segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Stranger Things 2

Não são mais apenas as crianças que percebem coisas estranhas acontecendo nos arredores de Hawkings, apesar da maioria da população ainda continue alheia à realidade. Da mesma foma, a chegada desta temporada Stranger Things, não é mais uma surpresa curiosamente maratonada em massa, mas sim uma expectativa criada ao longo de um ano de espera e uma publicidade eficiente. Tentar atender as expectativas e superar, ou pelo menos se igualar ao original são sempre os maiores desafios de uma continuação.

Um ano se passou desde Will (Noah Schnapp, finalmente com espaço para atuar e muito bem) "se perdeu no bosque", com dezenas de promessas feitas e assinadas os personagens envolvidos no incidente deveriam simplesmente seguir com suas vidas, mas é claro que não é tão simples assim. Entre outros traumas menores, Mike (Finn Wolfhard) continua de luto por Elleven (Millie Bobby Brown), Nancy (Natalia Dyer) se culpa pela morte de Barb (Shannon Purser), o chefe de polícia Hopper (David Harbour) tem seus segredos e Will continua sofrendo os efeitos colaterais de sua estadia no mundo invertido. Ou seja, a estabilidade se sustenta sob uma linha fina que pode ser atravessada a qualquer instante.

É para desestabilizar essa linha que chegam os novos personagens, completamente alheiros a tudo que aconteceu no ano anterior. À começar pelo easter-egg ambulante Bob Newby (Sean Astin). É o eterno Goonie quem faz a história andar de encontro à nova ameaça, o monstro das sombras. 

Os irmãos Max (Sadie Sink) e Billy (Dacre Montgomery, o novo Ranger vermelho), vem complicar o desenvolvimento. O rapaz é o encrenqueiro de verdade, muito além dos "níveis escolares" de contravenção. Já "Mad Max", é a nova aquisição do grupo mirim, mas precisa lidar com o fato de ser excluída por não ter vivido a maior das aventuras, até então. Outro que chega com função bem definida é Murray Bauman (Brett Gelman), o teorista da conspiração está longe de desvendar os "bagulhos sinistros", mas sabe manter o clima de paranoia na medida certa, entre outra coisas.

Se os personagens novos tem funções bem definidas, e alguns já devem conquistar um espaço nos nossos corações, os velhos conhecidos só tem a crescer. Antes todos estavam focados na busca por Will, agora embarcam em dilemas diferentes e que acertada e inevitavelmente se encontrarão no bem amarrado desfecho. Assim todos, inclusive os novatos, tem espaço para desenvolver seus arcos, que nem sempre incluem ameaças sobrenaturais, o mundo normal pode ser tão complicado e assustador quanto o invertido. Além de reforçar as relações entre os personagens, afinal ver aquela molecada trabalhando junta para "salvar o mundo", com o jeito e preocupações de crianças é o que mais encantou no ano anterior.


Os novos caminhos incluem um episódio solo de Eleven. “A Irmã Perdida”, destoa dos demais episódios propositalmente e inicia a saga de auto-descoberta da menina e deixa algumas pontas a serem exploradas mais para frente. Uma saída interessante para tirar a arma mais poderosa de Hawkings até o clímax - afinal com a garota por perto a ameaça sobreviveria por um episódio apenas #GirlPower - mas que se não explorada pode soar como desvio ou enrolação para prolongar a ameaça. Mas, acho difícil que os irmãos Duffer não tenham planos quanto a esta história.

Mais cinematográfico que o primeiro ano - repare que o título incluí o numero "2" como em filmes, e não o tradicional "2ª temporada" - a série aproveita a para caprichar mais no visual, brincando com planos e a fotografia. Além de aumentar a escala dos bem executados efeitos visuais, não de forma gratuita, mas para atender à história. A ameaça está crescendo, logo os monstros de CGI também.

Além das criaturas, estão de volta as adoradas referências, desde as mais óbvias como Mad Max e Caça-Fantasmas até aquelas escondidas como o doce de Halloween de Will Reese's Pieces (famoso por aparecer em E.T.) e um episódio de Punky, A Levada da Breca passando na TV. Cinema, séries, quadrinhos, animações, games, música tem referência para todos os gostos e espectadores. E por falar em música, a trilha sonora da época foi novamente escolhida a dedo, mas desta vez a maioria de seus momentos mais marcantes estão no episódio final.

Stranger Things 2 tem sim bons efeitos, boa música e muitas referências, mas tem consciência que a base do sucesso é esta nos personagens. Bem criados, desenvolvidos e com os interpretes certos, nos importamos com eles. Assim, mesmo que a história seja simples, com uma jornada conhecida essa empatia nos mantém presos na maratona. O roteiro bem amarrado e sem furos, apenas faz a dedicação valer à pena. Já que atenderam às expectativas, e provaram que o primeiro ano não foi um acerto acidental, que venham mais "bagulhos sinistros"!

A segunda temporada de Stranger Things  tem nove episódio com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix. 

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