2019 - Ah! E por falar nisso...

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Doutor Sono

quinta-feira, novembro 07, 2019 0
Doutor Sono é uma produção curiosa, é baseada no livro homônimo de Stephen King que dá sequência a história de O Iluminado. Ao mesmo tempo, é uma sequência da versão da nada fiel adaptação de Stanley Kubrick para o primeiro livro. A dúvida é, como conciliar a diferenças entre as duas obras.

Décadas após os eventos no Hotel Overlook, Danny Torrance (Ewan McGregor) ainda é assombrado por suas entidades. Quando finalmente consegue se ajustar com seu passado e habilidades, ele conhece Abra Stone (Kyliegh Curran), uma garota com poderes similares aos seus, que pede sua ajuda contra uma ameaça a todas as crianças "iluminadas".

A escolha de Mike Flanagan (responsável pela série A Maldição da Residência Hill), é seguir a mais conhecida versão de Kubrick para a obra. Tanto no roteiro que adapta as divergências, quanto no visual que traz de volta cenários e caracterizações do filme de 1980. É nessa forte conecção com o clássico do supense, que residem tanto os pontos altos quanto as falhas desta nova produção.

Enquanto por um lado é curioso a forma eficiente como a produção escolhe um elenco visualmente parecido, e recria cenários e takes da produção original, para ativar a memória daqueles que a conhecem. Seu excesso de reverência, pode soar exagerado em alguns momentos. E desagradar os fãs mais devotos do longa de Kubrick (aquele velho papo de que não se deve mexer com uma obra prima).

Curiosamente, a conexão não o torna dependente de O Iluminado. Espectadores que começarem por este filme, não devem ficar perdidos, já que o roteiro entrega o suficiente do histórico de Danny para aqueles que não o conhecem. Além disso, o foco agora é em Danny e nas suas pouco exploradas habilidades, enquanto no anterior o foco era Jack. É claro, para aqueles que assistiram, o contexto é mais rico e cheio de detalhes.

De forma independente, Doutor Sono entrega uma bem construída produção de terror e suspense. Sem pressa de assustar o público constrói com calma seus diferentes núcleos e os encaminha para o conflito em uma crescente. O resultado uma produção que mantém o espectador entre a curiosidade e a tensão por toda sua projeção. Entregando imagens aterrorizantes, quando estas fazem sentido na narrativa.

Ewan McGregor acerta ao criar um Danny traumatizado por sua bagagem, mas ainda sim empático com as pessoas e entidades que encontra, conquistando o interesse do público logo nos primeiros minutos. A jovem Kyliegh Curran ainda se mostra pouco experiente em algumas cenas mais fortes, mas mostra compreender muito bem as habilidades e inteligência da Abbra, e consegue conferir a ela uma personalidade carismática. Outra que tem carisma para compensar uma ou outra atuação mais canastrona, é Rebecca Ferguson, aparentemente se divertindo com sua antagonista Rose, the Hat. Carl Lumbly e Cliff Curtis também estão eficientes em seus papéis.

Ainda sobre o elenco, os atores escolhidos para personagens do longa anterior, surpreendem tanto pela semelhança quanto pela capacidade de emular seus intérpretes originais. Em especial Alex Essoe que dá vida à Wendy Torrance. Sabemos que não são os mesmos intérpretes, mas a boa caracterização ajuda o cérebro a fazer conexões. São poucos os momentos em que essa relação falha, e somos tirados da realidade daquele universo.

Apesar das muitas semelhanças e homenagens (inclua aqui a trilha sonora marcante) Doutor Sono é bem mais palatável e comercial que O Iluminado. Entretanto, como várias obras de Stephen King, sofre com um desfecho que não explora todo seu potencial. O que não chega a ser decepcionante, ou estragar a experiência.


Com elenco eficiente, roteiro bem construído e produção caprichada, Doutor Sono é um satisfatório retorno à jornada dos Torrance. Não desrespeita as obras anteriores (livro e filme), e, o mais importante, entretém. O que aqui significa, instigar a curiosidade, amedrontar e assustar.

Doutor Sono (Doctor Sleep)
2019 - EUA - 151min
Suspense, terror, drama





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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Conheça os modelos de Exterminadores do Futuro

sexta-feira, novembro 01, 2019 0
Muito tempo atrás , em 2010 para ser mais exata, eu publiquei uma lista de todos os modelos de Exterminadores do Futuro para o projeto cinéfilo curioso DVD, Sofá e Pipoca. Nove anos se passaram, e a tecnologia continuou evoluindo, tanto no mundo real, quanto na ficção povoada por vários Arnolds Schwarzenegger. Nada mais justo que aproveitar o lançamento de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, para refazer e atualizar a lista.

Uma coisa que mudou com o novo Terminator, é que as várias continuações pós O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, foram descartadas. A trama e modelos apresentados lá, são considerados alternativos à trama principal, que conta com os dois primeiros filmes dirigidos por James Cameron e o longa deste ano, produzido por ele. Assim, vou dividir esta lista em modelos "canônicos" e alternativos, beleza? A começar pelos "oficiais".

T-800/850
O Cyberdyne Systems Model 101, tem algumas variações, os modelos T-800 e T850. Em ambos os casos, são "O Exterminador". Aquele modelo que vem imediatamente à mente quando ouvimos o termo. Isso porque ambos tem a aparência de Arnold Schwarzenegger. Feito de tecido vivo sobre endoesqueleto metálico que possibilitou a viagem no tempo, e ainda o torna mais humano (suor, mau hálito, sangue) e mais fácil de se misturar na multidão. É um modelo implacável e carismático, mas aparentemente muito fácil de hackear. Quando reprogramado obedece as ordens sem questionar, é uma ótima babá e adora aprender com crianças.

É o único que aparece em todos os filmes, inclusive em O Exterminador do Futuro: A Salvação, produzido quando Schwarzenegger ainda era governador da califórnia. Na ocasião o rosto do astro foi recriado digitalmente e aplicado sobre o corpo de um dublê.

Em O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, é fornecida uma origem para sua aparência. Este seria o rosto do Sargento da Força Aéra estadunidense William Candy, voluntário para fornecer sua aparência para robótica militar. Ele que foi escaneado pela Cyber Research Systems, e mais tarde o arquivo fora usado pela Skynet. Origem que foi descartada no mais recente filme.

T-1000
É o segundo modelo que conhecemos, e até hoje uma das tecnologias cinematográficas mais impressionantes e revolucionárias. Feito de metal líquido e também portador de células, porém de células cybernéticas. É super flexível e adaptável, pode se derreter e mudar sua forma e aparência para parecer com quase tudo e todos! Poder ser seu melhor amigo, uma arma letal ou o piso xadrez da sua cozinha.

Tem a aparência de Robert Patrick em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Em O Exterminador do Futuro: Gênesis é vivido por Byung-Hun Lee. E tem uma variação, a T-1001, que aparece na série de TV Terminator: The Sarah Connor Chronicles, na pele da atriz Shirley Manson.

Rev-9
É o mais recente modelo, apresentado no filme deste ano e - SPOILER ALERT! - não foi criado pela Skynet, mas pela Legião e vem exterminar a mexicana Dani Ramos. Formado de um ndosqueleto sólido tradicional, cercado por uma "pele" de poli-liga mimética. Possui a capacidade de separar esses dois componentes em unidades totalmente autônomas e separadas, além de habilidades metamórficas semelhantes às do T-1000. É vivido por Gabriel Luna.

Grace
Ok, tecnicamente a personagem de Mackenzie Davis, não é um exterminador. Mas ganhou uma menção nesta lista por ser um ser humano aprimorado. Um soldado assassino com alterações cibernéticas para melhor combater os exterminadores, foi enviada de 2042 para 2020 com a missão de salvar Daniela Ramos do Rev-9 enviado para exterminá-la.

Estes são os três modelos da "linha do tempo oficial". Vamos agora à extensa galeria de exterminadores alternativos...

T-1
É o primeiro modelo criado pela Cyberdine com o objetivo de batalhar a favor do EUA. Entretanto com o domínio da Skynet os androides tiveram seus objetivos alterados, para o extermínio dos humanos, assim foram chamados de Exterminadores. Antiquados tem esteiras como pés e metralhadoras no lugar dos braços Aparecem em O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas.

T-600
Humanóides tinham pele de borracha e eram fáceis de identificar, especialmente depois que a pele era derretida na batalha. Armas enormes, e ameaçadores olhos vermelhos brilhantes acompanham o modelo. Aparecem na série de TV Terminator: The Sarah Connor Chronicles e em  O Exterminador do Futuro: A Salvação.

T-888
Este é o modelo que persegue os Connor na série de TV, possui algumas variações. Outra variante do T-800, tão eficiente quanto os outros na tarefa de exterminar, quando não é feito de CGI fraco, é interpretador por Jeffrey Pierce.

T-X
Endo esqueleto blindado é coberto de uma mistura de célula cybernética e organica, herdou tecnologia do T-100, mas é mais avançada que seu antecessor, e é do gênero feminino! Estilosa, além de um conjunto de couro vermelho, tem cabelo e maquiagem sempre impecáveis. Aparece em O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, vivida por Kristanna Loken.

TOK715
Outra moça no páreo e essa tem nome e sobrenome, Cameron Philips (Summer Glau). Mais avançada que o T-800, por ser capaz de imitar humanos de forma mais convincente, ela pode chorar e se alimentar. Ótima irmã postiça frequenta a escola com você, seu banco de dados pode ajudar na hora daquela prova difícil! Com visual adolescente, é a protetora dos Connor na série de Terminator: The Sarah Connor Chronicles.

T-H
É um hibrido humano, uma pessoa transformada em organismo cibernético. Era o foco do Project Angel, iniciado pela Cyberdyne Systems Genetics Division, e assumido pela Skynet as Project Theta. O modelo que conhecemos em O Exterminador do Futuro: A Salvação, é Marcus Wright (Sam Worthington), condenado do corredor da morte, que doa seu corpo para a ciência. Seu esqueleto foi substituído por uma réplica de hiperliga, mantendo os principais componentes biológicos, como cérebro e outros órgãos.

T-3000
Um modelo extremamente avançado produzido pela Skynet em 2029, pouco antes da batalha final. Todas as unidades T-3000 são humanos transformados através de exposição infecciosa a um tipo de matéria sintética, que reescreve completamente o código genético da vítima. O procedimento é irreversível, e a maioria das cobaias não sobreviveu. O único exemplo bem sucedido é John Connor (Jason Clarke), liderando o plot-twist principal do roteiro mais mal amarrado da franquia, em O Exterminador do Futuro: Gênesis.

T-5000
Também de O Exterminador do Futuro: Gênesis, o T-5000 que conhecemos se chama Alex (Matt Smith). Ele é na verdade a consciência da Skynet, em um modelo T-5000, que infecta John Connor e o transforma em T-3000. É provável que houvesse outros objetivos, e características atribuídas a ele, mas como o personagem foi apresentado como o gancho de uma possível trilogia que fracassou, nunca saberemos muito além disso.

Estes são todos os modelos de Exterminadores que apareceram na TV e no cinema. Entretanto, se acrescentarmos os livros e games da franquia,  a lista triplica de tamanho, incluindo tanques e até drones no catálogo de máquinas de matar da Skynet (tem interesse em conhcer a lista completa? Deixe um comentário, quem sabe não faço um novo post!).

De volta  à  TV e cinema a lista ainda é grande. Diz aí, entre os vários modelos destas criaturas que adoram roubar roupas de couro e óculos escuros, qual o seu favorito?

Leia também as críticas de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, Exterminador do Futuro: Gênesis e O Exterminador do Futuro: A Salvação.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A Família Addams

quarta-feira, outubro 30, 2019 0
Desde seu surgimento em cartoons para a revista The New Yorker em 1937, a Família Addams é uma inversão mórbida e bem humorada da tradicional família estadunidense. Consequentemente, cada nova adaptação reflete inversamente os valores e ideais de sua época. Característica que fica bastante clara no novo filme, uma animação que também deixa bem claro seu público alvo, as crianças.

Isolados, e protegidos, em seu castelo, os Addams estão às vésperas de um grande encontro de família. E como se a reunião não fosse trabalho o suficiente, eles tem sua rotina atrapalhada e estilo de vida contestado por uma cidade colorida e padronizada que cresce próxima à propriedade.

Este filme é também uma história de origem. Mostrando desde o casamento de Gomez (voz de Oscar Issac) e Mortícia (Charlize Theron), passando pela adição de Tropeço, escolha da casa, nascimento das crianças e principalmente, os motivos que os levam à escolher o isolamento. Apresentando este universo as novas gerações de forma simples.

O conflito (e lição) aqui é a convivência com respeito às diferenças, tanto por parte da família, quanto dos cidadãos. Estes últimos representados na figura da vilã Margaux Needler (Allison Janney), arquiteta e apresentadora de um programa de TV de reformas, é a representação da padronização forçada e do desprezo pelo diferente. Ao mesmo tempo, a curiosidade de Vandinha (Chloë Grace Moretz), quanto ao que há fora do "mundo dos Addams", vai forçar a família a encarar o mundo novamente.

Lições coerentes com as discussões atuais, passadas de forma bem simples. Em alguns momentos simples até demais, especialmente na resolução do conflito principal e no destino da vilã. Também seria interessante ver um pouco mais do estranhamento entre culturas nos momentos em que os Addams e os moradores da cidade se encontram. O tom mais ingênuo e descomplicado é eficiente com as crianças, e entediariam os adultos caso estes não estivessem entretidos com outras coisas.

Referências às versões anteriores das família e a outras produções macabras como It: A Coisa e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, estão entre os atrativos para os crescidinhos. Na versão original, o elenco de vozes famosas também chama atenção, trazendo Bette Midler, Finn Wolfhard, Catherine O'Hara e Snoop Dogg, além dos nomes já citados. Já na versão dublada, é provável que apenas os adultos apreciem a boa trilha sonora, que traz canções originais (sem versão em português) e sucessos atuais, que dão ao filme um tom melancólico e mórbido porém, fofo. E caso esteja se perguntando, a tradicional canção tema também está de volta.

A animação caprichada recria os personagens aos moldes do criador Charles Addams, e aposta da discrepância de cores para ressaltar as diferenças entre os Addams (em tons escuros e cinzentos) e as pessoas comuns (exageradamente coloridas e vibrantes). O formato também possibilita a existência de mais criaturas difíceis de criar em versões live-action. De leões e polvos, passando por árvores e objetos, até o portão tudo tem vida, daquele jeitinho mórbido que tanto conhecemos.

Apostando em um "macabro fofo", A Família Addams pretende apresentar este universo para um novo público. Conquistar-los ainda bem pequenos sem entrar em conflito com o "politicamente correto", e sem deixar de lado a morbidez característica da família. Tarefa que cumprida com eficiência. A história poderia ter mais estofo, para agradar também os adultos, é verdade. Mas o passo inicial foi dado, Mortícia, Gomez, Vandinha, Feioso e companhia foram devidamente atualizados e apresentados para as novas gerações, com suas essências respeitadas. Oferecendo às sequencias (sim, já ha uma em produção) a oportunidade de expandir e explorar melhor este estranho universo. Os Addams vem aí, e pra ficar!

A Família Addams (The Addams Family)
2019 - EUA - 87min
Animação
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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

segunda-feira, outubro 28, 2019 1
Muito antes do empoderamento feminino virar regra em Hollywood, eram Ellen Ripley e Sarah Connor os melhores exemplos de personagens femininas em filmes de ação. Mas enquanto Ripley se revelava a grande heroína de Alien, o Oitavo Passageiro. Sarah ainda dividia os holofotes com seu filho "o escolhido" e o T-800 de Arnold Schwarzenegger, em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Destino Sombrio vem dar à personagem o protagonismo que merecia, além de dar espaço à novas mulheres fortes.

Sarah (Linda Hamilton) e John realmente mudaram o futuro no segundo filme. Mesmo assim, é 2019 e um novo exterminador é enviado, desta vez o alvo é uma jovem mexicana chamada Dani Ramos (Natalia Reyes). Grace (Mackenzie Davis), é a ajuda que o lado humano manda para a salvar a moça. Sempre atenta aos "eventos futuros", Sarah também vem ao resgate, no trabalho de "controle de máquinas" que tem feito há mais de duas décadas.

Se você está afiado com a franquia, deve ter notado, A Rebelião das Máquinas (2003), A Salvação (2009) e Gênesis (2015) foram descartados neste longa, sequencia direta do segundo filme Julgamento Final (1991). Resultado do retorno de James Cameron ao roteiro da franquia. Deixar estas produções de lado, também facilitam a compreensão do universo como um todo, deixando de lado, as reviravoltas confusas e universos alternativos. Vale mencionar que estas produções ao lado da série As Crônicas de Sarah Connor (2008), são considerados linhas do tempo alternativas, o que é coerente com a premissa de viagem no tempo.

De volta ao filme atual, a narrativa aqui segue a premissa básica dos primeiros longas da franquia: salvar o escolhido, de um assassino implacável. Para alguns a persistência deste futuro distópico causado por nós mesmos pode até soar repetitivo, mas basta uma olhadela no jornal para notar que a humanidade é ótima em repetir antigos erros. O que diferencia esta produção das anteriores, é dinâmica entre as três protagonistas, como cada uma aprende e influencia a outra, enquanto fogem/tentam deter de um inimigo em comum. Enquanto Arnold Schwarzenegger, corre por fora, influenciando mais a trama pessoal de Sarah, ainda cheia de ressalvas e assuntos pendentes com o modelo T-800.

Com mais personagens em cena, há mais camadas a serem exploradas. Estas vão desde questões relativas a natureza humana, senso de propósito, autopreservação, empatia e perdão. Até críticas sociais atuais, já que o alvo da vez, e até o novo modelo de exterminador, o Rev-9 (Gabriel Luna) são de origem latina, refletindo a tensão com a forma como os Estados Unidos tem tratados imigrantes. Tudo isso, é claro, dentro das perspectivas de um filme de ação, onde estas discussões ficam nas camadas superiores, ou mesmo na breve indicação em prol da ação, presente desde os primeiros minutos, e com pontuais respiros ao longo de todo o filme.

O que não fica na mera indicação, no entanto e o protagonismo assumidamente feminino. São elas que movimentam o filme, encaram as lutas e, no geral, salvam o dia. Há uma cena final, que entrega o heroísmo para o T-800, mas não chega roubar o foco que as moças tiveram das duas horas anteriores. Schwarzenegger é pouco mais que uma participação especial de luxo, fornecendo seu carisma, trabalhando nossa a nostalgia ao máximo e visivelmente se divertindo com isso.

As cenas de ação são bem filmadas e impactantes quando se mantém mais contidas, em perseguições de carro e principalmente no corpo-a-corpo. Aqui a imponência de Mackenzie Davis se destaca, ao lado do bom trabalho de dublês, e da postura ameaçadora de Linda Hamilton, mesmo em seus cabelos brancos. É cai na megalomanía que as sequencias de ação se perdem, confusas, exageradas, escuras e longas demais, na velha busca pelo " espetáculo maior" à qualquer custo. É o clímax que perde com este exagero, felizmente à esta altura a maioria dos espectadores já está engajado na missão.

A franquia O Exterminador do Futuro parece aprender com seus erros, e não ter receio (incentivo de Cameron talvez) de descartar o que não funciona, e abraçar os acertos. O foco em Sarah é um deles, empoderamento feminino estando em voga, ou não. Uma personagem forte e bem construída é sempre o melhor caminho. E ela aqui, ainda desmente outro tabú, o de que exite idade para ser protagonista de ação.

Este novo filme simplifica a franquia, elimina as múltiplas possibilidades criadas pelas três sequencias mais recentes, e recoloca a franquia nos trilhos. Não que este longa seja livre de falhas, ou que tudo nos anteriores deva ser descartado, mas Destino Sombrio traz de volta o tom que tanto agradou em O Julgamento Final. Ao mesmo tempo, reinicia o universo e até surpreende em alguns momentos. E claro, acima de tudo, diverte.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)
2019 - EUA - 128min
Ação, Ficção-científica


Leia também as críticas de O Exterminador do Futuro: A Salvação e O Exterminador do Futuro: Gênesis.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Eli

sexta-feira, outubro 25, 2019 0
Histórias de pessoas que precisam viver em total isolamento, por graves alergias ou falta de imunidade, são tão fascinantes quanto tristes. Não é surpresa que a ideia da necessidade de viver em uma bolha de plástico seja premissa para os mais diferentes tipos de obra, desde o drama (O Menino da Bolha de Plástico), passando pela comédia (Jimmy Bolha) e até o romance adolescente (Tudo e Todas as Coisas). Eli traz o argumento para o universo do terror.

Eli (Charlie Shotwell) tem uma doença auto-imune que o torna alérgico a praticamente tudo. Em um último esforço, seus pais gastam todo o dinheiro da família no tratamento milagroso da Dr. Horn (Lili Taylor). Aos poucos a clínica, uma antiga casa transformada em ambiente estéril, começa a abrigar fenômenos que indicam que nem tudo é o que parece.

Falta um pouco de foco na construção do terror aqui. A princípio o grande medo é ser exposto os elementos que podem matar o protagonista em instantes, mas logo a ameaça é substituída por entidades que assombram a casa. É aqui que o roteiro peca em ritmo e originalidade, antes de entregar uma curiosa reviravolta.

Enquanto apresenta personagens e condição da vida de Eli, o roteiro de David Chirchirillo, Richard Naing, Ian Goldberg, acerta na construção da tensão e mistério em torno da doença e do tratamento. É isso que garante a permanência do espectador durante o segundo ato, que cai nos clichês típicos dos filmes de fantasmas, trilha sonora que prepara o susto, objetos que se movem sozinhos, aparições em espelhos e cantos escuros, e por aí vai.

A recompensa fica por conta do desfecho que muda nossa percepção em relação aos personagens, e dá sentido a detalhes que poderiam ser considerados falha de pesquisa para espectadores mais atentos. Especialmente no modus operante da doença de Eli, que assim como em  Tudo e Todas as Coisas, em muitos  momentos soa falsa propositalmente. Uma pena que o roteiro não tenha plantado outras boas pistas sobre a verdadeira natureza da história, em benefício dos fantasmas clichês do segundo ato.

Ao menos são clichês bem construídos. O diretor Ciarán Foy tem um bom conhecimento das técnicas de terror, e faz bom uso do cenário para apresentar as manifestações. As sequências nunca estão confusas, ou recorrem à escuridão excessiva para criar a atmosfera ameaçadora. A fotografia de Jeff Cutter (Rua Cloverfield 10, A Órfã) aposta em cores sem vida, que somadas à direção de arte cria um ambiente mais depressivo e desesperançoso do que de fato estéril.

As boas atuações completam a lista de acertos Lili Taylor, esta confortável no gênero terror. Enquanto as atuações de Max Martini e Kelly Reilly se complementam, embora ela lute constantemente com uma caracterização (leia-se penteado), que parece estar limitando sua expressão. Sadie Sink é eficiente em seu trabalho de tirar o protagonista do raciocínio óbvio. Já o protagonista mirim Charlie Shotwell é um pouco verde nas cenas dramáticas, mas entrega nos momentos físicos e de confronto, e é suficiente para carregar o filme.

Eli faz parte da corrida da Netflix para aumentar seu catálogo próprio, apostando em nome promissores ainda não tão expressivos na indústria. Tem um segundo ato meio lento e repetitivo, mas recompensa aqueles que ficarem com um desfecho que surpreende, que usa de forma curiosa a premissa do "menino na bolha". Não é excepcional, mas também não está entre os grandes erros da produtora, de fato é um bom entretenimento para quem procura algumas horas de diversão aterrorizante.

Eli
2019 - EUA - 98min
Terror

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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Downton Abbey

quarta-feira, outubro 23, 2019 0
Adivinhe que vem para jantar? É um evento extraordinário que nos leva de volta ao cotidiano dos Crawley e seus criados. Mostrando que as vidas dos personagens continuam apesar do fim da série em 2016.

É 1927, o Rei Jorge V (avô da Rainha Elizabeth interpretado por Simon Jones) e a Rainha Maria (Geraldine James) farão uma parada de Downton Abbey durante sua turnê pelo país. Os funcionários ficam empolgados com a possibilidade de servir a realeza, os patrões preocupados em receber a realeza com toda a pompa e circunstância devidas.

Dentro desta premissa, o roteiro encara a incrível tarefa de dar tempo de tela para cerca de duas dezenas de personagens fixos, e ainda apresentar apropriadamente os novos que movimentam a trama deste episódio particular na vida do castelo. Desafio cumprido com maestria ao conectar os dilemas pessoas e do grupo à tal visita especial.

Assim, os empregados como um todo tentam lidar com o fato de terem sido "liberados" de suas tarefas em prol da equipe real. Alguns deles como Barrow (Robert James-Collier) e Daisy (Sophie McShera), com um desafio pessoal próprio, seja ele grande ou pequeno. O republicano assumido Tom Branson (Allen Leech) precisa equilibrar suas convicções com as responsabilidades da família. Lady Violet (Maggie Smith) tem uma rusga com sua prima, Maud (Imelda Staunton), funcionária da rainha. É de pequenos desafios e suas resoluções, que é construída a trama do longa metragem que dá continuidade a história da série.

Tratando-se de uma continuação da história, obviamente a produção exclui quem nunca acompanhou a série de TV. Não que seja impossível acompanhar a trama deste "episódio" em questão, o desafio de receber a realeza é claro, mas muito das relações e das motivações que justificam as ações dos personagens, e consequentemente enriquece a trama é perdida. Detalhe que seria problema em outras produções, mas este filme é assumidamente uma obra para fãs do programa no qual se baseou. Tem um público cativo e é a eles quem pretende atender.

Dito isso, as características que marcaram a série e encantaram público e crítica estão de volta. Desde os belos cômodos do Highclere Castle, usado como locação para criar Downton Abbey, passando pelos figurinos impecáveis, além da fotografia e trilha sonora que criam atmosfera romantizada da década de 20. O ritmo é um pouco mais acelerado, considerando o tempo limitado, nada no entanto que chegue a descaracterizar o tom da produção.

Praticamente todo o elenco da última temporada está de volta. Maggie Smith sempre se destaca, especialmente nas falas sem censura da Condessa viúva e em suas conversas ácidas, com a também excelente Penelope Wilton. Robert James-Collier, Allen Leech, Kevin Doyle e Sophie McShera, também chamam atenção, provavelmente porque o roteiro lhes dá um pouco mais com que trabalhar. O restante do elenco se mostra afinado como um todo, confortáveis em seus já conhecidos papéis e incorporando bem os novatos em sua nova dinâmica. Entre estes, Kate Phillips, Tuppence Middleton e Imelda Staunton são os melhores aproveitados pelo roteiro.

Middleton e Staunton também estão entre as possíveis adições permanentes caso hajam novas incursões em Downton. Apesar de tratar de um evento fechado, e que se resolve neste mesmo filme, a produção deixa sim brechas para uma possível continuação.

A vida em Downton Abbey não parou após o final da série. De fato, nem sequer alcançou um "felizes para sempre" definitivo. Assim como a nossa, a vida dos Crawley e seus funcionários continua, um desafio após o outro.  A diferença é que eles vivem em um mundo mais romantizado que o nosso. Com mais vitórias, maior senso de sociedade, e até mais boa vontade que os dias de hoje. E se isso não for suficiente para desejar ver um pouco mais, tem sempre a curiosa relação entre patrões e empregados, e a luxuosa vida da aristocracia.

Seja quais forem os motivos de cada espectador, os criadores de Downton Abbey, sabem que ainda tem um público saudoso pela série. E é assumidamente aos fãs que este longa metragem pretende agradar. Missão que cumpre muito bem!

Downton Abbey
2012 - Reino Unido - 123min
Drama, Romance

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Zumbilândia: Atire Duas Vezes

segunda-feira, outubro 21, 2019 0
O primeiro passeio pela Zumbilândia foi tão divertido, que é surpreendente que Hollywood tenha levado exatos dez anos para visitar o debochado mundo zumbi novamente. Por outro lado, é satisfatório perceber que o retorno foi bem planejado, com o retorno de elenco, diretor e equipe.

Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) continuam buscando um lar nos Estados Unidos tomados por zumbis. Mas dez anos se passaram e Little Rock, agora adulta, está cansada da rotina de sua família disfuncional e foge em busca de novas aventuras. Forçando o trio restante a pegar a estrada novamente, encontrando novos sobreviventes e enfrentando um tipo evoluído de zumbis.

Sim, o formato é praticamente o mesmo do filme original. É a presença de novos personagens e desafios que evita que Zumbilândia: Atire Duas Vezes seja uma mera repetição do longa anterior. Situações que hora são novas, mas muitas vezes brincam com o que fora estabelecido no primeiro filme. Agora a produção não faz piada apenas com o sub-gênero de zumbis, mas com o próprio universo. A intenção ainda é divertir, e reencontrar os personagens que nos conquistaram tão facilmente.

Harrelson, Eisenberg e Stone trazem de volta seus personagens exatamente como eram, o caipira bom em matar zumbis, o nerd ansioso e sistemático, e a garota durona que não deixa ninguém se aproximar. A diferença fica por conta de sua relação mais afiada após dez anos de convivência. É a personagem de Breslin quem mais mudou, saindo da pré-adolescência para a idade adulta. Apesar de sua mudança mover a trama, Little Rock é a mais apagada do elenco original, com um jeitinho aborrecido mais típico de uma adolescente, que de uma jovem adulta que ela alega ser. (Cada um amadurece em sem tempo, né!)

Entre o elenco novo, Rosário Dawson entrega a presença carismática de sempre. Enquanto Luke Wilson e Thomas Middleditch, seguram uma excelente piada, que seria ainda melhor se não tivesse sido apontada nos trailers. Avan Jogia entrega um personagem propositalmente irritante. Mas é Zoey Deutch quem se destaca, Madison é a típica caricatura da loira descerebrada e por isso teria tudo para soar repetitiva e sem graça. Entretanto, Deutch entrega uma interpretação empolgada e sem receios de soar ridícula, além conseguir estabelecer uma boa dinâmica com o grupo veterano, o que a torna a melhor nova adição desta sequência.

A direção de Ruben Fleischer, que também dirigiu o primeiro, é caprichada e eficaz nas cenas de ação. Estas são ágeis, compreensíveis e criativas. Com destaque para um plano sequencia de tirar o fôlego, e para a utilização massiva dos letreiros das regras. Os textos já apareciam no original, e aqui ganham ainda mais ousadia e interação com a trama.

De volta à trama, seu desenvolvimento é bastante previsível, a inserção a influência de Elvis soa forçada em alguns momentos. Mas o que é um filme de terrir, se não a forçação de elementos ao ponto do absurdo, para fazer o humor com isso. E o que Zumbilândia: Atire Duas Vezes perde em originalidade, ganha em 'nonsense' e na agilidade da narrativa. Já estamos familiarizados com o mundo zumbi, podemos ir direto à ação sem parar para explicar tudo. Aqueles que não acompanharam o primeiro, perdem sim algumas piadas, mas não ficam completamente à deriva, já que o tom é determinado e as principais regras são relembradas logo nos primeiros minutos de filme.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes não adiciona muita coisa ao universo, e nem pretendia. É uma produção criada assumidamente para quem gostou do primeiro filme, público e equipe, o elenco visivelmente está se divertindo com o reencontro. É como uma revisita a um lugar onde você se divertiu muito de férias uma década atrás, mas ao invés da de princesas e montanhas-russas, a diversão aqui é matar zumbis da forma mais divertida e inusitada possível.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap)
2019 - EUA - 99min
Terror, Comédia, Ação


P.S.: Tem cenas pós-créditos!

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