segunda-feira, 30 de julho de 2018

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

O musical Mamma Mia, fornece um curioso sentido para as peculiares músicas do ABBA. Conectando as historinhas independentes de cada canção a uma história maior, como se tivessem sido compostas com tal fim. Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo não tem esta fluidez tão acertada entre a trama e as trilha sonora, mas não deve decepcionar  quem é fã do original, ou mesmo da banda.

Sophie (Amanda Seyfried), está na mesma situação em que a mãe se encontrava em sua idade, grávida e prestes a reinaugurar a pousada de Donna. O evento promove a reunião do elenco original, ao mesmo tempo que reacende memórias da juventude de Donna (Lily James) e companhia.

Assim acompanhamos simultaneamente as dificuldades de Sophie para honrar os feitos da mãe, e a jornada que levou Donna a se tornar mãe solteira de uma filha com três supostos pais que conhecemos no longa anterior. O elenco original lida com problemas de agenda e desencontros, enquanto as versões jovens dos personagens, apresentam uma história já bem contada no longa anterior. O resultado, é que nenhuma das duas histórias é realmente bem desenvolvida. Em certo momento o roteiro chega até a esquecer a versão jovem de Harry (Hugh Skinner) literalmente no meio do caminho. Entretanto, se você buscava complexidade neste filme, provavelmente não estava prestando muita atenção, pois o objetivo desta sequencia nunca foi este.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo tem como principal objetivo promover um reencontro com os personagens que adoramos no primeiro filme, tocar canções da banda que ficaram de fora no original - quem sentiu falta de Fernando? - e de quebra apresentar novas versões para aquelas que já ouvimos. E neste sentido, o longa entrega o que promete. Os números musicais, estão maiores e mais elaborados. Enquanto os personagens continuam se beneficiando do carisma de seu elenco de astros, claramente se divertindo.

A divertida dinâmica entre Harry (Colin Firth, desengonçadamente livre), Sam (Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard), a dupla imbatível formada por Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), e até o agora marido Sky (Dominic Cooper) vem matar as saudades. E a esta altura, você deve estar se perguntando - mas e a Meryl Streep? A versão original de Donna, não tem tanto tempo de tela quanto o esperado, mas seu espírito é uma presença constante na linha temporal do presente. 

Já na parte da história que se passa nos anos de 1970, James cumpre surpreendentemente bem a complicada tarefa de personificar uma versão jovem de um personagem de Streep. A Jovem Donna, tem a mesma vivacidade, amor pela vida e loucura original, com o bônus da impetuosidade da juventude até alguns trejeitos de sua versão veterana. O mesmo esforço é visto no restante do elenco jovem. Jessica Keenan Wynn e Alexa Davies (versões jovens de Tanya e Rosie, respectivamente), conseguem manter a dinâmica de amizade bem humorada da dupla original. Entre os jovens pais, os destaques ficam com a semelhança entre Josh Dylan (Bill) e Skarsgard. E para o esforço de Hugh Skinner (Harry) em soar como Colin Firth, mesmo cantando). Jeremy Irvine não pode fazer muito com o jovem Sam, o menos divertido dos pais por sua natureza de "par perfeito".


As participações de Cher e Andy Garcia existe apenas para deleite dos fãs. Uma pena, que sua presença traga a marcação de datas para a trama. Com datas definidas, é impossível evitar que o espectador perceba que as datas e idades dos personagens não batem. Detalhe que seria camuflado pelo tom lúdico e fantasioso da produção, se o roteiro não tivesse apontado para eles.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo celebra os dez anos, do primeiro longa promovendo uma grande festa entre personagens e elenco. A trama não é das mais elaboradas, é apenas um pretexto para levar todos de volta para a ilha Kalokairi, para cantar e dançar sem motivo aparente. Se a trama e canções não são tão bem costuradas quanto a do primeiro longa, ao menos o espirito é praticamente o mesmo, talvez um pouco mais nostálgico apenas.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again)
EUA - 2008 - 114min
Musical


Leia aqui a crítica do primeiro Mamma Mia, direto dos primórdios do blog!
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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Morando em Marte segundo o cinema

Encontraram água em estado líquido em Marte! (leia a notícia) Escondida no subsolo da calota polar sul, e provavelmente salgada a ponto de ser dificultar a existência de vida, mas . Difícil, mas não impossível.  Enquanto confirmações cientificas não acontecem, a esperança alimenta a criatividade, e continuamos a imaginar o que faríamos se pudéssemos visitar o planeta vermelho.

Fontes de inspiração para tal não faltam, em filmes, séries, literatura e até música. Para entrar no clima, confira agora uma lita de filmes para inspirar, ou desencorajar, sua "mudança" para Marte.

O Vingador do Futuro


Atenção, não confundir com o remake de 2012 estrelado por Colin Farrell. A dica aqui é para assistir ao longa original onde Arnold Schwarzenegger é o operário Douglas Quaid que sofre com pesadelos em Marte, na companhia de uma mulher desconhecida. Ignorando os conselhos de seu amigo e até sua esposa (Sharon Stone), ele resolve fazer algo em relação aos estranhos sonhos. E compra um pacote de memórias, que o farão acreditar que já fez turismo no planeta vermelho e quem sabe diminuir sua obsessão. É claro, algo da errado!

Uma colônia em Marte, mutações, vilão tentando dominar o mundo, discussões sobre o conceito de sonho e realidade. Tudo isso antes da onda do "politicamente correto" chegar, e com o estilo peculiar do diretor Paul Verhoeven. Tecnologicamente, é a visão de futuro de quem viva no final da década de 1980. E os efeitos práticos são a grande maioria, não são perfeitos como o CGI dos dias de hoje, mas tem uma textura e realismo que lhes oferecem o um charme que o computador não é capaz de emular. Ficção-cientifica das boas, que reflete seu tempo e ainda funciona muito bem nos dias de hoje.
(Total Recall - 1990)

Leia minha crítica de O Vingador do Futuro, no blog parceiro DVD, Sofá e Pipoca

Perdido em Marte


Uma tormenta interrompe uma missão da Nasa em Marte, um dos membros da equipe é dado como morto, enquanto o restante da tripulação é forçada a deixar o planeta às pressas. Horas mais tarde Mark Watney (Matt Damon), acorda sozinho, ferido, com provisões limitadas e sem meios de se comunicar com o resto da humanidade. Watney precisa descobrir uma forma de sobreviver em um planeta inóspito até a chegada da próxima missão. Enquanto o pessoal da terra, eventualmente vai descobrir a falha e tentar solucionar a situação.

E apesar da situação complicada do protagonista, o filme é curiosamente otimista. Watney nunca desiste, assim como seus colegas, e mesmo quando estes fazem escolhas das quais discordamos, estas são compreensíveis dentro da função de cada um deles. O vilão é Marte e sua vastidão inóspita. Dirigido por Ridley Scott, a produção acerta tanto nos temas quanto nos efeitos especiais.
(The Martian - 2015)

Leia a crítica de Perdido em Marte

O Espaço Entre Nós


É o representante voltado para o público juvenil desta lista. Uma astronauta embarca para uma missão à Marte sem saber que estava grávida. Gardner (Asa Butterfield) nasce no planeta vermelho e como não suportaria a viagem de volta é criado em segredo por lá. Quando chega a adolescência o primeiro cidadão genuinamente marciano deseja conhecer a Terra e, claro, encontrar com a garota com quem se corresponde via internet, a adolescente problema Tulsa (Britt Robertson). Mas sua biologia não conseguiria sobreviver em nosso planeta.

Parece, mas O Espaço Entre Nós não é baseado em uma obra literária. Mas a aventura tem todos as características do sub-gênero, que costuma apontar discussões interessantes, mas nas telas só tem tempo para desenvolver de verdade o romance adolescente. Não chega a ser ruim, mas o potencial não atingido por decepcionar. A surpresa fica por conta da presença de Gary Oldman e Carla Gurgino, nesta aventura despretensiosa.
(The Space Between Us - 2017)

Esta lista para por aqui. Mas não se engane, existem muitos, muitos filmes com Marte entre os cenários. Este texto, no entanto, é focado nos títulos que falam sobre morar em nosso vizinho vermelho. Quem sabe quando os cientistas encontrarem vida naquela água, eu não faça uma lista sobre os marcianos da ficção!

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Missão: Impossível - Efeito Fallout

Em sua estréia no cinema, Ethan Hunt protagonizou sua clássica cena pendurado em cabos. Em Missão Impossível 2 ele escalava montanhas sem equipamento de segurança. Na terceira missão, o agente usou um prédio como tobogã, e depois andou do lado de fora do maior aranha-céu do mundo em Protocolo Fantasma. O quinto filme, Nação Fantasma pendurou o astro do lado de fora de um avião durante a decolagem. Missão: Impossível - Efeito Fallout tem a complicada tarefa de colocar o personagem para enfrentar um desafio ainda mais alto e mirabolante, entre outras coisas.

Para corrigir uma falha em missão, e evitar um atentado nuclear Ethan Hunt (Tom Cruise), e o time do IMF precisa correr contra o tempo, unir forças com outros "profissionais", e enfrentar problemas do passado.

Mas fique tranquilo, apesar dos tais problemas do passado, não é preciso ter assistido aos cinco filmes anteriores para embarcar nesta jornada. O roteiro explica tudinho para você, em alguns momentos explica até demais, obrigando o filme a parar para que os personagens tenham discussões de relacionamento, e esclarecimentos de história prévia. Neste aspecto, talvez seja sim necessário um grande conhecimento prévio da franquia. Conhecer bem a equipe, para se importar mais por seus problemas de relacionamento. Já para o espectador que não desenvolveu esta afeição prévia, essas pausas podem causar impaciência. - Quem se impota com que Hunt namora? O mudo está em perigo eminente. - Tal perigo inclui sim, fortes conexões com o filme anterior, todas devidamente explicadas para os novatos. Hunt precisa lidar novamente com Solomon Lane (Sean Harris), que prendeu no passado, e para tal conta com a parceria forçada com o agente especial da CIA August Walker (Henry Cavill, o Superman e seu famigerado bigode*). Ilsa (Rebecca Ferguson), esta de volta com sua própria agenda no caso.

Um tradicional seita maluca/célula terrorista que pretende salvar o mundo por meios nada ortodoxos, parecerias forçadas, divergências entre agências, métodos de ação conflitantes, vilões infiltrados, armações complexas, entre outras características obrigatórias do gênero estão presentes no roteiro. Nada realmente deveras surpreendente, tudo seguindo a risca a cartilha dos filmes de espionagem. A intenção aqui não é surpreender o público mais produzir as situações que tornam possível o que realmente o longa propõe, colocar Cruise nas cenas de ação mais mirabolantes possíveis. Neste sentido o longa não decepciona.

Encontra-se neste filme, sequencias de perseguição intermináveis, que curiosamente exploram muito bem o cenário em que é são situadas. As cenas em paris por exemplo, atiçam o turista que vive dentro de você. Lutas bem montadas, em especial certa pancadaria em um banheiro masculino. E principalmente Tom Cruise correndo loucamente, saltando de alturas vertiginosas, es e pendurando em todo tipo de coisa. Cenas que ganham mais valor, e potencial publicitário, pelo fato do ator optar por dispensar o dublê na maioria delas.

A complicação fica por conta de acreditar em tais loucuras. Exageradas, absurdas e às vezes sem sentido (ser atingido por um raio em pleno ar e sobreviver?), o filme leva cada uma destas sequencias a sério demais, o que não condiz com sua natureza improvável. Falta a capacidade de encontrar humor no absurdo, algo que Brad Bird conseguiu alcançar em Protocolo Fantasma, mas que Christopher McQuarrie não alcança e que ajudariamuito nossa capacidade de suspensão de descrença.

Apesar do palco ser montado para exaltar as qualidades de Cruise, vale mencionar que ele não monopoliza o longa. É claro, os maiores e mais impressionantes feitos são dele, ele é o grade herói, mas o roteiro não menospreza seus colegas de elenco. Todos os personagens tem sua função definida na trama e seu momento de brilhar. Quem aproveita melhor as oportunidades são Vanessa Kirby (a princesa Margareth de The Crown), que esbanja atitude e elegância em seu pouco tempo de tela. E Cavill, curiosamente não pelo polêmico bigode, mas por sua figura debochada e nada sutil em cena, muito diferente do bom moço Kriptoniano por qual ficou conhecido. Simon Pegg, Ving Rhames, Michelle Monaghan e Alec Baldwin estão de volta ao elenco, aque ainda conta com Angela Basset.

Missão: Impossível - Efeito Fallout, acerta em cheio nas sequências de ação, enquanto trabalha as relações entre personagens de forma razoável. Falta mesmo, é dar à Ethan Hunt algo à mais. Uma personalidade que o diferencie melhor de outros super-agentes, e que torne a trama de cada filme distinta dos longas anteriores da franquia, independente da sequências de ação. E já que esta sexta aventura deve sim agradar multidões, resta torcer para que sua provável sequência crie um motivo para pendurar Cruise no foguete, que seja tão memorável quanto a cena em si.

Missão: Impossível - Efeito Fallout (Mission: Impossible - Fallout)
EUA - 2018 - 148min
Ação


*O bigode que Cavill precisou "cultivar" para este filme, causou polêmica ao precisar ser retirado digitalmente durante refilmagens de cenas de Liga da Justiça, já que o contrato do ator com Missão: Impossível o impedia de retirá-lo na época.
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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite

Dwayne Johnson nunca dorme? Essa é o pensamento inevitável quando nos deparamos com a estreia de Arranha-Céu: Coragem Sem Limite nos cinemas. Tecnicamente, o terceiro filme do astro do ano (Jumanji, estreou no finzinho de 2017, Rampage em abril), é mais uma produção pensada para mostrar o astro como herói responsável por feitos incríveis.

Will Sawyer (Dwayne Johnson) é um ex-agente de operações de resgate do FBI que perdeu uma das pernas em missão, e está prestes a assumir o cargo de chefe de segurança no maior edifício do mundo. Ele e sua família são os primeiros a viver na área residencial do tal arranha-céu prestes a ser inaugurado, quando bandidos colocam em prática um mirabolante plano para roubar um importante objeto do proprietário do prédio. O que inclui um incêndio que deixa a família do protagonista presa na estrutura.

É claro, Sawyer vai fazer literalmente o impossível para tirar a esposa e os dois filhos do perigo, enfrentando as chamas, grandes alturas e bandidos caricatos. Estes últimos são de longe o menor dos desafios, tanto para o herói, quanto para o espectador, já que assim que aparecem em cena já é possível identificar os vilões, e até avinhar algumas de suas rasas motivações. Um plano furado, que os coloca em perigo tão grande quanto o das vítimas, sem garantias de sucesso. Escolhas idiotas, e frases de efeito batidas, fazem com que os bandidos nunca sejam uma preocupação real. Afinal, desde o início fica claro que não são páreo para o mocinho.

É na aventura contra o próprio prédio em colapso, que estão as melhores sequencias da produção. São nesses momentos em que realmente nos preocupamos com a sobrevivência dos personagens. Graças aos eficientes efeitos visuais aplicados para criar os cenários em chamas e as vertiginosas cenas em alturas. Vale lembrar, cenas empolgantes, porém absurdas. Como a maioria dos longas do gênero, realismo não é a preocupação principal. Nível de improbabilidade, e capacidade de criar feitos incríveis para solucionar tais soluções são. E nisso, o roteiro se sai muito bem, já que estamos acostumados e acreditamos sem dificuldades que Johnson é capaz de saltar de um guindaste em um prédio com apenas uma perna.

E por falar no "The Rock", é ele sem dúvidas quem carrega o filme. Por mais que acabe sempre interpretando o mesmo personagem, o carisma conta pontos para torcer por ele. Outra que conta pontos a favor é a esposa de Sawyer. Sarah (Neve Campbell, da franquia Pânico), não é a mocinha à espera no alto da torre high-tec. Ela faz de tudo para salvar os filhos e mais tarde o marido. Uma pena, o roteiro achar preciso justificar sua iniciativa e capacidade lhe dando uma carreira no exército.

O elenco conta ainda com Pablo Schreiber (o Pornstach de Orange is the New Black), Roland Møller, Noah Taylor e Byron Mann. Todos devidamente caricatos e previsíveis em seus papéis. Do vilão, ao policial de rua, os personagens seguem a cartilha de tudo que você já viu em filmes de ação. O mesmo vale para as lutas, que apostam no exagero e na confusão em detrimento da compreensão. O auge deste lugar comum fica por conta da inclusão de uma sala de espelhos sem grandes funções no prédio, que destoa da super-funcionalidade do arranha-céu, e claramente está presente apenas para situar uma estilosa cena de luta.

Surpresa mesmo é pela quantidade de telões e a capacidade de transmissão televisiva que o filme oferece como características de Hong Kong. A população nas ruas assiste a tudo em tempo real com direito à torcida. E pelas erradas comparações com Duro de Matar e Inferno na Torre. A premissa pode ter semelhanças, mas o resultado não é de longe tão eficiente e memorável quanto dos longas anteriores.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite é um filme de Dwayne Johnson e funciona apenas como tal. Não agrada a quem quer uma ação intensa, bem projetada e cheia de surpresas. mas deve entreter quem curte o gênero, seja pela ação e grandes explosões, ou por gostar de apontar e rir dos clichês e soluções impossíveis (me inclua aí no segundo grupo). Também deve ser esquecido assim que os créditos começarem a subir. Mas tudo bem, Dwayne Johnson nunca dorme. Logo, logo o astro traz outro passatempo barulhento e descompromissado para a tela grande.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (Skyscraper)
2018 - EUA - 103min
Ação


Leia as críticas de Jumanji: BemVindo à Selva e Rampage: Destruição Total
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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Perdidos no Espaço - 1ª temporada

A premissa original era bem simples. Uma família a caminho do novo lar da humanidade tem seu rumo perturbado por um clandestino, e por isso todos ficam Perdidos no Espaço em sua nave auto-suficiente. Na nova versão da série, produzida pela Netflix, a criação deste cenário não é tão simples, e a primeira temporada usa seus dez episódios para explicar como foi formada a equipe da Júpiter, e como eles se colocaram nos apuros do título.

Um evento cataclísmico tornou a terra um lugar ruim para a humanidade, e aqueles que se provam aptos - leia-se passam em uma série de testes - podem se mudar para a nova colônia humana em Alpha Centauri. Os Robinsons estão entre os aprovados, e estão em plena viagem quando algo ataca a Resolute, grande estação espacial que leva seu grupo de colonos. As famílias são forçadas a deixar a "nave-mãe", em suas pequenas Júpiters e acabam caindo em um planeta misterioso.

Diferente do clássico da década de 1960, os Robinsons não estão sozinhos no início desta jornada. Outros colonizadores também estão perdidos neste planeta, mas o foco continua naqueles personagens criados em 1965. Todos devidamente atualizados para o século XXI, mas sem perder suas principais características.

John Robinson (Toby Stephens), é um pai ausente, extremamente envolvido com seu serviço militar, que embarca nesta viagem para ficar mais com os filhos. No comando, a ciêntista Maureen (Molly Parker), é uma mãe forte e dedicada. E o casal está separado, vale ressaltar. Entre as crianças, Judy (Taylor Russell) precisa se provar como médica iniciante, e por ser a mais velha se sente responsável por tudo. A jovem também é de outra etnia, acertadamente sua adoção é apenas citada e nunca se torna uma questão. Penny (Mina Sundwall) é a adolescente impulsiva, que faz graça com tudo,mas que também está disposta a se arriscar pela família. Enquanto o doce Will (Maxwell Jenkins), só quer encontrar provar seu valor na missão.

As maiores mudanças ficam por conta dos "agregados" da família. Don West (Ignacio Serricchio) é mais malandro, mas ainda tem bom coração. A Dra. Smith (Parker Posey) - isso mesmo doutorA - ainda carrega a mesma capacidade de ludibriar e manipular as pessoas, mas agora a lábia vem acompanhada de um background mais complexo. Já suas maldades parecem muito mais estremas, e em alguns momentos beiram a loucura. É o Robô quem tem sua origem completamente alterada, tornando-o um personagem mais ativo e profundo. Faltou apenas tornar a criatura mais empática para facilitar nosso laço com ele.

A tripulação precisa ajustas os ponteiros e lidar com seus dilemas individuais, ao mesmo tempo que precisa lidar com os perigos deste planeta desconhecido e tentar voltar para a Resolute. É aqui que as histórias de dividem em episódios que remetem as aventuras da série clássica, com um problema diferente a cada capítulo, que na maioria das vezes vai mover a jornada principal. A previsibilidade aqui conta pontos à favor, já que é com os personagens e não com os problemas com que nos identificamos. E a familiaridade com a história e personagens reforçam os laços, que também se beneficiam, com a escolha de um elenco carismático.

Visualmente, a produção deixa um pouco de lado a visão romântica de futuro dos anos 60, e adota o visual tecnológico funcional dos dias de hoje. Atualização necessária para tornar a missão espacial crível para a audiência de 2018. Os efeitos especiais, fotografia e as escolhas da direção são eficientes tanto para mostrar a vastidão e variedade deste planeta, quanto para enfatizar detalhes dos ambientes pequenos dos interior das naves.

Ritmo e linguagem, também foram atualizados, é claro - quem conhece a série clássica sabe, que esta soa lenta para os tempos atuais. Assim como, os papéis de cada personagem nesta sociedade foram repensados. Diversidade e empoderamento feminino estão na pauta. Este último então fica mais evidente, na troca de gênero da vilã, e principalmente durante o clímax, quando os planos dos heróis óbvios, John e Dom, falham miseravelmente e cabe às mulheres da família salvar o dia.

Ciente de estar situado em outro contexto, este remake de um clássico da ficção-ciêntifica não hesita em gastar um tempo atualizando e restabelecendo as origens do argumento original. E ainda aproveita a oportunidade, para apresentar bem este universo e seus moradores. Perdidos no Espaço, acerta em cheio ao trabalhar a nostalgia com elementos novos, sem deixar de ser intrigante e divertido.

Esta primeira temporada de Perdidos no Espaço tem 10 episódios com cerca de uma hora cada. Todos estão disponíveis na Netflix.

Leia mais sobre Séries e Netflix.
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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Ilha dos Cachorros

Não é novidade que animações são capazes de discutir temas complexos independente de seu público alvo. De fato, as melhores são assim, com temas consistentes, muitas camadas e discussões apresentadas de forma acessível através do tom lúdico da animação. Ilha dos Cachorros, a nova animação de Wes Anderson traz metáforas à ditaduras e regimes nazistas e fascistas, em uma aventura no simétrico mundo do diretor.

O prefeito Kobayashi (voz de Kunichi Nomura), proíbe todos os cães de morar em Megasaki. Os animais são transferidos para a ilha/lixão vizinha à cidade. Atari (Koyu Rankin) de apenas 12 anos não se conforma com a separação de seu pet, e decide sair a procura de Spots (Liev Schreiber). Na ilha, ele recebe a ajuda de uma matilha de iguais composta por Chief (Bryan Cranston), Rex (Edward Norton), King (Bob Balaban), Boss (Bill Murray) e Duke (Jeff Goldblum). Enquanto na cidade, um grupo de estudantes comandados pela intercambista Tracy (Greta Gerwig) tenta desmascarar o prefeito e sua lavagem cerebral que condenou os cachorros.

Situado no japão, grande parte do filme é falada no idioma local. Humanos japoneses falam apenas em japonês, inclusive Atari. Apenas os animais, e eventuais intérpretes como Tracy, falam inglês. Não que precisemos de ajuda para simpatizar com os verdadeiros protagonistas deste longa, os cães. Junto com o idioma e localização, vem as referências e elementos da cultura japonesa, que tanto podem ser encarados como homenagem, quanto apropriação cultural dependendo o espectador. - Eu escolho a primeira opção.

A nacionalidade dos personagens, influencia inclusive o estilo da animação, seja no tom das vozes dos atores, seja nos movimentos bem marcados e controlados dos personagens. Estes consequentemente evidenciam a técnica em stop-motion escolhida para contar a história. Além dela a animação em 2D, é utilizada como recurso em momentos chave, e fazem alusão a animes japoneses de outrora. Sumô, teatro kabuki e os haikai estão entre as outras muitas referencias à cultura japonesa.

Referências nipônicas à parte, em sua temática Ilha dos Cachorros faz alusões a momentos distintos, porém similares na história da humanidade. Marketing para propagação de ideologias de ódio, governantes autoritários que se volta para uma parcela da população, genocídio, estão entre os assuntos abordados durante a jornada de Akira e companhia. Há tempo até para menções ao empoderamento feminino, e os atuais problemas de imigração. Tudo isso, sem perder a parte aventuresca e lúdica da animação.

A grande quantidade de personagens, é o único problema do longa. É evidente que não há tempo hábil para trabalhar todos eles e ainda desenvolver a trama principal. O resultado, e a sensação de que algumas das personalidades mais curiosas foram sub aproveitadas. Especialmente, Júpiter (F. Murray Abraham) e Oracle (Tilda Swinton). Ao menos, os muitos rostos e focinhos em cena, comportam o desfiles de nomes conhecidos já tradicionais nas obras de Anderson. Além dos nomes já mencionados, Frances McDormand, Scarlett Johansson, Harvey Keitel, Ken Watanabe, Anjelica Huston e até Yoko Ono(!), emprestam suas vozes para personagens e participações especiais.

Entre aqueles que ganham um arco bem definido, as atenções maiores ficam em Chief. Cão de rua a vida toda, tem uma desconfiança natural em relação aos humanos e um temperamento difícil de controlar, a ser desenvolvido através das relações com o menino e os outros cachorros.

Tecnicamente, o filme acerta do detalhismo para a criação visuais distintos, mesmo para personagens com as mesmas características físicas. Também acerta ao transportar o estilo e linguagem característicos do diretor para a o formato da animação. As simetrias, ritmo, o visual igualmente estranho e belo, que tornam os filmes de Anderson inconfundíveis estão devidamente incorporados.

Ilha dos Cachorros conta a jornada de cães mais humanos que muita gente, e ainda aproveita para repensar diferentes momentos da história da humanidade. Criando uma relação com o espectador através da conexão com a realidade que transparece através do mundo mágico dos cães. Uma animação consciente de suas possibilidades, e que explora bem seus temas, entregando um universo rico e encantador.

Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
Alemanha, EUA - 2018 - 102min
Animação, Aventura
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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Uma Quase Dupla

A proposta de Uma Quase Dupla é bastante promissora, no saturado mercado de comédia do cinema nacional. Uma comédia policial no estilo parceria de opostos, estrelada pela mais popular comediante feminina do país, e por um galã de novelas no auge do sucesso. Se o plano é bom, a execução não consegue fugir de conhecidos escorregões (literais e figurativos, tem piada de tombo) do gênero. 

a pacata cidadezinha de Joinlândia tem sua rotina alterada por um misterioso assassinato. Para resolver o crime, Keyla (Tatá Werneck) uma experiente investigadora do Rio de Janeiro é convocada e une forças com ingênuo e inexperiente subdelegado Claudio (Cauã Reymond). A dupla vai brigar muito, e causar "altas confusões", antes de conseguir desvendar o caso.

O mistério do caso não é dos mais difíceis de desvendar. Quem está habituado ao gênero policial, sendo comédia ou não, provavelmente vai desvendar o crime assim que o vilão aparece em cena. A previsibilidade não é um problema, mas um recurso, já que a comédia pretende fazer humor a partir dos clichês do gênero.

O mesmo vale para o desenrolar da investigação, os passos seguidos pela dupla, existem para ambientar e conectar as piadas e referências. Todas criadas a partir da expectativa do espectador sobre a previsibilidade comum neste tipo de produção, estabelecidas por muitas séries e filmes ao longo dos anos. A introdução do "jeitinho" brasileiro de ser nesse sistema é um acerto, especialmente quando faz graça com o cotidiano de uma cidade do interior. Mas novamente, é o caminho óbvio a seguir.

É na execução das piadas que o filme perde pontos ao optar pelo exagero e repetição para fazer graça. Enquanto o exagero, é naturalmente raso e afasta alguns públicos. A repetição, torna o humor mais cansativo que engraçado após os primeiros minutos. As referências quando detectadas pelo espectador arrancam alguns sorrisos. Assim como o improviso, conhecido ponto forte de Werneck. Mas o produção não consegue criar aquele momento em que a gargalhada é inevitável, independente de seu tipo de humor favorito, e em se tratando de uma comédia, este é o objetivo principal.

O acerto fica por conta do elenco, Reymond e Werneck conseguem sim criar uma relação de opostos crível. E seu carisma ajuda na torcida pelo sucesso da dupla. Alejandro Claveaux e Daniel Furlan, também se destacam por se entregar sem pudores às caricaturas a que foram designados. Como um todo, o elenco parece se divertir com o trabalho, e em uma comédia isso conta pontos. 

Uma Quase Dupla conseguiu o mais difícil, encontrar um nicho pouco explorado dentro da comédia nacional. Mas desperdiça a oportunidade ao escolher o caminho mais previsível para fazer humor. Vai sim, agradar as multidões que consomem esse tipo de produção, e seu formato permite a criação de uma franquia. Se uma sequência acontecer, o jeito é torcer para que Keyla e Claudio se reinventem a cada caso, e não fiquem sempre resolvendo os mesmos crimes. 

Uma Quase Dupla
Brasil -2018 - 90min
Comédia




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