quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Maze Runner - A Cura Mortal

Maze Runner conseguiu uma proeza que poucas franquias baseadas em adaptações literárias juvenis tem conseguido, encerrar a história que se propôs a contar. E melhor, A Cura Mortal completa a tarefa de forma eficiente e coerente com o que foi entregue até aqui. E claro, assim como seus antecessores, com muita, muita correria!

Os clareanos continuam em sua fuga pela sobrevivência, e até encontraram uma solução viável para escapar das garras da C.R.U.E.L. Mas Thomas (Dylan O'Brien) não pretende deixar nenhum amigo para trás, e graças a traição de Teresa (Kaya Scodelario) ao final de Prova de Fogo, eles vão precisar resgatar muita gente. Adivinhou quem achou que o salvamento vai levar os heróis para a casa do inimigo. Lá, Teresa, Ava Paige (Patricia Clarkson) e seu imediato Janson (Aidan Gillen) trabalham na busca pela cura do Fulgor, o vírus que dizimou a humanidade, transformando pessoas em zumbis gosmentos e superativos. O trabalho cientifico inclui usar cobaias humanas, entre elas Minho (Ki Hong Lee).

A trama de resgate urgente, garante ao filme um ritmo frenético desde os primeiros minutos. O longa já começa com uma sequencia de ação bem construída, eletrizante e que serve para colocar a trama em movimento. Neste sentido, a produção depende muito do conhecimento prévio do expectador sobre os longas anteriores, já que não demora muito para os personagens partirem para a jornada final, sem tempo apara (re)apresentações. Essa aventura, entretanto, nos apresenta um pouco mais deste mundo e esclarece a maioria dos pontos obscuros da trama.

Digo a maioria, porque muitos sobre aquele universo fica a mercê da imaginação do expectador. As origens da infecção, como são identificadas as crianças imunes, os estranhos métodos científicos adotados pela C.R.U.E.L., entre outras respostas são deixadas de lado em prol da jornada de Thomas e cia. Escolha que não atrapalha em nada o desenvolvimento e compreensão da trama, muito menos elimina outras discussões interessantes.

Sacrifício, lealdade, práticas cientificas desumanas, e o abismo social que não apenas se mantém, como é agravado pelo pós-apocalipse, são algumas dos temas que A Cura Mortal aponta. Mas é claro, como bom filme de ação, apenas aponta mesmo. A maioria das discussões fica na superfície, embora o impacto da presença delas seja bastante relevante para trama, plantando a semente nas jovens mentes de seu público alvo.

A trama por sua vez, não tem medo de arcar com as consequências dos impasses e ameaças que cria. (Sim, morre gente!) Além de organizar as ameaças em uma crescente, em busca de encontrar o clímax mais apocalíptico possível, mesmo já se tratando de um mundo após o apocalipse. No final das contas, sempre há algo mais a ser perdido, aparentemente. Guerra, perseguições, explosões, desmoronamentos estão presentes ao longo de todo o filme, mas alcançam uma escala surpreendente, e talvez um pouquinho exagerada em seu desfecho.

Exagero que combina, o desespero dos personagens, uma constante independente do lado em que esteja. Adolescentes maltratados nos labirintos, pessoas comuns com medo de serem infectados, cientistas com receio de não achar a cura a tempo, todos parecem estar correndo, sem rumo, perdidos em um labirinto metafórico. O desespero exacerbado no entanto acaba gerando, momentos, falas e soluções clichês, e por vezes até piegas. Detalhes que poderiam ser melhor trabalhados, mas também não comprometem.

Já a pouca química entre O'Brien e Scodelario comprometem sim, a intensidade dos dilemas de ambos os personagens. Não acreditamos neste possível relacionamento desde o primeiro filme, logo não mergulhamos na dúvida por que os personagens passam. Já o restante do elenco funciona muito bem, especialmente os jovens presentes desde o início da aventura. Thomas, Minho (Ki Hong Lee), Newt (Thomas Brodie-Sangster), Frypan (Dexter Darden) parecem mesmo amigos de longa data. Brenda (Rosa Salazar) e Jorge (Giancarlo Esposito) conquistaram seu espaço neste grupo. Ava Paige parece mais apagada (a desmotivada talvez?) que nos filmes anteriores, enquanto Janson abusa da persona de seu intérprete. Devido a natureza deste personagem é praticamente impossível desassociar a figura de Aidan Gillen, do Mindinho de Game of Thrones.

A direção de arte, e os efeitos especiais mantém a coerência com os filmes anteriores na criação de um mundo desolado, com ilhas de alta tecnologia. E expande o universo ao apresentar a última cidade existente, e sua periferia. Nada revolucionário, mas tudo funciona, atende a necessidade do contexto e bem produzido.

Maze Runner - A Cura Mortal é assumidamente muito mais um filme de ação, do que de ficção cientifica.  Consegue equilibrar cenas eletrizantes com os arcos que precisa finalizar, de forma a não deixar maçantes suas mais de duas horas de projeção. Não tem medo das consequências da jornada e aposta em seu bom elenco jovem. Se é uma adaptação fiel ou eficiente, deixo para os leitores da obra de James Dashner decidir. Como trilogia cinematográfica, Maze Runner funciona  e entretém. A Cura Mortal oferece um  desfecho satisfatório para a aventura dos corredores de labirintos.

Maze Runner - A Cura Mortal (Maze Runner: The Death Cure)
EUA - 2018 - 142min

Ação, Aventura, Ficção-científica


Leia as críticas de Maze Runner - Correr ou Morrer e Maze Runner: Prova de Fogo
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