segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Stranger Things - 2ª temporada

Não são mais apenas as crianças que percebem coisas estranhas acontecendo nos arredores de Hawkings, apesar da maioria da população ainda continue alheia à realidade. Da mesma foma, a chegada desta temporada Stranger Things, não é mais uma surpresa curiosamente maratonada em massa, mas sim uma expectativa criada ao longo de um ano de espera e uma publicidade eficiente. Tentar atender as expectativas e superar, ou pelo menos se igualar ao original são sempre os maiores desafios de uma continuação.

Um ano se passou desde Will (Noah Schnapp, finalmente com espaço para atuar e muito bem) "se perdeu no bosque", com dezenas de promessas feitas e assinadas os personagens envolvidos no incidente deveriam simplesmente seguir com suas vidas, mas é claro que não é tão simples assim. Entre outros traumas menores, Mike (Finn Wolfhard) continua de luto por Elleven (Millie Bobby Brown), Nancy (Natalia Dyer) se culpa pela morte de Barb (Shannon Purser), o chefe de polícia Hopper (David Harbour) tem seus segredos e Will continua sofrendo os efeitos colaterais de sua estadia no mundo invertido. Ou seja, a estabilidade se sustenta sob uma linha fina que pode ser atravessada a qualquer instante.

É para desestabilizar essa linha que chegam os novos personagens, completamente alheiros a tudo que aconteceu no ano anterior. À começar pelo easter-egg ambulante Bob Newby (Sean Astin). É o eterno Goonie quem faz a história andar de encontro à nova ameaça, o monstro das sombras. 

Os irmãos Max (Sadie Sink) e Billy (Dacre Montgomery, o novo Ranger vermelho), vem complicar o desenvolvimento. O rapaz é o encrenqueiro de verdade, muito além dos "níveis escolares" de contravenção. Já "Mad Max", é a nova aquisição do grupo mirim, mas precisa lidar com o fato de ser excluída por não ter vivido a maior das aventuras, até então. Outro que chega com função bem definida é Murray Bauman (Brett Gelman), o teorista da conspiração está longe de desvendar os "bagulhos sinistros", mas sabe manter o clima de paranoia na medida certa, entre outra coisas.

Se os personagens novos tem funções bem definidas, e alguns já devem conquistar um espaço nos nossos corações, os velhos conhecidos só tem a crescer. Antes todos estavam focados na busca por Will, agora embarcam em dilemas diferentes e que acertada e inevitavelmente se encontrarão no bem amarrado desfecho. Assim todos, inclusive os novatos, tem espaço para desenvolver seus arcos, que nem sempre incluem ameaças sobrenaturais, o mundo normal pode ser tão complicado e assustador quanto o invertido. Além de reforçar as relações entre os personagens, afinal ver aquela molecada trabalhando junta para "salvar o mundo", com o jeito e preocupações de crianças é o que mais encantou no ano anterior.


Os novos caminhos incluem um episódio solo de Eleven. “A Irmã Perdida”, destoa dos demais episódios propositalmente e inicia a saga de auto-descoberta da menina e deixa algumas pontas a serem exploradas mais para frente. Uma saída interessante para tirar a arma mais poderosa de Hawkings até o clímax - afinal com a garota por perto a ameaça sobreviveria por um episódio apenas #GirlPower - mas que se não explorada pode soar como desvio ou enrolação para prolongar a ameaça. Mas, acho difícil que os irmãos Duffer não tenham planos quanto a esta história.

Mais cinematográfico que o primeiro ano - repare que o título incluí o numero "2" como em filmes, e não o tradicional "2ª temporada" - a série aproveita a para caprichar mais no visual, brincando com planos e a fotografia. Além de aumentar a escala dos bem executados efeitos visuais, não de forma gratuita, mas para atender à história. A ameaça está crescendo, logo os monstros de CGI também.

Além das criaturas, estão de volta as adoradas referências, desde as mais óbvias como Mad Max e Caça-Fantasmas até aquelas escondidas como o doce de Halloween de Will Reese's Pieces (famoso por aparecer em E.T.) e um episódio de Punky, A Levada da Breca passando na TV. Cinema, séries, quadrinhos, animações, games, música tem referência para todos os gostos e espectadores. E por falar em música, a trilha sonora da época foi novamente escolhida a dedo, mas desta vez a maioria de seus momentos mais marcantes estão no episódio final.

Stranger Things 2 tem sim bons efeitos, boa música e muitas referências, mas tem consciência que a base do sucesso é esta nos personagens. Bem criados, desenvolvidos e com os interpretes certos, nos importamos com eles. Assim, mesmo que a história seja simples, com uma jornada conhecida essa empatia nos mantém presos na maratona. O roteiro bem amarrado e sem furos, apenas faz a dedicação valer à pena. Já que atenderam às expectativas, e provaram que o primeiro ano não foi um acerto acidental, que venham mais "bagulhos sinistros"!

A segunda temporada de Stranger Things  tem nove episódio com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix. 

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Informações úteis para sua maratona de Anne with an "E"

Este manual vem para me redimir, e buscar a redenção de outros, que como eu podem ter deixado Anne with an "E" passar batido na lista de sugestões da Netflix. Não se deixe enganar pelo ar infantil e inocente, a série vale sim uma maratona.

Baseado no romance Anne of Green Gables, de 1908 da canadense L. M. Montgomery, a série narra as aventuras da órfã otimista Anne Shirley. A menina ruiva e tagarela é adotada por engando pelos irmãos em idade avançada Marilla e Mathew Cuthbert que queriam um menino para ajudar nos afazeres da fazenda. Começa aí a luta da garota para convencer o casal a ficar com ela, encontrar seu lugar na comunidade de Avonlea e quem sabe superar os traumas de uma infância difícil.

Informações úteis para sua maratona de Anne with an "E"


1 - O título original da série é Anne. A produção é na verdade canadense do canal CBC e ganhou nome novo quando a Netflix adquiriu os direitos de exibição mundial.

2 - Anne with an "E", título que a Netflix adotou é a forma como a personagem se apresenta e pede para ser chamada com um "E" bem sonoro no final de seu nome

3 - No Brasil o livro de L. M. Montgomery já foi publicado algumas vezes com dois títulos diferentes: Anne Shirley e Anne de Green Gables. A edição mais recente é da Editora Pedra Azul que também publicou Anne de Avonlea.

4 - Montgomery escreveu continuações da obra. Anne protagoniza seis livros, ao todo. Aparece em outros 3 e é citada em mais dois. Sua vida é retratada dos 11 aos 75 anos! Não falta material para a Netflix, né?

5 - E por falar em idade na série Anne é 2 anos mais velha que nos livros. A história já começa quando ela tem 13 anos.

6 - À primeira vista Anne parece mais irritantemente otimista que Kimmy Schmidt, também protagonista ruiva de uma série do serviço de streaming. Bom, ela é tão otimista quanto, mas diferente de Kimmy cuja personalidade só serve para o humor, a visão de mundo de Anne é o jeito que ela encontrou de enxergar um caminho melhor na vida sofrida que tinha.

7 - Sim, ela é dramática. Muito dramática, podia ser protagonista de novela mexicana! Mas com o tempo você se acostuma e até começa a gostar, o exagero é proposital para mostrar não apenas como ela é diferente, mas como traz energia e vida para aquela comunidade de "atuação contida". Mas tudo bem se você se descobrir fazendo caretas como os moradores de Avonela quando ela desandar a falar, você não é má pessoa por isso.

8 - O título de cada episódio é uma citação do romance de 1847, Jane Eyre, escrito por Charlotte Brontë. Que com certeza Anne leu, e onde deve ter aprendido passagens românticas e palavras grandes!

9 - É normal ficar perdido sobre onde a história se passa. Para quem nuca ouvira falar do livro pode demorar um pouco para entender de fato onde está situada a trama, já que os nomes dos lugares não são tão familiares para nós aqui no Brasil. Esclareço: a história se passa quase toda na Ilha do Príncipe Eduardo a menor província do Canadá. Por isso, os hábitos britânicos que podem confundir alguns. Boa parte da série foi realmente filmada na ilha.

10 - Preste atenção na evolução dos irmãos Marilla e Mathew Cuthbert. A dupla de atores vai deixando transparecer aos poucos a fragilidade dos personagens e que talvez eles precisem de Anne mais do que ela precisa deles.

11 - A história se passa no final do século XIX, mas os temas não poderiam ser mais atuais: adoção, igualdade de gênero, homossexualidade, auto-estima, bullying, entre outros estão no pacote.

12 - E por falar em bullying tente não passar muito tempo pensando o quanto doí levar uma lousa na cara. Apesar do caso em questão não ter sido na verdade uma situação de bullying, estava mais para hormônios confusos e descoberta dos sentimentos mesmo.

13 - Aliás, usar pequenos quadros de giz ao invés de cadernos e colocar o leite no riacho para ficar fresco até a hora do recreio são algumas das diferenças curiosas e divertidas que você vai adorar descobrir.

14 - Rapazes, só para esclarecer Anne em sua primeira TPM representa todas nós! Assim como o seu primeiro porre.

15 - Após alguns episódios o formato de criação e solução de problemas fica um pouco repetitivo e fácil de deduzir, principalmente se você usa aqueles cinco segundos entre um episódio e outro para ler a sinopse - não leia!. Mas não tem problema, já que à essa altura você já está completamente apegado aos personagens.

16 - Admire a abertura ela foi criada a partir de 8 pinturas à óleo feitas sob encomenda por Brad Kunkle, que depois foram animadas. As imagens abrangem as quatro estações do ano e escondem muitos detalhes, pistas e características da protagonista da série. Mais detalhes da abertura aqui!



17 - Pode ficar chateado, a série termina mesmo com um enervante gancho. Mas não fique bravo por muito tempo, a próxima temporada já está confirmada e terá 10 episódios!
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Aquela deprê pós-maratona!

Disfarçado de mais uma história de órfã otimista, Anne with an "E" é na verdade uma obra cheia de conteúdo e questões a serem discutidas. Tem uma produção impecável que recria a época de forma verossímil e encantadora. E apesar de ter assuntos mais complexos pode e deve ser visto por toda a família de preferência em maratona, então, já fica a dica!

Confira a crítica de Anne with an "E" e outras listas de Dicas para suas maratonas
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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Thor: Ragnarok

Chega de pompa e circunstância shakespeariana! Embora os conflitos familiares ainda estejam no centro dos conflitos das aventuras do Deus do Trovão da Marvel, Thor: Ragnarok chega com uma roupagem nova do herói asgardiano.

Começamos a trama com Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) voltando para a Terra à procura de Odin (Anthony Hopkins) às vésperas da chegada de Hela (Cate Blanchet). A poderosa deusa deve cumprir a profecia do Ragnarok e destruir Asgard. Ela começa banindo Thor para um planeta desconhecido.

Melhor no timing de comédia que como herói de ação, Hemsworth é protagonista de um longa tão assumidamente bem humorado que poderia ser facilmente classificado apenas como comédia. A aventura acerta ao usar o bom humor para construir a relação entre os personagens.A começar pela competitiva amizade entre Thor e Hulk (Mark Rufalo). O gigante verde aqui é mais do que a máquina de destruição monossilábica dos longas anteriores. E a disputa entre a personalidade do monstro e seu “médico” Bruce Banner também dá um passo a frente.

Já Loki, um pouco (mas não muito) mais realista depois de algumas derrotas, continua sua evolução de grande vilão, para antagonista ambíguo, anti-herói em construção. Sempre apoiado no grande carisma de seu interprete e na excelente química entre Hiddleston e Hemsworth.

Quem sai perdendo com tanto “bom humor”, no entanto, é a tensão. Se os filmes da Marvel nunca tiveram seu forte nas ameaças e suas consequências, este é o que transmite menos a sensação de ameaça e urgência justamente por causa de seu tom cômico. Por mais imponente e ameaçadora que Hela (Cate Blanchet, “divando”) pareça, a sensação é de que a malvada nunca chega nem perto de atingir o máximo de seu potencial de vilania. Apesar de matar exércitos inteiros e dizimar um planeta.

O mesmo vale para a relação entre personagens, construída mais por piadas que por sentimentos. A não ser por um breve luto por um personagem morto, ninguém fica realmente triste, preocupado ou com medo sem que uma piadinha interrompa o clima.

De volta aos pontos fortes, o visual vivo e multicolorido, além de uma referência assumida à Jack Kirby, encaixa perfeitamente com o tom abraçado pela produção, mais ágil e cômico que os dois longas anteriores do herói. O mesmo vale para a trilha sonora que traz de volta “Imigrant Song” do Led Zeppeling, já acertadamente usado nos trailers. E viaja até A Fantástica Fábrica de Chocolates de 1971, com “Pure Imagination” para apresentar o “mundo mágico” comandado pelo Grão Mestre de Jeff Goldblum. Colorido, ameaçador, meio lunático e de visual icônico a referência com Willy Wonka é uma piada divertida para os cinéfilos de carteirinha e uma boa apresentação para o personagem. Apenas a trilha incidental peca em ser intrusiva demais em alguns momento, tentando talvez imprimir uma tensão que a comédia não permite.

Completam a lista de novos personagens, o pouco memorável Skurge (Karl Urban), o próprio diretor Taika Waititi em uma ponta como o Korg e uma Valkíria (Tessa Thompson) suprindo a necessidade de “girl power”. Heimdall (Idris Elba) está de volta, e o longa conta com a participação especial do Dr. Estranho (Benedict Cumberbach), como esperado desde a cena pós-créditos do longa do mago. Mas procure também por outras participações especiais inusitadas.

Thor: Ragnarok ainda não está livre da fórmula Marvel, mas descobriu que pode arriscar uma nova roupagem para seus personagens já estabelecidos. Não é perfeito, mas tem mais acertos que erros, é visualmente deslumbrante, diverte e dá novo fôlego às aventuras do Deus do Trovão.

Thor: Ragnarok
EUA - 2017 - 131
Ação, Fantasia, Aventura, Ficção científica

P.S.: Como de costume, não saia antes do fim dos créditos!


*Crítica originalmente publicada no blog Roteiro Adaptado.
Leia as críticas de Thor e Thor - Mundo Sombrio
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Stranger Things: fã de carteirinha #2

A segunda temporada de Stranger Things está chegando e a gente tá como? Mais ansioso do que nunca. Enquanto a Netflix não reabre a passagem para o mundo invertido, fica a minha dica você para começar o "esquenta" para os novos episódios, confira a paródia musical do canal The Hillywood Show!



As irmãs Hindy criaram uma versão nova para a música ícone dos anos de 1980 "Super Freak" de Rick James. Mike, Dustin and Lucas cantam sobre sua nova amiga Eleven que é "Super Freak". Para os fãs de Supernatural (que aliás elas já fizeram essa paródia aqui) e de Zack e Cody a surpresa fica por conta da participação especial de Kim Rhodes como Joyce Byers, a mãe do Will. Para quem não ligou o nome a pessoa Rhodes é a Sherife Mills na saga dos Winchester e a mãe dos gêmeos endiabrados do Disney Channel.

Assista mais vídeos de Fãs de Carteirinha da cultura pop. Veja outros vídeos das irmãs Hindy, de quem esta blogueira que vos escreve é fã de carteirinha. E prepare-se para a chegada da segunda temporada de Stranger Things lendo outros textos sobre a série!



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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Livro vs Série: The Leftovers

Você pode não acreditar, mas as versões literária e televisiva de The Leftovers são ao mesmo tempo parecidas e completamente diferentes! Um fenômeno curioso, mas também a melhor parte de se ter várias - boas - versões para uma mesma história. A essência é a mesma, mas cada linguagem desenvolve os problemas e personagens de um jeito.

O ministério dos "spoilerfóbicos" informa: este post contém SPOILERS do livro e da série!

Faz alguns anos que 2% da população mundial simplesmente desapareceu, em um instante, sem aviso prévio, explicação, ou retorno. Pode não parecer muito, mas este percentual é suficiente para que todo mundo que ficou para trás conheça ao menos uma pessoa que tenha partido. No livro e na primeira temporada da série da HBO acompanhamos a vida de alguns moradores da pequena Mapleton.

1 - Mais moradores!
As diferenças começam já no número de personagens. O foco do livro está na família Garvey (Kevin, Lauren, Jill e Tom) e em Nora que perdeu toda a família. A série cria um arco para o reverendo Jamison. Um personagem pequeno no livro, que na TV virou irmão de Nora e tem uma esposa em estado vegetativo. O que acrescenta um ponto de vista religioso do suposto arrebatamento que o livro não abrange.

Também vemos um pouco mais dos Remanescentes Culpados, "RC", e seu relacionamento com as sociedade, principalmente na figura de uma de suas líderes Patti Levin. O "Santo Wayne" falso messias também ganha interações com alguns personagens, no livro ele é apenas uma figura constante nos noticiários e motivação para as ações de Tom e sua companheira de viagem Christine.

2 - Uma Nora diferente
Já mencionei que na série o reverendo Jamison se tornou irmão de Nora, o relacionamento deles é bem próximo. No livro Nora tem uma irmã que até tenta incluí-la em sua rotina mas não consegue. A mulher que perdeu tudo (marido e filhos) em 14 de Outubro, é solitária e sem objetivos. Na série ela ainda é solitária, mas tem um trabalho. Ela entrevista pessoas, para descobrir se seus entes queridos realmente desapareceram no arrebatamento, ou estão tentando dar um golpe no seguro.

O programa nos dá outro detalhe que a visão intimista dos livros deixa de fora, como o governo tenta compensar a população por um evento inexplicável. E como as pessoas reagem à essa "oportunidade". Não é só receber dinheiro, a bateria de perguntas da entrevista é bastante desconfortável.

Além disso, a mudança enriquece o arco de Nora que no livro se limita em superar a dor e se relacionar com Kevin. Ela é vista como um símbolo de superação, apesar não ter superado a perda da família. Precisa lidar com a vida profissional, e até faz uma viagem onde esbarra com outro personagem que não tem tanto destaque no livro e veremos no tópico a seguir.

3 - Santo Wayne
No livro, o suposto Messias é na verdade um aproveitador que criou uma religião em torno de si, com direito a adolescentes fazendo fila para ser mãe de seu filho, o escolhido. Tudo que sabemos dele é através de notícias e das experiências de devoto Tom e sua protegida Christine, grávida de Wayne. Na TV o personagem ganha rosto e um passado com motivações que não justificam, mas explicam seus atos. Também podemos vê-lo em ação quando Nora tenta se livrar de sua dor ao ter um encontro com ele.

4 - Kevin Garvey chefe de polícia ou prefeito?
No livro o patriarca da família Garvey é prefeito de uma cidade pequena. Um cargo que aparentemente não dá muito trabalho de acordo com sua rotina. Já na TV ele é chefe de polícia, o que o coloca mais na ação do dia-a-dia da cidade. O que é conveniente para coloca-lo como protagonista, diretamente em contato com todos os personagens da cidade e principalmente em confronto direto com RC. 

Kevin também ganha um pai, ex-policial com problemas mentais. Em uma sociedade traumatizada, com um trabalho de estressante e de alto risco quem não temeria que a loucura fosse genética. Outro conflito exclusivo da série.

5 - Aimee
Sem tanto trabalho e conflitos internos, no livro quem tem um bom destaque no relacionamento com Kevin é a amiga de sua filha Aimee. Ela também existe na série com um arco bem parecido, mas nas páginas a personagem tem mais importância e um desenvolvimento mais envolvente para o leitor. É muito interessante, vê-la crescer enquanto Jill continua adolescente.

6 - Remanescentes Culpados
Em ambas as produções acompanhamos o dia-a-dia dos remanescentes culpados principalmente por Lauren e sua pupila Meg. Os hábitos e dogmas da seita são idênticos, mas seus planos muito distintos. Enquanto nos livros o plano é centrado na própria seita, embora eles digam que querem relembrar as pessoas da partida, na série o plano realmente é global e pretende chocar a sociedade. Mas não posso falar muito de nenhum dos dois para não estragar sua experiência. Os pequenos conflitos do dia-a-adia entre os RC e a sociedade também aparecem mais na série, já que há mais personagens em foco e Kevin está sempre tentando solucionar algum deles.

7 - Jill e os RC
Completamente perdida desde que a mãe largou tudo para se unir aos Remanescentes Culpados, a adolescente Jill é aliciada pela internet por uma conhecida para entrar para a seita. Na série a menina acaba parando na mansão dos RC em meio a um conflito com as "pessoas normais", fazendo com que seu pai precise salvá-la no clímax da temporada. Na série ela está a caminho, malas feitas e tudo, mas uns amigos oferecem uma carona e ela acha mais interessante passar um tempo com eles. Simples assim!

8 - E o livro acaba por aqui...
Apenas um livro, nada de séries ou sequencias, sim isso ainda existe e é excelente! The Leftovers nas páginas é um recorte de um período nas vidas dos personagens, e termina com um caminho melhor a seguir, mas sem nenhuma certeza de como as histórias de Kevin, Jill, Lauren, Nora e Tom vão terminar. E a graça está nessa semelhança com a incerteza com a vida real.

Intencional ou não, a série já começou seu primeiro ano expandindo o universo e continuou contando a história por mais duas temporadas. Sempre com Kevin como ponto central e escolhendo a dedo os personagens que o acompanhariam a cada momento. E claro explicar muita coisa, ou mesmo oferecer certezas na vida dos personagens, deixando para o expectador a tarefa de tirar suas próprias conclusões.
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Diferentes, mas com a mesma essência. As duas versões The Leftovers souberam aproveitar o melhor do que cada formato poderia oferecer. Para quem lê este exercício de linguagem, pode parecer que o livro tem menos conteúdo que a série, mas não se engante é o seu clima intimista e introspectivo, é tudo sobre os personagens, que nos mantém envolvido. Já a série descobriu que podia, e precisava, colocar seus personagens em batalhas e confrontos diferentes para funcionar nas telas.

Então fica a dica, se puder leia o livro e veja a série, e depois nos diga qual experiencia gostou mais. Garanto que ambas tem suas qualidades.

Leia a crítica do livro The Leftovers e de todas as 3 temporadas da série da HBO.
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

The Gifted

Os super-heróis já são praticamente um sub-gênero, muito lucrativo figa-se, nos cinemas. Logo não é surpresa que na TV as séries protagonizadas pelos personagens dos quadrinhos estejam se multiplicando a cada ano. Mesmo assim, demorou para que os mutantes da Marvel encontrarem um espaço para falar com o grande público. Apesar de excelente Legion é uma série quase experimental, que exige um espectador mais "dedicado" por assim dizer. Já The Gifted tem potencial para reunir a família toda na sala.

Os Strucker são uma tradicional família "estadunidense" que tem sua rotina destruída quando a real condição de seus filhos é exposta ao mundo. Lauren (Natalie Alyn Lind, Gotham) e Andy (Percy Hynes-White) possuem o gene X. São mutantes em uma época de forte repressão, as pessoas com poderes estão sendo caçadas pelo governo e o programa Sentinelas. Os X-Men e a Irmandade desapareceram, a única alternativa da família é se unir a um grupo clandestino de mutantes tentando sobreviver.

Para complicar mais um pouco o pai das crianças Reed (Stephen Moyer) trabalhava perseguindo "mutantes fora da lei". Além de se descobrir do outro lado da luta, o patriarca vai precisar rever muito de seus conceitos. A típica mãe de família Caitlin (Amy Acker) vai descobrir que o "sistema" em que confiava não funciona tão bem assim, na sua jornada para proteger os filhos. 

Mas são as crianças que roubam a cena ainda no piloto, com Andy descobrindo seus poderes acidentalmente colocando toda a escola em risco e forçando a irmã finalmente "sair do armário". As cenas em que Lauren explica para a mãe que é mutante, e os momentos em que os adolescentes experimentam seus poderes são o tipo de interação intimista que os filmes dos X-Men nunca tiveram tempo de explorar em meio a correria para sempre salvar o mundo.

Entre os mutantes da "resistência" estão Blink (Jamie Chung, Once Upon a Time), Polaris (Emma Dumont), Pássaro Trovejante (Blair Redford) e Eclipse (Sean Teale), este último criado especialmente para série. Blink é uma recém chegada ainda lutando com a extensão de seus poderes. Já os demais tem um histórico de luta mais intenso com os Sentinelas, e agora tem que lidar com os filhos do cara que costumava caça-los.

Proteger a família, aprender a lidar com seus poderes, com uma nova realidade, amadurecer, enfrentar intolerância, o desafio destes mutantes não é salvar o mundo, é sobreviver. Nestes primeiros episódios a série mostra que pretende colocar seus personagens para enfrentar estes dilemas. Um problema de cada vez, desenrolando aos poucos a luta maior: escapar do governo. 

Os efeitos especiais não são excepcionais, mas são o possíveis para o orçamento de uma série de TV aberta. E mais importante, funcionam. Não tão bem sucedida, é a caracterização de alguns personagens, que mereciam lentes de contato e perucas melhores. Nada que não possa ser relevado pelo bom elenco. Especialmente as crianças que, junto o o roteiro, realmente soam como adolescentes - você está fugindo do governo, mas está resmungando que o banco do carro está sujo, típico arborescente! Apenas Stephen Moyer (de True Blood), parece um pouco intenso demais, principalmente no piloto. Algo que acredito ser ajustado ao longo dos episódios.

Uma família tentando sobreviver e encontrando outros com problemas semelhantes. Simples e intimist, The Gifted acerta ao deixar de lado a megalomania, tão tentadora quando se tem super-poderes, e investir nos personagens ao levar os mutantes para a TV. Agora é torcer para que a temporada continue no caminho certo.

The Gifted é exibida no Brasil pelo canal Fox, apenas um dia depois da transmissão nos Estados Unidos, a primeira temporada terá 13 episódios.
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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Anne with an "E"

Descobri três coisas ao decidir assistir tardiamente Anne with an E da Netflix neste feriadão. Primeira, a história se passa no Canadá. Segunda, eu não sei muita coisa sobre o Canadá. E finalmente, não devia ter demorado tanto para assistir a produção. Baseado no romance Anne of Green Gables, de 1908 da canadense L. M. Montgomery, a série narra as aventuras da órfã otimista Anne Shirley (Amybeth McNulty).

O casal de irmãos em idade avançada Marilla e Mathew Cuthbert decidem adotar um menino para ajuda-los com os afazeres de sua fazenda Green Gables. Mas um mal entendido faz com que uma menina seja enviada do orfanato para sua casa. Diante da figura feliz e empolgada com a nova vida Mathew (R. H. Thomson) não tem coragem de esclarecer o engano e resolve levar a menina para casa, para que a irmã (Geraldine James) decida como resolver o problema. Começa aí a saga de Anne para convencer o casal a ficar com ela, encontrar seu lugar na comunidade de Avonlea e quem sabe superar os traumas de uma infância difícil.

Eu sei o que você deve estar pensando - porque também pensei isso -, esta é mais uma história de órfã otimista que supera as dificuldades e conquista a todos apesar de todas as circunstancias contrárias. E você não está errado. Entretanto esta versão opta por mostrar uma versão mais realista do universo em que a protagonista vive. Anne é otimista, sonhadora e a frente do seu tempo, é verdade, mas isso não necessariamente torna sua jornada mais fácil ou mesmo mágica.

Discriminada por ser de fora, por ser órfã, por ter trabalhado como criada (como se tivesse tido escolha), por ser ruiva e magricela, por ter conhecimentos e pensamentos diferentes. Anne precisa provar por que cada uma de suas características não são uma ameaça a sociedade a que pretende pertencer. Dessa forma o programa acaba abordando não apenas problemas que eram tabu na época como menstruação e adoção, como aqueles que são discussão apenas, ou ainda, hoje em dia, como igualdade de gênero, homossexualidade, auto-estima e bullying.

Os problemas são apresentados e resolvidos de forma episódica. Quase sempre com a protagonista encerrando um episódio com um problema ou condição que aparentemente vai ter aprender a conviver (a comunidade não a aceita por ser diferente), apenas para o episódio seguinte tudo ser resolvido (o fato de ser diferente, faz com que Anne salve a todos, e a comunidade a perdoa). O formato previsível diminui o impacto dos acontecimentos após alguns episódios, mas o desenvolvimento bem executado de cada problema compensa a falta de surpresa envolvendo o expectador na situação.

Também eficiente para manter o público interessado é o bem selecionado elenco principal. Carismática a pequena Amybeth McNulty, tem textos longos e complexos - Anne conhece as palavras mais difíceis e usa todas! E acertadamente mantém sua interpretação em um tom dramático - e as vezes até irritante - muito acima de todos os outros, evidenciando que ela não é apenas diferente, mas também mais sensível e intensa. Um sopro de vida naquela comunidade.

Já R. H. Thomson e Geraldine James surpreendem ao deixar transparecer aos poucos a verdadeira condição dos irmãos Cuthber, por trás das figuras do irmão calado e da irmã severa. Pessoas que perderam muitas oportunidades, e  que encontraram alguma alegria em seu cotidiano quando achavam que nada de diferente poderia acontecer com eles, e ao mesmo tempo enfrentam o momento mais frágil de suas vidas, a velhice.

A série tem sete episódios. O primeiro deles, em formato de filme, com 88 minutos, conta com uma fotografia mais rica e direção mais caprichada. A direção de arte mantém a qualidade da reconstrução de época durante toda a temporada. Os demais episódios tem 44 minutos cada.

Apesar da cara de produção infantil, Anne with an E é no mínimo uma produção para toda a família. Trtaz, inclusive alguns temas complexos demais para os pequenos. A primeira temporada termina com um grande gancho para o já confirmado segundo ano, além de já ter apresentado alguns temas ainda não completamente explorados. Uma agradável surpresa no catálogo da Netflix.

Anne with an E foi ao ar originalmente pelo canal canadense CBC e tem distribuição mundial pela Netflix. A segunda temporada terá 10 episódios deve chegar em 2018.
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