 2007, foi a primeira adaptação do complexo universo e Pullman para as telas. Mas o filme, entre outros problemas, tinha pouco tempo para explorar os detalhes e simbolismos da aventura protagonizada por Lyra. Logo, uma série de TV se mostra um formato mais apropriado para contar esta história, que discute autoridade, ciência, fé, religião, filosofia, auto-descoberta, companheirismo, paternidade, maternidade, realidades paralelas entre outros temas atuais. 

O roteiro de Jack Thorne, começa bem ao iniciar a jornada com um ritmo dinâmico, mas sem pressa para apresentar conceitos como os Daemos, a universidade, o magistério. Entretanto, quando a jornada de fato começa, tem problemas para equilibrar ação e pausas. A falta de ritmo gritante em uma história que apresenta vários personagens e conceitos ao longo da narrativa. Assim, temos construções que soam longa de mais, e resoluções que parecem corridas.

Um bom exemplo é a comparação entre os episódios Armour e The Daemon-Cages, respectivamente o quarto e sextos da saga. Enquanto o primeiro, usa praticamente todo seu tempo apenas para apresentar adequadamente o urso Iorek Byrnison (Joe Tandberg), e o aerostata Lee Scoresby (Lin-Manuel Miranda), o segundo precisa apresentar a instalação de Bolvangar, suas atividades, o envolvimento da Sra. Coutler., além de mobilizar as crianças e dar conta da batalha propriamente dita. O resultado é que um dos momentos de virada não apenas é pouco explorado, mas resolvido à toque de caixa.

Um ponto positivo do roteiro, e a forma como incorpora elementos de toda a saga, não apenas do volume inicial A Bússola de Ouro, como seria esperado. Além de adiantar conceitos e informações, a série acertadamente dá início à história do segundo volume A Faca Sutil, que traz outro protagonista a trama. Então, outra breve sinopse...

Will Parry (Amir Wilson) é um adolescente que vive em Oxford (a "nossa" Oxford). Protegendo a mãe com graves transtornos mentais, que acredita ser perseguida. Acontece que os temores da mãe se mostram não tão loucos assim, quando o garoto descobre estar sendo vigiado por pessoas interessadas no misterioso trabalho de seu pai, que desapareceu quando o garoto ainda era um bebe.

Adiantar a introdução do segundo livro, torna a futura convergência das narrativas mais coerente. E evita o sentimento de confusão (ué, que história é essa? Cadê a Lyra?), intrigante nas páginas, mas que pode não ser tão eficiente com o público televisivo. Mas vale mencionar, esta temporada é majoritariamente sobre a garota e seu mundo.

Outro acerto da produção é a construção de mundo, que consegue dar ao cotidiano de Lyra uma cara familiar e estranha, com traços steampunk integrado à elementos fantásticos. Os daemons e ursos de armadura, criados em computação gráfica tem uma aparência realista, mas que funciona bem com sua condição de "animais falantes". E no geral não destoam dos atores e cenários "de verdade".

E por falar nos atores, o elenco cheio de nomes conhecidos entrega bem o trabalho que lhes é destinado. Lin-Manuel Miranda é o melhor em cena, com uma versão mais carismática do piloto de balão texano Lee Scoresby. Ruth Wilson e James McAvoy combinam em intensidade, que em alguns momentos beira o animalesco, em referência ao seu lado animal/daemon. Dafne Keen também consegue ser intensa e eficiente, embora o roteiro pareça ainda não ter decidido como retratar Lyra completamente, apenas na cena em que "negocia" com Scoresby, a personagem parece apresentar todas as características de sua versão literária. Já Amir Wilson trabalha no detalhe e sutileza de um adolescente que carrega responsabilidades acima de sua idade.

Lucian Msamati, James Cosmo, Anne-Marie Duff, Ariyon Bakare e Lewin Lloyd, são outros com bastante tempo de tela. Entre eles, a Ma Costa de Duff surpreende ao compreender uma grande gama de emoções.

É no roteiro que estão as maiores falhas da primeira temporada de His Dark Materials. Os problemas de ritmo vão de encontro com a acertada escolha de adaptar a saga como um todo, ao invés de volumes separados, adiantando acontecimentos e informações. Questões que podem ser contornadas, ou relevadas, desde que corrigidas na já confirmada (e filmada) segunda temporada. O elenco talentoso, o universo bem construído, a produção caprichada e os bons temas que a trama discute, justificam essa "vista grossa" nos defeitos. Afinal, não é todo dia, que uma fantasia tão rica e complexa chega às telas. 

His Dark Materials é produzida pela BBC e distribuida pela HBO, tem oito episódios com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na HBO Go.

Aqui no blog tem vários textos sobre a saga Fronteiras do Universo. Leia as críticas dos livros
A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar, A Oxford de Lyra e o Livro vs Filme: A Bússola de Ouro.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Filmes de Natal da Netflix - edição 2019

segunda-feira, dezembro 23, 2019 0
Natal está batendo na porta, é hora daquela lista com todos os filmes de Natal que a Netflix preparou para  2019. Assim você pode escolher a melhor produção para aquela sessão natalina com a família, amigos, a criançada, ou aquele date romântico.

O Príncipe do Natal: O Bebê Real

Estamos de volta para mais aventuras no reino de Aldovia, aquele onde aparentemente tudo que é importante acontece no Natal. No primeiro filme tivemos o romance, no segundo o casamento, é claro que neste terceiro longa um bebê estaria à caminho. A Rainha Amber (Rose McIver) e o Rei Richard (Ben Lamb) já estão bem estabelecidos como monarcas, e prestes à tirar licença maternidade para receber seu primeiro herdeiro. Seu último dever real antes disso, renovar um sagrado e secular tratado de paz com o reino da Penglia. Mas o tratado desaparece e uma nevasca prende todos no reino, deixando para o casal encontrar o ladrão antes que se instaure uma guerra.

Uma das primeiras produções da Natal do serviço de streaming, já pode ser considerado uma franquia. O terceiro filme traz de volta todas as características dos anteriores, o roteiro previsível, o romance idealizado, conflitos fáceis de resolver e temas atuais pincelados muito levemente. Tudo pensado para agradar os fãs de Aldovia.

O Príncipe do Natal: O Bebê Real (A Christmas Prince: The Royal Baby)
2019 - EUA - 84mi
Romance

Resgate do Coração

Ainda não tenho total certeza se Resgate do Coração é, ou não, um filme de Natal. Certamente a festa permeia a história, então deixo para você decidir.

O marido de Kate (Kristin Davis), esperou apenas o filho sair para faculdade para contar a esposa que o casamento estava acabado. Em choque e sem rumo, a rica novaiorquina decide fazer sozinha a viagem de segunda lua de mel para a África que planejava há tempos. Chegando lá, ela esbarra em um novo romance. Derek (Rob Lowe) traz na bagagem um novo propósito de vida para ela, proteger elefantes.


Resgate do Coração (Christmas In The Wild)
2019 - EUA - 85min
Drama, Romance

Um Passado de Presente

Vanessa Hudgens descobriu um nicho pra ela, romances natalinos água-com-açúcar. Ano passado ela interpretou as duas protagonistas de A Princesa e a Plebeia. Este ano dá vida à Brooke, uma professora de ciências atenciosa, porém desiludida no amor. Seu romance começa após esbarrar (leia-se atropelar) o cavaleiro medieval Sir Cole (Josh Whitehouse), transportado por uma feiticeira para os tempos de hoje. Ela resolve cuidar do rapaz ferido, e consequentemente acaba ajudando-o a cumprir a missão que o tornará um verdadeiro cavaleiro. Sim, você imaginou certo, romance é a missão.

Assim como a produção anterior estrelada pela atriz para a plataforma, trata-se de uma comédia romântica clichê, previsível e idealizada. Divertidinha, porém esquecível.

Um Passado de Presente (The Knight Before Christmas)
2019 - EUA - 92min
Comédia Romântica

Klaus

É a história de um carteiro. Jesper (voz de Jason Schwartzman/Rodrigo Santoro na versão brasileira) é castigado com o pior lugar para trabalhar. Smeerensburg, ilha remota acima do Círculo Ártico, onde os os moradores brigam o tempo todo, e não tem nenhum interesse em enviar correspondências. Desesperado para cumprir sua meta, ele cria um plano envolvendo o misterioso carpinteiro Klaus (J.K. Simmons/Daniel Boaventura), que vivê sozinho em uma casa cheia de brinquedos feitos por ele mesmo.

Extremamente bem feita e com personalidade própria, a animação cria sua própria versão para os mais conhecidos símbolos natalinos. Reconta a origem da tradição de dar presentes, além de oferecer uma mensagem de reconciliação, e busca do verdadeiro propósito. É provavelmente a melhor produção desta lista.

Klaus
2019 - Espanha, EUA - 96min
Animação, Aventura

Deixe a neve Cair

É a adaptação do livro homônimo que traz três contos adolescentes natalinos que se conectam. O Expresso Jubileu escrito por Maureen Johnson, O Milagre da Torcida de Natal por John Green e O Santo Padroeiro dos Porcos de Lauren Myracle. As histórias acontecem na charmosa cidadezinha de Gracetown, isolada durante uma nevasca na véspera de Natal e trazem diferentes conflitos adolescentes. 

É a aposta voltada para o público teen, e conta com um elenco de estrelas e promessas desta geração. Kiernan Shipka (a bruxinha Sabrina) e Jacob Batalon (o Ned, amigo do Homem-Aranha) são os nomes mais conhecidos, mas você provavelmente vai reconhecer Isabela Merced, Shameik Moore, Odeya Rush, Liv Hewson, Mitchell Hope, Matthew Noszka e Miles Robbins de produções menores.

Deixe a Neve Cair (Let It Snow)
2019 - EUA - 92min
Romance, Drama

O Natal está no Ar

Desde que a esposa morreu, o DJ de rádio, Rashon "Rush" Williams (Romany Malco) trabalha duro para dar tudo do bom e do melhor para seus quatro filhos. A vida parecer ir bem, até ele perder o emprego às vésperas do Natal.

O plano ambicioso para seguir em frente é comprar uma estação de rádio, mas para tal, a família tem que apertar os cintos. A pindaíba reaproxima a família, e relembra a eles que a verdadeira alegria vem das pessoas que ama, não dos bens materiais.

Além de Malco, o elenco majoritariamente negro conta com Sonequa Martin-Green, Darlene Love, Amarr M. Wooten, Deysha Nelson, Andrea-Marie Alphonse e Selena-Marie Alphonse.

O Natal Está no Ar (Holiday Rush)
2019 - EUA - 93min
Comédia , Romance

A Primeira Tentação de Cristo - Especial Porta dos Fundos

Deste você já deve ter ouvido falar, já que seu lançamento causou comoção nas redes sociais. Adivinhe quem vem para jantar, versão novo testamento, Jesus (Gregório Duvivier), que chega acompanhado de seu namorado Orlando (Fábio Porchat), na festa de aniversário surpresa que José (Rafael Portugal) e Maria (Evelyn Castro) preparam para ele. O evento conta com convidados "famosos da bíblia", além de Deus (Antonio Tabet), que além de revelar sua paternidade, traz uma missão para o filho. Se ele vai aceitar o trabalho, aí é outra história.

A produção de 45 minutos, traz o humor-típico da trupe, que recentemente ganhou um Emmy pelo especial de natal anterior. Deve agradar os fãs do grupo e de seu estilo de humor que não tem medo de debochar de tudo e todos.

A Primeira Tentação de Cristo
2018 - Brasil - 44min
Comédia

A cada ano que passa a Netflix está mais eficiente em cobrir toda e qualquer preferencia de seus assinantes. Tem filmes para todos os gostos, quais e quantos vão virar clássicos de natal, descobriremos com o tempo. Vale lembrar, essa lista abrange apenas as produções originais da Netflix. A Plataforma tem outros clássicos de Natal disponíveis em seu catálogo. E aqui no blog, tem críticas de vários filmes natalinos e outros posts sobre a data, vem conferir.

Leia também as listas dos Filmes de Natal da Netflix em 2017 e 2018!

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Frozen 2

sexta-feira, dezembro 20, 2019 0
Há seis anos, uma produção redefiniu os padrões da franquia das Princesas Disney. Agora, Rainha Elsa e sua irmã Ana são as primeiras do selo real da casa do Mickey a ganhar um um segundo longa metragem nos cinemas, com a complicada tarefa de ser tão relevante quanto o original.

Uma história contada pelo pai das protagonistas em sua infância pode esconder os mistérios por trás dos poderes de Elsa. Anos depois da coroação, a história vem à tona e leva os personagens em uma jornada de descobertas e amadurecimento que envolve outra cultura e a magia da natureza.

O argumento tirado da cartola via flashback, é o único grande porém de Frozen 2. O adendo que talvez responda as perguntas em torno das habilidades da rainha, foi claramente pensado para esta sequencia. Entretanto, se encaixa bem na mitologia, e fogo do obvio para explicar perguntas que não necessariamente queríamos ver respondidas.

A expansão do universo também abre espaço para outras discussões, como respeito com o meio ambiente, choque entre culturas, erros do passado e mentiras. a maioria, no entanto, é apenas apontada e pouco discutida. O foco é o amadurecimento, e as inevitáveis mudanças que vem com ele. Tudo devidamente evidenciado através de Olaf, em divertida fase existencialista.

E por falar em diversão, este longa é tão (ou mais) divertido que o original. Talvez por não precisar mais apresentar personagens, e usar este "tempo extra" para divertir com velhos conhecidos. O musical estilo boy band estrelado por Kristoff, se destaca e mostra que a produção está preocupada em divertir também o público mais velho.

De volta ao drama, novos personagens ajudam a contar esta nova história e apresentar novos questionamentos. Entretanto nenhum deles, consegue marcar uma presença mais evidente. O foco é mesmo em Ana, Elsa, Olaf, Kristoff e Sven. Com as irmãs tentando compreender suas habilidades, e individualidade, o entregador de gelo e sua rena estão às voltas com o avanço de um certo relacionamento, e Olaf questionando, a vida, o universo e tudo mais.

A mensagem ecológica é coerente com o momento. Assim como o embate entre duas nações, e as ações extremas que podem ser tomadas nessas ocasiões. Embora nenhuma destas discussões sejam tão contundentes, quanto as do filme anterior de aceitação e empoderamento.

Há um número bem maior de músicas, algumas engraçadas, outras belas, a maioria complementa bem a história. Mas, estão longe de ser um hit chiclete como Let it go. O elenco original, composto por Idina Menzel, Kristen Bell, Josh Gad e Jonathan Groff está de volta para interpretá-las. Com o reforço de Sterling K. Brown, Evan Rachel Wood e Alfred Molina, embora nem todos aqui cantem. O elenco nacional também está de volta, com Fábio Porchat como Olaf.

Já o design de produção cria cenários deslumbrantes, que vão dos tons terrosos de uma floresta mágica, até o neon de um mar revolto à noite. Caprichando no detalhismo e no simbolismo, para ajudar a contar a história. Desde pequenos cristais de gelo em formatos específicos, criaturas mágicas de movimentação fluida, cada detalhe enriquece ainda mais as cenas.

É verdade, os poderes de Elsa ainda são bastante aleatórios. Ela congela coisas, altera o tempo, cria vida, faz roupas... Mas dentro da proposta, tudo é coerente.  Cinéfilos mais atentos, vão notar uma certa semelhança de argumento com O Quinto Elemento (aquele com Bruce Willis), mas a história de Arendele segue seu próprio rumo, e até toma algumas decisões bem ousadas, ao focar em seus adorados personagens, e não ter medo de evoluí-los.

Frozen 2 é um bem vindo reencontro Ana, Elsa, Olaf, Kristoff e Sven. Divertido, bem produzido, avança a história de forma corajosa e coerente. Vai atender as expectativas e encantar os fãs da Disney de todas as idades.

Frozen 2 (Frozen II)
EUA - 2019 - 104min
Animação, Aventura, Musical

Leia as críticas de Frozen - Uma Aventura Congelante e do curta Frozen: Febre Congelante
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Watchmen - a série

quarta-feira, dezembro 18, 2019 0
Quando foi publicado, em 1986 e 1987, Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons, chamou atenção, entre outras coisas, por ser um retrato de sua época. Em 2019 a série homônima da HBO também é um reflexo de seus dias, tanto em sua temática e críticas à sociedade, quanto a tendência de resgatar e explorar universos já conhecidos.

Revisitamos o universo de Watchmen três décadas após os acontecimentos da HQ. Agora os vigilantes mascarados são contra a lei, mas em Tulsa, Oklahoma, é a polícia quem usa máscaras para proteger sua identidades. Acompanhamos a detetive Angela Abar (Regina King), durante a investigação de um assassinato de um colega, que dá o pontapé inicial à uma intriga muito maior e mais antiga.

Há quem diga, que é uma certa preguiça e falta de criatividade da indústria, a avalanche de remakes, reboots e adaptações que inundam as telas atualmente. Entretanto, tudo é facilmente perdoado, se seus criadores mostrarem que há algo novo para contar. Damon Lindelof (Lost, The Leftovers) encontrou o um excelente argumento, para sustentar sua crítica social atual em forma de continuação da história de Moore.

Logo nos primeiros minutos do piloto, ele leva a trama Massacre de Tulsa de 1921, o pior incidente de violência racial da história estadunidense, por muito tempo ocultado de sua própria história. Apontando desde o início, que prende falar de racismo, crimes de ódio, e atual força dos movimentos de supremacia branca, como o KKK e a fictícia Sétima Kavalaria. Há também, espaço para falar sobre família, legado, divindade, impotência, manipulação, adoração, política e fazer analogias e paralelos com super-heróis mais "famosos" como Superman.

Watchmen faz isso quebrando paradigmas e revendo conceitos. A polícia mascarada, o homem branco acuado por um policial negro, o marido "dono de casa", a família inter-racial, a divindade que se entedia e abandona sua criação, é através do choque pelo diferente que a série passa sua mensagem.

A personagem de Regina King (poderosa em cena), Angela é o fio condutor da trama, quem conecta a todos e tem o arco mais complexo e melhor desenvolvido. Assim como Will Reeves (Louis Gossett Jr., primeiro negro a ganhar um Oscar de ator coadjuvante), uma brecha muito bem aproveitada da HQ. Outro que tem sua história bem contada, e relação com os eventos das páginas, é embora tenha pouca função no clímax é Looking Glass (Tim Blake Nelson, excelente). Já Lady Trieu (Hong Chau), se destaca mais por suas possiblidades, que por seu papel na trama de fato.

A série também consegue maneiras criativas de trazer velhos conhecidos de volta. A melhor delas fica com Adrian Veidt (Jeremy Irons, se divertindo). O Ozymandias, tem sua jornada solo paralela à trama. Laurie Blake, aSilk Spectre (Espectral, na versão brasileira), tem uma apresentação bem construída, personalidade impactantes e a boa atuação de Jean Smart, mas seu desenvolvimento aconteceu fora de cena, no hiato entre as duas histórias. E pouco tempo é reservado para explorar, ou mesmo explicar estas mudanças, como a escolha de adotar o nome de seu pai, seu trabalho no FBI, e o relacionamento com coruja. Falar qualquer coisa sobre o Dr. Manhattan, provavelmente seria considerado spoiler, então vou me limitar a dizer, que sua participação, atitudes e fraquezas (sim, ele as tem) são condizentes com o personagem apresentado na HQ.

Tudo isso é costurado de forma não linear, em episódios que focam em diferentes personagens, e histórias paralelas, como a "série dentro da série" American Hero Story e toda a trama de Adrian Veidt (Jeremy Irons), sem abrir mão do protagonismo de ângela. O ponto alto, é sexto episódio em um This Extraordinary Being , que mistura, presente e passado, desenvolve personagem ao mesmo tempo que explora um flashback, em um trabalho impecável de roteiro e montagem. O resultado é um bem montado quebra-cabeças, cheio de pistas e referências, da própria série, da HQ e de conteúdo extra lançado simultaneamente. A ideia é promover uma experiência multiplataforma, assim como Lost.

Infelizmente, este diferencial pode ser considerado a maior fraqueza da série. Embora seja divulgado que não é necessário conhecer o material original, ter lido a HQ, ou mesmo visto o longa-metragem de 2009 aprimora e muito sua experiência. Até aí tudo bem, vivemos em um mundo de "sequencias". A coisa complica quando há a necessidade de acompanhar material extra, como os podcasts ou o site oficial Peteypedia, para compreender o todo. A série precisa funcionar sozinha, o material liberado apenas em inglês, acaba por excluir todo o resto do mundo. Uma falha se considerar o alcance da HBO.

Curiosamente, ao mesmo tempo que exige esforço do espectador em acompanhar a história em várias fontes. A série também facilita, ao explicar demais algumas referências e acontecimentos, ao invés de apostar na memória e percepção do espectador. Nada, no entanto, que comprometa a experiência.

Outro que não compromete a experiência, mas também pouco agrega, é o episódio final. Apressado, parece querer apenas encerrar a história. Não é um episódio ruim, mas destoa do belo crescente em que a série estava. Basta notar que a própria protagonista passa boa parte do episódio apenas observando os múltiplos planos maléficos se desenrolarem. E apesar de encerrar aquela disputa específica em Tulsa, deixa muitos temas e personagens a serem explorados. Lindelof afirma que criou a série como uma história fechada, e não pretende dar seguimento, mas ainda há muita a ser contado neste universo.

A série Watchmen, é como seu criador diz uma adaptação/sequencia/remix, de um universo complexo e cheio de críticas à sociedade. Acerta em espelhar a história daquele mundo nos problemas do nosso, através de um roteiro inteligente e bem construído. Boa direção, edição, atuações e trilha sonora (sim, preste atenção à musica está cheia de significados) completam o pacote desta excelente obra, que respeita, homenageia, aprimora e avança o material original, enquanto constrói sua própria história. Faz lembrar que é possível sim, ser criativo com franquias já conhecidas. Com certeza é uma das melhores produções deste ano.

Watchmen é da HBO, tem nove episódios, todos disponíveis na HBO Go.
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