segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

A franquia Animais Fantásticos tem oferecido uma experiência nova para os "potterheads" (os fãs do Mundo Mágico criado por J.K.Rowling), a de não saber o que está por vir nos cinemas, e ter uma gama mais restrita de detalhes e explicações, em um universo ainda mais rico. Diferente de seu predecessor mais famoso, a saga de Newt e companhia não está disponível em longos e detalhados livros, a serem devorados e decorados antes dos filmes. Ciente da possibilidade de surpreender o espectador em uma plataforma nova, a autora, que aqui também assina o roteiro, aproveita tanto nosso conhecimento vindo de Harry Potter, como a falta dele para confundir e intrigar, na maioria das vezes, no bom sentido.

Gerardo Grindelwald (Johnny Depp) escapou da prisão, e começa sua jornada de recrutar seguidores para sua causa, com interesse especial no jovem Credence (Ezra Miller). Newt (Eddie Redmayne) é recrutado por Alvo Dumbledore (Jude Law) para encontrar o rapaz antes do vilão. Tarefa que Tina Goldstein (Katherine Waterston), e o ministério da magia britânico também pretendem executar em Paris.

Bastante diferente do introdutório Onde Habitam - afinal, este precisava conquistar também os não iniciados - , Os Crimes de Grindelwald nos leva direto à ação e não tem medo de expandir o universo com novos personagens e subtramas. Assim, começamos a descobrir as motivações e planos de Grindewald, e as diferentes razões pelas quais seus seguidores os escolhem. Além de ter vislumbres de sua sua complexa relação com Dumbledore.

Também conhecemos Theseus Scamander (Callum Turner), auror irmão de Newt e noivo de Leta Lestrange (Zoe Kravitz). Esta última com seu próprio arco misterioso. Aliás subtramas não faltam neste longa.

O relacionamento prévio entre Dumbledore e Grindewald, a busca de (e por) Credence, a jornada de Queenie e os traumas de Leta, inicialmente soam como tramas individuais e desconexas, mas na verdade fazem parte de uma teia mais intrincada, que vai reunir todos os arcos, e mudar o status-quo do mundo bruxo, no obrigatório clímax cheio de reviravoltas.

Reparou que não mencionei Newt no parágrafo anterior? Isso porque nesta aventura o magizoologista, tem um papel mais observador, levando o espectador com sigo e reagindo ao que encontra. Assim como Jacob (Dan Fogler) fora os olhos do público no longa anterior. A mudança de posição não é uma surpresa para quem acompanha as aventuras do Mundo Bruxo, e sabe que a luta real acontecerá em algum momento entre Dumbledore e Grindewald. Logo, o Scamander assume o papel de condutor, não necessariamente move a trama, mas é aquele com quem embarcaremos na história e com que melhor nos relacionamos. Esta última característica é mérito da carismática interpretação de Redmaine, que continua mesclando muito bem a timidez absurda do personagem com suas paixões e altruísmo.

E por falar nas paixões de Newt, antigos e novos animais fantásticos estão de volta, mas agora com aparições pontuais e funcionais na narrativa. Já Tina evoluiu para uma personagem, mais carismática e menos ranzinza, fornecendo mais oportunidades para Waterston atuar. Alison Sudol entrega uma Queenie um tom acima de sua atuação anterior. A personagem está mais estridente e acelerada, mas ainda não fica claro se se trata de uma escolha ruim, ou se existem circunstancias atenuantes para sua mudança a serem reveladas nos próximos filmes. Enquanto Ezra Miller, começa a explorar o crescimento de Credence em busca de sua identidade mágica.

Mas os destaques de atuação ficam com Depp e Law. O primeiro, consegue apresentar um discurso convincente, e uma maldade e propósitos ainda mais ameaçadores que Voldermort, já que o vilão de Harry Potter não tinha o mesmo carisma e empatia com as massas. Tudo isso, apesar das polêmicas envolvendo o intérprete escolhido.

Já Jude Law atende as altas expectativas, ao parecer ter compreendido quem Dumbledore era naquele momento, já colecionando os eventos e alguns maneirismos que o tornariam no diretor de Hogwarts que conhecemos. O personagem poderia soar como alguém manipulador, mandando terceiros executar seus planos, o que aliás ele continua fazendo décadas mais tarde.  Mas o tom aqui, é de uma pessoa preocupada que tenta fazer o melhor, com as barreiras que encontra.

Tecnicamente o longa não tem barreiras, a qualidade já conhecida da franquia se mantém. A computação gráfica consegue apresentar criaturas mágicas tão críveis, quanto encantadoras. Enquanto a fotografia e figurino, criam a ambientação sombria, de um mundo sob ameaça de uma guerra iminente. O escorregão fica por conta da ação, que soa confusa e mal coreografada na batalha final. O 3D não é mal executado, mas também não é indispensável. O filme tem cópias em 2D, 3D e IMAX.

O roteiro complexo e cheio de histórias paralelas criado por Rowling é eficiente em expandir o universo, conhecemos um país novo, vemos como outros bruxos vivem, descobrimos novas criaturas e histórias. Faz bom uso da nostalgia, e do fan-service, sem excluir quem não acompanha a franquia desde Potter. E ainda, faz excelentes paralelos com discussões atuais, em especial sobre preconceito e  intolerância.

Entretanto, sua complexidade pode afastar alguns. São muitas histórias paralelas e algumas reviravoltas, que curiosamente podem soar tanto como excesso, quanto como falta de informação dependendo de quem assiste. Alguns podem sair cansados e confusos com tantas novas peças em jogo, outros podem ter sua curiosidade aguçada, com a mente repleta de teorias e ávidos por mais detalhes. Me inclua no segundo grupo. Provavelmente, resquícios de uma roteirista mais habituada a ter o espaço muito maior das páginas de um livro, aos poucos minutos de um filme. Logo seus leitores devem embarcar na aventura com mais facilidade que os "apenas espectadores".

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald pode dividir opiniões. Mas a produção cumpre a tarefa a que se propôs, dar continuidade a trama iniciada em Nova York, que em algum momento deve culminar na queda do vilão do título, sob a perspectiva do magizoologista Newt, ampliando e explorando todo o potencial do Wizarding World (sim, o Mundo Mágico é uma marca oficialmente).

Tenha você amado, ou guardado algumas ressalvas quanto a este capítulo, a produção deixa todos na mesma situação: esperando por dois longos anos, para ter suas dúvidas/curiosidades sanadas e descobrir os próximos passos. Sem livros, ou informações novas, para onde fugir. Ao menos sabemos que Rowling não é Martim e a espera tem data certa para acabar.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes Of Grindelwald)
2018 - Reino Unido, EUA - 134min
Aventura, Fantasia

Leia a crítica de Animais Fantásticos e Onde Habitam, leia tudo sobre Harry Potter

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