quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O Menino que Queria Ser Rei

Não posso falar sobre as crianças de hoje em dia, mas quando era moleca, bastava uma sessão da tarde, ou mesmo um desenho animado mais inspirado para eu sair com minha gangue em busca de uma aventura. O Menino que Queria Ser Rei tem esse clima imaginativo de uma empolgada brincadeira de criança.

Alex (Louis Ashbourne Serkis, filho de Andy Serkis) sofre bullying na escola ao lado do amigo o Bedders (Dean Chaumoo). Em uma das fugas dos valentões Lance (Tom Taylor) e Kaye (Rhianna Dorris), ele esbarra em uma espada encravada em uma pedra, em meio à uma construção. Não demora muito para o souvenir se mostrar mais que um achado qualquer, levando o garoto e os "aminimigos" em uma jornada para salvar a Inglaterra.

Junto com a , outros personagens e eventos das lendas de Rei Arthur cruzam o caminho do protagonista e seus companheiros, Bedders, Lance e Kaye. Achou estranho o garoto levar seus arqui-inimigos na missão? Pois a parceria curiosa faz parte de uma das mensagens edificantes do filme.

No mundo de Alex, e também no nosso, o sentimento de antagonismo, a polarização, o ódio e a intolerância, estão se tornando cada vez mais predominantes entre indivíduos e nações. A ameaça maior desta aventura nasce deste comportamento, que precisa ser mudado na pequena esfera de conhecidos do menino, para salvar o mundo. Psicologia barata, é verdade. Mas também é uma mensagem verdadeira, atual, transmitida de forma simples e direta. Funciona com os pequenos, e é isso que importa.

E por falar na molecada, apesar de não entendiar os adultos, o longa é pensado para elas. Assistir esta geração, que nasceu com smartphone e tablets nas mãos, se empolgar com uma aventura analógica à moda antiga é uma diversão à parte. Enquanto osadultos vão relembrar os tempos de Sessão da Tarde dos anos 80 e 90, quando crianças salvavam o universo e os adultos desatentos não faziam ideia dos perigos a sua volta. 

Os efeitos especiais não reinventam a roda, mas atendem às necessidades do roteiro e são críveis para o público de diferentes idades. Já a trama segue a tradicional jornada do herói, é previsível, assim como muitas das piadas, mas funcionam. A familiaridade não anula a diversão, e até soma pontos quando bem realizada.

O elenco é predominantemente jovem e as crianças cumprem bem as funções a que foram designadas. Entre eles o destaque fica com Angus Imrie e seu expansivo jovem Merlin. Patrick Stuart é o rosto conhecido em cena, com participações pontuais. Enquanto Rebecca Ferguson parece estar se divertindo com sua maléfica Morgana.

O Menino que Queria Ser Rei é mais uma releitura da história do Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda. Mas, diferente de muitas releituras anteriores, esta não tenta ser uma abordagem definitiva da lenda, ou mesmo um grande épico histórico, de ação ou aventura. Ciente de suas limitações e da temática já bastante explorada, este longa é menos ambicioso. Pretende apenas ser uma aventura empolgante, com boas mensagens para seu público alvo, e nisso acerta em cheio!

O Menino que Queria Ser Rei (The Kid Who Would Be King)
2019 - Reino Unido - 120min
Aventura, Fantasia

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