sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Crônicas de Natal

A Netflix definitivamente está investindo no Natal de 2018, inspirada pelo sucesso de suas produções natalinas do ano passado. O foco é seu frágil catálogo de filmes, que não goza da mesma qualidade das séries. Pois com Crônicas de Natal, o serviço de streaming pode ter conseguido um acerto.

Teddy (Judah Lewis) e Kate (Darby Camp) Pierce não estão prontos para passar seu primeiro Natal sem o pai, um entusiasta da data. Sozinhos na véspera de Natal, a dupla decide ser os primeiros a registrar imagens do Papai Noel (Kurt Russell), apesar de o adolescente não acreditar mais no bom velhinho. É claro, a entidade mítica não apenas aparece, como seu encontro coloca o Natal, e o mundo inteiro em risco.

Realizado pela produtora de Chris Columbus (diretor de Esqueceram de Mim), o tom desta aventura é o mesmo das produções que povoavam a sessão da tarde da década de 1990. Chegando até a abusar um pouco dos clichés deste sub-gênero. Por isso, deve agradar os pais da molecada atual, que cresceram com este tipo de filme, mesmo que a capacidade de embarcar neste tipo de aventura não seja o mesmo da infância.

Entretanto, é para a criançada que a produção foi pensada. O ritmo frenético, o universo colorido e os seres mágicos prendem a atenção até dos bem pequenos. A trama é simples e cheia de lições para eles. Noel perdeu o trenó, as renas e os presentes e precisa reunir tudo e entregar todos os mimos antes da noite acabar. Os irmãos precisam superar a morte dos pais, acreditar em si mesmos, e ajudar um ao outro.

Quem também deve agradar a todas as idades é o Papai Noel vivido por Kurt Russel. Claramente se divertindo, o ator entrega um Noel estiloso, inconformado com a figura que os humanos tem dele, e que adora fazer charme com suas habilidades mágicas. Inclua aqui um meio braga, porém extremamente divertido blues natalino, que já deveria entrar na lista de clássicos musicais de fim de ano, apenas pelo carisma com que é executado.


O ponto fraco fica com algumas escolhas de roteiro que tiram o poder de resolução das crianças protagonistas. Os "elfos ex-machina", não apenas soam como uma solução preguiçosa para as dificuldades, como inevitavelmente nos faz questionar: se tinham essa habilidade, porque não fizeram isso antes?

Além disso, o design das criaturinhas em CGI é cartunesco demais, e acaba destoando das renas foto realísticas, também criadas por computação gráfica, apresentadas anteriormente. Super coloridos, os elfos parecem saídos de um filme de animação, isso vai agradar os bem pequenos, mas soa meio bobo para os mais velhos.

Nostalgia para os adultos, ritmo acelerado para a molecada mais velha, criaturinhas coloridas para os bem pequenos e um excelente Papai Noel, Crônicas de Natal consegue sim ser aquele programa para toda a família curtir no pós ceia. Peca um pouco pela falta de originalidade, mas acerta no tom esperançoso, no humor e principalmente no seu "jovial bom velhinho".


P.S.: A Netflix deveria incluir um aviso de "não dê doces para renas" nos créditos do filme.

Crônicas de Natal (The Christmas Chronicles)
2018 - EUA - 94min
Aventura

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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O Grinch

No cinema há uma tradição sem igual,
Cada geração tem seu clássico de Natal.
Este pode ser uma história original,
Ou uma nova versão de um ícone imortal.
O Grinch está na segunda categoria,
Agora vem ver se esta adaptação bem se avalia.

Calma, não precisa fugir nervoso. Eu não conseguiria escrever toda a crítica em rima para criar um texto pomposo. Mas é bom avisar, o filme faz muito uso das rimas criadas por Dr. Seuss, e isso pode tanto encantar, como irritar. Ok, agora realmente parei.

O Grinch (Benedict Cumberbatch/Lázaro Ramos) é um ser verde rabugento que vive isolado - à exceção de seu cachorro - nos arredores de Quemlândia. Volta e meia ele precisa visitar cidadezinha à contragosto, em busca de suprimentos. Tarefa que o irrita ainda mais, quando é próxima da odiada época do Natal. Farto de toda alegria e festança, ele decide roubar o natal da cidade.

Sim, a adaptação segue à risca a essência do clássico How the Grinch Stole Christmas escrito em 1957 pelo Dr. Seuss. Embora por aqui a história seja mais conhecida pela versão para os cinema estreladas por Jim Carrey em 2000. E já que as comparações são inevitáveis, é bom deixar claro que são obras completamente distintas. Apesar da óbvia diferença de técnicas - este é uma animação, enquanto o anterior era um live-action - é no tom que as duas produções realmente se diferenciam. O Grinch de Carrey era exagerado, irônico e ácido. A versão lançada este ano pela Illumination, o mesmo estúdio dos Minions, é doce, colorida e inocente.

O protagonista é mal-humorado sim, mas se vê que ele parece estar se esforçando para ser malvado. Esforço que fica evidente graças a relação com seu cachorro Max. Naturalmente animado como qualquer cãozinho, e contraponto eficiente, enquanto Cindy-Lou Who não aparece. 

As histórias dos dois personagens demora a se encontrar, seguindo em paralelo cada um com seu plano. Cindy quer encontrar o papai noel para fazer um pedido especial. É nas sequencias da menina que a fofura do filme atinge seu ponto alto, já que ela e seus amigos, apesar de determinados ainda agem e pensam como crianças.

O visual caprichado e cheio de texturas, tem ciência de sua temática e capricha na ambientação. Um excelente exemplo é o visual da cidade dos quem, assimétrica e colorida lembra um amontoado daqueles biscoitos tradicionais no Natal estadunidense. 

Sequências de ação bem feitas, pensadas para o 3D, e um detalhismo impecável - fique atento à neve nos pés dos personagens - tornam o filme um deleite para os olhos. A dublagem nacional, acompanha o detalhismo ao incorporar expressões de diferentes regiões do país, para situar melhor nossa audiência, sem descaracterizar a produção. Lázaro Ramos, também acerta nas nuances ao dar voz ao protagonista.

Entretanto, a simplicidade e doçura da história pode entediar alguns pais na sala. Mesmo a tradicional narração em rimas, é muitas vezes intrusiva e redundante. Nada no entanto, que desagrade as crianças. O filme é pensado para a molecada, especialmente as mais novinhas. E pelas, rizadinhas gostosas e histéricas na minha sessão, cumpre muito bem seu papel.

O Grinch, pode não ser o filme para você, mas nem toda produção precisa ser. Trata-se de uma nova verão, para as gerações bem novinhas que ainda não conhecem o rabugento. Deve se tornar a referência do personagem para elas, e ainda conta com a boa mensagem de sempre. Acompanhar a molecada ampliando seu repertório também é uma diversão à parte, então...

Não seja o Grinch da vez,
O longa deve agradar a maioria de vocês.
Basta deixar a rabugice de lado por um tempo,
E aproveitar a caprichada doçura deste bom exemplo.

O Grinch (The Grinch)
2018 - EUA - 96min
Animação

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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

The Walking Dead - 9ª temporada (parte 1)

Fãs de The Walking Dead foram pegos de surpresa pelas saídas de Andrew Lincoln e Lauren Cohan pouco antes da nona temporada da série estrear. Enquanto os criadores receberam um verdadeiro desafio: perder ao mesmo tempo seu protagonista e a melhor substituta para o cargo, já que a Maggie teve seu arco de líder bem desenvolvido durante as temporadas mais recentes. Para sobreviver a esse baque, a produção precisa se reinventar, e talvez esta seja a melhor coisa que poderia acontecer ao programa.

Esta primeira temporada do nono ano da série aborda estabilização e despedidas. Inicialmente estabelecendo a nova ordem social pós-guerra contra os Salvadores. Com um salto de tempo, acompanhamos a tentativa das comunidades, inclusive a derrotada, de sobreviver juntas apesar de suas divergências. Os grupos tentam construir uma literal e metafórica ponte, cujo sucesso ou fracasso, vai determinar seus futuros.

É aqui que entra a fase de despedidas. Uma solução esperta e, principalmente, pragmática tira Rick (Lincoln) de cena. Para seus companheiros o personagem está morto, para nós ainda é uma possibilidade. O episódio de despedida é um dos pontos altos, cheio de metáforas, referencias e uma delicadeza notável. Mas, o ator deve protagonizar filmes no mesmo universo, o que facilita sua aparição na série para um possível encerramento. Uma opção menos elaborada, mas misteriosa é criada para Maggie (Cohan). Deixando evidente que os produtores tem esperança no retorno da atriz, afastada por divergências salariais.


Um segundo salto de tempo vem para estabelecer este mundo novamente, agora sem Rick e Maggie. É aqui que a coisa complica. Assim como as comunidades, o show precisa buscar novos líderes para seguir, mas não passou muito tempo construindo seus personagens para tal. Forçando uma nova dinâmica onde personalidades não tão adequadas, ou dispostas precisam assumir o papel. O resultado são rusgas e desconfianças entre Alexandria, o Reino e Hilltop, criadas neste intervalo de tempo e das quais não sabemos nada. É nesta curiosidade e no apreço que temos por alguns dos personagens que restaram, que The Walking Dead está apostando suas fichas.

O motivo para a partida de Maggie, o afastamento de Daryl (Norman Reedus), e a postura fechada e rabugenta de Michone (Danai Gurira), são as dúvidas que povoam a mente dos espectadores. Há também personagens que cresceram durante "nossa ausência", Tara (Alanna Masterson), Enid (Katelyn Nacon) e Eugene (Josh McDermitt), se mostram mais ativos e conscientes na comunidade, o último inclusive com um pouco de uma coragem que nunca teve. E relações promissoras a serem exploradas, como aquela entre Negan (Jeffrey Dean Morgan) e Judith (Cailey Fleming). Agora crescida, a garota tem voz e personalidade, e talvez herde a relação que o irmão mais velho tem nos quadrinhos com o vilão.

E por falar em vilão, uma nova ameaça há muito esperada pelos fãs finalmente foi apresentada, os sussurradores. Novos personagens também são apresentados para manter a densidade demográfica entre os vivos.


Parece muita coisa para apenas oito episódios? Não é. As muitas tarefas a serem cumpridas pelo roteiro neste primeiro ato, tornaram os episódios mais dinâmicos e equilibrados. Embora dois deles ainda tenham soado mais arrastados, o resultado é bastante diferente das primeiras metades de temporadas anteriores, onde geralmente o primeiro e o ultimo episódios eram os únicos realmente bons.

Os primeiros episódios desta temporada de The Walking Dead, tiveram a função de estabelecer e apresentar a nova ordem deste mundo. Introduzir novas funções personagens e ameaças, antes do hiato de fim de ano, que óbviamente termina em um enervante cliffhanger, ou o irritante gancho. A expectativa pela situação em aberto pode se perdoada, se considerarmos que esta está situada em um episódio que flerta mais com o terror. Outra bem vinda mudança na série.

Ainda não é possível afirmar com certeza como a série de zumbis vai caminhar sem seu forte protagonista. Mas a produção parece estar ciente de que vai precisar se esforçar, explorar novas dinâmicas, dar voz a mais personagens. A promessa de uma bem vinda nova fase está lançada, resta torcer para que os próximos passos não sejam cambaleantes como os dos mortos andantes que povoam e dão título a série.

Leia mais sobre The Walking Dead, conheça todas as atrizes mirins que interpretaram Judith Grimes

The Walking Dead é exibida no Brasil pela Fox, os episódios da primeira à sétima temporada estão disponíveis na Netflix. A segunda metade da nona temporada estreia em 10 de fevereiro de 2019.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Robin Hood - A Origem

Atualizar ícones históricos e trazê-los para os tempos atuais não é uma prática nova no cinema. Criar personagens novos inspirados nestes nomes também não. E claro, sempre podemos revisitar estes personagens em seu cenário atual com uma nova abordagem e ponto de vista. Robin Hood - A Origem parece tentar fazer um pouco de cada uma destas opções.

Robin of Loxley (Taron Egerton, o Egsy de Kingsman), volta após anos lutando nas Cruzadas, apenas para descobrir que fora dado como morto, encontrar sua casa saqueada, sua esposa casada com outro, e os moradores de Nottingham sendo explorados para financiar a guerra. Incentivado por seu companheiro de batalha John (Jamie Foxx), ele resolve lutar para libertar seu povo da tirania do Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn).

A aventura pretende contar a origem do herói, dando partida a uma possível nova franquia estrelada pelo arqueiro, mas se perde ao tentar fazer de tudo um pouco para tentar agradar a todos. O primeiro ponto de estranheza é a ambientação, oficialmente uma produção de época, figurinos, maquiagem, cenários são estilizados para dar um tom mais contemporâneo à produção. O que poderia ser aceito como uma mera escolha de estilo, se outros detalhes do longa não implicassem que este parecia desejar se passar em outra época. Enormes explosões, flechas que se comportam como balas e perseguições de carro carroça, desafiam ao máximo a suspensão de descrença do espectador. O mesmo vale para as conveniências de roteiro, que fornecem coincidências impossíveis, e até atitudes injustificadas aos personagens.

Mas é na construção de seu protagonista que este longa de origem tem seu ponto mais fraco. Colocando o personagem de Foxx como uma espécie de mentor, a produção diminui a força de seu personagem principal. A impressão é de que Robin, não faz muitas escolhas próprias, e as poucas que faz nem sempre são as melhores. Aquele que deveria ser o líder, funciona melhor seguindo que comandando.

Ao menos o vilão faz tantas escolhas ruins quanto o mocinho. Se o objetivo era ter Robin fora do caminho, porquê não matá-lo ao invés de forjar sua morte? O plano megalomaníaco, sustentado por uma cidadezinha já sem recursos, também soa bastante implausível. Inclua aqui frases de efeito, e uma força de combate igualmente inverosímel deste contexto, só faltou a risada maléfica. A escalação de Ben Mendelsohn (Rogue One, Jogador Nº1), que aparentemente está se especializando em vilões pomposos em casacos longos, apenas reforça a falta de criatividade da produção. Por mais eficiente que o ator seja neste tipo de papel, a sensação é de este antagonista fora herdado de outra produção qualquer.

E por falar em frases de efeito o roteiro não as economiza. Estas vão desde tiradas engraçadinhas, passando por declarações românticas, até discursos inspiradores, todos bastante genéricos e recitados com um excesso de empolgação por seus intérpretes. Mas calma, não me leve a mal. O elenco é bom, e parece realmente empenhado na produção.

São exatamente os carismas de Foxx e Egerton, os fatores positivos capazes de tornar a jornada mais interessantes. A maldade caricata assumida com perfeição por Mendelsohn, e o humor despojado de Tim Minchin (Frey Tuck), também contam pontos a favor. As exceções ficam por conta da aborrecida Lady Marian (Eve Hewson), e seu marido Will Scarlet (Jamie Dornan, Cinquenta Tons de Cinza), que não entregam a mesma qualidade, e não geram empatia nenhuma no público.

Robin Hood é um ícone rico em significados, envolto em mistério e com diversas versões, ou seja, as possibilidades com ele são incontáveis. E esta produção tinha orçamento, elenco e condições de extrair o melhor da lenda mas, com um roteiro previsível e genérico Robin Hood - A Origem é um bom exemplo de potencial desperdiçado.

Poderia ser uma versão crua e pesada da história; uma nova abordagem estilosa e bem humorada, do personagem; trazer o arqueiro para os tempos atuais e justificar sua ação - situações em que classes abastadas se aproveitam das inferiores nos dias de hoje não faltam - ou ainda apresentar um novo herói, em um novo mundo, inspirado no Príncipe dos Ladrões, que justificaria o encontro de detalhes tão distintos. Mas a produção é incapaz de escolher um caminho claro a seguir, tenta ter de tudo um pouco. Chega até a ensaiar uma versão meio Batman do personagem, lorde durante o dia, herói à noite. O resultado é uma uma mistura sem personalidade, explosiva, porém pouco empolgante de suas muitas opções.

Robin Hood - A Origem (Robin Hood)
2018 - EUA - 116min
Aventura, Ação


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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Princesa e a Plebéia

No Natal de 2017 um fenômeno curioso relacionado à uma produção da Netflix aconteceu. O Príncipe do Natal se tornou um sucesso, tanto para o bem, como para o mal. A comédia romântica bobinha pensada para ser um sucesso, sem se importar com as críticas - e foram muitas - chamou a atenção de todos, alguns amando outros odiando. Opiniões à parte, a plataforma de streaming estava mesmo interessada na atenção desviada dos "canais tradicionais" para seus serviços. Logo, não é surpresa, uma nova leva de produções do gênero foi programada para as festividades de 2018. A Princesa e a Plebéia é uma delas.

A confeiteira Stacy De Novo (Vanessa Hudgens, High School Musical) está na fossa pós-fim de relacionamento, e é encorajada pelos amigos à participar de um concurso natalino de confeitaria no reino de Belgravia. Lá ela esbarra na duquesa prometida ao príncipe do país, Lady Margareth (Vanessa Hudgens). Ansiosa por ver o "mundo de verdade" antes de se casar, a futura princesa convence a protagonista a trocarem de lugar por alguns dias.

Mesmo que que eu não conte você provavelmente já sabe como esta história vai se desenvolver. Na troca de papéiss duas vão encarar altas confusões e pagar alguns micos, ao mesmo tempo que descobrem seu verdadeiro amor. Tudo orquestrado por coincidências de roteiro que, para soar um pouco menos artificiais, aqui tem a ajuda de uma entidade mágica que não é realmente apresentada. Porém, pela temática do filme ouso dizer, deve ser o Papai Noel.

As moças até esboçam certa atitude e altruísmo na jornada, mas não estão livres das escorregadelas do gênero. Da moça que se compromete um casamento arranjado para honrar os pais mortos, a outra que só aceita um desafio na carreira após reencontrar o ex que, diferente dela, já seguiu em frente. Pautando suas escolhas, pelas atitudes de terceiros. Já os interesses românticos vividos por Nick Sagar e Sam Palladio são apenas isso mesmo, os pares românticos charmosos, bonitos e perfeitos para suas respectivas caras-metades.

Há também uma galeria de personagens escalados para ajudar ou atrapalhar as protagonistas conforme a história se desenrola. Todos muito bem encaixados nos seus respectivos, limitados, estereotipados e conhecidos papéis. Nenhum deles no entanto chama mais atenção que Frank (Mark Fleischmann). Abordado como vilão durante todo o longa, por estar investigando a farsa. Ele volta a ser um mero funcionário do palácio quando sua ameaça não é mais necessária.

Igualmente genéricos são os cenários, a direção e fotografia. Vale lembrar que a intenção aqui é conquistar o espectador pela familiaridade, então, propositalmente, nada é muito diferente dos muitos filmes natalinos, ou sobre realeza instantânea que existem por aí. O figurino deve chamar atenção em alguns momentos, mas não de forma positiva. É difícil não questionar escolhas como mini-saias na neve, ou os terninhos da década de 1980, que o figurinista acha ser o figurino típico de uma duquesa.

Vanessa Hudgens se esforça para diferenciar as duas personagens que vive, com trejeitos e sotaques distintos. O resultado não é extraordinário, mas funciona no tom cliché que a produção adota.

Cliché é a palavra que define A Princesa e a Plebéia, e a produção certamente tem consciência disso. De fato, em momento algum a produção tenta te vender algo que ela não é. Uma produção simples, leve, que não exige muito esforço do espectador, que faz uso do familiar, sem se importar em alcançar o cliché para alcançar seu público. Este é, provavelmente, qualquer um procurando entretenimento fácil para ajudar a digerir a comilança da ceia.

Seja como longa de natal, de troca de identidades, ou de alcançar a realeza instantânea, você já viu este filme de uma forma ou de outra. De forma honesta, é exatamente isso que A Princesa e a Plebéia oferece, um filme simples, com final feliz, e bastante previsível. Para você poder encarar sabendo que vai terminar a sessão com uma sensação de bem estar, e talvez até goste da experiência, mesmo que não admita.

A Princesa e a Plebéia (The Princess Switch)
2018 - EUA - 91min
Comédia romantica

Leia sobre os filmes de Natal de 2017 da Netflix

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Legítimo Rei

Coração Valente, Reign, Outlander, o ainda inédito Duas Rainhas, não faltam filmes e séries que tratem de diferentes momentos da longa disputa entre Escócia e Inglaterra. Ainda sim, para quem não estuda a história destes países, a compreensão do que realmente se passou em cada época, ou o conhecimento quando suas figuras históricas é escasso. Legítimo Rei falha na tarefa de situar o espectador não iniciado, dificultando a empatia com seus heróis e ofuscando sua bem construída e filmada reconstrução de época.

Após anos de luta, derrotados os escoceses juram fidelidade ao Rei Eduardo I (Stephen Dillane, o Stanis de Game of Thrones) da Inglaterra. Entretanto, uma série de fatores, inclusive a morte de William Wallace (aquele mesmo, que já foi interpretado por Mel Gibson em Coração Valente), levam Robert de Bruce (Chris Pine) reivindicar o trono e reiniciar a batalha pela independência da Escócia.

Históricamente, Legítimo Rei pode até ser considerada uma continuação, não oficial, de Coração Valente (1995), já que suas histórias se completam. O longa da Netflix começa, inclusive, com uma narração sobre a luta de Wallace e seus companheiros. Entretanto a pesquisa e reconstrução histórica aqui é mais correta e eficiente, se comparado ao impreciso filme dos anos 90. Esforço que se faz logo nos primeiros minutos, com um um impressionante plano sequência, que apresenta bem os detalhes e atmosfera daquele mundo cinzento e lamacento.

A qualidade vista na direção de arte, fotografia e na forma de filmar as sequencias de batalha, são o ponto alto do filme. Cruel, sujos e viscerais as sequencias tem uma beleza plástica e uma coerências impecáveis. Mesmo misturando planos longos, câmera na mão, takes aéreos e feitos práticos e de computação, as lutas nunca parecem confusas ou mal coreografadas. Vale lembrar, são batalhas corpo-a-corpo, com cavalos, flechas, lanças e lama, muita lama, ditante de tudo isso o longa entrega um caos bem orquestrado e surpreendentemente belo.

Não tão bem sucedida é o roteiro, que parte do pressuposto de que todos tem alguma noção do evento histórico em mente. Não introduz muito bem a situação política da época, muito menos toma tempo para apresentar os personagens e suas escolhas. As decisões parecem tomadas às pressas sem muita construção das situações que levaram a elas. Acompanhamos Robert de Bruce, pois este é o protagonista, e por ser o Chris Pine. O ator realmente se esforça para dar veracidade ao seu rei fora da lei, mas o roteiro constrói sua jornada e decisões de forma apressada. Já os demais personagens se perdem na caracterização simplória e com pouco tempo de construção.

Entre estes se destacam pela caricatura exagerada, Billy Howle e seu cruel e incompetente Principe de Gales, e Aaron Taylor-Johnson (o Kick-Ass), que dá vida ao brucutu gritalhão James Douglas. Florence Pugh, intérprete de Elizabeth, esposa de Robert, até consegue passar o desconforto do casamento arranjado com um homem mais velho, e o sentimento de impotência de alguém que tem mais a oferecer, mas é descartada por ser mulher, nas poucas cenas que tem. Mas seu romance com o protagonista não convence.

Dos demais personagens mal lembramos os nomes, graças à apresentação fraca, que oferece personagens genéricos e pouco empáticos. O ruivo, o velho, o garoto... é o máximo que conseguimos recordar. Falha que fica evidente, quando um personagem dado como morto, reaparece e pouco nos importamos. Já que nem a relação deste com demais personagens nos é devidamente apresentada. Ele é um amigo? Irmão? Primo? Outro momento que escancara o problema é quando Douglas (cujo nome só decorei porque ele grita o tempo todo nas batalhas), encontra aquele que aparentemente seria seu arqui-inimigo em cena. Digo aparentemente, pois a rixa particular entre eles, se apresentada antes, passou batida.

O resultado é uma jornada visualmente bela, com batalhas empolgantes, protagonizada por personagens com os quais não nos importamos. Um filme de roteiro apressado, que não tramite o peso da jornada de seu protagonista como deveria.

O roteiro de Legítimo Rei, parece não saber lidar com o fato de se tratar de um pequeno episódio de uma história muito maior, com muita história anterior e posterior a ser esclarecida. Tanto, que começa e termina com narrações explicativas. Ao mesmo tempo, exige um conhecimento prévio que o espectador nem sempre possuí. Parece um filme pensado para quem já conhece um contexto, ingleses e escoceses que provavelmente estudam estas figuras históricas no currículo escolar obrigatório. Entre nós, aqueles que ficarem curiosos, ou perdidos, podem smpre aproveitar a oportunidade para conhecer melhor este momento na história britânica, usando o filme como ponto de partida para pesquisa. Ou ainda, simplesmente deixar de lado e aproveitar o visual caprichado, as cenas de batalha bem executadas e o carisma de Pine.

Legítimo Rei (Outlaw King)
2018 - EUA - 121min
Drama, Biografia, Guerra

Legítimo Rei foi lançado na Netflix.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

As 'Judiths' de The Walking Dead

Lá em 2016, quando a sétima temporada de The Walking Dead estava prestes a começar, e a pequena Judith Grimes ainda era a pessoa mais despreocupada do apocalipse zumbi, postei aqui uma lista com todas as intérpretes que deram vida a filha de Shane Rick. O salto de tempo do nono ano, finalmente deu preocupação e voz a garota, logo é hora de atualizar esta lista.

Enquanto bebê Judith teve nada menos que dezesseis intérpretes. Isso mesmo, você não leu errado, 16 bebês apareceram em cena ao longo dos últimos seis anos. Mas você provavelmente só vai identificar oito rostinhos diferentes, já que é comum escalar gêmeos para revezar o papel e em produções de TV e poupar os pequenos do ritmo intenso das gravações. Mas calma, que a lista não para nos bebês...

3ª Temporada

Judith nasceu em 2012, no quarto episódio da 3ª temporada, com os rostinhos de Adelaide e Eliza Cornwell que na época tinham apenas 6 meses de vida. Brendon Cornwell tio das gêmeas também teve um papel na série, vivendo um sobrevivente de Woodburry nos episódios 9, 10 e 16 da mesma temporada.

Loudyn and Leighton Case assumiram ainda na terceira temporada. As meninas na verdade não são apenas gêmeas, elas nasceram junto com o irmão, na verdade são trigêmeos.

4ª Temporada

Tinsley e Anniston Price viveram a personagem pelos dez primeiros episódios do quarto ano. Depois disso elas deram vida à Holly, a irmã caçula de Mike Wheeler em Stranger Things (na foto ao lado), série da Netflix. Por causa deste trabalho recente a dupla é a única creditada na página do IMDB da série, por interpretar a versão bebê da personagem.

Eleora e Elisea DiFranco apareceram nos episódios mais lembrados da vida do bebê. Quando a personagem está na estrada com Tyrese, Carol, e as crianças mika e pequena Lizzie,. Esta última começa a acreditar que virar zumbis é o melhor caminho, mata a própria irmã e pretende fazer o mesmo com o bebê.

Sophia e Delia Oeland apareceram apenas no último episódio do quarto ano.
 

5ª Temporada

Charlotte e Clara Ward viveram Judith por grande parte do quinto ano e tem até uma página do Facebook para provar isso. Com direito à fotos da produção e imagens atuais das meninas. Elas também migraram para Stranger Things, vivem a versão mais jovem de Eleven.
 

Kiley e Jaelyn Behun ficaram à cargo do papel, na segunda metade da quinta temporada, quando o grupo chega em Alexandia.

6ª, 7ª e 8ª Temporadas

b>Chloe e Sophia Garcia-Frizzi
assumiram no sexto ano e mantiveram o papel até o salto temporal da nona temporada, quando a personagem começa a ter falas. Apenas Chloe está creditada no IMDB. Elas são, até o momento, as intérpretes com mais tempo no papel.

Antes de morrer, quando as irmãs Garcia-Frizzi ainda viviam a personagem, Carl tem uma visão do futuro que ele gostaria que acontecesse. Nessa visão sua irmãzinha, então com seis anos, tem o rosto de Kinsley Isla Dillon.

9ª temporada

Chegamos ao momento atual da série e Cailey Fleming acaba de estrear como a nova versão de Judith Grimes, que agora tem falas atitude, armas letais e o famoso chapéu de xerife. A atriz mirim de onze anos, apareceu este ano no filme A Justiceira com Jennifer Garner, e também deu vida a versão criança de Rey em Star Wars: O Despertar da Força (imagem ao lado).

Assim, chegamos ao incrível número de 18 'Judiths'! Você notou o tanto que ela mudou?

Agora que ela não é mais a pessoa menos preocupada do apocalipse zumbi, e seu crescimento deve ser mais "regular" o que você acha que a última representante da família Grimes em cena, é capaz de fazer?

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