terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Roma

Alfonso Cuarón cresceu em Roma, não a cidade italiana, mas o bairro de classe média na Cidade do México. É no bairro-título que se passa a história de seu novo longa, inspirado pelas memórias de infância do diretor, mas abordado a partir do ponto de vista da empregada da família.

Durante o período de quase uma no, acompanhamos o cotidiano de Cleo (Yalitza Aparicio) e, consequentemente, da família a que ela serve. A complexa relação de hierarquia entre patrões e empregados, que se confunde com o conceito de família. Além dos acontecimentos de âmbito familiar e até escala nacional, que moldam os caminhos dos personagens.

O tom é contemplativo, e isso pode afastar quem não está acostumado com obras com um ritmo propositalmente mais lento. Cuarón nos deixa observar calmamente as interações cotidianas, com planos longos e pouca movimentação de câmera. O que nos possibilita pensar sobre a situação que estamos vendo, tão comum ao redor do mundo.

Cléo passa todo seu tempo na casa trabalhando, desde acordar as crianças para a escola, até colocá-las de volta na cama, e todas as tarefas entre elas. Na ingrata função de empregada, sempre de prontidão para servir, a moça quase não tem tempo de viver a própria vida. E não parece incomodada com isso, ou talvez apenas não enxergue perspectivas em seu futuro. Ela não sabe como evoluir a partir dali. Já os patrões, se sentem benevolente por considerá-la como "parte da família", sem nunca perceber que mantém a moça em um horário de trabalho constante. Ou ainda que suas ações "altruístas" em relação á moça, são mais benéficas ao seu ego, que à pessoa ajudada. Mas não os confunda com vilões, estas são boas pessoas, que apenas não enxergam a totalidade do sistema em que estão inseridas.

A relação patrão-empregado é apenas umas das muitas camadas de discussão presentes do roteiro de Roma. Outro ponto interessante é o abandono da figura masculina, aqui retratados como fracos, cheios de vontades, e acreditando serem mais do que realmente são. Situação enfrentada ao mesmo tempo por Cleo e por sua patroa Sra. Sofía (Marina de Tavira), que poderia aproximar as duas, se ambas percebessem estar em situação semelhante. Percepção que as duas em seus cotidianos opostos, ainda que fisicamente próximos, são incapazes de ter.

É inserida nesta rotina cheia de nuances, que a protagonista observa sua vida passar, e nós a acompanhamos. Até que em alguns momentos, a vida exija, ou cause uma reação maior da moça. E mesmo em sua catarse, ela é contida. É apenas momentos de maior emoção que o diretor movimenta mais a câmera, mesmo que forma sutil e fluida, encaixando bem com o tom contemplativo do resto do longa.

Dedicado à Libo, Liboria Rodríguez, a empregada da família de Cuarón enquanto ele crescia. O longa não esconde o fato, de que o diretor está olhando e repensando a própria infância. Por este tom mais biográfico, faz todo sentido que além de direção e roteiro, Cuarón também tenha feito a fotografia, produção e até colocasse seu dedo na edição. Talvez seja esse controle quase excessivo, que permitiu ao diretor embutir no longa todas as camadas e detalhes que desejava, sem deixar pontas soltas. O detalhismo vai desde a escolha do gigantesco carro do patrão, que mostra o quanto ele se sente desnecessariamente sufocado pela família. Até a passividade de Cleo, mesmo em seus dias de folga, quando finalmente pode escolher o que fazer.

O elenco é eficiente, e entregam o que o roteiro exige dos personagens. E os destaques são mesmo para Tavira e Aparicio. Não é possível dizer, no entanto se a estreante interprete da protagonista é realmente uma excelente atriz, ou se foi escolhida à dedo para o papel. De qualquer forma, seu trabalho aqui é excepcional, abrangendo todas as nuances desta protagonista, que poucas chances tem de protagonizar a própria vida.

Para quem tiver a chance, Roma merece ser visto na tela grande. Mas, seu lançamento na Netflix possibilita que a produção alcance mais pessoas. Basta que elas estejam dispostas a se aventurar, em um filme de ritmo diferente, em preto e branco, falado em espanhol e mixteco, o dialeto do povo de Cleo. Falando assim até parece tarefa complicada, mas aqueles que se dispuserem a acompanhar esse ano na vida de uma família comum, vai ter a chance de ver com outros olhos uma história que se repete em todo o mundo. E quem sabe repensar suas próprias experiências.

Roma
2018 - México/EUA - 2h15
Drama

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Dumplin'

Sentimentos confusos atingiam esta blogueira que vos escreve ao fim de Dumplin'. O "feel-good movie" da Netflix cumpriu sim sua função de propagar uma boa mensagem de forma agradável, mas não sem deixar uma sensação de que poderia ser mais.

Willowdean (Danielle Macdonald, Bird Box) é uma adolescente pluz-size filha de uma antiga rainha da beleza de sua cidade. Perdida após a morte da tia que a ensinou a gostar de si mesma como é, Will decide fazer um protesto contra tudo que sua mãe Rosie (Jennifer Aniston) acredita, se inscrevendo no concurso de beleza que ela comanda, o Miss Teen Bluebonnet. Ao desafiar os padrões impostos pela sociedade, ela inspira outras garotas "fora dos padrões" à participar do evento.

Ao longo da projeção, a experiência passa a ser menos sobre o protesto, e mais sobre auto-descoberta. Willow, sua mãe e amigas começam a compreender que são. Trabalhando sua auto-imagem, e também, a imagem que fazem dos outros.

A jornada da protagonista acerta ao apontar que nós mesmos podemos ser nossos piores inimigos. Imbuídos é claro, dos muitos pré-conceitos que herdamos da sociedade. Não é preciso demonizar terceiros para criar obstáculos. O preconceito existe sim, está presente, mas não de forma caricata como em outros dramas adolescentes, onde "populares" e as "pessoas diferentes" estão de lados opostos de uma disputa.

Entretanto, enquanto a trama da protagonista é cheia de nuances, os demais personagens não tem seus arcos devidamente explorados. A começar pela Rosie que aprende menos do que poderiam já que sua filha precisou fazer suas diferenças funcionarem no mundo da mãe, para que a matriarca conseguisse enxergá-la. Faltou à ex-miss a descoberta de que existem outras opções no mundo e que sua filha pode ser excepcional em outras areas.

Millie (Maddie Baillio, Hairspray Live!) e, principalmente, Hannah (Bex Taylor-Klaus, Arrow) são jogadas na história com apresentações rasas, que vão pouco além do estereótipo. E seus próprios conflitos são resolvidos às pressas, conforme as moças deixam de ser necessárias para o desenvolvimento da protagonista. Já o conflito com Ellen (Odeya Rush, Lady Bird) é abordado em um par de cenas apenas. Dispensando um conflito interessante e pouco abordado neste tipo de filme. A reação da conservadora sociedade texana da cidadezinha de Bluebonnet ao ousado, ainda que modesto, protesto, não vai além da resposta da platéia ao concurso.

Bastou uma consultoria rápida com uma leitora do romance homônimo de Julie Murphy que inspirou o longa, para descobrir que estes pontos do quais senti falta. Bom para os leitores, mas o filme deve funcionar de forma independente logo, este é sim um ponto contra à adaptação.

Ponto a favor é a escolha do elenco. Desde as jovens boas coadjuvantes, passando pela excelente participação de Harold Perrineau, até às protagonistas. Jennifer Aniston, ainda será eternamente a Rachel de Friends, mas aqui tem carisma, postura e força de vontade para criar uma mãe amorosa, escondida sob a postura emproada e as futilidades de uma Miss.

É Danielle Macdonald quem carrega o filme. Capturando as mutas camadas de uma jovem que quer ter orgulho de quem é, mas é constantemente desafiada pelas exigências e preconceitos que a sociedade planta em nossas mentes. Sua boa dinâmica com Aniston é a alma da produção, junto com as excelentes músicas de Dolly Parton, que pontuam os desafios da protagonista.
Pontos fracos à parte, Dumplin' tem o coração no lugar certo. Diferente do ambicioso Sierra Burgess é uma Loser, também da Netflix, que pretende ser tantas coisas que entrega uma protagonista instável e sem carisma, este longa acerta em focar em sua mocinha e torná-la uma adolescente sincera, com conflitos muito parecidos com os da vida real. O resultado é um longa que consegue nos fazer refletir sobre nós mesmo, e sobre os outros à nossa volta, ao mesmo tempo que nos faz sentir bem ao final da sessão.

Dumplin'
2018 - EUA - 110min
Drama, Comédia

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O Menino que Queria Ser Rei

Não posso falar sobre as crianças de hoje em dia, mas quando era moleca, bastava uma sessão da tarde, ou mesmo um desenho animado mais inspirado para eu sair com minha gangue em busca de uma aventura. O Menino que Queria Ser Rei tem esse clima imaginativo de uma empolgada brincadeira de criança.

Alex (Louis Ashbourne Serkis, filho de Andy Serkis) sofre bullying na escola ao lado do amigo o Bedders (Dean Chaumoo). Em uma das fugas dos valentões Lance (Tom Taylor) e Kaye (Rhianna Dorris), ele esbarra em uma espada encravada em uma pedra, em meio à uma construção. Não demora muito para o souvenir se mostrar mais que um achado qualquer, levando o garoto e os "aminimigos" em uma jornada para salvar a Inglaterra.

Junto com a , outros personagens e eventos das lendas de Rei Arthur cruzam o caminho do protagonista e seus companheiros, Bedders, Lance e Kaye. Achou estranho o garoto levar seus arqui-inimigos na missão? Pois a parceria curiosa faz parte de uma das mensagens edificantes do filme.

No mundo de Alex, e também no nosso, o sentimento de antagonismo, a polarização, o ódio e a intolerância, estão se tornando cada vez mais predominantes entre indivíduos e nações. A ameaça maior desta aventura nasce deste comportamento, que precisa ser mudado na pequena esfera de conhecidos do menino, para salvar o mundo. Psicologia barata, é verdade. Mas também é uma mensagem verdadeira, atual, transmitida de forma simples e direta. Funciona com os pequenos, e é isso que importa.

E por falar na molecada, apesar de não entendiar os adultos, o longa é pensado para elas. Assistir esta geração, que nasceu com smartphone e tablets nas mãos, se empolgar com uma aventura analógica à moda antiga é uma diversão à parte. Enquanto osadultos vão relembrar os tempos de Sessão da Tarde dos anos 80 e 90, quando crianças salvavam o universo e os adultos desatentos não faziam ideia dos perigos a sua volta. 

Os efeitos especiais não reinventam a roda, mas atendem às necessidades do roteiro e são críveis para o público de diferentes idades. Já a trama segue a tradicional jornada do herói, é previsível, assim como muitas das piadas, mas funcionam. A familiaridade não anula a diversão, e até soma pontos quando bem realizada.

O elenco é predominantemente jovem e as crianças cumprem bem as funções a que foram designadas. Entre eles o destaque fica com Angus Imrie e seu expansivo jovem Merlin. Patrick Stuart é o rosto conhecido em cena, com participações pontuais. Enquanto Rebecca Ferguson parece estar se divertindo com sua maléfica Morgana.

O Menino que Queria Ser Rei é mais uma releitura da história do Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda. Mas, diferente de muitas releituras anteriores, esta não tenta ser uma abordagem definitiva da lenda, ou mesmo um grande épico histórico, de ação ou aventura. Ciente de suas limitações e da temática já bastante explorada, este longa é menos ambicioso. Pretende apenas ser uma aventura empolgante, com boas mensagens para seu público alvo, e nisso acerta em cheio!

O Menino que Queria Ser Rei (The Kid Who Would Be King)
2019 - Reino Unido - 120min
Aventura, Fantasia

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Alita: Anjo de Combate

Não há dúvidas, são o visual e a tecnologia os elementos que mais chamam atenção em Alita: Anjo de Combate. O que não significa que o mangá de Yukito Kishiro que inspirou o filme, não ofereça uma gama rica de temas para esta adaptação roteirizada por James Cameron (Avatar, Titanic) e dirigida por Robert Rodrigues (Machete, Pequenos Espiões).

O ano é 2563, em mais um futuro distópico onde uma guerra intergalática conhecida como "A Queda", dividiu os sobreviventes em duas classes. Os poucos abastados que vivem na última cidade flutuante Zalem, e todo o resto que habita a Cidade de Ferro logo à baixo. É no lixão de descarte dos abastados que o Dr. Ido (Christoph Waltz), encontra Alita (Rosa Salazar, da franquia Maze Runner). Uma ciborgue de origem misteriosa, sem memórias e com incríveis habilidades e instintos de luta, que nesta primeira aventura tenta desvendar sua origem e descobrir seu lugar neste mundo.

Sim, primeira aventura! A intenção da criação de uma nova franquia é clara aqui. O filme foca nos quatro primeiros volumes, dos nove que compõe a saga. A versão de Cameron aponta discussões como a escassez de recursos, nacionalismo e autoritarismo, os limites da tecnologia e medicina, e as consequências de um estado que não provém a segurança de seu povo. Mas a abordagem destes temas, são deixados em segundo plano em prol da construção deste universo e das humanização de sua protagonista.

Alita tem um cérebro humano, que sem memórias do passado busca uma nova vida. Quem a protagonista vai ser é determinado em parte por suas relações. Desde a acertada dinâmica de pai e filha com o Dr. Ido, até o forçado relacionamento amoroso com Hugo (Keean Johnson). Vale mencionar, não há problemas na existência do romance, mas este não precisa ser a o grande fator determinante para as ações da protagonista. Não estamos mais no momento em que as ações de uma personagem feminina precisem ser determinadas por um romance. A forma como esse é abordado pelo roteiro, cheio de clichés e momentos piegas não ajuda. À certa altura a moça oferece literalmente seu coração robótico ao rapaz. As injustiças deste mundo e o caráter da protagonista, são os outros fatores determinante nas escolha das causas que a moça escolhe defender.

E por falar neste mundo, este é sim rico e cheio de nuances. Mas pouco disso é mostrado além do necessário para compreendermos como aquele mundo funciona. Um contexto geral mais detalhado, motivações e intenções que tornam aquele mundo o que é parecem, ter sido poupadas para uma possível sequência. O mesmo vale para o passado de Alita. Tanto nós, quanto ela, pouco descobrimos sobre sua vida anterior, e o que a levou ao "descarte" onde fora encontrada, neste primeiro filme.

Por outro lado, visualmente a produção não poupa nada para criar este universo. Os designs de personagens misturam tipos e níveis diferentes de peças robóticas, e deixam claro que a substituição de membros por partes artificiais é uma pratica comum, e relevante para a trama principal futura. Enquanto à cidade em si, um quebra-cabeças desgastado composto com peças de diferentes épocas e com muitas faltantes, garante a atmosfera de escassez, super-população e urgência deste em que as pessoas menos abastadas vivem.

Alita é completamente criada através da técnica de captura de movimentos, sua interação com os personagens de carne e osso é eficiente, crível e carismática. A moça tem um visual um pouco artificial sim, assim como outros ciborgues, mas esta diferença é coerente do fato de eles serem compostos por peças "não naturais". Eles são seres em parte artificiais, logo faz sentido não parecerem tão reais quanto aqueles que são "completamente humanos". E claro, a computação gráfica acrescenta e muito às coreografias de luta, e facilitam a representação dos poderes sobre humanos dos personagens. A ação, aliás, é outro ponto forte da produção. Embora alguns talvez preferissem abrir mão de alguns minutos de correria e pancadaria, para poder aprender um pouco mais sobre este futuro e seus habitantes.

Completando os acertos do filme está o elenco estelar, que entrega um bom trabalho aqui, e daria conta deste universo complexo caso este tenha a chance de ser explorado em próximos filmes. Além de Waltz, Johnson e Salazar, também estão no filme Jennifer Connelly, Mahershala Ali, Jackie Earle Haley, Jorge Lendeborg Jr. e Lana Condor. Ed Skrein é o único ponto fraco, mas não chega a comprometer.

Alita: Anjo de Combate tem uma protagonista forte e carismática. Esta última característica um acerto e tanto considerando que se trata de uma humanoide criada em computação gráfica, e as chances de causar estranhamento eram grande. A moça consegue se conectar com a audiência tanto quanto, o universo em que ela está inserida nos deixa curiosos, e a ação empolga. Uma pena apenas, que a produção tenha optado por uma fórmula batida para garantir uma franquia. Deixando para explorar este mundo complexo em aventuras futuras. Para quem gostaria de ver mais, resta apenas torcer para que a história ganhe continuidade na telona.

Alita: Anjo de Combate (Alita: Anjo de Combate)
EUA - 2019 - 162min
Ficção científica, Ação


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

11 anos falando nisso...

Interrompemos nossa programação para uma breve celebração. O Ah! E por falar nisso... está completando 11 anos, e eu não poderia deixar esta data passar em branco. 

Para quem é novato por aqui, o blog nasceu em 2008, como passatempo e exercício para uma jornalista recém-formada. Desde então outros projetos e trabalhos dos mais diversos passaram pelo cotidiano desta blogueira que vos escreve, mas o blog se manteve uma constante. É claro, o conteúdo mudou, evoluiu - eu acho - e continua em constante evolução.

Sem mais delongas, vamos à tradicional contagem. Este é 1351° post deste blog, 139 publicados apenas em 2018. No catálogo, críticas de filmes, séries e livros, além de curiosidades sobre a cultura pop, e tudo mais que me der na telha. Afinal essa é a essência de um blog pessoal né?! 😉

Eu sei o que você pode estar pensando: Essa coisa de blog já passou, está fora de moda. Agora é o tempo do youtube e das redes sociais. Admito, também paro para pensar nisso de vez em quando. E o final do pensamento é sempre o mesmo: talvez a era de outro dos blogs tenha mesmo passado, mas eu sentiria falta deste espaço, independente de seu sucesso. 

Então, se você é um dos leitores que bate ponto por aqui, ou mesmo um visitante acidental, seja muito bem vindo, e obrigada pela visita. Fique à vontade para voltar quando quiser, estarei sempre por aqui!

Declaro agora oficialmente aberta a temporada 2019!


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Uma Aventura LEGO 2

Tudo estava incrível no final da primeira Aventura LEGO. O bonequinho mais otimista e sem personalidade de todos salvou o mundo, ao descobrir as infinitas possibilidades dos bloquinhos coloridos. E seu universo continuava em expansão com a chegada dos blocos duplos de uma terra distante. O que poderia dar errado para Emmet, Megaestilo e companhia? Felizmente para quem curtiu a aventura das peças de montar, muita coisa!

Acontece que o encontro com estes "alienígenas" se tornou uma guerra sem precedentes, e cinco anos mais tarde aquele mundo colorido se tornou Apocalipsópolis. Um lugar onde nada mais é incrível e todos vivem em uma distopia. A não ser, é claro, o sempre otimista Emmet (Chris Pratt), para descontentamento de sua parceira. Megaestilo (Elizabeth Banks) acredita que o namorado foi o único que não evoluiu. Mas não demora muito para o bonequinho amarelo ser desafiado, quando um novo ataque sequestra sua namorada, Batman (Will Arnett), Barba de Ferro (Nick Offerman), Benny (Charlie Day) e Unigata (Alison Brie).

É deste outro mundo que vem os novos personagens da franquia. A Rainha Tuduki Eukiser’ser (Tiffany Haddish) e General Caos (Stephanie Beatriz), tem misteriosos planos para seus visitantes sequestrados. Enquanto Emmet conhece o ousado Rex Dangervest (também com a voz de Chris Pratt, o personagem é uma grande paródia aos personagens do ator) em sua missão de resgate. É claro, o roteiro ainda espalha por toda a produção inúmeras participações especiais, tanto novas, quanto de aventuras anteriores. São muitos os personagens e personalidades licenciados pela marca de brinquedos. Tentar encontrar todos eles, e descobrir as vozes por trás das aparições, já virou uma diversão à parte nas aventuras da franquia.

Entretanto, não é apenas de participações especiais que se faz um filme. Uma Aventura LEGO 2 sabe disso e cria uma trama convincente para justificar sua aventura. A nova jornada brinca com conceitos deste universo, e questiona as certezas de seus personagens, em meio à correria colorida nonsense, recheada de músicas propositalmente "chiclete". Sem deixar de lado a tradicional boa mensagem para os pequenos. Aqui os principais aprendizados são: aquilo que é diferente, não é obrigatoriamente mal ou inimigo; e amadurecer não significa deixar de lado o que você amava quando mais novo. No geral o formato ainda é o mesmo, mas com piadas e desafios novos.

Para os adultos há um sub-texto curioso, que embora não explorado pode levar à uma discussão curiosa. A falsa sensação de livre-arbítrio em que os personagens vivem. Vale lembrar que, no filme anterior descobrimos que a jornada destes personagens são determinadas pelas brincadeiras de seus donos (Jadon Sand e Brooklynn Prince), e eles não fazem ideia desta interferência. Esta aventura é muito mais ciente do mundo "das pessoas", embora seus protagonistas não sejam.

E já que são pessoas do nosso mundo que ditam as regras, referências e piadas que extrapolam o universo de LEGO não faltam. Muitas inclusive, são pensadas pensadas exclusivamente para os adultos na sala. A alusão à outros universos e eventos em excesso, pode soar como exagero para alguns, mas reforçam a ideia de que tudo é uma enorme brincadeira de alguém do nosso mundo.

E por falar em brincadeira, vale notar o detalhismo da animação que mostra o desgaste das pecinhas agora já com cinco anos de uso. Ou ainda o acréscimo de texturas, conforme outros outros objetos são acrescentados na brincadeira pelas crianças.

Muitos não acreditariam na longevidade de uma franquia inspirada por um brinquedo de montar. E é verdade que esta segunda aventura (terceira se contar o filme solo do Batman) perde por não contar mais com o frescor da novidade, e por apostar em apostar em piadas repetidas porém certeiras, como os maneirismos de seu afetado Cavaleiro das Trevas.

Ainda assim, Uma Aventura LEGO 2 prova que com criatividade é possível sim, extrair uma boa aventura dos blocos coloridos, embora ter muitos bons personagens licenciados ajude. Resta agora, tentar adivinhar por quanto tempo este universo consegue se sustentar, para continuar entregando estas aventuras frenéticas e incríveis.

Uma Aventura LEGO 2 (The Lego Movie 2: The Second Part)
2019 - EUA - 106min
Animação, Aventura


Leia também as críticas de Uma Aventura LEGO e LEGO Batman: O Filme
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Se a Rua Beale Falasse

Garoto conhecem garota, eles crescem cultivando uma bela amizade. Quado chegam em idade adulta, se percebem apaixonados e começam a planejar a vida juntos. Procurar uma casa, construir uma família... Esta poderia ser uma jornada relativamente simples e até comum, não fossem os jovens em questão parte de uma minoria marginalizada pela sociedade.

Tish Rivers (KiKi Layne) e Fonny Hunt (Stephan James), estão começando sua vida juntos quando o rapaz é acusado de um crime que não cometeu. Grávida, a moça luta para provar a inocência do rapaz à tempo do nascimento do bebê.

Baseado no livro homônimo de James Baldwin, o primeiro filme de Barry Jenkins depois de Moonlight: Sob a Luz do Luar, Se a Rua Beale Falasse tem tanto a dizer quanto seu predecessor. Mas ao contrário do que se pode imaginar, a produção desvia do caminho da investigação criminal e da busca por provas, para mostrar as consequências dessa injustiça, um belo romance e uma vida promissora interrompidos ainda em seu início.

Intercalando dois momentos no tempo, o roteiro coloca em paralelo dois pontos opostos na vida da narradora, Tish. O nascimento do romance idealizado, e a cruel realidade de um jovem negro nos estados unidos. A doçura do primeiro, potencializa ainda mais a sensação de injustiça e impotência do segundo. Não que o caso de Fonny, não seja revoltante por conta própria. Mas o vislumbre das possibilidades roubadas pelo preconceito e ódio, torna a sensação de perda ainda pior.

Perda aliás, que não se restringe apenas ao casal, mas a todos à sua volta. Pais, irmãos e amigos, o filme mostra diferentes reações de cada um deles. E sim há preconceito também dentro de seu próprio núcleo. É aqui que o filme tem seus pontos mais fracos, ao não mostrar um pouco mais ou mesmo oferecer o desfecho satisfatório, para algumas destas relações. Fora do círculo pessoal, acompanhamos as dificuldades geradas pelo preconceito, antes e depois acusação injusta. E os belos e raros vislumbres de esperança que causam espanto nos protagonistas. Como o momento que Fonny desconfia do proprietário de um apartamento que pretendem alugar, apenas por que ele os trata bem.

Embora este não seja o foco, há sim espaço para mostrar os eventos que levaram Fonny à prisão, mostrados de forma simples e clara. Em nenhum momento há dúvida quanto à inocência do rapaz. O questionamento é como lutar contra o sistema descaradamente criado para impossibilitar sua defesa.

A fotografia que evidencia os amarelos e verdes, criam uma atmosfera ao mesmo tempo quente e melancólica. Um paralelo acertado com o tom da trama, há sim muito amor envolvido, mas também muita desesperança. O design de produção e figurinos conseguem equilibrar o realismo pertinente à realidade cruel que esta família enfrenta, com os momentos mais lúdicos do romance "de cinema" dos protagonistas. Enquanto a câmera, volta e meia encara os personagens de frete e vice-versa. Estes longos closes silenciosos nos aproximam de Tish e Fonny tanto nos instantes apaixonados, quanto nos temerosos.

O elenco aplicado também consegue transmitir com equilíbrio a gravidade da situação, com a necessidade de seguir em frente. Layne e James, desenvolvem com delicadeza a transição de seus jovens ingênuos e esperançosos, para os adultos que descobriram que a vida não segue nossos planos. Mas é Regina King que se destaca, como a determinada mãe da jovem. Também estão em cena, Colman Domingo, Michael Beach, Aunjanue Ellis, Finn Wittrock, Diego Luna, Pedro Pascal e Dave Franco.

Doce e forte, Se a Rua Beale Falasse aposta em reforçar o que foi perdido. Para reforçar a crueldade do preconceito, ódio e injustiça. Uma forma poética de abordar um assunto importante, que conta ainda com auxílio de fotografias do mundo real, para lembrar que esta história se repete constantemente. Impossível não sofrer pela vida promissora interrompida dos vários Tishs e Fonnys, em diferentes Ruas Beales mundo à fora.

Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
2018 - EUA - 119min
Drama


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Os Melhores Motoristas do Cinema

Cuidado, o título da lista em questão pode te confundir. Logo, peço desculpas se você chegou aqui em busca dos condutores mais rápidos e ousados da sétima arte (a maioria provavelmente habita a Franquia Velozes e Furiosos), mas os motoristas listados aqui são de outro tipo. Eis aqui uma reunião de profissionais que ganham a vida conduzindo outros personagens mundo à fora.

Estamos falando de motoristas particulares que são foco ou no mínimo, agentes importantes de mudança nas histórias em que habitam. Neste post lista deixamos, taxistas e motoristas de coletivos de fora, mas já fica aí a ideia de outra lista.

Hoke Colburn
(Conduzindo Miss Daisy - Driving Miss Daisy - 1989)

Colburn é provavelmente o motorista mais icônico do cinema. Ele passa à trabalhar para Daisy Werthan (Jessica Tandy), depois que a judia de 72 anos causa um acidente dirigindo. Forçada pelo filho à aceitar o afro-americano como condutor em plenos anos de 1940, Miss Daisy leva tempo para se acertar com o motorista. Mas, com o tempo, ambos superam barreiras sociais e culturais e constroem uma bela amizade.

O longa é baseado em uma peça, que por sua vez é inspirado na história da avó do autor e roteirista Alfred Uhry. Indicado à nove Oscars venceu 4 deles, inclusive o de melhor filme.

Joseph Mindlentton
(O Diario da Princesa - The Princess Diaries - 2001)

Na verdade Joe (Hector Elizondo) é chefe da segurança do reino de Genóvia, mas é a função de motorista de Mia (Anne Hathaway) que ele mais cumpre no primeiro longa da franquia. Isso porque a Rainha Clarice (Julie Andrews), queria o melhor dos melhores vigiando a princesa. É claro, ele acaba fazendo amizade com a adolescente e lhe dando valiosos conselhos no processo. No filme seguinte o segurança aposenta a função de condutor/segurança e, pasmem, desposa a rainha.

Inspirada nos livros de Meg Cabot, a franquia O Diário da Princesa tem dois filmes. Volta e meia aparecem rumores de que um novo longa está em produção.

Happy Hogan
(Marvel Cinematic Universe - 2008...)

Esse nasceu nos quadrinhos, como motorista e guarda-costas pessoal de Tony Stark. No cinema suas funções são mais condizentes com motorista/melhor amigo/secretário pessoal, já que a figura bonachona de Jon Favreau dificilmente assustaria os inimigos, mais do que o próprio Stark. Outra função que Hogan acabou assumindo dos cinemas é de "babá" de Peter Parker. É o secretário quem fica de olho no dia-a-dia do jovem Homem-Aranha, enquanto o chefe salva o mundo,

Além dos três filmes do Homem de Ferro, Happy participou de Homem Aranha: De volta ao Lar. Também pareceu nos as trailers de Homem-Aranha: Longe de Casa e está listado nos créditos de Vingadores: Ultimato, ambos com estreia marcada para 2019. Vale mencionar que Favreau dirigiu os dois primeiros filmes do Homem de Ferro.

Ben Whittaker
(Um Senhor Estagiário - The Intern - 2015)

Outro que também está na função errada para atender melhor uma personagem de Anne Hathaway. Ben (Robert De Niro) é na verdade estagiário do programa e estimular a terceira idade à voltar a ativa. Ele é descolado para a função de motorista da chefe, a sobrecarregada criadora de um bem sucedido site de compras. Entre altos e baixos, ele constrói uma relação cumplicidade com a empreendedora, e lhes oferece bons conselhos.

Logan
(Logan - 2017)

Sim, o Wolverine (Hugh Jackman) está nesta lista. Em seu último filme, o carcaju trabalha como motorista de limousine, para sustentar o Professor Xavier (Patrick Stewart), já em idade muito avançada. Mas não vemos muito do herói no papel, já que logo ele é obrigado a partir em uma nova jornada com a chegada de Laura (Dafne Keen). Indicado ao Oscar de roteiro adaptado, o longa é considerado por muitos, uma das melhores adaptações de quadrinhos para a telona.

Leia a crítica de Logan

Baby
(Em Ritmo de Fuga - Baby Driver - 2017)

Baby (Ansel Elgort) é o único desta lista que faz manobras dignas dos melhores filmes de ação. Isso porque ele não dirige para pessoas comuns, mas para assaltantes durante seu "trabalho". É o piloto de fuga oficial do bandido Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de abandonar essa vida. Excelente motorista, suas manobras sempre estão no ritmo das músicas que o jovem ouve constantemente. O filme foi indicado à três Oscar.

Leia a crítica de Em Ritmo de Fuga

Tony Lip
(Green Book - o Guia - Green Book - 2018)

Sim, foi Tony Lip (Vigo Mortensen) quem inspirou esta lista. Green Book está em cartaz em todo país e acaba de receber cinco indicações ao Oscar. O italiano de modos grosseiros, racista e eficiente em conflitos, consegue um trabalho de motorista de um renomado músico clássico. Dr. Don Shirley (Mahershala Ali) não precisa apenas de alguém que o conduza em sua turnê, mas também de um segurança, já que os shows vão acontecer no segregado sul 'estadunidense', do início dos anos 60. A dupla vai aprender a conviver e rever muitos de seus conceitos, neste "fell good movie" que fala de temas sérios.

Leia a crítica de Green Book - o Guia

Agora que listei os melhores motoristas do cinema, uma coisa ficou clara, os bons profissionais geralmente acrescentam algo a mais em seu trabalho. Cuidar, aconselhar e construir uma amizade estão entre as principais tarefas extra. O acúmulo de funções até que é bem vindo, mas só na tela grande, ok!

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Infiltrado na Klan

Volta e meia o cinema traz um argumento que soaria absurdo e impossível, não fosse o fato de se tratar de uma história real. Mais raras são as vezes em que esse acontecimento absurdo de tempos atrás reflete tão bem os tempos atuais. Infiltrado na Klan, de Spike Lee, aproveita o tom naturalmente inacreditável da história em que foi inspirado, para abordar uma temática complexa e ainda atual com um humor ácido e altamente crítico.

Ron Stallworth (John David Washington) é um dos raros policiais negros do Colorado na década de 1970. Ele conseguiu a proeza de se infiltrar na Ku Klux Klan local. Após muitas conversas telefônicas com o grupo supremacista branco, chega a hora de participar pessoalmente. Aqui entra em cena Flip Zimmerman (Adam Driver), policial branco, e judeu, que personifica Ron nos encontros com o grupo. Não é preciso dizer, que sabotar a instituição por dentro, não é tarefa fácil, muito menos segura.

Mesmo assim, tanto a dupla quanto a produção encara de frente o racismo nada sutil, ou mascarado daquele grupo. Os membros da KKK, são propositalmente caricaturas unidimensionais e orgulhosas de seu preconceito. Apesar de suas personalidades rasas, juntos eles formam uma entidade real e ameaçadora, bastante crível. À exceção é seu líder David Duke, vivido por Topher Grace como uma criatura de semblante frágil e aparentemente ponderada, que tentava mascarar o discurso radical de sua comunidade.

Do outro lado do discurso, as personalidades são mais complexas e melhor trabalhadas. Flip é um judeu com pouca conexão com as dificuldades de seu povo, que vai ter sua identidade afirmada quando presencia pela primeira vez essa violência exacerbada e constante. Adam Driver consegue fazer esta transição de forma gradativa para nós, mas imperceptível para seus colegas de Klan. Através de olhares e expressões sutis que eventualmente escapam da postura fria e impassível que este adota para seu personagem.


Entretanto é Ron quem mais vai crescer no processo, claro. Uma pessoa de postura contida e pouco engajada com os movimentos de defesa de direito dos negros. Mesmo que de certa forma trave suas próprias batalhas. Afinal se candidatar a um trabalho onde sabe que vai precisar se impor e provar constantemente, também é uma forma de luta. Até o fim da jornada, ele vai adquirir uma visão menos ingênua, mais consciente dos vários discursos que o cercam. E, consequentemente, uma postura mais contundente em relação à tudo isso. John David Washington acerta nas muitas nuances de seu crescimento, seja nos níveis de raiva ou no tom do de
boche em relação à toda essa situação.

E por falar no deboche, Spike Lee usa o humor como ferramenta para construir sua crítica ao preconceito. Comédia sobre o absurdo da situação, sobre o estranhamento diante das tradições do grupo, sobre a imbecilidade de seus membros e até sobre as cenas de perigo, sempre com o timming afinado, mantém o espectador alerta e interessado. Além de provar que é possível sim fazer piada sobre o racismo, sem ser racista.

Ao mesmo tempo que expõe e critica o discurso da Klan, o roteiro aponta que há divergências também entre aqueles que são resistência. Entre os militantes negros, há quem defenda posturas mais pacíficas ou mais agressivas, e também que menospreza a forma do outro lutar. O interesse romântico do protagonista, é o exemplo maior desta divergência. Patrice (Laura Harrier) acusa Ron de ser traidor, por ele ter escolhido ser policial. Ignorando o papel de luta que ele poderia ter, e as dificuldades que ele precisaria enfrentar nessa posição.

Ainda sim, é o discurso de ódio racista o principal foco da crítica. Posicionamento tão verdadeiro da década de 1970, quanto nos dias de hoje. A crítica não é em relação à um comportamento do passado, mas um que inacreditavelmente persevera até os dias de hoje. Realidade reforçada por um final extremamente didático, caso à essa altura alguém ainda não tenha feito a conexão com acontecimentos atuais.

O visual e trilha sonora do filme acertadamente emulam as características do filmes blaxploitation, enquanto a voz marcante do diretor tornam a produção única. Planos bem escolhidos, construção de paralelos e uma edição bem delimitada, atendem às necessidades da história. A produção se deixa ser mais lenta quando precisa desenvolver relações e idéias, e adota um ritmo mais dinâmico conforme as situações ficam mais tensas.


Infiltrado na Klan é um filme sobre outros tempo, mas que reflete muito bem a época em que está sendo lançado. Apontando o extremismo e absurdos que a humanidade consegue alcançar, fazendo uso acertado de sarcasmo e ironia. Uma crítica nada sutil ou mascarada, assim como o é ódio que ela combate. Uma produção necessária e verdadeira, sobre mais de uma história inacreditável.

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
2018 - EUA - 135min
Biografia, Drama


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