quarta-feira, 7 de março de 2018

Pequena Grande Vida

Seja eles pessoais,ou da humanidade, quem não adoraria diminuir todos os problemas?  Em Pequena Grande Vida, a suposta solução para muitos empasses surge de forma curiosa, reduzindo não o problema, mas o causador dele.

Para solucionar o problema de superpopulação do planeta, descobrem uma forma de diminuir pessoas, e consequentemente reduzir o que consumem e o lixo que deixam para trás. Um dos benefícios não planejados da solução, é a melhora no padrão de vida dos "encolhidos", cuja vida custa muito menos do que as das pessoas de tamanho normal. Paul Safranek (Matt Damon) só aceitou encarar o processo irreversível para dar uma vida mais confortável para sua esposa Audrey (Kristen Wiig). É claro, a vida reduzida não é feita só de maravilhas como prometem os anúncios.

A produção começa como um retrato bem humorado da construção de uma nova realidade. Apontando as reações diversas à novidade, a vida compartilhada entre grandes e pequenos. Assim como, as motivações que levam as pessoas a "mudar de vida". Não é surpresa, a grande maioria só finge se importar com o meio ambiente. Além é claro de mostrar com certo encantamento, e o passo-a-passo do processo de encolhimento.

O roteiro segue com calma o caminho previsível, até que surpreende com uma virada que não muda apenas o caminho do protagonista, mas o tom do filme inteiro. Deixando de lado, a questão do encolhimento e o humor sobre a hipocrisia envolvida na empreitada, para se assumir uma alegoria sobre problemas em perspectiva.

Uma vez aclimatado na "nova vida", Paul volta ao lugar de homem comum, insatisfeito com sua existência até que novas pessoas mostram que seus problemas tem peso diferentes se comparados à outras realidades. Enquanto o bon-vivant Dursan Mirkovic (Christoph Waltz, em seu usual papel de estrangeiro com boa lábia), mostra que há coisas para se almejar, mesmo quando aparentemente se tem tudo. A ativista vietnamita Ngoc Lan Tran (Hong Chau), ensina que sempre haverão aqueles desfavorecidos em benefício de outros.

Tudo isso, sem abandonar o bom-humor. É aqui que a produção escorrega um pouco e apresenta Ngoc Lan Tran de forma um pouco mais caricata do que deveria, nada no entanto que impeça sua intérprete de roubar a cena. O ritmo mais lento da história, que não tem pressa ao apresentar o universo que inventou, pode causar estranhamento em alguns, mas faz todo sentido quando a produção muda de tom.

Acertando nas discussões, que vão da hipocrisia da sociedade como um todo ao egoísmo de cada indivúdo, Pequena Grande Vida é bem humorado, com produção impecável, e elenco afinado. É um dos raros casos onde o expectador não ficará irritado por não receber a produção que lhes foi prometida nos trailers. Saímos da sala felizes com a surpresa, e com muitas questões a repensar.

Pequena Grande Vida (Downsizing)
EUA - 2017 - 146min
Comédia, Drama
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