quinta-feira, 30 de agosto de 2018

The Handmaid’s Tale - 2ª temporada

Offred June (Elisabeth Moss, ainda excelente) não precisa mais - e nem quer - nos contar tudo apenas com o olhar. Embora ainda diga muito com suas expressões, a protagonista e várias de suas companheiras, estão mais determinadas a reaver sua voz, na segunda temporada de The Handmaid’s Tale.

O que não significa que não ajam momentos de fraqueza, desesperança e desespero para os moradores da república de Gilead. É em um destes momentos que retornamos à série, com o regime reafirmando seu poder sob as recém rebeladas aias. Mas, pela primeira vez, June tem uma vantagem, ela carrega o bom mais preciso para aquela sociedade. A gravidez, também lhes dá um impulso extra para lutar, ela não quer perder mais um filho para Gilead.

Com três episódios a mais, treze no total, a série tem no início da temporada seu momento mais fraco, ao tirar a protagonista do centro da luta, e dar a narrativa um ritmo diferente do restante da série. Ao mesmo tempo, são nesses episódios que começamos a acompanhar a expansão do universo da série, ao conhecermos outros setores desta sociedade, como os campos de trabalho forçado e as econoesposas. Mas, o primeiro deles, não faz parte da jornada da protagonista, enquanto o segundo é pouco aproveitado. E quando a personagem principal detém os  momentos menos interessantes da série, isso é uma falha.

Felizmente, não demora muita para The Handmaid’s Tale retornar ao seu ritmo, colocando June novamente no centro do empasse. As relação da aia com seus superiores muda, e afeta todos ao seu redor. Quem cresce com isso é Sra Waterford Serena Joy (Yvonne Strahovski, finalmente com espaço para crescer e entregando um trabalho impecável). A "esposa exemplo", já havia se mostrado mais complexa do que as aparências mostravam, mas só agora estas nuances começam a ser exploradas. Uma das fundadoras do regime, ela começa a perceber a realidade de sua condição, e a reagir a isso. O resultado é uma jornada oscilante - no bom sentido - onde a personagem alterna momento de concordar com a necessidade de seu papel, com o sentimento insatisfação e cumplicidade com outras mulheres, enquanto tenta descobrir o melhor caminho a seguir. Quando a cumplicidade é com sua aia, o discurso fica ainda mais rico.


Quem também cresce é Ofglen Emily (Alexis Bledel, ótima). Acompanhamos a personagem aos campos de trabalho forçado, as Colônias para onde vão as mulheres inadequadas para os demais papéis destinados a elas. Seu ponto de vista é muito diferente do de June, sem esperança, e sem nada a perder, ela está disposta a arriscar tudo, para punir quem puder e como puder.

O foco da série é as personagens femininas, mas homens tem seus momentos nos holofotes e suas próprias jornadas a contar. Desde aqueles que detém o poder, são os únicos privilegiados com eles, mas também precisam matê-lo, como Fred Waterford (Joseph Fiennes). Até aqueles que também são oprimidos por ele de alguma forma, como Nick (Max Minghella), que apesar de inserido no sistema, e com papel relativamente importante ainda é obrigado a fazer coisas que não deseja. É aqui que a série acerta ao relembrar quem nem todos que fazem parte de um regime concordam com ele, mesmo que faça parte da casta supostamente privilegiada.

A série também encontra tempo para mostrar a relação de Gilead com o resto do mundo. O choque de realidades, oferece novas perspectivas para alguns personagens, e fortalece ou intensifica a luta de outros. Waterford percebe que reafirmar sua nação para o mundo é uma tarefa mais difícil de imaginar. Serena, é relembrada de sua importância, e percebe as privações por que passa. Enquanto as famílias daqueles presos nesta nova nação, representados nas figuras de Luke (O-T Fagbenle) e Moira (Samira Wiley), ganham perspectivas para intensificar a luta.

De volta a June e as demais aias, as dificuldades e desafios apenas crescem, conforme a personagem avança em sua jornada. O excesso de violência chegou inclusive a receber críticas, mas acredito que em nenhum momento a aplicação dela tenha sido gratuita. As sequencias sempre tem consequências, movem a história e mais importante, não são glamourizadas. Os momentos de violência são feito para incomodar, gerar indignação do expectador e levar os personagens ao próximo passo.


Os flashbacks estão de volta, abrangendo mais personagens e aumentando nossa compreensão de como os Estados Unidos se tornaram Gilead. A fotografia traz um tom um pouco mais escuro para mostra este novo momento, no qual as tensões estão cada vez maiores. O uso da cor para determinar diferentes castas, realidades e até humores continua eficiente e cheio de significados. O mesmo vale para os enquadramentos que exaltam e oprimem os personagens. Apenas os close-ups, que tanto nos aproximavam de June, assim como sua narração em off, perderam um pouco de espaço. Talvez porque agora, a personagem expresse mais ativamente e não precise destes recursos par nos mostrar o que sente e pensa. Seja qual for o motivo, o distanciamento que a ausência destas ferramentas causa é notável, embora a esta altura a protagonista não precise de ajuda para manter a empatia do expectador.

Considerada uma das melhores séries de 2017 (a melhor na opinião desta humilde blogueira que vos escreve), The Handmaid’s Tale ganhou um segundo ano maior, e por causa disso alguns momentos mais arrastados e dispensáveis. Mas manteve sua qualidade técnica e narrativa, e ainda conseguiu aprofundar o conhecimento deste universo e suas consequentes discussões. Mais que entreter, a série pretende informar, estimular a discussão e o pensamento. A importância da produção no cenário atual é inegável. Por mais difícil que seja, e é uma série muito difícil de digerir, é um produto obrigatório nos dias de hoje. Ainda falta descobrirmos muita coisa sobre o mundo criado por Margaret Atwood, para compreender Gilead corretamente, mas já começamos a ter uma visão bastante clara de como o mundo pode "dar errado" a qualquer momento.

The Handmaid’s Tale é uma obra da plataforma de streaming HULU, no Brasil ela é exibida pelo Paramount Channel, e a segunda temporada estreia dia 02 de Setembro às 21h.

Leia a crítica da 1ª temporada de The Handmaid’s Tale.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Sharp Objects

Não se deixe enganar pela sinopse, Sharp Objects está longe de ser uma tradicional trama de investigação. Tão pouco, segue os caminhos de Big Little Lie,com quem compartilha o diretor Jean-Marc Vallée, ou de Garota Exemplar, outro livro de Gillian Flynn que ganhou uma adaptação recente para as telas. A minissérie da HBO tem seu próprio tom, e ritmo.

A reporter Camille Preaker (Amy Adams) é forçada a retornar a sua cidade natal para acompanhar as investigações do assassinatos de duas adolescentes. Além de lidar com a atmosfera de uma cidade pequena assombrada por um crime, a jornalista ainda precisa enfrentar o complicado reencontro com sua mãe Adora Crellin (Patricia Clarkson), a meia irmã que pouco conhece, Amma (Eliza Scanlen).

É nas relações entre os personagens e em seus tormentos pessoais, que a série tem foco. Estes relacionamentos complexos são explicados, e desenvolvidos aos poucos ao longo da temporada. Assim, enquanto Camille, faz sua investigação sobre os crimes, o próprio expectador pode desenvolver suas teorias sobre o que realmente se passa em Wind Gap, e principalmente na residência da protagonista.

A infância difícil de Camille, a personalidade dominadora de Adora, a forma estranha em que Amma é criada, e seu comportamento consequentemente estranho, são apresentados aos poucos para o espectador. Detalhes escondidos sob as fachada "perfeita"de uma tradicional família sulista estadunidense, perfeitamente inserida em sua comunidade igualmente "perfeita". Embora não seja difícil enxergar todo o preconceito e hipocrisia sob as fachadas de suas casas perfeitas. Logo, não demora muito para que a busca pelo assassino fique em segundo plano - para nós, os moradores da cidade estão completamente engajados nisso - substituída pela compreensão desta sociedade e seus moradores, que consequentemente podem nos levar a desvendar os crimes.

O roteiro escolhe um ritmo bastante peculiar, e inicialmente difícil de acompanhar, para a construção destes relacionamentos. Propositalmente sem pressa alguma, e até arrastado em alguns momentos, a velocidade da série faz alusão a o ritmo da própria Wind Gap, presa em em sua inércia, convicções ultrapassadas e dia-a-dia desapressado. O resultado é uma atmosfera sufocante, ressaltada por muitos takes de ventiladores ineficientes, que reflete bem o sentimento de Camille ao ser obrigada a se reinserir nesta comunidade.

Enquanto isso, Amy Adams consegue imprimir em sua atuação todo o sentimento de inadequação, culpa e desespero de sua personagem. A jornalista visivelmente precisava de ajuda, antes mesmo de confrontar os fantasmas do passado. O elenco aliás, é o ponto forte da produção. Patricia Clarkson encarna todo o controle e convicção, mesmo quando errada, da matriarca da família. Enquanto a jovem Eliza Scanlen surpreende ao defender sua adolescente ambígua, sem que esta seja eclipsada por suas colegas de cena veteranas. Ainda no elenco, Chris Messina, Miguel Sandoval, Matt Craven, Elizabeth Perkins, e as jovens Sophia Lillis (It: A Coisa), Lulu Wilson (Annabelle 2), se destacam ao completarem bem a lista de personagens peculiares desta cidadezinha.

Alcoolismo, automutilação, violência, raiva, sentimentos reprimidos e traumas psicológicos estão entre os temas abordados pela produção. Alguns bem desenvolvidos, outros apenas apontados, para que expectador, pesquise e reflita por si mesmo. De uma forma ou de outra, são estes temas que movem a história, e criam nossa empatia pelos personagens.

Baseado no livro Objetos Cortantes de Gillian Flynn, Sharp Objects tem apenas oito episódios, mas consegue abordar em sua trama uma variedade assustadoras de cicatrizes físicas e emocionais, que podemos infringir uns nos outros. A única falha fica por conta do ritmo lento, que atrasa a criação de empatia com os peonagens, e com certeza afastará muita gente. Aqueles que persistirem, no entanto, vão encontrar satisfação em um suspense bem construído, cheio de boas discussões e com atuações excelentes.

Sharp Objects é uma minissérie da HBO, disponível na HBO Go, e não ganhará segunda temporada.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Para Todos os Garotos que Já Amei

Registrar segredos por escrito geralmente é uma má ideia, mesmo no tradicional formato "analógico/offline", leia-se papel. A adolescente Lara Jean descobre isso da pior maneira possível em Para Todos os Garotos que Já Amei, longa com temática colegial da Netflix, baseado no romance de Jenny Han.

Lara Jean (Lana Condor, a Jubileu de X-Men: Apocalipse), já amou cinco garotos diferentes, e sua forma de lidar com isso é escrever para eles cartas de amor que nunca pretende enviar, mas mantém guardadas e endereçadas. É claro, a correspondência secreta é misteriosamente enviada para os cinco rapazes, e a adolescente tem que lidar com as consequências destas revelações.

Grandes segredos revelados no cenário do "high school" estadunidense, não são uma novidade no cinema. Volta e meia o diário de alguém vem a público logo, a jornada da protagonista não é as das mais originais. A garota vai negar, fugir e fazer as escolhas mais equivocadas possíveis antes de tomar a decisão certa, o que só é possível após processo de auto-descoberta vindos da série de erros que ela comete.

Some aí, o universo típico do ensino médio, de um subúrbio dos Estados Unidos e seus moradores característicos: a garota malvada e popular, o melhor amigo, o garoto mais popular da escola, a irmã que vai para faculdade, o pai compreensivo, e por aí vai. Personagens que não demoramos muito para entender, e que sabidamente funcionam neste tipo de trama. A parte divertida fica por conta da  nossa familiaridade com eles, e da forma como Lara Jean escolhe se relacionar com cada um.

Um diferencial evidente é a diversidade no elenco. Apesar dos personagens seguirem estereótipos, suas etnias são mais realísticas do que o  tradicional elenco caucasiano deste tipo de produção. A começar por manter a origem asiática da protagonista, escolha que afastou muitas produtoras. Além disso, Lara Jean se apaixona por personalidades, não por um tipo específico, assim seus "crushes" também tem etnias distintas.

O resultado é um universo naturalmente diversificado e representativo, que conta com Noah Centineo (The Fosters), Janel Parrish, Anna Cathcart (Descendentes 2), Andrew Bachelor, Madeleine Arthur (DC's Legends of Tomorrow), Emilija Baranac (Riverdale), Emilija Baranac (Bling Ring: A Gangue de Hollywood) e John Corbett (Casamento Grego).

A direção de arte acerta ao incorporar a mistura de origens e cultura  - meio coreana, meio americana - da protagonista, no cotidiano de sua família. Já a direção, brinca com ângulos de câmera e a montagem, dando significados e dinamismos às cenas. Não tão original, mas sempre bem vindo, o filme também lembra de fazer referências aos romances adolescentes oitentistas de John Hughes.

O único grande porém é a necessidade de atrelar o desenvolvimento pessoal de uma personagem apenas à seus envolvimentos amorosos. O que talvez não seja tão grave assim, considerando que este era o único aspecto mal resolvido da vida da moça. Além disso, é uma característica herdada do livro. E por falar na obra original. Esta é na verdade uma trilogia, e o filme deixa as portas abertas para a produção de P.S.: Ainda amo você e Agora e para sempre, Lara Jean.

Para Todos os Garotos que Já Amei não é uma grande obra sobre amadurecimento, ou mesmo traz um roteiro único e surpreendente. Mas é uma boa adaptação, e funciona dentro de seu gênero. Conta bem a história que pretende, traz personagens carismáticos, com os quais facilmente criamos empatia. É atual, divertido, e não é segredo, vai agradar a maioria.

Para Todos os Garotos que Já Amei (To All The Boys I've Loved Before)
EUA - 2018 - 99min
Romance, Drama


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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Informações úteis para sua maratona de Perdidos no Espaço

A Netflix não apenas resgatou um clássico da ficção-cientifica televisiva, mas também atualizou seu argumento e dinâmica para o público atual. O resultado é uma divertida série para toda a família. Então, caso você tenha ficado em uma nave espacial sem rumo nos últimos meses, ou apenas esteja procurando informações extras sobre a série, confira estas dicas para aprimorar sua maratona de Perdidos no Espaço.

Perdidos no Espaço da Netflix, é uma nova versão da série homônima produzida entre 1965 e 1968. Na série original, os Robinsons e cia, deixam a Terra no "futurístico" ano de 1997! Suas personalidades e dinâmica familiar refletiam o ideal de família "estadunidense" da época e o, então desejado, "American way of life". No elenco Mark Goddard, Marta Kristen, Billy Mumy, Angela Cartwright, Jonathan Harris, June Lockhart e Guy Williams.


Em 1998, uma nova versão da série chegou aos cinemas. Dessa vez com a família partindo do ano de 2058. O elenco contava com Gary Oldman, William Hurt, Matt LeBlanc, Heather Graham e Lacey Chabert, mas os grandes nomes não garantiram o sucesso do filme.

Agora vamos a versão de 2018

1 - Diferente da série de TV, e do filme, nesta versão os Robinsons não ficam perdidos imediatamente, muito menos ficam sozinhos. A família e outros grupos caem em um planeta a caminho de Alpha Centaury, com a nave mãe chamada Resolute ainda nas proximidades. E esta primeira temporada existe para mostrar como a equipe da Júpiter 2 se formou. Mas calma, as aventuras ainda estão lá e o resultado desta primeira jornada entrega uma tripulação e destino bastante parecida com a série clássica.

2 - As personalidades e motivações dos personagens também foram atualizadas. Os Robinsons estão longe de ser uma família perfeita e Don não é a figura do bom moço. Até o Robô ganhou moldes mais interessantes, já o Dr. Smith sofreu uma mudança radical, pela primeira vez é uma mulher, não que isso mude suas "habilidades" - leia-se lábia e instinto covarde de auto-preservação.

3 - Flashbacks mostram a vida dos personagens na Terra, apresentando melhor suas personalidades e motivações. Descobrimos também os motivos para a humanidade precisar de um novo lar, e o sistema de seleção para os colonizadores.

4 - Judy é adotada, mas isso não é um dilema, nem mesmo um tema, de fato a informação é dada sem grande alarde. A série aceita que famílias podem ter todo e qualquer formato, e isso garante a diversidade tanto na própria família, quanto entre os demais participantes da missão. E isso é ótimo.

5 - A tecnologia espacial também foi atualizada, mesmo porque seria difícil a audiência dos dias de hoje acreditar nas "modernidades dos anos 60". O que não significa que a série não seja bastante colorida.

6- Outro ponto a se observar, é a vastidão e diversidade do planeta desconhecido em que o grupo cai. O ambiente consegue conciliar beleza e crueldade.

Para os fãs clássicos as referências e homenagens são muitas, e estão espalhadas por toda a parte. Encontra-las é parte da diversão.

7- Os nomes de alguns personagens foram criados apartir de amalgamas dos nomes dos atores da série original.Angela Goddard, personagem de Sibongile Mlambo, é uma combinação dos nomes de Angela Cartwright (Penny Robinson) e Mark Goddard (Don West). A verdadeira identidade da personagem de Parker Posey é June Harris, uma combinação de June Lockhart (Maureen Robinson) e Jonathan Harris (Dr. Smith).

8 - Com a mudança de gênero da Dra. Smith, as mulheres agora são maioria na tripulação/elenco principal. Isto não é um acidente, as moças estão muito mais empoderadas que suas versões anteriores. E, ouso dizer, são bem mais competentes que os rapazes. #GirlPower.

9 - Bill Mumy, o Will Robinson da série original faz uma participação especial no remake. Ele interpreta o verdadeiro Dr. Smith, no piloto da série.

10 - Na série original Penny encontra um macaco alienígena que adota como animal de estimação e dá o nome de Debbie. Em 2018, Debbie é uma galinha adotada por Don.

11 - Apesar das mudanças, a fala clássica do robô "Will Robbinson perigo!" está garantida.

12 - A série atual usa a mesma musica tema da série dos anos 60 e do filme. A canção é a mais popular, mas não foi a primeira do programa, as duas primeiras temporadas tiveram uma trilha diferente. Ambas as canções foram compostas por John Williams.

13 - As mudanças são muitas, mas não atrapalham em nada na empatia com os personagens. Seja você um veterano que vai se surpreender com as novidades, ou um não iniciado que vai ficar curioso sobre as versões anteriores.
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A nova versão de Perdidos no Espaço surpreende ao atualizar a franquia, sem desrespeitar original. É divertido e acessível para toda a família. A primeira temporada de Perdidos no Espaço tem 10 episódios com cerca de uma hora cada. Todos estão disponíveis na Netflix.

Confira a crítica de Perdidos no Espaço e outras listas de Dicas para suas maratonas!
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

R- E - S - P - E - C - T! na TV e no cinema

Às vezes é preciso um artista partir para percebemos o tamanho de sua influência em nossas vidas. Aretha Franklin partiu e apenas assim eu percebi o tanto que já curti suas musicas por aí, mesmo não sendo uma ouvinte tão empenhada da cantora. E mesmo que não fosse assim, não há quem não tenha escutado ao menos uma vez a canção Respect de Otis Redding, que a cantora interpretou, tomou para si e a tornou em um hino sobre respeito à mulher, e às minorias.

Não é surpresa, que a canção tenha sido utilizada e apresentada em dezenas de filmes, séries e programas desde que Aretha a gravou em 1967. Apenas no cinema a música apareceu em cerca de trinta produções. É claro, foi provavelmente de uma destas obras que muitos de nós a ouviu a primeira vez. Eu não me recordo da primeira vez em que ouvi Respect, mas consigo citar sem dificuldade uma lista de produções em que ouvi o hino. Eis aqui a minha lista de referencias nas telas para R- E - S - P - E - C - T!

O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones's Diary - 2001)
A cena em que Bridget (Renée Zellweger) finalmente se liberta dos encantos de Daniel Cleaver (Hugh Grant), e dá fora muito bem executado no moço é a primeira que vem a mente. E faz todo sentido já que a protagonista finalmente descobriu o respeito próprio, "drop the mic" e "left the building". 

O Homem Bicentenário (Bicentennial Man - 1999)
Lembra que eu falei de hino em defesa das minorias? Pois é, um robô (Robin Williams) em busca de autonomia que encontra outro robô (Kiersten Warren) cheia de atitude, cantando e dançando Respect pelas ruas. Esse é o tipo de conexões que meu cérebro perturbado faz. Seja como for, a canção apresenta muito bem a personagem Galatea e é uma metáfora e tanto para a jornada de Andrew.


Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump - 1994)
Se Forest (Tom Hanks) faz de um tudo e conhece todo tipo de gente em sua jornada, nem seria difícil encaixar a música como tema do longa. Aqui a canção é usada sutilmente quando o protagonista conhece o Liutenant Dan.


Todo Mundo Odeia o Chris (Todo Mundo Odeia o Chris - ep. Everybody Hates Kwanzaa - 1997)
Para não dizer que não falei de TV, a série queridinha das reprises da geração atual também usou a música. Podemos ouvir a canção quando Golpe Baixo (Jeris Poindexter), ganha um banho de loja de impor respeito para poder visitar a mãe no natal.


A partir daqui a lista traz atores das séries e filmes interpretando a canção. Mas, convenhamos todas estas cenas, e até a escolha dos personagens para cantar as músicas, fazem referência a versão de Aretha.

Querem Acabar Comigo (Are We There Yet? - 2005)
Esse filme ja é considerado um clássico da Sessão da Tarde? Não importa, pois já existe uma geração que foi apresentada à canção por essa garotinha (Aleisha Allen) aí!


Um Maluco no Pedaço (Um Maluco no Pedaço - 1990-1996)
Infelizmente não foi o Will Smith que cantou dessa vez (sério, eu queria ver isso, rs), mas sua prima Ashely (Tatyana Ali). A moça tentava obter respeito da família que ainda a tratava como uma garotinha.


Glee (Glee - 2009)
Seria até um erro se a série musical não tivesse esta canção em seu repertório. Para evitar a possibilidade, logo no piloto da série Mercedes (Amber Riley), interpretou a música durante sua audição para o clube Glee.


Eu a Patroa e as Crianças (My Wife and Kids - 2001-2005)
A série tinha um personagem chamado Franklin (Noah Gray-Cabey), um gênio no piano. Sua irmã se chamava Aretha (Jamia Simone Nash), também um prodígio da música. Preciso dizer mais?


E aqui termina minha lista de referências à este clássico da rainha do soul. Quantos você reconhece, e quais as suas referências favoritas à saudosa Aretha Franklin?


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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

Inicialmente A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata chama atenção por seu inusitado título. Mas esta produção baseada em um livro com o mesmo nome inusitado, é uma das poucas agradáveis surpresas entre os filmes com a etiqueta "Original Netflix".

Juliet Ashton (Lily James) é uma escritora na Londres pós-guerra, em 1946. Desestimulada com a repetitiva turnê de seu último livro, sua curiosidade é aguçada quando recebe uma carta de Dawsey Adams (Michiel Huisman), um fazendeiro da ilha de Guernsey. Interessada por seu clube do livro e da torta de casca de batata, a moça viaja até a ilha com o intuito de escrever sobre eles, e acaba se envolvendo com os membros no processo.

Guernsey, e as demais ilhas do Canal da Mancha, foram a única parte das Ilhas Britânicas ocupadas pelos Nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto o mundo todo começa curar as cicatrizes do conflito, os membros da sociedade ainda lidam com as feridas abertas, e segredos que guardam até de si mesmos. É claro, ainda há tempo para o romance e a construção de uma relação de família e pertencimento. Entretanto são as memórias da guerra, e as forma com que as pessoas lidam com ela o ponto mais interessante desta história.


Histórias essas, que aqui são relatadas pelos personagens e apresentadas em flashbacks, em ordem não cronológica. Deixando para Juliet, e para nós, a tarefa de juntas todas as peças. O formato, faz alusão ao formato do livro, composto por cartas trocadas pelos personagens, e funciona para criar uma empatia crescente, mesmo com o mais avesso dos personagens.

A falha fica por conta da apresentação de algumas motivações dos protagonistas. O roteiro não explica muito bem, a falta de confiança de Juliet em seu trabalho. Muito menos deia clara as motivações de Dawsey ao escrever para a moça. Respostas que provavelmente existem no material original.

A direção de Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo), cria uma atmosfera triste e melancólica, porém com uma doce e com esperança no futuro. O diretor abraça as paisagens da ilha, e a competente reconstrução de época, e com isso acerta em construir a sensação de imersão naquele cotidiano tão diferente do nosso. Enquanto o elenco de bons atores entrega uma preformances que atendem as necessidades de seus personagens. Também estão em cena Jessica Brown Findlay, Katherine Parkinson, Penelope Wilton, Matthew Goode e Glen Powell.

Poético e bem construído, a versão para as telas de A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, não "não reinventa a roda", mas cumpre o que promete. Como bônus, seu fundo histórico real, a ilha realmente foi ocupada, nos lembra que ainda existem muitas histórias deste período nada galante da humanidade, que precisam ser contadas de uma forma ou de outra.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society)
Reino Unido, EUA - 2018 - 124min
Drama, Romance, Histórico


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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Mentes Sombrias

Uma das coisas que sempre devemos lembrar sobre adaptações de livros para o cinema, é que estas versões devem funcionar independentes do material original. O que não significa que a versão para as telas não possa atiçar a curiosidade do leitor para descobrir um pouco mais sobre esta história. Mentes Sombrias, baseado no primeiro livro da trilogia de Alexandra Bracken, acerta nesta característica, traz uma aventura compreensível para os não iniciados, e que gera interesse pelos livros.

Nesta distopia juvenil, uma misteriosa epidemia mata quase todas as crianças e adolescentes. Os sobreviventes desenvolvem habilidades especiais, e estes "super-poderes" os fazem ser vistos como uma ameaça pelas autoridades, que os confinam em campos de custódia e os classifica de acordo com a periculosidade de seus poderes. Ruby (Amandla Stenberg de Jogos Vorazes, Tudo e Todas as Coisas), pertence à classe mais perigosa, mas consegue esconder sua verdadeira classificação por anos. Quando é desmascarada, a adolescente precisa fugir para sobreviver.

Os poderes das crianças, se assemelham às habilidades dos X-Men. O sistema de classes e segregação por habilidades lembra a franquia Divergente. Enquanto o caos cultural, político e econômico causado pela ausência das crianças  na sociedade remete ao cenário visto em Filhos da Esperança. Mentes Sombrias bebe e muito de conceitos muitas vezes vistos e revistos na cultura pop. A falta de curiosidade, no entanto, é compensada pela combinação destas referências na construção desta nova aventura. Uma pena que o longa não tenha tempo para discutir mais afundo os questionamentos, que estas características levantam. É aqui que começamos a ter vontade de conhecer o livro.

Quem também tem pouco tempo para a construção são os personagens que Ruby encontra pelo caminho. Desde o grupo com quem constrói uma relação, até os antagonistas. Entre os amigos estão o líder/par perfeito Liam (Harris Dickinson), a adorável e pequena, logo dependente Zu (Miya Cech) e o inteligente Charles/Bolota (Skylan Brooks), formam grupo carismático, porém estereotipados. O mesmo vale para os personagens vividos por Gwendoline Christie, Mandy Moore e Patrick Gibson, cada um seguindo o esperado mesmo em momentos de ambiguidades e reviravoltas.

O foco está mesmo é em Ruby. A protagonista é a única que ganha um arco bem trabalhado. A pouca entrega com relação aos demais personagens, deve funcionar para aqueles que conhecem o material, ou que acreditam que estes podem ser melhor trabalhados em possíveis sequências. Assim, como demais detalhes sobre este mundo, já que neste filme tudo que descobrimos é que este entrou em colapso, e parece abandonado, desesperançado e vazio.

O elenco é competente dentro do que seus personagens lhes permite. O mesmo vale para os efeitos especiais, que não inovam, mas atentem às necessidades dos poderes das crianças. Apesar da pouca construção de personagens, o roteiro escrito pela própria autora em parceria com Chad Hodge, consegue passar o tom de urgência e perigo que as crianças passam, sem deixar de tratá-los como os jovens que são. Enquanto a direção da estreante em live-actions Jennifer Yuh Nelson (Kung Fu Panda 2 e 3) entrega o básico, e até consegue encontrar momentos para enfatizar de forma sutil aqueles temas e críticas que o roteiro aponta.

Mentes Sombrias traz elementos e características já vistos em franquias populares atuais, e consegue fazer uma abordagem própria das possibilidades que estes oferecem, faltando apenas o tempo para explorá-las. A familiaridade deve agradar quem já gosta do gênero, e as referências e temas em comum podem apresentar outras obras para quem está chegando agora.

Não é original, mas funciona, diverte e mantém o público interessado, não apenas nesta trama, mas por uma possível continuação. Com o bônus de talvez angariar alguns leitores para os livros de Bracken.

Mentes Sombrias (The Darkest Minds)
EUA - 2018 - 104min
Ficção-cientifica, Ação

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Tal Pai, Tal Filha

Uma comédia romântica, sem a parte do romance. É esta a sensação que Tal Pai, Tal Filha, longa da Netflix, deixa ao final da sessão. Não que isso seja um ponto negativo da produção.

Rachel (Kristen Bell) é viciada em trabalho, não larga o celular nem às vésperas do casamento. É por isso que Owen (Jon Foster) abandona a moça no altar. Para completar o dia ruim, seu pai, Harry (Kelsey Grammer), que a abandonou quando tinha apenas 5 anos, resolve aparecer de penetra na cerimônia. Muitos drinks mais tarde, a moça acorda no cruzeiro ao Caribe, que seria sua viagem de lua de mel, acompanhada do pai.´

É aqui que a premissa lembra e muito uma comédia romântica, ao forçar a convivência de duas pessoas que não se gostam. Com a diferença de que aqui a relação a ser construída é de pai e filha. Inclua aí, coadjuvantes e situações que vão acelerar o confronto. No caso, os demais "casais" que dividem mesa com a dupla e os "divertidos" eventos de cruzeiro.

Entre mergulhos, shows, trilhas, noitadas e fartas refeições, Rachek e Harry vão bater de frente, conhecer um ao outro, se acertar, brigar mais uma vez antes do final feliz de fato. Tudo como manda o figurino do gênero, com uma reviravolta previsível no fim e o potencial pessoal crescimento dos protagonistas. Ele se arrepende de seus erros, ela percebe que precisa rever suas prioridades. E não fique chateado por esta última linha, pois não é de verdade um spoiler. O arco dos personagens, e o caminho que a trama escolhe são velhos conhecidos. Você sabe para onde a história vai, e é nessa familiaridade que o roteiro aposta para manter o expectador.

Mas sim, há uma novidade curiosa nesta produção escrita e dirigida por Lauren Miller Rogen (sim, esposa do Seth, o comediante faz uma ponta no filme), a total e completa necessidade de buscar um par romântico para seus protagonistas. Rachel é deixada no altar nos primeiros minutos do filme, e até embarca em relacionamentos surpreendentemente descartáveis, mas não está a procura de um novo amor, e nem precisa. Seu caminho para se sentir completa é com sigo mesma.

Kristen Bell e Kelsey Grammer, funcionam bem juntos e oferecem o carisma necessário a seus personagens, mas não entregam nada realmente surpreendente ou profundo. Mesmo porquê até nos poucos momentos em que o roteiro decide falar sério sobre o histórico de abandono, ele nunca o faz de forma muito pesada ou deprimente. Quem também entrega o que precisa é o elenco de coadjuvantes, que entrega uma galeria de tipos previsivelmente e propositalmente adoráveis, o casal gay, o da terceira idade, e o de segunda viagem.

Diante das muitas derrapadas da Netflix, na tentativa de aumentar seu catálogo às pressas, Tal Pai, Tal Filha não chega a ser um dos fracassos da empresa de streaming. Não traz nada de novo ou memorável, e acredito que nunca teve esta pretensão. É uma "dramédia romântica", simples. Entrega o "feijão-com arroz" que promete, e eventualmente até consegue divertir com o básico.

Tal Pai, Tal Filha (Like Father)
EUA - 2018 - 98min
Comédia dramática


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