quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O Grinch

No cinema há uma tradição sem igual,
Cada geração tem seu clássico de Natal.
Este pode ser uma história original,
Ou uma nova versão de um ícone imortal.
O Grinch está na segunda categoria,
Agora vem ver se esta adaptação bem se avalia.

Calma, não precisa fugir nervoso. Eu não conseguiria escrever toda a crítica em rima para criar um texto pomposo. Mas é bom avisar, o filme faz muito uso das rimas criadas por Dr. Seuss, e isso pode tanto encantar, como irritar. Ok, agora realmente parei.

O Grinch (Benedict Cumberbatch/Lázaro Ramos) é um ser verde rabugento que vive isolado - à exceção de seu cachorro - nos arredores de Quemlândia. Volta e meia ele precisa visitar cidadezinha à contragosto, em busca de suprimentos. Tarefa que o irrita ainda mais, quando é próxima da odiada época do Natal. Farto de toda alegria e festança, ele decide roubar o natal da cidade.

Sim, a adaptação segue à risca a essência do clássico How the Grinch Stole Christmas escrito em 1957 pelo Dr. Seuss. Embora por aqui a história seja mais conhecida pela versão para os cinema estreladas por Jim Carrey em 2000. E já que as comparações são inevitáveis, é bom deixar claro que são obras completamente distintas. Apesar da óbvia diferença de técnicas - este é uma animação, enquanto o anterior era um live-action - é no tom que as duas produções realmente se diferenciam. O Grinch de Carrey era exagerado, irônico e ácido. A versão lançada este ano pela Illumination, o mesmo estúdio dos Minions, é doce, colorida e inocente.

O protagonista é mal-humorado sim, mas se vê que ele parece estar se esforçando para ser malvado. Esforço que fica evidente graças a relação com seu cachorro Max. Naturalmente animado como qualquer cãozinho, e contraponto eficiente, enquanto Cindy-Lou Who não aparece. 

As histórias dos dois personagens demora a se encontrar, seguindo em paralelo cada um com seu plano. Cindy quer encontrar o papai noel para fazer um pedido especial. É nas sequencias da menina que a fofura do filme atinge seu ponto alto, já que ela e seus amigos, apesar de determinados ainda agem e pensam como crianças.

O visual caprichado e cheio de texturas, tem ciência de sua temática e capricha na ambientação. Um excelente exemplo é o visual da cidade dos quem, assimétrica e colorida lembra um amontoado daqueles biscoitos tradicionais no Natal estadunidense. 

Sequências de ação bem feitas, pensadas para o 3D, e um detalhismo impecável - fique atento à neve nos pés dos personagens - tornam o filme um deleite para os olhos. A dublagem nacional, acompanha o detalhismo ao incorporar expressões de diferentes regiões do país, para situar melhor nossa audiência, sem descaracterizar a produção. Lázaro Ramos, também acerta nas nuances ao dar voz ao protagonista.

Entretanto, a simplicidade e doçura da história pode entediar alguns pais na sala. Mesmo a tradicional narração em rimas, é muitas vezes intrusiva e redundante. Nada no entanto, que desagrade as crianças. O filme é pensado para a molecada, especialmente as mais novinhas. E pelas, rizadinhas gostosas e histéricas na minha sessão, cumpre muito bem seu papel.

O Grinch, pode não ser o filme para você, mas nem toda produção precisa ser. Trata-se de uma nova verão, para as gerações bem novinhas que ainda não conhecem o rabugento. Deve se tornar a referência do personagem para elas, e ainda conta com a boa mensagem de sempre. Acompanhar a molecada ampliando seu repertório também é uma diversão à parte, então...

Não seja o Grinch da vez,
O longa deve agradar a maioria de vocês.
Basta deixar a rabugice de lado por um tempo,
E aproveitar a caprichada doçura deste bom exemplo.

O Grinch (The Grinch)
2018 - EUA - 96min
Animação

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