quarta-feira, 30 de maio de 2018

Making Fun: The Story of Funko

Eu não sabia que Making Fun: The Story of Funko, havia sido produzido pela própria Funko, quando encarei um sessão do documentário disponível na Netflix. Se tivesse esta informação antes, é provável que eu não o tivesse assistido, ou no mínimo encarado à produção com outros olhos. Afinal, ao contar nossa própria história, é comum uma falta de analise crítica sobre a narrativa que terceiros teriam ao fazer o mesmo. Ou ainda uma certa omissão dos fatos, para cortar as partes que não gostamos - as redes sociais estão aí para provar. E esta é a melhor das hipóteses, às vezes nossa edição é proposital e cheia de segundas intenções.

Caso você não tenha lidado o nome ao produto, a Funko é uma marca de colecionáveis, especializada em bonecos. Seus produtos mais famosos são figuras de vinil cabeçudas de personagens e ícones da cultura pop, os Funko Pop!.

O documentário se propõe à contar a trajetória da empresa desde o início, em 1998 quando produzia Bobbleheads de mascotes de merchandising (aqueles personagens ligados à marcas, como o Ronald McDonald ou o Franguinho da Sadia, embora eu não acredite que estes dois tenham sido produzidos por eles), até a chegada de seu produto mais lucrativo e que fala com o maior público, os Pops!. Além de mostrar a relação de afetividade do público com a marca.

Essa jornada inclui a ideia da empresa, a criação do produto, o inicio da produção, a expansão para novos personagens, a busca pelo licenciamento deles, a mudança de dono e a criação de novos formatos.  Infelizmente o roteiro tem pressa para avançar para a parte em se tornou ela mesma um dos ícones da cultura pop, e muita informação interessante é deixada de lado, o abordada de relance.

A empresa surgiu em uma mesa de bar entre amigos, a produção era "estilo fábrica de garagem", mas como? Esse pessoal tinha equipamento para criar figuras de plástico? Era outro material? Quem modelava os moldes? Nada entra na história, contada através de depoimentos. A sensação é que a ideia nasceu pronta, era mais fácil de executar do que fazer miojo, e nenhum empecilho surgiu para ser superado. O que sabemos, é improvável. O que a produção parece desconhecer é que a criatividade e a determinação para seguir com o projeto é o que agrega valor, tanto à empresa, quanto a sua história.

A pressa para contar a história tem um motivo, chegar logo ao momento de explosão da empresa, e começar à abordar a relação desta com o público. Aqui entram depoimentos de "celebridades", emocionadas por virar um bonequinho, e de consumidores que alegam terem as vidas mudadas pela empresa. Não que eu duvide destas falas, mas a forma desordenada e nada sutil com que as entrevistas são exploradas, deixam descaradas as intenções do documentário: te alistar na legião de FUNáticos.

Não há dados de mercado, números de Funkos criação de conceitos, relação entre a empresa e outras marcas. Tantos detalhes e informações que poderiam ser apresentados de forma criativa e que criariam uma sensação de pertencimento pelo conhecimento. E mesmo a escolha de histórias e entrevistados parece preguiçosa, porquê escolher entrevistar Walter Jones (um dos Power Rangers pretos), Robert Englund (o Freddy Kruegger de A Hora do Pesadelo) ou Cassandra Peterson (Elvira, A Rainha das Trevas)? As figuras inspiradas neles são as mais vendidas? Mais difíceis de achar? Tem alguma história interessante? Não. Estas aparentemente foram as celebridades que toparam aparecer. 

A mesma preguiça escolha aleatória é feita com as entrevistas dos fãs. Enquanto qual quer busca simples no google trariam histórias mais interessantes, como a ocasião em que Charlie Cox ( o Demolidor da Netlfix) pediu à empresa alguns bonecos de seu personagem para doar à crianças de um hospital, e recebeu uma montanha deles.

Making Fun: The Story of Funko perde a oportunidade de contar bem a história de uma empresa que realmente tem fãs, e conquistar outros admiradores no processo. Para os FUNáticos, deve ser uma reafirmação interessante de sua "comunidade". Já para os não iniciados, ou para civis que ainda curtem os personagens e personalidades, ao invés da empresa que lucra com eles, o efeito pode ser oposto. 

Eu tenho Pops, gosto dos bonequinhos. Mesmo não consegui deixar de lado a sensação de estar sendo manipulada para integrar à uma comunidade de adoração à uma marca. Uma manipulação descarada e mal feita, que não consegue nem contornar a frustração de não entregar o que promete em seus título, a história da Funko. É apenas um grande e contraproducente comercial da marca.

No Brasil o documentário foi lançado diretamente na Netflix

Making Fun: The Story of Funko
EUA - 2018 - 99min
Documentário

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