quarta-feira, 30 de maio de 2018

Making Fun: The Story of Funko

Eu não sabia que Making Fun: The Story of Funko, havia sido produzido pela própria Funko, quando encarei um sessão do documentário disponível na Netflix. Se tivesse esta informação antes, é provável que eu não o tivesse assistido, ou no mínimo encarado à produção com outros olhos. Afinal, ao contar nossa própria história, é comum uma falta de analise crítica sobre a narrativa que terceiros teriam ao fazer o mesmo. Ou ainda uma certa omissão dos fatos, para cortar as partes que não gostamos - as redes sociais estão aí para provar. E esta é a melhor das hipóteses, às vezes nossa edição é proposital e cheia de segundas intenções.

Caso você não tenha lidado o nome ao produto, a Funko é uma marca de colecionáveis, especializada em bonecos. Seus produtos mais famosos são figuras de vinil cabeçudas de personagens e ícones da cultura pop, os Funko Pop!.

O documentário se propõe à contar a trajetória da empresa desde o início, em 1998 quando produzia Bobbleheads de mascotes de merchandising (aqueles personagens ligados à marcas, como o Ronald McDonald ou o Franguinho da Sadia, embora eu não acredite que estes dois tenham sido produzidos por eles), até a chegada de seu produto mais lucrativo e que fala com o maior público, os Pops!. Além de mostrar a relação de afetividade do público com a marca.

Essa jornada inclui a ideia da empresa, a criação do produto, o inicio da produção, a expansão para novos personagens, a busca pelo licenciamento deles, a mudança de dono e a criação de novos formatos.  Infelizmente o roteiro tem pressa para avançar para a parte em se tornou ela mesma um dos ícones da cultura pop, e muita informação interessante é deixada de lado, o abordada de relance.

A empresa surgiu em uma mesa de bar entre amigos, a produção era "estilo fábrica de garagem", mas como? Esse pessoal tinha equipamento para criar figuras de plástico? Era outro material? Quem modelava os moldes? Nada entra na história, contada através de depoimentos. A sensação é que a ideia nasceu pronta, era mais fácil de executar do que fazer miojo, e nenhum empecilho surgiu para ser superado. O que sabemos, é improvável. O que a produção parece desconhecer é que a criatividade e a determinação para seguir com o projeto é o que agrega valor, tanto à empresa, quanto a sua história.

A pressa para contar a história tem um motivo, chegar logo ao momento de explosão da empresa, e começar à abordar a relação desta com o público. Aqui entram depoimentos de "celebridades", emocionadas por virar um bonequinho, e de consumidores que alegam terem as vidas mudadas pela empresa. Não que eu duvide destas falas, mas a forma desordenada e nada sutil com que as entrevistas são exploradas, deixam descaradas as intenções do documentário: te alistar na legião de FUNáticos.

Não há dados de mercado, números de Funkos criação de conceitos, relação entre a empresa e outras marcas. Tantos detalhes e informações que poderiam ser apresentados de forma criativa e que criariam uma sensação de pertencimento pelo conhecimento. E mesmo a escolha de histórias e entrevistados parece preguiçosa, porquê escolher entrevistar Walter Jones (um dos Power Rangers pretos), Robert Englund (o Freddy Kruegger de A Hora do Pesadelo) ou Cassandra Peterson (Elvira, A Rainha das Trevas)? As figuras inspiradas neles são as mais vendidas? Mais difíceis de achar? Tem alguma história interessante? Não. Estas aparentemente foram as celebridades que toparam aparecer. 

A mesma preguiça escolha aleatória é feita com as entrevistas dos fãs. Enquanto qual quer busca simples no google trariam histórias mais interessantes, como a ocasião em que Charlie Cox ( o Demolidor da Netlfix) pediu à empresa alguns bonecos de seu personagem para doar à crianças de um hospital, e recebeu uma montanha deles.

Making Fun: The Story of Funko perde a oportunidade de contar bem a história de uma empresa que realmente tem fãs, e conquistar outros admiradores no processo. Para os FUNáticos, deve ser uma reafirmação interessante de sua "comunidade". Já para os não iniciados, ou para civis que ainda curtem os personagens e personalidades, ao invés da empresa que lucra com eles, o efeito pode ser oposto. 

Eu tenho Pops, gosto dos bonequinhos. Mesmo não consegui deixar de lado a sensação de estar sendo manipulada para integrar à uma comunidade de adoração à uma marca. Uma manipulação descarada e mal feita, que não consegue nem contornar a frustração de não entregar o que promete em seus título, a história da Funko. É apenas um grande e contraproducente comercial da marca.

No Brasil o documentário foi lançado diretamente na Netflix

Making Fun: The Story of Funko
EUA - 2018 - 99min
Documentário

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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Brinquedos que Marcaram Época - 2ª temporada

À exemplo de toda boa franquia de brinquedos, a série de documentários da Netflix que junta nostalgia, bom-humor e informação está expandindo seus horizontes e oferecendo novos produtos para seu público alvo. Apenas seis meses, separam a primeira e a segunda temporadas de Brinquedos que Marcaram Época.

O formato continua o mesmo, uma pesquisa detalhada sobre a história criativa e comercial de cada produto, contada com muitos depoimento, uma linguagem dinâmica e cheia de referências ao próprio produto, e claro, bom humor. Afinal, os brinquedos devem divertir, mesmo quando protagonizam um documentário. A novidade aqui, são os novos protagonistas escolhidos. Se nos primeiros episódios, os bonecos estadunidenses predominavam, a segunda leva de capítulos mostram que o mundo vai além dos brinquedos da terra do Tio Sam.

Talvez para não haver ciumes, são os trekkers abrem a temporada, assim como aconteceu com outra aventura espacial no primeiro ano da série. Aliás, rivalidade entre Star Wars e Star Trek existe também na indústria de brinquedos, e essa relação é tratada com bom humor, pelo roteiro - não precisa ficar chateado, ok, fã xiita de ambos!. Além dos bonecos, a franquia também trazia acessórios de todo o tipo, inclusive aqueles sem relação alguma com o programa de TV. Aliás o foco é nos produtos inspirados pelas séries para a televisão, e não nos longas da era J.J. Abrams.

Os Transformers tem uma origem para lá de curiosa em terras japonesas, que surpreendem pela amplitude que uma franquia simples tomou. O episódio também inaugura a saída do mercado estadunidense, para descobrir fenômenos de outros países que também divertiram o mundo todo. Ainda bem, pois aparentemente, a maior empresa de brinquedos do mundo é dinamarquesa. A LEGO, tem uma origem difícil de imaginar para a fabricante dos melhores blocos de montar - e piores peças de pisar - do mundo. Ela também enfrentou dificuldades impressionantes para uma marca que conseguiu se estabelecer tão forte em nossos imaginários. Meu episódio favorito até agora!


A última protagonista da temporada não nasceu exatamente como um brinquedo, mas como um personagem, um símbolo e se tornou uma marca. A Hello Kitty não é só uma franquia de brinquedos, a gatinha japonesa endossa todo tipo de produtos. É um dos símbolos pop japoneses mais reconhecidos, e representa até um estilo de vida.

Se a primeira temporada tinha o foco voltado para bonecos - e seus acessórios devidamente vendidos à parte, é claro - criados nos Estados Unidos, o segundo ano mergulha ainda mais no mundo dos brinquedos, ao incluir em sia lista uma personagem, um sistema de blocos de montar, e os multifacetados robôs que originalmente viravam muitas coisas além  dos populares carrinhos.

Ainda lançada sem muito alarde, Brinquedos que Marcaram Época é uma bem vinda mudança de ares, no serviço de streaming povoado por séries de ficção ou programas documentais "mais sérios". Não que a indústria de artefatos de entretenimento voltada para crianças seja brincadeira, aliás envolve muito mais que apenas seu público alvo. Informativa, interessante e recheada de nostalgia, a série oferece um relance de como era brincar em outras épocas para as novas gerações. Já os grandinhos, vão aprender mais sobre os objetos a que dedicaram muito tempo atenção e afeto, e quem sabe ficar com vontade de brincar mais um pouco. 

Os oito primeiros episódios tem cerca de uma hora de duração, e estão divididos em duas temporadas de quatro capítulos cada, todos já disponíveis na Netflix.

Leia sobre a 1ª temporada de Brinquedos que Marcaram Época.
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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Cargo

O curta-metragem Cargo, lançado em 2013, é forte, simples e cativante: no apocalipse zumbi, um pai infectado gasta as últimas horas em um esforço desesperado para salvar a filha ainda bebê. Para ir além dos cerca de sete minutos do original, e se transformar em um longa-metragem, o argumento precisa ganhar mais substância. É isso que o filme homônimo da Netflix tenta fazer.

É no interior da Austrália que a jornada de Andy (Martin Freeman) se passa. O protagonista tem 48 horas para encontrar um lugar seguro para sua bebê Rosie, antes de se transformar em um morto vivo. O tempo é pouco, mas suficiente para este pai fazer escolhas erradas e encontrar todo tipo de pessoas, vendo o pior e o melhor do ser humano em uma situação extrema.

Mostrar a verdadeira natureza de cada pessoa em meio à uma crise, é uma abordagem comum no subgênero dos filmes de zumbi, e esta é a escolha que Cargo faz para dar mais consistência ao seu argumento e transformá-lo em um filme de quase duas horas. Na busca por um lugar seguro, Andy esbarra em pessoas assustadas, traumatizadas, gananciosas, violêntas, desesperançadas, persistentes, entre outros clichés do gênero. A opção de seguir pelo "lugar comum", é garantia de um bom desenvolvimento e uma produção acertada, por outro lado pode decepcionar e muito aqueles que esperavam algo original, especialmente por causa da originalidade da premissa. É inevitável ao expectador acostumado com esse universo prever acontecimentos e mesmo as personalidades e escolhas de alguns personagens.

Já as escolhas do protagonista, nós até prevemos, mas não compreendemos completamente porquê ele as fez. A não ser por se tratar de uma pessoa com conhecimento limitado, ou o julgamento alterado pelo trauma de viver em uma sociedade destruída. A maioria das escolhas erradas é irritante, e existe principalmente para aumentar os obstáculos à trama, mas uma em especial é preocupante. A relutância em buscar ajuda da comunidade aborígene da região, o personagem continua buscando uma família "branca" mesmo que estes tutores pareçam inapropriados assim que aparecem em cena. Seria a recusa apenas questão de identificação, querer que a filha seja criada com os mesmos preceitos que o dele? Medo de não serem aceitos por uma comunidade cujos costumes desconhece? Ou seria mero preconceito mesmo? Um preconceito velado, menos agressivo que o de Vic (Anthony Hayes), enraizado na sociedade, exatamente como na vida real.

A questão nunca é abordada, nem mesmo quando Thoomi (Simone Landers), nativa australiana com quem o Andy divide a jornada, encontra evidências de que ele sabia sobre a existência da tribo. Mas o questionamento é evidente, e junto com as escolhas erradas tornam a empatia com o protagonista bastante precária. Felizmente Freeman tem carisma suficiente - sem falar no bebê muito fofo nas costas - para nos ajudar à relevar estes detalhes e torcer por sua sobrevivência.

A produção dá características próprias à sua infecção zumbi, embora nem todas elas sejam bem aproveitadas pelo roteiro. As mais acertadas são a graficamente enervante gosma que os infectados secretam, e o prazo fixo para a transformação que funciona como uma contagem regressiva para a sobrevivência da pequena Rosie. Apesar do cronômetro, o filme nunca soa apressado ou desesperado. O ritmo contemplativo que este adota em seu início, antes da crise acontecer, é mantido depois que o problema é desencadeado, sem soar cansativo ou lento demais. O filme usa o tempo que precisa para mostrar cada desafio, e isso dá um tom interessante, para este road movie dramático com toques de horror.

A produção usa as vastas paisagens do interior Austrália para criar, um ambiente mais ameaçador pela solidão do que pelos mortos vivos. É possível ver os zumbis à distância, assim como é fácil perceber o quão longe estão a provável ajuda e recursos. Á distância, o isolamento e a falta de tempo são os verdadeiros vilões do filme.

Realizado pela mesma dupla responsável pelo curta-metragem original, Ben Howling, Yolanda Ramke, a produção está cheia de alusões a este. Desde a mais óbvia figura do pai com sua "preciosa carga" nas costas, até o menos óbvio bolo de aniversário. Se ainda não assistiu ao filme de 2013, vale deixar para depois e ganhar um pouco com a surpresa da solução final.

Menos impactante que o curta que o inspirou, Cargo perde força por precisar encontrar novos obstáculos para preencher o tempo de tela, e optar pelos caminho mai óbvio. Nada que desafie o envolvimento com a trama, que é bem amarrada e desenvolvida em um ritmo próprio, em uma produção caprichada. Pode não surpreender, mas funciona.

Cargo foi lançado pela Netflix e já está disponível na plataforma de streaming.

Cargo
Austrália - 2017 - 105min
Drama, Suspense

Assista ao curta-metragem Cargo!
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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Fahrenheit 451

Acho que preciso reler Fahrenheit 451! - Esta foi a sensação que ficou ao final da nova adaptação do livro de Ray Bradbury. Já faz mais de uma década que mergulhei nas páginas desta distopia, e as mudanças na versão da HBO foram tantas, que acabei por questionar minhas memórias quanto a trama. Entretanto a premissa continua a mesma, o aproveitamento dela é que se diferencia.

Guy Montag (Michael B. Jordan) é um bombeiro, e nesta distopia a principal função de sua classe trabalhadora é iniciar incêndios, mais especificamente, queimar livros. É claro, que muita gente discorda deste discurso autoritarista que vê na leitura, e em outras formas de arte, uma ameaça. Vivendo à margem da sociedade essas pessoas tentam salvar a obra da humanidade. Impressionado com a atitude de um destes "radicais", Montag sente a necessidade de compreender o porque de tanta gente se sacrificar por estes tijolos de papel. É quando se aproxima de Clarisse McClellan (Sofia Boutella) e começa a repensar o mundo a sua volta.

Adaptando a obra de 1953 para a nossa era da comunicação, a produção incorpora nossas mídias sociais, a exposição e interação constante à este universo que já originalmente era dominado por telas, no caso da TV. Snapchats, Stories, chats e até emoticons, preenchem as lacunas desta sociedade com informação controlada, bombardeada na audiência todo o tempo. Inclusive nas fachadas dos prédios transformadas em telas gigantes que muito lembram o visual de Blade Runner.- direção de arte e fotografia aliás, emulam várias outras produções cientificas conhecidas. Uma atualização do universo bem vinda, mas realizada de forma simplista e um tanto óbvia, sem grandes explicações do real funcionamento ou motivações desta nova ordem social.

É provável que você se perceba, questionando: porquê e quando esta proibição começou? Como ela se estende a outras formas de arte? Só vemos telas e ruido, não há pinturas ou músicas, por exemplo. Onde estão os artistas e demais profissionais da escrita? Como a linguagem escrita que agora só existe nas telas, se modificou? Podemos ver alguns caracteres estranhos em meio as letras nos chats. E como é feita a educação infantil sem os livros? Existe uma cena com alunos para acender a dúvida.

A produção nem ao menos consegue explicar a motivação principal: porque os livros são ruins? Tendo lido o original e sabendo a importância da informação, percebi que era eu quem preenchia as lacunas. O máximo que o filme explica é que"a leitura deixa a mente confusa", além de abordar de forma muito leve, o nascimento da análise e da curiosidade, conforme o protagonista expande sua mente com a leitura. No final nos descobrimos mais interessados no caminho que esta sociedade percorreu para chegar até ali, do que a jornada que o protagonista tem a frente. O que não significa que tudo esteja esclarecido em relação a Montag e cia.

Aliais as dúvidas relacionadas ao roteiro se expandem para os personagens. As memórias do protagonista são jogadas aleatoriamente, sem que seu passado ou mesmo a descoberta destas lembranças influenciem o personagem ou sua jornada. Capitão Beatty (Michael Shannon) tem um vasto conhecimento literário, e hábitos esquistos que cão de encontro à sua posição de chefe dos "queimadores de livros". Detalhes interessantes que jamais são de fato explorados pelo roteiro. Já Clarisse, foi a que mais sofreu mudanças, para servir também de um desnecessário interesse romântico para o protagonista, que nem de longe precisaria de um "amor" para buscar libertação.

Nenhuma das mudanças no entanto é mais estranha que a trama que inclui tecnologia para inserir livros codificados no DNA. A opção minimaliza a outra solução dos rebeldes para salvar os livros, esta sim presente no original. E cria uma trama estranha que incluem planos sem sentidos, facilmente desvendados e desmontados por qualquer novato na função.

No elenco Shannon é o único com um trabalho mais inspirado, mesmo porque apesar de inexplorado, seu personagem é o mais interessante em cena. Enquanto Sofia Boutella e Michael B. Jordan, abordam seus personagens rasos, com uma atuação mediana, inferior ao trabalho que costumam apresentar. 

Mestre em criar séries de TV completas narrativa e cinematograficamente, a HBO não se sai tão bem quando o assunto é longas-metragens. Fahrenheit 451, esboça muitos questionamentos mas não explora nenhum deles. Desvia da obra original e neste caminho perde sua essência e complexidade. Se a produção se tornar a referência sobre a obra para o grande público, pode ser tão nociva para o original literário, quanto o governo ilustrado por ela.

Fahrenheit 451 foi lançado diretamente nos canais HBO e também está HBO GO.

Fahrenheit 451
EUA - 2018 - 100min
Drama, Ficção científica

Leia minhas impressões, escritas há muito, muito tempo, do livro Fahrenheit 451!
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Han Solo: Uma História Star Wars

Quando a Disney anunciou sua intenção de fazer um filme sobre o jovem Han Solo, o pensamento imediato de muitos fãs, inclusive o meu, foi: não sei se quero ver isso. Não que isso interferisse nos planos da empresa, que  estimulada pelo sucesso da franquia principal e de Rogue One, não enxergaria motivos para não trazer Han Solo: Uma História Star Wars. A produção que pretende preencher lacunas e responder perguntas sobre ícone do cinema.

Han (Alden Ehrenreich) ainda não é o malandro contrabandista que amamos quando o encontramos, é apenas mais um na multidão do planeta Corellia. É nesta aventura que conhecemos as motivações e a jornada que o levou a adquirir as características, amigos e até os objetos que facilmente relacionamos ao personagem imortalizado por Harrison Ford. Todas as perguntas que você sempre teve, e algumas que nem imaginou, devidamente distribuídas em uma aventura com toques de comédia.

Curiosamente a parte mais temerária da produção se sai relativamente bem em sua tarefa, dar novos rostos à personagens conhecidos. Com uma missão quase impossível, Ehrenreich parece ciente de que não é Ford, e escolhe aproveitar o fato de que este é um Han Solo ainda em construção, para lhe dar características próprias. Oscilando entre o bom moço e o malandro em potencial, ele incorpora gestos e expressões da versão de Ford em seu jovem protagonista sem pesar a mão.


Outro que precisa convencer é Lando Calrissian (Donald Glover), que aqui é um pouco mais intenso em em sua canastrice e malícia (sim, é possível) o que é coerente com o ímpeto da juventude. Chewie (Joonas Suotamo) é sempre o mesmo, mas aqui descobrimos mais sobre sua história e importância na vida do protagonista. Já os novatos tem que encaixar no tom e ritmo aventureiro e bem humorado e o elenco de peso não decepciona. O vilão vivido por Paul Bettany tem pouco tempo de tela, mas consegue marcar sua presença como ameaça invisível ao grupo. Beckett (Woody Harrelson, eficiente) é a figura de mentor da vez, e diferente de seus antecessores neste universo - a maioria Jedi e Sith - utiliza um guia de caráter mais maleável, não é vilão e nem mocinho. Rio (voz de Jon Favreau, divertido) a criatura alienígena da vez, é criado por GCI eficiente, tem uma personalidade interessante bem apresentada no pouco tempo que lhes é fornecido.

Outra que poderia ter mais tempo de tela é Val (Thandie Newton), sub aproveitada pelo roteiro apesar da força de sua personagem. A robô L3 (Phoebe Waller-Bridge, excelente) também tem uma personalidade forte, e nova para a sua "classe", é um droide com idéias de revolução. Relevante para a narrativa? Não muito, mas ainda divertida! Enquanto Qi’ra (Emilia Clarke, convincente), é o interesse romântico que move o protagonista, embora a moça não fique restrita à esta função. Prova de que o estúdio está ciente que não é mais possível colocar as personagens femininas à espera de um resgate a todo o tempo.


Enquanto o grupo tenta se ajustar remodelar e trabalhar juntos para cumprir suas missões, o roteiro aproveita para dar detalhes da história de seu protagonista, da qual tivemos vislumbres ao longo da trilogia original. Como ele conheceu Chewbacca, Lando, quando pilotou a Millennium Falcon pela primeira vez, como aprendeu a criar planos e esquemas, e até as origens de alguns nomes, nada fica de fora de uma profusão de referências que ultrapassam os limites do "fã-service" e beiram a quebra da "magia" em torno do protagonista, além de não trazer muitos detalhes novos. Impossível não notar que,. apesar de não haver nenhum projeto de sequência, embora haja sim um gancho para tal, se a mesma acontecer não restam muitas destas referências ou respostas a serem dadas em uma segunda aventura.

Enquanto gasta minutos criando situações e contando detalhes que não avançam a história, a produção perde a oportunidade de criar cenas memoráveis próprias. Não demora muito para o expectador perceber quais "grandes momentos" deve esperar, e o filme não surpreende ao entregar coisas novas. E mesmo entre estes grandes momentos previsiveis, alguns serão mais bem vindos que outros. A construção da relação com Lando é divertida, com Chewie ganha consistência. Já o primeiro encontro com a  Millennium Falcon nem de longe empolga tanto quanto a cena em que Ray a encontra em O Despertar da Força.

Se não temos muitas novidades em torno de seu personagem título, as contribuições para o universo da franquia são mais empolgantes. Pela primeira vez vemos como as "pessoas comuns" vivem neste período da história, especialmente aqueles à margem da sociedade. Há sim quem tenha relação com o Império e a Aliança Rebelde, mas os personagens tentam apenas sobreviver, independentes de motivações políticas. E claro, a vida nestas circunstâncias não é nada fácil.

Planetas funcionais que existem apenas para produzir algo, periferias, áreas de guerra, não faltam lugares novos a serem apresentados. A direção de arte e fotografia favorecem as cores fortes e contrastes para dar ao filme um visual próprio, ainda que coerente com o universo. E se ainda houver alguma dúvida, a trilha sonora traz ecos da música da trilogia clássica.

Mais leve e divertido, Han Solo: Uma História Star Wars tem um roteiro bem amarradinho, um bom elenco e produção caprichada. Peca apenas ao focar nas referências e nas perguntas que não precisa responder - quem precisa saber como a Millennium Falcon fez o percurso de Kessel em menos de doze parsecs? O importante é que ela o fez. - ao invés de investir em uma personalidade própria, e criar bons novos momentos. Diverte, mas deixa a sensação de que poderia ser melhor.

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)
EUA -2018 - 135min
Ficção científica, Fantasia, Aventura


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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Riverdale - 2ª temporada

A primeira temporada de Riverdale surpreendeu ao criar uma nova, e acertada, versão de um clássico dos quadrinhos estadunidenses. A série povoada por personagens dos quadrinhos da Archie Comics, tem a proposta de explorar dilemas adolescentes no estilo The O.C., agravados por um lugar cheio de mistérios como Twin Peaks. Ao longo de 13 episódios a produção se saiu bem ao desenvolver a trama do assassinato de Jason Blosson, apresentar os personagens para o grande público e deixar novas opções a serem exploradas no futuro. E o segundo ano da série chegou com 22 episódios. O tempo extra é um dos principais fatores que diferenciam as duas temporadas, tanto para o bem quanto para o mal.

Partindo dos ganchos deixados no ano anterior, Verônica (Camila Mendes) precisa aprender a lidar com a volta de seu pai Hiram Lodge (Mark Consuelos), à liberdade e aos negócios. Jughead (Cole Sprouse), precisa se acostumar com sua nova escola no South Side, e com os Serpentes, enquanto seu pai está na cadeia. Livre das asas da mãe, Betty (Lili Reinhart), se engaja mais nas causas que acredita.E oatentado à vida de Fred Andrews (Luke Perry), coloca seu filho Archie (KJ Apa), em uma busca por justiça. É claro, todas estras tramas são influenciadas e interligadas pelo mistério principal, quem é o Gorro Negro, que atentou contra a vida de Andrews e outros moradores de Riverdale.

O tempo extra exigiu um desenvolvimento mais lento do mistério, além de reviravoltas, e desenvolvimentos rocambolescos para ocupar todos os episódios com o mesmo caso. Repetições dos embates entre os lados norte e sul, os muitos casos adolescentes - todo mundo "pega" todo mundo! - e discordâncias entre o quarteto protagonista deixam evidentes, que a trama seria melhor desenvolvida em menos episódios. O arrasto pesou no roteiro, antes redondinho, agora cansativo em muitos momentos, e que ainda precisou correr com algumas explicações no último capítulo. Faltou equilíbrio.

Entretanto, vale lembrar quem é o público alvo da série. Um nicho que aparentemente curte muito torcer pelos "ships", e tretas adolescentes. Para atender à essa demanda a série acerta em cheio, criando até apenas para garantir o "fã-service". Agora só falta você e Archie se beijarem! - diz Betty à Jughead, sobre a relação do quarteto protagonista após uma cena gratuita de beijo entre dois deles.

Os personagens secundários foram o que mais se beneficiaram do maior número de episódios. Reggie (Charles Melton que precisou substituir Ross Butler, que não podia se comprometer com mais gravações), Toni (Vanessa Morgan), Kevin (Casey Cott), Josie (Ashleigh Murray) e até Ethel (Shannon Purser, a Barbie de Stranger Things) ganharam melhor desenvolvimento e tempo de tela. Mas ninguém aproveitou mais seu espaço que Cheryl (Madelaine Petsch), além de eventualmente ajudar os protagonistas, a ruiva ricaça teve que lidar com a morte do pai, com a mãe malvada, a descoberta de sua sexualidade. A questão da homofobia e aliás rendeu uma side-quest própria que é, de longe, uma dos melhores arcos da série. A moça passou de patricinha mimada, à justiceira corajosa - digna de integrar a equipe Arrow, com figurino e tudo - roubando a cena, e sem abandonar a majestade e a cor vermelha.

Agora sim, igualzinho ao quadrinho!
Entre os personagens principais, é Betty quem mais cresceu ao se relacionar com o vilão, descobrir o passado de sua família, e ter certeza da possível existência de um "lado negro" entre eles. Jughead tem seu rito de passagem para a idade adulta, ao passar de renegado a líder dos Serpentes. Assim como Verônica, que deixa de ser submissa ao pai, para jogar o jogo dele com eficiência. 

É apenas Archie quem realmente deixa à desejar se mantendo o mesmo personagem reativo da primeira temporada, quando seus dilema principal era apenas escolher entre futebol e música. Altamente manipulável, ele apenas reage aos acontecimentos e agindo como o tradicional adolescente que pensa que pode tudo, toma as piores e mais temerárias decisões possíveis. A atitude de fazer o que pessoas reais da sua idade não poderiam ou deveria, condiz com o universo da série, mas as atitudes em si deixam a desejar se comparada aos outros jovens, aparentemente mais espertos que ele. E como Archie é o protagonista fica difícil se preocupar tanto com ele quanto com os demais, especialmente quando o season finale o coloca como "coração" do grupo.

E por falar nas coisas que só os adolescentes de Riverdale fazem, e ninguém acha estranho. É preciso abstrair da maturidade e iniciativa destes personagens menos o Archie. A molecada escolhe resolver, por conta própria, todo e qualquer problema que apareça, mesmo aqueles que qualquer adulto preferiria chamar as autoridades. Polícia para quê? Nós somo capazes de pegar um assassino armado, sozinhos e sem reforço - eles pensam. Inclua nesta lista, festas bebidas e muitos amassos "de gente grande", que vão fazer você repensar o que fazia aos 17 anos. Uma dica: nada disso. 

O outro lado da moeda, os adultos, não enxergam, ou não entendem, os problemas, a menos que estejam causando um, ou vários deles. Neste caso, vão fingir inocência custe o que custar. A incapacidade dos adultos em serem responsáveis, deixa a história a cargo da molecada, que precisa agir como mencionado no parágrafo anterior. Logo se sua "sua suspensão de descrença for pouca", é provável que esta série não seja para você.

De volta aos temas adolescentes, a série acerta ao abordar alguns. Transtorno pós-traumático, homofobia, cura gay, uso de drogas, violência sexual e abuso de menores estão entre os temas deste ano. Muitos deles apresentados de forma coerente com o discurso atual, empoderando as moças, que não apenas se salvam sozinhas e unidas, mas salvam os rapazes muitas vezes. Provas, trabalhos de casa, escolha da faculdade e outras preocupações comuns à pessoas em idade escolar passam longe das mentes destes personagens, a não ser é claro do muito esperado episódio musical. Este pareceu meio deslocado, um desavisado poderia pensar estar vendo Glee, com músicas menos legais.

Direção de arte, fotografia e figurino mantém um bom trabalho ao criar uma Riverdale cada vez mais sombria e cinzenta, conforme os problemas se agravam. Além de manter uma distinção eficiente entre os personagens dos lados sul e norte, e as características daqueles que ajudam a história a andar. 

A segunda temporada de Riverdale não é tão eficiente e redondinho quanto seu ano de estréia. A produção sofreu para adaptar sua narrativa a um número maior de episódios. Algumas características foram beneficiadas por este tempo extra, outras nem tanto. Ao final do processo a série consegue entregar o que prometeu, um grande mistério desvendados por belos adolescentes com muitos dilemas amorosos. Agrada a seu público alvo, mas deve agradar poucos fora deste nicho. 

Riverdale é exibida no Brasil pela Warner, a primeira temporada também está disponível na Netflix.

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Deadpool 2

A missão foi cumprida no primeiro filme do Deadpool, reapresentar apropriadamente o personagem nos cinemas, apagando a versão problemática que apareceram em X-Men Origens: Wolverine. Como bônus o anti-herói ainda provou que existe público para filmes de super-heróis com censura alta, abrindo caminho para produções como Logan. O desafio agora é outro, manter o sucesso, sem o fator surpresa, o frescor da novidade, ou soar repetitivo.

Deadpool (Ryan Reynolds) está precisando encontrar maneiras novas de fazer as coisas, quando o super soldado Cable (Josh Brolin) vem do futuro com uma missão de assassinato aparece para acelerar o processo. Acho a sinopse meio vaga? Ótimo, quanto menos você souber do roteiro mais divertido fica. Basta saber que nessa "aventura", revemos personagens do primeiro filme, conhecemos novos mutantes, bons e maus, além de presenciar muitas reviravoltas e absurdos.

Ciente do hábito das sequencias cinematográficas ampliarem tudo que foi acerto no longa original para compensar a ausência da novidade, Deadpool 2 assume de cara, que pretende ser maior nas cenas de ação, na violência e principalmente na "zoeira".

Deadpool continua desbocado, abusado, bem humorado e careteiro, e claro, o centro das atenções. O foco acaba por custar um pouco o desenvolvimento dos personagens secundários, todos servem principalmente de escada para para Reynolds. O que deve funcionar bem com o grande público, mas deve irritar os fãs de quadrinhos que esperavam muito mais da complexidade de Cable nas telas. Ainda sim, as interpretação de Brolin está em perfeito equilíbrio com o protagonista, criando uma divertida relação de opostos. 

O universo é sim, ampliado por novos personagens, bem apresentados e utilizados dentro da proposta que lhes é imposta. Russel (Julian Dennison) é a pessoa frágil a ser protegida/resgatada com quem o protagonista cria uma relação. Domino (Zazie Beetz) é a desculpa para usar e abusar de sequencias de ação absurdas determinadas por sorte, Vanessa (Morena Baccarin) é sua bússola moral, e por aí vai.

Outras coisas que funcionaram bem no longa original, e estão de volta são as referências à cultura pop, a indústria do entretenimento e ao próprio filme - inclua nesta última, muita narração e quebra da quarta parede. Espalhadas por todo canto em tiradas rápidas, as alusões e piadinhas desafiam o público a estar sempre atento, em vários momentos soam demasiadamente gratuita, mas nem por isso menos divertidas.  

Ainda na lista de coisas resgatadas e ampliadas do primeiro filme estão as cenas de ação. Mais grandiosas, ainda mantém o humor negro, usando e abusando das habilidades dos personagens, especialmente da absurda sorte de Domino e das habilidades de cura de Wade. 

A trilha sonora segue o tom de unir dinamismo e bom humor, escolhendo músicas pontuais para as sequencias de ação, e abusando de clássicos melosos de musicais da Broadway para os momentos dramáticos. Estes aliais existem sim, e tem seu peso na trama e impacto nos personagens e público. A diferença aqui é que logo, são cortados por piadas, quase como aquelas pessoas que escondem o medo e a tristeza por baixo de humor, seja ele do tipo que for.   

O roteiro até surpreendente em alguns momentos, como a sequência relacionada à X-Force, mas por baixo é uma trama simples de redenção, Wade chega ao fundo do poço, perde a esperança, encontra um novo motivo para lutar e segue em frente. E certamente são os momentos cômicos que ficarão na memória do espectador. A sensação é de se trada de uma série de esquetes de humor, conectados por uma narrativa. Não se trata de uma falha da produção, é a proposta que eles escolhem e funciona. 

Deadpool 2 não tem mais o elemento surpresa, ou é uma novidade no sub-gênero dos super-heróis e sabe disso. Logo, assume sua "repetição" com bom humor, traz personagens novos e antigos para ajudar seu protagonista a manter o tom certo de comédia, e a espalha na tela como se usasse a metralhadora. A ação é constante, mas as piadas são interruptas, desde antes dos créditos iniciais - que você deve ler! - até as cenas pós créditos, provavelmente as melhores que você já viu.  O resultado é outra acertada, e ainda rara, adaptação de quadrinhos apenas para adultos na tela grande, divertido, desbocado, violento e com censura alta!

Deadpool 2
2018 - EUA - 120min
Comédia, Ação

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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Tudo que Quero

Aparentemente, tudo que Wendy (Dakota Fanning) quer é a oportunidade de dar vida aos personagens que povoam sua imaginação. Abaixo da superfície, esta jovem portadora de autismo quer dar um passo à frente, provar que é capaz de mais do que esperam dela. Não que esta busca seja consciente por parte da protagonista.

Desde que sua irmã se descobriu grávida, Wendy vive sob a supervisão de Scottie (Toni Collette), responsável por uma casa dedicada à pessoas com algum tipo de deficiência intelectual. A rotina regrada é o que à mantém "funcionando" em sociedade. Entre seu nada divertido trabalho na lanchonete Cinnabon, e as tarefas do dia-a-dia, a moça também tem um tempo reservado para suas paixões, a escrita e o seriado Star Trek. Quando um concurso de roteiro para a série aparece a jovem logo produz sua própria aventura de Kirk e Spock. Ao descobrir que o texto não chegaria à tempo via correios na Paramount Pictures, Wendy decide levar seu trabalho pessoalmente.

Scottie, a irmã Audrey (Alice Eve) também precisam lidar com a fuga da jovem. Além de encontrar a irmã, esta última precisa superar a saudade, e a culpa por não ser mais sua tutora. Já a cuidadora, acaba por conviver mais com seu filho adolescente, que por vezes recebe menos atenção da mãe, já que é capaz de se cuidar sozinho.

Entretanto, a grande jornada é mesmo a de Wendy. A moça encara a insegurança de sair de sua rotina segura, precisa lidar com suas limitações de compreensão e relacionamento, em um mundo de pessoas que não percebe, entendem, ou se importam, com suas dificuldades. E aqui está o grande acerto do longa, tratar sua protagonista como qualquer outro personagem principal. Afinal todos eles tem suas dificuldades e desafios, os de Wendy, por acaso são atrelados à sua condição, sem que a narrativa a torne uma vítima ou caricatura. De fato, o filme sequer menciona, o tipo de deficiência que a moça carrega. Isso não é importante, Wendy é uma jovem com anseios, medos e desafios como qualquer outra, e isto basta para motivar uma jornada de crescimento e auto descoberta.

Também cabe às atuações, não transformar a moça, ou qualquer um que o cerca em estereótipos e o elenco se sai muito bem na tarefa. Scoottie e Audrey, são mulheres fortes e determinadas, mas também são extremamente humanas e sensíveis, esta gama de sentimentos está é bem determinada pelas atuações de Collete e Eve. Já Fanning apresenta os trejeitos, e "sintomas" de sua personagem sem pesar a mão. O comportamento metódico, as crises de ansiedade, os ataques de raiva, a dificuldade de contato visual, entre outros comportamentos a que a personagem está presa, estão lá para que os percebamos sem que estes sejam explicados verbalmente, mas nunca de forma exagerada ou forçada. Ao ponto de os personagens com quem ela cruza em sua jornada, nem sempre os perceberem.

Fotografia e trilha sonora, não se destacam, mas são eficientes ao criar um mundo realista e relativamente otimista. Já direção de arte serve bem à narrativa, ao logo no ínicio cercar Wendy dos recursos que precisa, para que estes sejam perdidos ao longo da trama. Do conforto sistemático de seu quarto, às cordinhas onde ela carrega seus objetos mais necessários, tudo tem sua função na vida da jovem.

O que também tem função bem clara é a afinidade da protagonista com a série Star Trek. Assim como Spock, a moça tem dificuldades de compreender e lidar com sentimentos. O paralelo com o Vulcano, permeia segue por toda a trama, e recompensa o espectador, quando este percebe o quanto a relação da moça com personagem a ajuda a compreender nosso mundo.

Tudo que Quero é um drama sensível e bem construído, sobre uma jovem com dificuldades, como qualquer outra. Acerta ao não vitimizar, subestimar sua protagonista, ou tentar de arrancar lágrimas da platéia, práticas constantes em produções que abordam doenças e condições especiais. De forma doce, carismática e nunca piegas ou apelativa, o filme alcança seu objetivo: nos fazer preocupar, torcer e acompanhar Wendy, quando estaa decide explorar novos mundos, audaciosamente indo onde jamais esteve.

Tudo que Quero (Please Stand By)
2018 - EUA - 93min
Drama
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