segunda-feira, 16 de julho de 2018

Uma Quase Dupla

A proposta de Uma Quase Dupla é bastante promissora, no saturado mercado de comédia do cinema nacional. Uma comédia policial no estilo parceria de opostos, estrelada pela mais popular comediante feminina do país, e por um galã de novelas no auge do sucesso. Se o plano é bom, a execução não consegue fugir de conhecidos escorregões (literais e figurativos, tem piada de tombo) do gênero. 

a pacata cidadezinha de Joinlândia tem sua rotina alterada por um misterioso assassinato. Para resolver o crime, Keyla (Tatá Werneck) uma experiente investigadora do Rio de Janeiro é convocada e une forças com ingênuo e inexperiente subdelegado Claudio (Cauã Reymond). A dupla vai brigar muito, e causar "altas confusões", antes de conseguir desvendar o caso.

O mistério do caso não é dos mais difíceis de desvendar. Quem está habituado ao gênero policial, sendo comédia ou não, provavelmente vai desvendar o crime assim que o vilão aparece em cena. A previsibilidade não é um problema, mas um recurso, já que a comédia pretende fazer humor a partir dos clichês do gênero.

O mesmo vale para o desenrolar da investigação, os passos seguidos pela dupla, existem para ambientar e conectar as piadas e referências. Todas criadas a partir da expectativa do espectador sobre a previsibilidade comum neste tipo de produção, estabelecidas por muitas séries e filmes ao longo dos anos. A introdução do "jeitinho" brasileiro de ser nesse sistema é um acerto, especialmente quando faz graça com o cotidiano de uma cidade do interior. Mas novamente, é o caminho óbvio a seguir.

É na execução das piadas que o filme perde pontos ao optar pelo exagero e repetição para fazer graça. Enquanto o exagero, é naturalmente raso e afasta alguns públicos. A repetição, torna o humor mais cansativo que engraçado após os primeiros minutos. As referências quando detectadas pelo espectador arrancam alguns sorrisos. Assim como o improviso, conhecido ponto forte de Werneck. Mas o produção não consegue criar aquele momento em que a gargalhada é inevitável, independente de seu tipo de humor favorito, e em se tratando de uma comédia, este é o objetivo principal.

O acerto fica por conta do elenco, Reymond e Werneck conseguem sim criar uma relação de opostos crível. E seu carisma ajuda na torcida pelo sucesso da dupla. Alejandro Claveaux e Daniel Furlan, também se destacam por se entregar sem pudores às caricaturas a que foram designados. Como um todo, o elenco parece se divertir com o trabalho, e em uma comédia isso conta pontos. 

Uma Quase Dupla conseguiu o mais difícil, encontrar um nicho pouco explorado dentro da comédia nacional. Mas desperdiça a oportunidade ao escolher o caminho mais previsível para fazer humor. Vai sim, agradar as multidões que consomem esse tipo de produção, e seu formato permite a criação de uma franquia. Se uma sequência acontecer, o jeito é torcer para que Keyla e Claudio se reinventem a cada caso, e não fiquem sempre resolvendo os mesmos crimes. 

Uma Quase Dupla
Brasil -2018 - 90min
Comédia




Compartilhe este post
  • 0Blogger Comment
  • Facebook Comment
  • Disqus Comment
comments powered by Disqus
 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top