quarta-feira, 27 de junho de 2018

Filmes sobre videogames que não existem

Enquanto as adaptações de quadrinhos inundaram a tela grande com grandes sucessos, a indústria dos games ainda patina na tentativa de contar suas histórias no cinema. Até hoje as personagens consagrados nos consoles conseguiram no máximo produções razoáveis, ou que dividem opiniões. Há quem diga, que a grande maioria é apenas ruim mesmo.

Entretanto, existem sim bons filmes sobre videogames no mercado. A parte curiosa é que tratam-se de obras que não foram inspiradas em jogos verdadeiros. Confira agora os melhores filmes sobre videogames de mentirinha, ou quase isso!

Detona Ralph

(Wreck-it Ralph - 2012)
Ralph é um tradicional vilão de um game das antigas, mas anda inconformado com seu status de renegado e resolve tomar uma atitude. Decidido a ser visto como a boa pessoa que é e passeia por todo o fliperama, e passa por jogos de diferentes estilos e épocas. Completamente inspirados nos jogos eletrônicos que jogamos no mundo real, é possível reconhecer as inspirações usadas nos personagens principais, caçar referências e participações especiais. Tudo isso, com a qualidade técnica e narrativa da Pixar.


Sucesso de público e crítica, Ralph, Vanelope e companhia vão ganhar um novo filme, Wi-Fi Ralph 2019. E como todo bom game das antigas que se preze, vão ganhar uma atualização nostálgica e chegar à internet, expandindo estilos e referências ainda mais. E claro, a essa altura, já é possível encontrar versões jogáveis de alguns games que aparecem no filme, falta saber se são tão divertidos quanto a aventura da Disney.

Jumanji: Bem-Vindo à Selva

(Jumanji: Welcome to the Jungle - 2017)
A melhor descrição deste longa é a seguinte: trata-se de uma adaptação/paródia de um videogame, que não existe. Jumanji nasceu como um jogo de tabuleiro clássico, que levou Robin Williams e Kirsten Dunst para uma excelente aventuras em muitas Sessões da Tarde na década de 1990. O recente remake reformula a franquia, transmutando o jogo em um console com cara de Atari, que suga seus jogadores para a selva cheia de desafios que eles precisam superar para voltar para a casa.


Estrelado por Dwayne "The Rock" Johnson, foi recebida com desconfiança pelos fãs do original (ok, talvez só por mim!), mas surpreendeu ao agredir a memória do filme de 1995, trazer toques de nostalgia e até críticas a clichês dos video-do mundo real. Com um elenco talentoso, é despretensioso, divertido e leve, sem ofender a inteligência do espectador.

Jogador Nº1

(Ready Player One, 2018)
Jogador Nº1 é sim uma adaptação, mas não de um videogame, a obra nasceu nas páginas (leia a crítica do livro aqui). Uma obra completamente antenada com o mundo dos games a cultura pop em geral, onde todos passam a maior parte de sua vida em uma realidade virtual, o Oasis (parecido com o Second Life, quem lembra?). Quando o criador deste paraíso morre, seu patrimônio fica disponível para o primeiro que vencer seu jogo, uma caçada ao tesouro. O jovem Wade Watts é um daqueles que tentam mudar de vida com a nova oportunidade, e tem que lidar não apenas com a concorrência de outros jogadores, mas com uma empresa que quer apenas lucrar com a plataforma.


Dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg, o filme acerta ao emular o estilo dos clássicos de aventura oitentistas que o próprio diretor ajudou a consolidar, e também ao transportar a narrativa dos jogos para a tela. Os jogadores tem que superar fases com níveis crescentes de dificuldades, angariar recursos e parceiros se quiserem alcançar o grande prêmio. Tudo isso com muitas - eu disse muitas, mesmo! Uma tonelada - referências à cultura pop. Games, filmes, animes, desenhos, séries, livros, música, tem um pouquinho de nostalgia para cada tipo de espectador. Um filme feito para, e por, aficionados com a cultura pop, em especial da década de 1980, mas acessível para quem não tem a mesma bagagem.
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Na arte de transportar videogames para as telas, parece que o segredo é deixar de lado os clássicos, e apostar em personagens originais e muitas referências. O que não quer dizer que não existam filmes ruins entre as "não adaptações de videogames" - Pixels (2015) está aí para comprovar isso.

Mas, o sucesso destes longas pode apontar o caminho para as adaptações de games da vida real. É só questão de tempo, e uma atençãozinha dos criadores. Por hora, fica aí, minha listinha de filmes para amantes de videogames.
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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Westworld - 2ª temporada

O Ministério dos Série Maniacos adverte: este texto pode conter spoilers da segunda temporada de Westworld.

Westworld é a substituta oficial da HBO, para a viciante Game of Thrones, e assim como a série de gelo e fogo, sua estréia foi mais tímida do que merecido. A excelente primeira temporada surpreendeu e deliciou aqueles que deram uma chance à estranha mistura de faroeste com ficção cientifica. Dois anos mais tarde e a produção retorna com a quase impossível tarefa de ser tão surpreendente,  elaborada e ajustada quanto em sua estreia Além de ter angariado mais alguns fãs durante a pausa, ou seja o "hype" estava nas alturas. Felizmente seus criadores Lisa Joy e Jonathan Nolan parecem estar cientes do desafio, ter um plano ajustado e nenhuma vontade de se repetir.

As máquinas finalmente despertaram, e iniciaram sua luta contra os humanos pela liberdade. E desta vez, temos total ciência da bagagem dos personagens, e vamos acompanhar suas ações a partir disso, certo? Errado! Ainda oscilando entre diferentes momentos temporais, a série nos mostra as consequências da revolução, muito antes de explicá-las. E quando estas explicações chegam, trazem informações que vão além do intervalo de quinze dias em que a história principal se desenrola. Há mais informações sobre a construção, e as três décadas de funcionamento do funcionamento do parque, a serem esclarecidas, e que influenciam diretamente os acontecimentos do presente. 


Assim, acompanhamos aos "quarteto de protagonistas", em jornadas completamente novas. A escalada de poder e crueldade de Dolores (Evan Rachel Wood), a busca de Maeve (Thandie Newton) por sua filha, a loucura de Will (Ed Harris) e a confusão mental de Bernard (Jeffrey Wright). Este último, um representante fiel do espectador nesta temporada, sempre se tudo, tudos, e até o tempo. Mesmo com as mudanças temporais bem definidas, o desafio era encaixar cada momento distinto em seus devidos lugares. E ao contrário do que se possa pensar, deixar seu público em constante alerta e dúvida, é sim um dos maiores méritos da série.

O estado de questionamento constante, também estimula as discussões filosóficas que o programa apresenta. Enquanto o primeiro ano se preocupou em discutir consciência, esta nova visita questiona o livre arbítrio e ética, não apenas dos anfitriões, mas também dos humanos, já que nossas escolhas são pautadas por nossas ambições, bagagens e limitações. Já os robôs tem formas distintas de lidar com esta nova liberdade, Akecheta (Zahn McClarnon) conquista seguidores, Maeve dá os anfitriões a escolha de ser consciente ou não, enquanto Dolores os impõe seus ideais à força. Tudo isso, com muitos ecos do ano anterior, referências e metáforas. No passado, o labririnto era o caminho para consciência, agora a busca pela porta que lhes proporcionará liberdade verdadeira.


A construção constante do mistério, e o oferecimento de respostas que criam mais dúvidas também mantém o espectador louco atento à trama. E podem soar exagerados para alguns, inclusive com a existência de alguns momentos que soam como filler (episódios que estão lá apenas para encher a temporada), como a passagem de Maeve e companhia pelo Shogun World. Mas o esmero na produção, e texto colocam estes momentos em uma qualidade técnica impecável. Em outras palavras, pode até ser enrolação, mas é uma enrolação muito bem feita. Além disso, em se tratando de uma série recheada de referências, mistérios, narrativas cíclicas e intenção de confundir, não da para afirmar que estes momentos aparentemente desconexos agora, não serão peças chaves no futuro.

E por falar em qualidade técnica e narrativa, esta se mantém equivalente ao primeiro ano. Diálogos afiados, com cada palavra propositalmente escolhida para aproveitar melhor cada interação. Os efeitos especiais continuam eficientes. A trilha sonora já característica de Ramin Djawadi. Nada surpreende mais no intato que a ousadia narrativa da produção.

Ciente de que seus espectadores estão dispostos a pensar, e assistir coisas novas, a série não tem medo de experimentar. Seja baseando boa parte da trama em um narrador cujas memórias foram embaralhadas, Bernard está completamente confuso, o que justifica os saltos temporais. Seja experimentando novos estilos e espaços. O resultado são episódios distintos marcantes, como o já mencionado Akane no Mai, que leva todos para o Japão feudal, com direito a mudança de idioma e banho de sangue. Ou o cinematograficamente excelente Kiksuya, e narrativamente poético dedicado ao líder da nação fantasma, também com boa parte falado em um idioma nativo americano. The Riddle of the Sphinx, o quarto episódio, dirigido por Lisa Joy também chama atenção por ser esclarecedor, com arcos e referências bem construídas, mas sem exagerar no didatismo.

Sim, esta temporada é muito mais didática que a anterior. Não, que isso facilite a compreensão total do publico. Mas os diálogos mais detalhados, e mesmo o "previously", que precedem os episódios, parecem querer garantir que mesmo aqueles menos acostumados com o estilo da série, se percam no caminho. A produção parece ter escolhido, sobre quais aspectos o espectador deve "ficar confuso", no bom sentido.

A última parte deste intricado quebra-cabeças é o elenco. Com tantas nuances, e sobreposições os atores tem que ser capazes de viver várias versões de seus personagens, e imprimir força e sutileza mesmo aos pequenos de talhes. Se o elenco principal, já se provara mais que capaz anteriormente, o roteiro lhes oferece desafios novos. Enquanto os coadjuvantes conseguem não apenas acompanhar, como tem seus pequenos arcos. Simon Quarterman é um dos que roubam a cena na jornada de Sizemore. Já McClarnon, surpreende ao protagonizar, e carregar, o memorável episódio sobre a nação fantasma.


Entre dúvidas e mistérios, o final da jornada - em um episódio especial de 90 minutos - encerra arcos, responde perguntas e cria ainda mais questionamentos. E mais importante, expande o universo da série para além dos parques, e amplia as possibilidades e caminhos que a série pode seguir.

O primeiro ano de Westworld é tão perfeito, que a segunda temporada da série era uma incógnita. Não chega a superar sua estréia, mas produção, conseguiu manter a qualidade técnica e narrativa e ampliar o universo dos anfitriões. Também teve coragem de ousar, e com tudo isso manteve o espectador interessado. Interessado não, obcecado! Seja pela confusão, seja pela curiosidade. E como a série só deve retornar em 2020, a maioria de nós passará os próximos dois anos questionando, quando podermos retornar à esta adoravelmente confusa realidade.

Westworld é exibida pela HBO, está disponível na HBOGo.

Leia mais sobre o universo de Westworld!
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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Não vou correr para acompanhar o ritmo da Netflix, e você?

Eu não sei vocês, mas comecei a achar muito difícil acompanhar o ritmo da provedora de conteúdo. Então é hora de pensar nosso consumo novamente. Mas antes, um pouco de contextualização. 

O serviço de streaming começo tímido, com poucas - e excelentes - séries próprias. As maratonas nos faziam consumir tudo muito rápido, transformando a espera pela nova temporada em uma eternidade.  A qualidade e a alta demanda, fizeram a Netflix aumentar a quantidade de conteúdo.

E então vieram os serviços de streaming dos estúdios, que tendem a tirar seus produtos da concorrência para beneficiar seus serviços exclusivos.  E a necessidade da Netflix construir um catálogo próprio mais robusto ficou ainda mais urgente. O que interfere diretamente na qualidade dos produtos, e na forma como os consumimos - novamente. 

Vem ver outra reflexão sobre a vida moderna, quando analisamos se existe um lado ruim na Netflix

Eu sei o que você deve estar pensando: não somos obrigados a assistir tudo do catálogo! - Mas admita, bem que tentamos. Isso porque estamos em um mudo mega conectado, e sempre tem aquele colega, site ou canal,  que está assistindo e indicando as séries que você deixou para depois. A curiosidade bate e ninguém quer ficar com a sensação de estar de fora. Se você trabalha com isso - escrevendo sobre produtos audiovisuais por exemplo - ou mesmo é um aficionado que navega por diferentes gêneros e estilos a coisa complica ainda mais.

Mas esta não é a parte complicada. Na verdade é excelente, sempre ter uma série ou filme novo para descobrir. A parte complexa é acompanhar o ritmo, para evitar os spoilers e conversar com os colegas. Se antes todos assistiam os programas mais ou menos no mesmo ritmo, conforme era exibido na TV, agora a maratona de seu amigo pode estar à meses de distância da sua. 

O resultado, ou você está sempre com a sensação de ter coisas atrasadas, ou corre desesperadamente para maratonar tudo assim que é liberado. Na segunda opção, a pressa nos faz deixar de lado, parte importante ao consumir qualquer obra, a apreciação. Temos que assistir tudo em "uma sentada", e mal dá tempo de pensarmos no que estamos assistindo. Tem também o sentimento de obrigação - Luke Cage saiu hoje, tenho que ver agora. Ou de culpa - ainda não arrumei tempo de ver Perdidos no Espaço! - Ambos comportamentos que tiram parte do prazer em acompanhar estas histórias.

Outra consequência do aumento de volume dos produtos da Netflix, é a queda na qualidade. Se as primeiras séries eram excelentes, e filmes dignos de concorrer ao Oscar, agora a maioria é só "ok". Mas esta discussão eu vou deixar para outra oportunidade. 

Por hora, vou apenas afirmar algo em que venho pensando há alguns meses, em prol do bom consumo, vou desacelerar. Chega de correr para acompanhar o ritmo dos lançamentos. Isso vai atrasar algumas resenhas, mas com certeza vai melhorar as análises, e de quebra a parte boa de tudo isso, o entretenimento. 

Agora pergunto, você também teve esta sensação? Consegue acompanhar tudo que deseja? Como anda sua relação com a Netflix e serviços similares?

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Sol da Meia-noite

Xeroderma pigmentoso, ou XP, é uma desordem genética, que torna deficiente a capacidade do organismo para recuperar o dano causado pela radiação ultravioleta. Nos casos mais severos da doença a pessoa precisa evitar por completo a exposição à luz solar e a outras fontes da radiação UV e a expectativa de vida é inferior à 20 anos. Esta é condição que determina a vida da protagonista de Sol da Meia-noite. Infelizmente, foi preciso uma breve pesquisa para compreender melhor a condição, já que o roteiro parece escolher fornecer apenas as informações que melhor o atendem.

Katie Price (Bella Thorne) de dezessete anos é portadora desta rara desordem e passou praticamente toda a vida protegida dos raios solares dentro de casa. A maior parte de seu contato com o mundo se dava através de seu dedicado pai Jack (Rob Riggle), sua única amiga Morgan (Quinn Shephard), da janela do seu quarto e durante as noites. É em uma destas saídas noturnas que ela conhece Charlie (Patrick Schwarzenegger), com que engaja um romance que muda sua vida.

A partir deste encontro, a garota começa a "viver de verdade", descobrir coisas e pessoas novas e vivenciar uma amor pelo qual vale a penas correr riscos. Ok, a produção se encaixa nos romances juvenis com dilemas que abrangem a morte eminente, como Se eu ficar, Como eu era antes de você e Tudo e Todas as Coisas! Mas, diferente de seus colegas inspiradas em obras literárias, este remake de um mangá e longa japonês de 2006 (Taiyo no uta) carece de contextualização.

Faltam informações sobre a doença e a vida sob as condições que ela impõe, sobre a relação com o pai e a amiga, sobre as habilidades e preocupações da moça, e a ausência da mãe falecida. Katie parece completamente deslocada da sociedade, e logo em seguida descobrimos que ela pode sair durante as noites, ainda sim evita conhecer e se relacionar com pessoas de sua idade, sem motivo aparente. Nem mesmo na internet a moça se relaciona, situação pouco realistas para adolescentes do século XXI. A produção tem apenas noventa minutos de duração, existe sim tempo para apresentar melhor o mundo e medos da protagonista. Mas o roteiro parece apressado em partir para o romance, e deixando de lado a possibilidade de criar uma empatia melhor entre o espectador e os personagens.

Mesmo a doença de Katie, uma condição real - a mesma que as crianças do terror Os Outros possuem - é mal apresentada. É apenas lá pela metade da história que descobrimos que mesmo com todos os cuidados a expectativa de vida nesses casos é curta, já as consequências de se expor são explicadas pela protagonista de forma confusa e simplista. A compreensão geral, é que a moça vai entrar em combustão espontânea diante de qualquer tipo de exposição a luz do sol. Também ficam de fora informações sobre tratamentos necessários e prevenção à outras fontes de radiação ultravioleta. Tudo que não é essencial para o romance que o roteiro resolveu contar fica de fora. Empobrecendo, potencial informativo que este tipo de obra costuma defender.

Se a doença e os relacionamentos que moldaram a vida da jovem não tem espaço, resta ao romance carregar o filme. Mas o casal falha em sustentar o filme. Vivido pelo fraco Patrick Schwarzenegger - filho do Arnold - Charlie é o clichê de amor platônico adolescente supostamente inalcançável, que eventualmente é alcançado. Já a ex-estrela do Disney Channel Bella Thorne em alguns momentos tenta ser fofa por sua inabilidade social, em outros tenta emular a garota incrível e deslumbrante que ninguém conhecia, a oscilação soa abobada e pouco cativante. Nada que afaste, no entanto, os fãs da moça, que vão gostar do "empurrãozinho" que o filme tenta dar em sua carreira musical. Inclua aqui uma forçada cena em que a moça canta em público e logo atrai uma platéia entusiasmada.

A jornada amorosa da dupla fica no lugar comum gênero, com muitas montagens de passeios românticos. Sempre se esforçando ao máximo para forçar o espectador a sentir algo. Ao invés de arrancar lágrimas, o filme gera irritação de quem percebe a tentativa de manipulação mal ajambrada. Especialmente porque o grande empecilho para um final feliz está a uma frase de distância. Basta Katie parar de inventar desculpas implausíveis para esconder sua doença.
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No elenco, Riggle e Shephard até se esforçam, mas como seus personagens são subestimados pelo roteiro, não há muito o que a os atores possam fazer. A direção de Scott Speer é pouco inspirada, e na da sutil em suas intenções. Enquanto a trilha sonora recheada com canções no estilo Taylor Swift, é bastante esquecível.

Cheio de boas intenções, Sol da Meia-noite desperdiça boas discussões, e pouco faz pela conscientização da XP. O filme escolhe apostar no romance clichê, vivenciado por protagonistas poucos carismáticos. Não chega a ser impossível de assitir, mas é provável que você o esqueça antes mesmo de conseguir pesquisar sobre Xeroderma pigmentoso no google.

Sol da Meia-noite (Midnight Sun)
2018 - EUA - 93min
Drama, Romance


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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Gnomeu e Julieta - O Mistério do Jardim

Caso você ainda não saiba, o motivo para aquela vizinha ter um jardim mais bonito que o seu, são os gnomos de jardim que ela tem. Aprendemos sobre as atividades secretas das estatuetas decorativas no primeiro Gnomeu e Julieta, quando também acompanhamos o amor impossível dos personagens inspirados no mais famoso clássico de Shakespeare. Sete anos mais tarde, a franquia retorna à tela grande, adaptando outro clássico britânico.

Gnomeu (voz de James McAvoy), Julieta (Emily Blunt) e companhia se mudam para um novo jardim em Londres, e o casal ganha a responsabilidade de liderar os cuidados de seu novo lar. É claro, as novas tarefas causam um efeito no romance. Ao mesmo tempo, gnomos de toda a cidade tem desaparecido misteriosamente, um caso que só pode ser desvendado pelas versões em porcelana de Sherlock Gnomes (Johnny Depp) e seu fiel escudeiro Watson (Chiwetel Ejiofor), com uma generosa ajudinha dos protagonistas, únicos de seu grupo a escapar do desaparecimento.

Com os protagonistas devidamente apresentados no longa anterior, Gnomeu e Julieta - O Mistério do Jardim não perde muito tempo para relembrar o importante ao espectador. Assim sobra mais temo para a trama principal, e seus novos personagens. São Sherlock e Watson quem ganham uma introdução elaborada, que inclui o arqui-inimigo do detetive. Moriarty (Jaime Dememtriou) é exagerado, afetado, expansivo e exibicionista, lembra bastante a versão do personagem criada pela série da BBC estrelada por Benedict Cumberbach.

Aliás, referências à momentos clássicos das aventuras de Holmes, estão muito bem distribuídas por toda a duração do filme. Claramente, adotadas para entreter os adultos que acompanharão os pequenos. Entre elas, destaca-se o palácio mental do detetive, apresentado como uma animação 2D tradicional habitada por vários "Sherlocks", e com mais referências escondidas.

Ainda trabalhando para divertimento dos mais velhos, está a jornada dos personagens. Tanto Julieta e Gnomeu, quanto Holmes e Watson, passam pela mesma jornada. A moça e o investigador tem que aprender a lidar com as responsabilidades, sem deixar o companheiro de lado. Enquanto seus pares lutam para ser valorizados.

Mas, calma! Tem detalhes voltados para a criançada sim. A investigação principal, é divertida, frenética e fácil de acompanhar. De fato, é provável que os adultos a desvende longo nos primeiros minutos. O colorido, e as piadas voltadas para os pequenos, são garantidos pela variedade de gnomos existentes nesse universo, que agora abrange também outros tipos de bibelôs e até bonecos -  correndo o risco de virar Toy Story.

Dos acertos do original, a produção traz de volta o esmero na criação do universo e seus frágeis personagens, que vão das marcas do tempo na pintura, ao barulho de porcelana tilintando conforme eles se mexem. O elenco estelar que ainda conta com Michael Caine, Maggie Smith, Julie Walters, Ozzy Osbourne, Matt Lucas e Mary J. Blige. Já a música de Elton John, não encaixa tão perfeitamente com esta nova aventura, mas ainda funciona, principalmente para aqueles que as reconhecem. Além terem o tom certo para a animação. Leia-se, são animadas, positivas e/ou fofas.

Gnomeu e Julieta - O Mistério do Jardim deixa o romance um pouco de lado, e aumenta a aventura nas jornadas dos bibelôs de jardim. Usa de forma acertada as referências à cultura pop britânica, já característica da franquia, e mantém o esmero e charme do primeiro filme. Dando boas lições para os pequenos sem ser chato, é inteligente e divertido, tomara que não demore mais sete anos, para revisitarmos estes jardins.

Gnomeu e Julieta - O Mistério do Jardim (Sherlock Gnomes)
EUA, Inglaterra - 2018 - 86min
Animação

Leia a crítica do primeiro Gnomeu e Julieta
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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Jurassic World: Reino Ameaçado

O primeiro Jurassic Park entrou para a história do cinema ao nos fazer acreditar que dinossauros existem, enquanto suas sequências são esquecíveis. Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros apostou na combinação de nostalgia e encantamento por ver o parque finalmente funcionando, para conquistar um espaço na memória afetiva dos espectadores, entregando uma sequência com características de re-make que respeita a franquia original, mas a reinicia. Assim, Jurassic World: Reino Ameaçado herdou uma tarefa difícil, dar continuidade à uma franquia adorada, mas que nunca teve sequências muito inspiradas.

O parque deu errado, outra vez, e agora os dinos vivem por conta própria na ilha Nublar, que está prestes a ser dizimada por uma erupção vulcânica. Os dinossauros serão extintos, de novo. A discussão é se os humanos devem tentar salvar estes animais, ou deixar a natureza seguir seu curso. Ainda se sentindo responsável pelas criaturas Claire (Bryce Dallas Howard), embarca em uma jornada para resgatar os animais e recruta Owen (Chris Pratt) para acompanha-la. É claro, a ganância e burrice humana continua presente para colocar tudo em risco.

Sim, todos os elementos tradicionais* da franquia estão lá. Os cientistas e profissionais bem intencionados, aqueles com segundas intenções e sua tradicional falta de senso de perigo, crianças, vilões caricatos, gente sendo devorada, monstros e cenas de ação maiores e mais elaborados. E embora isso seja o que a maioria das pessoas espera encontrar ao pensar em Jurassic World, a opção  segura de entregar "mais do mesmo", pode soar como preguiçosa e diminuir o envolvimento do espectador. Não demora muito para descobrirmos o verdadeiro vilão, ou mesmo para identificar quem sobreviverá ao final da jornada. E dessa vez, não temos o encantamento de ver os gigantes jurássicos pela primeira vez, ou mesmo a novidade de ver o parque em atividade para ajudar.

Se os personagens humanos são caricatos e a história previsível, as sequências de ação e os efeitos especiais não decepcionam. A tecnologia para criar os animais, que ainda combina animatrônicos e computação gráfica, continua evoluindo e entregando criaturas cada vez mais convincentes. Enquanto o diretor J.A. Bayona (O Orfanato, Sete Minutos Depois da Meia-Noite e O Impossível), consegue imprimir sua identidade nas sequências de ação, acrescentando tons mais fortes de terror e fantasia às cenas.

De volta aos humanos, se torcemos por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard é graças ao carisma dos intérpretes, e pela relação que criamos com eles no filme anterior quando ainda tinham um pequeno arco a ser desenvolvido, não por mérito de seus personagens de poucas camadas. A única coisa que a dupla trabalha neste filme é uma longa "DR". Vale apontar aqui, que o diretor tem obsessão por mostrar os pés de Claire, abusando da possibilidade de piada com os polêmicos saltos da moça no primeiro filme.

Jeff Goldblum é escalado apenas para atender ao fator nostalgia, e podia ser melhor utilizado. A novata Isabella Sermon é eficiente ao dar vida à criança da vez. Maisie traz uma discussão que a franquia demorou a abordar, mas a novidade é tratada como mistério por grande parte da produção, sendo jogada ao fim do filme quando não há mais tempo para trabalhar o tema. O assunto deve ficar para uma possível próximo filme, assim como uma participação melhor de Goldblum.

É também na sequência que reside a esperança por uma grande novidade na franquia, já que Reino Ameaçado deixa gancho para uma situação inédita neste mundo onde dinossauros existem. Resta saber se a produção vai agradar o suficiente para garantir a continuação da história. Tudo depende da expectativa de cada em relação à produção. Quem busca grandes novidades deve se decepcionar, mas quem estiver à procura a familiaridade de uma aventura com gigantes que devoram gente, deve se divertir.

Jurassic World: Reino Ameaçado, não é tão esquecível quando as sequências de Jurassic Park, mas também não surpreende. Apesar dos personagens caricatos e da repetição no roteiro, é bem sucedido no que se propõe, entreter. Mérito das boas cenas de ação, efeitos especiais excelentes e o carisma da franquia. Como bônus, abre a possibilidade de bem vidas novidades caso a jornada continue. Particularmente, eu adoraria ver para onde a evolução levaria os dinossauros em uma próxima aventura.

Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom)
EUA - 2018 - 128min
Açãi, Aventura, ficção-ciêntífica


Leia a crítica de  Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

*Com a ilha Nublar sob destruição iminente, um elemento da franquia ficou de fora, a obsessão em colocar os personagens repetindo o nome do filme a todo momento. Reveja os filmes anteriores e confira quantas vezes ouvimos os nomes Jurassic Park e Jurassic World, ou mesmo encontramos seus logos espalhados em cena.

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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Futebol no Cinema

Cinéfilo brasileiro também gosta de futebol as vezes! E se não gosta, no mínimo curte uma boa jornada na tela grande sobre o esporte, e deve ter ao menos um título sobre a modalidade na sua lista. Pensando nisso, e na Copa da Russia, resolvi compartilhar aqui minha própria lista.

Estes são os filmes que vem imediatamente à minha mente, quando resolvem unir futebol e cinema. São os melhores títulos sobre o assunto? Provavelmente não, mas são filmes que por um motivo ou outro ficaram em minha memória.


Heleno (2012)

Ops! Preciso me corrigir, Heleno é provavelmente um dos melhores filmes sobre futebol já feitos. Mais especificamente uma das melhores cinebiografias futebolísticas já feitas. Conta a história do ícone do Botafogo Heleno de Freitas (Rodrigo Santoro), primeiro jogador a receber salário e atenções equivalentes as estrelas de cinema. Também foi o primeiro jogador-problema do futebol brasileiro. Talentoso, arrogante e mulherengo, usou e abusou de mulheres, drogas e confusões, dentro e fora do trabalho. Graças aos excessos, terminou a vida louco em um asilo. O filme é em preto e branco.

(Heleno, 2012)




Ataque ou Defesa 

Admito, eu não lembrava o título deste longa ao qual sempre me referi como "o filme de futebol das gêmeas Olsen", e assisti dezenas de vezes na Sessão da Tarde (ou seria no Cinema em Casa do SBT?). As irmãs Emma e Sam (Mary-Kate e Ashely Olsen), tem gostos diferentes, uma é excelente nos esportes, outra liga para moda e garotos. A dupla de pré adolescentes faz o de sempre, trocam de lugar, arrumam namoradinhos, bagunçam o campeonato e causam muita confusão antes de aprender uma valorosa lição.

(Switching Goals - 1999)





Ela é o Cara 

Já que estamos falando de clássicos da Sessão da Tarde, o da molecada mais nova deve ser esta pérola onde Viola (Amanda Bynes), se disfarça de garoto para poder jogar futebol e provar que garotas são boas de bola. É claro, ela se apaixona por Duke (Channing Tatum), seu companheiro de quarto, que acredita que ela é um homem. Mais abusadinho que o filme da "minha geração", o filme tem insinuação de nudez e piadas com item de higiene feminina!

(She's the Man, 2006)

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Um Time Show de Bola 

Este sim deveria ser referência para sua geração, talvez no Brasil não tenha "colado" por se tratar de uma produção espanhola e argentina, mas em defesa dos protagonistas deste longa seu time veste verde e amarelo. Um fã de Totó (pebolim, futebol de mesa), e consequentemente do futebol de verdade, precisa salvar sua cidade, é claro, em uma partida de futebol. Para isso, ele consegue a ajuda de seus amigos mais queridos, os bonecos da mesa de jogo que ganham vida e personalidades excêntricas. A grande e absurda partida de futebol ao fim do longa, valem a sessão.

(Metegol - 2013)



Leia minha crítica de Um Time Show de Bola no blog parceiro DVD, sofá e pipoca.

Uma História de Futebol 

Se você jogou futebol na infância, ou mesmo embarcou em uma partida de qualquer outro jogo com os amigos, este filme é para você. É baseado em livro infantil homônimo de José Roberto Torero, que traz passagens ficcionalizadas da infância de Pelé. Retrata com eficiência a empolgação da infância, que transforma em momentos épicos um simples jogo em um campo de barro. Com narração de Antônio Fagundes, foi indicado para o Oscar de Melhor Curta-Metragem, categoria live action em 2001.

(Uma História de Futebol - 1998)



Leia minha crítica de Uma História de Futebol no blog parceiro DVD, sofá e pipoca.

Fuga para a Vitória 

Este é provavelmente meu favorito desta lista, não porquê ele seja bom mas porquê é uma produção para lá de curiosa. Hatch (Silvester Stalone), é um um americano prisioneiro de guerra dos nazistas em plena 2ª Guerra Mundial, cujo único objetivo é fugir. Quando major fã de futebol Karl von Steiner (Max Von Sydow), reconhece um famoso jogador britânico entre os prisioneiros, tem a brilhante ideia de armar um jogo entre um time alemão, e um grupo de prisioneiros comandados pelo capitão John Colby (Michael Caine). Não demora muito para Hatch enxergar na partida uma chance de fugir.

Reparou no elenco? Stalone, Max Von Sydow, Michael Caine, e não para por aí, os demais membros dos times são grandes jogadores da época entre eles Edson Arantes do Nascimento. Sim, este é mais um filme do Pelé! Não é excelente, mas tem a qualidade de entretenimento de qualquer boa Sessão da Tarde.

(Escape to Victory, 1981)



Leia minha crítica de Fuga para a Vitória no blog parceiro DVD, sofá e pipoca.

Eis aí, meu top 6(!?) de filmes sobre futebol. Alguns excelentes, outro de gosto duvidoso, mas todos divertidos como uma boa partida. Agora é sua vez de fazer sua própria seleção de filmes futebolísticos. Quais os seus filmes sobre futebol?

Confira outras listas da cultura pop, ou veja como era diferente este blog lá em 2010, na época da Copa da África
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